Capítulo 1 – O Medo da Superfície
Ano de 1830
O oceano parecia calmo naquela manhã.
A luz do sol atravessava as águas cristalinas, iluminando os palácios de coral do Reino de Atlântida. Cardumes coloridos atravessavam os jardins marinhos, enquanto baleias e golfinhos nadavam livremente.
Mas a paz não existia na superfície.
Sobre um enorme navio de guerra, a bandeira do Reino de Valória balançava com o vento.
Dezenas de marinheiros preparavam arpões de aço, redes reforçadas por correntes e enormes lanças.
As armas eram feitas especialmente para caçar sereias e tritões.
O capitão caminhava pelo convés observando o mar.
Capitão: — Fiquem atentos! Eles costumam aparecer perto das rochas!
Os marinheiros responderam em coro.
Marinheiros: — Sim, senhor!
No centro do convés estava um jovem de cabelos negros e olhos azuis.
Vestia um elegante uniforme azul-marinho bordado em ouro.
Era o Príncipe Harry, de vinte anos.
Apesar da pouca idade, já era conhecido como um excelente espadachim e caçador.
O capitão aproximou-se dele.
Capitão: — Alteza… encontramos rastros de uma família de sereias ao norte.
Harry pegou um longo arpão.
Harry: — Então não vamos deixá-las escapar.
O navio avançou.
Alguns minutos depois…
Um pequeno grupo de sereias surgiu entre as ondas.
Uma mãe.
Um pai.
E uma menina que aparentava ter apenas oito anos.
A criança ria enquanto brincava com um golfinho.
Ela não percebeu o perigo.
Marinheiro: — Ali!
O capitão levantou o braço.
Capitão: — Atacar!
Vários arpões cortaram o ar.
As sereias se assustaram.
A mãe abraçou a filha imediatamente.
O pai colocou-se na frente delas.
Um dos arpões atingiu sua cauda.
Ele gritou de dor.
Sereio: — Corram!
A família mergulhou desesperadamente.
Redes gigantes caíram sobre a água.
A pequena sereia ficou presa.
Ela chorava enquanto tentava escapar.
Pequena sereia: — Mamãe!
A mãe voltou para salvá-la.
Mas outro arpão atravessou a água, passando perigosamente perto dela.
Harry observava tudo.
Seu rosto permanecia sério.
Ele havia crescido ouvindo que sereias eram monstros.
Que destruíam navios.
Que atraíam marinheiros para a morte.
Para ele…
Aquilo era apenas mais uma caçada.
Harry: — Cerquem a área!
Os marinheiros obedeceram.
A pequena sereia conseguiu escapar da rede no último instante.
A família desapareceu nas profundezas.
O capitão bateu o punho no corrimão.
Capitão: — Maldição!
Harry olhou para o horizonte.
Harry: — Um dia encontraremos o reino deles.
Muito abaixo da superfície…
As sereias sobreviventes chegaram ao Reino de Atlântida.
A mãe chorava abraçada à filha.
O pai ainda sangrava por causa do arpão.
Guardas reais correram para ajudá-los.
A notícia espalhou-se rapidamente pelo reino.
No salão principal do palácio…
O Rei Tritão levantou-se de seu trono ao ouvir o relato.
Sereia: — Majestade… os humanos atacaram sem piedade…
Sereio: — Eles quase levaram nossa filha…
O rei fechou os olhos por um instante.
Sua expressão endureceu.
Rei Tritão: — Quantas vezes isso ainda vai acontecer…
Nesse momento, Max entrou no salão acompanhado de seus irmãos.
Ao ver o sangue na água, seu coração acelerou.
Max: — O que aconteceu?
A pequena sereia começou a chorar novamente.
Pequena sereia: — Eles queriam nos matar…
Max ajoelhou-se diante dela.
Max: — Está tudo bem… você está segura agora.
A menina o abraçou.
Max sentiu as lágrimas dela misturarem-se à água do mar.
Olhou para o ferimento do pai da criança.
Depois voltou seu olhar para o Rei Tritão.
Pela primeira vez, ele viu a dor estampada no rosto do pai.
Rei Tritão: — Agora entende por que proíbo qualquer um de vocês de subir à superfície?
O salão permaneceu em silêncio.
Rei Tritão: — Para os humanos… nós não passamos de monstros.
Max abaixou a cabeça.
As histórias que ouvira durante toda a vida estavam diante de seus olhos.
Mesmo assim…
Em algum lugar no fundo de seu coração, ele ainda acreditava que talvez existisse pelo menos um humano diferente.
Sem imaginar que esse humano era justamente o príncipe que havia participado da caçada daquele dia.
Capítulo 1 – O Medo da Superfície
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TOPÁZIO e o Pequeno Príncipe
Em TOPÁZIO e o Pequeno Príncipe
Ano: 1830
Em uma época de grandes reinos e expedições pelos mares, os humanos acreditam que sereias e tritões são criaturas perigosas. Em busca...