Capítulo 268: Que bom homem!
Wu Ruo subiu em uma carruagem assim que saiu do restaurante Lanshan.
Na verdade, se tivesse perguntado aos irmãos You se a filha da avó fantasma tinha uma marca de nascença na cintura, saberia se sua mãe era ou não a filha da velha.
Mas não fez isso, porque queria ouvir a verdade da própria avó fantasma. Por ora, bastava saber que ela não faria muito mal a eles.
Mesmo sem perguntar sobre a marca de nascença, ele já estava quase certo da resposta.
Um barulho repentino interrompeu seus pensamentos. Ouviu-se um tilintar do lado de fora da carruagem. Em seguida, alguém rugiu impaciente:
— Anda logo! Ou eu quebro suas pernas!
O som das correntes se acelerou. A carruagem diminuiu a velocidade.
Wu Ruo abriu a cortina e viu um grupo de escravos cobertos de marcas de chicote, com correntes nos braços e nas pernas. Eles arrastavam os pés em direção contrária à dele.
O vendedor de escravos estava prestes a levantar o chicote contra os escravos por andarem mais devagar que o esperado. Mas, antes de acertar o golpe, teve o pulso agarrado.
Wu Ruo olhou com atenção e reconheceu o homem de verde que ajudara Shen Song a capturar um ladrão.
— O pé dele está machucado. Se bater, ele vai andar ainda mais devagar — disse Chong Rong com seriedade, empurrando o vendedor e aplicando um remédio na ferida.
A escrava começou a chorar de emoção ao ver alguém finalmente falar em sua defesa:
— Homem bom, por favor, me salve. Não quero ser vendida no mercado. Vão me espancar até a morte. Eu imploro.
Chong Rong hesitou e perguntou ao vendedor:
— Quanto ela custa?
O homem sorriu satisfeito:
— Apesar de ser plebeia, ela pode te ajudar a…
— Apenas diga quanto tenho que pagar — interrompeu Chong Rong.
— Mil taéis de prata. Sem pechincha.
Chong Rong bufou, tirou uma nota de mil taéis de prata e a entregou ao vendedor.
O vendedor pegou o dinheiro e lhe passou o contrato da escrava.
— Obrigada, senhor! Muito obrigada! — disse a escrava, curvando-se para ele.
Os outros escravos se ajoelharam e imploraram para que Chong Rong os comprasse também.
Ele hesitou, mas no fim acabou pagando sessenta mil taéis de prata para comprar todos.
Os escravos choraram, gratos.
— Que bom homem! — comentou Wu Ruo. Quando estava prestes a fechar a cortina, viu Shen Song correndo até Chong Rong.
Ele acabara de deixar um recado para Shen Song no restaurante, então ordenou ao cocheiro que parasse.
Saiu da carruagem e disse:
— Avise que não voltarei para o jantar.
— Sim — respondeu o cocheiro, que partiu com a carruagem.
Wu Ruo caminhou em direção a Shen Song e Chong Rong.
— Como pretende lidar com eles? — perguntou Shen Song a Chong Rong.
Chong Rong franziu o cenho.
— Shen Song — chamou Wu Ruo.
Shen Song olhou para trás e ficou encantado ao vê-lo:
— Senhor You! Que sorte encontrá-lo aqui! Para onde vai?
— Que coincidência — Wu Ruo teve que admitir que, basicamente, sempre se esbarrava com eles quando saía — Acabei de deixar um recado no restaurante Lanshan dizendo que os convidaria para almoçar no dia 10 de agosto. Mas encontrá-los agora foi uma surpresa. Que tal jantarmos juntos hoje? Têm tempo?
— Temos, sim — respondeu Shen Song, lançando um olhar aos escravos — Mas antes preciso ajudá-los a se acomodar.
— Obrigado, Senhor Shen Song — agradeceu Chong Rong.
— Você pagou por eles. Não vai ficar com os escravos? — perguntou Shen Song.
Chong Rong balançou a cabeça.
— Shen Song, este é o cavalheiro que te ajudou a pegar o ladrão da última vez? — perguntou Wu Ruo, apontando para Chong Rong.
— Sim. O nome dele é Chong Rong — respondeu Shen Song com um sorriso.
Chong Rong sorriu para Wu Ruo.
— Meu nome é You Panyang — disse Wu Ruo.
— Senhor You — disse Shen Song, apontando para a loja de sementes do outro lado da rua — Meu Senhor está ali. Você poderia me esperar lá? Já volto.
Wu Ruo assentiu e atravessou a rua até a loja. Assim que entrou, viu Junxing escolhendo sementes.
Aproximou-se dele e, antes que dissesse algo, Junxing falou com calma:
— Você pode comprar um escravo, ou até dúzias deles. Mas não pode comprar todos.
Chong Rong, que o seguia, abaixou a cabeça.
— Parece que você não concorda com Chong Rong — Wu Ruo riu baixinho.
Junxing ergueu os olhos, e um leve sorriso surgiu em seus olhos frios assim que viu Wu Ruo.
— Panyang, o que faz aqui?
— Acontece que eu estava passando e encontrei Shen Song. E gostaria de convidá-lo para um jantar.
— Agradeço desde já.
Wu Ruo lançou um olhar para as sementes nas mãos dele.
— Vai plantá-las na terra?
— Não. Vamos plantá-las no subsolo.
— Elas conseguem crescer sem luz solar? — Wu Ruo não acreditava.
Junxing respondeu, olhando para o silencioso Chong Rong:
— Chong Rong estudou uma forma de cultivar plantas debaixo da terra.
— Muito bem, Senhor Chong Rong! — Wu Ruo o elogiou com sinceridade. — Foi incrível o que fez!
Junxing o convidou para tomar uma xícara de chá.
Wu Ruo aceitou o chá e, enquanto bebia, observou Chong Rong em silêncio.
Ele parecia de mau humor por causa do que Junxing acabara de dizer.
Mas Wu Ruo entendia. Ele fizera uma boa ação ao salvar vidas, mas mesmo assim foi repreendido. Naturalmente, se sentiria incomodado.
Ele pousou a xícara de chá e fez um sinal para Junxing.
Junxing lançou um olhar a Chong Rong e lhe serviu uma xícara de chá:
— Chong Rong, não concordei com você porque desperdiçou dinheiro à toa.
Apenas com isso, Chong Rong sorriu. E seu sorriso era tão belo e puro quanto uma flor de lótus.
Isso deixou Wu Ruo pasmo. Ele quase deixou a xícara cair das mãos.
O coração de Junxing afundou ao ver Wu Ruo deslumbrado com Chong Rong. Ele perguntou:
— Gostaria de mais chá?
— Sim, por favor — Wu Ruo desviou o olhar, envergonhado. Ainda bem que Hei Xuanyi não está aqui. Caso contrário, estaria furioso por eu me impressionar com o sorriso de outro homem.
— Qual seria a coisa certa a se fazer, Senhor Junxing? — perguntou Chong Rong.
Junxing não respondeu à pergunta, mas se voltou para Wu Ruo:
— E você, Panyang? O que faria no lugar dele?
Wu Ruo não entendeu o motivo da pergunta, mas respondeu com honestidade:
— Se eu quisesse salvar os escravos, destruiria o mercado de escravos inteiro. Porque assim eu os salvaria sem gastar um centavo. E melhor ainda: ajudaria os escravos com o dinheiro dos próprios vendedores.
— Isso é exatamente o que eu faria também — disse Junxing com um sorriso.
Chong Rong tomou um gole de chá e perguntou:
— Senhor Junxing, depois do jantar, vamos dar uma volta no mercado de escravos?
— Vai salvar todos os escravos do mercado? — perguntou Junxing.
— Nunca estive em um mercado de escravos. Quero apenas dar uma olhada.
— Eu também nunca estive — disse Wu Ruo.
— Está interessado em ir também? — perguntou Junxing.
— Sim. Hoje não tenho muito o que fazer. Se vocês forem, posso acompanhá-los.
— Nós nos conhecemos há bastante tempo, mas na maioria das vezes só nos sentamos em restaurantes para jantar. Nunca saímos juntos — Junxing falou com satisfação.
Wu Ruo sorriu e estava prestes a responder algo, quando Chong Rong pousou a xícara de chá e se levantou:
— Senhor Junxing, antes que fique tarde, é melhor nos apressarmos e escolhermos as sementes.
— Pode escolher sozinho. Panyang e eu vamos esperá-lo aqui.
— Tudo bem — respondeu Chong Rong, indo até o balcão para selecionar alguns tipos de sementes de vegetais.
Wu Ruo tomou um gole de chá e perguntou:
— Junxing, vocês vão virar agricultores? Já que estão comprando tantos tipos de sementes de hortaliças.
Junxing sorriu:
— Não é perfeito ser agricultor? Quando eu cultivar os vegetais, mandarei algumas cargas para você. Garanto que vai querer mais.
— É uma honra para mim comer os vegetais que você cultivar.
Mas, só para constar, eu não como os que têm bichos, os que não têm sabor doce ou os que não têm aparência bonita.
— Tem certeza de que não está escolhendo uma “beleza vegetal”? — disse Junxing.
Wu Ruo caiu na risada.
Junxing sorriu ao ver Wu Ruo rindo.
Nesse momento, Chong Rong perguntou com as sementes nas mãos:
— Senhor Junxing, que tal plantarmos feijões e berinjelas?
— Por mim, tudo bem — Junxing assentiu.
Chong Rong se afastou.
— Que tipo de vegetal você prefere, Panyang? Posso cultivar alguns para você — perguntou Junxing.
— Eu gosto de ovos. Você consegue cultivar isso? — disse Wu Ruo.
— Perfeito — Junxing concordou, mas logo percebeu algo estranho. — Espera… os ovos vêm das galinhas, certo?
— Não esperava que você soubesse disso — Wu Ruo riu baixinho.
Junxing ficou sem palavras. Embora não comesse ovos, sabia que ovos vinham de galinhas.
— Você é mesmo…
Antes que ele terminasse a frase, Chong Rong voltou e perguntou:
— Senhor Junxing, e quanto a melões?
— Pode decidir por conta própria — Junxing franziu a testa.
— Está bem — Chong Rong se afastou novamente.
Wu Ruo franziu a testa, com a sensação de que Chong Rong estava interrompendo de propósito ele e Junxing.
Chong Rong não voltou mais depois disso, o que fez Wu Ruo se perguntar se não estava exagerando.
Duas horas depois, Shen Song chegou à loja de sementes. Os quatro foram jantar num restaurante ali perto.
Após o jantar, seguiram para o mercado de escravos.
O mercado de escravos ficava fora do centro da cidade.
Alguns escravos estavam amarrados e colocados à beira da estrada para seleção, outros estavam engaiolados, e alguns trancados em casas.
Wu Ruo ficou cheio de perguntas, pois era a primeira vez que visitava um mercado de escravos.
— Qual é a diferença entre os escravos à beira da estrada e os que estão em gaiolas?
— Você não faz ideia? — perguntou Shen Song.
— É minha primeira vez aqui — respondeu Wu Ruo.
Shen Song havia investigado a vida de You Panyang, por isso não insistiu:
— Os escravos à beira da estrada não têm terra espiritual. Então, são bem baratos.
Os que estão nas gaiolas são mais bonitos ou têm um nível baixo de poder espiritual, por isso são mais caros que os escravos comuns.
Já os escravos cultivadores ficam trancados nas casas. Se quiser vê-los, pode entrar.
— Os preços dos escravos comuns variam muito. Por que isso acontece? — perguntou Wu Ruo.
— Os escravos mais baratos vêm do Reino da Alma Morta. Os mais caros são de outros países, porque as pessoas do Reino da Alma Morta podem usar seus corpos para ver a luz do sol na terra — explicou Junxing.
— Entendi.
Capítulo 268: Que bom homem!
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Comeback of the Abandoned Wife
Depois que Wu Ruo morreu, ele renasceu naqueles dias sombrios em que era o mais inútil e o mais gordo — justamente a versão de si mesmo que mais odiava.
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