Capítulo 4 – A Fúria do Rei
Os grandes portões do Palácio de Atlântida se abriram às pressas.
Pietro e David carregavam Max pelos ombros, enquanto Calebe abria caminho entre os guardas.
O rastro de sangue deixado pela cauda do jovem príncipe tingia a água de vermelho.
Guarda: — Chamem o curandeiro real! Rápido!
Criaturas marinhas se afastavam assustadas.
Jamais imaginavam ver o filho mais novo do Rei Tritão gravemente ferido.
Na enfermaria real…
O curandeiro examinava a profunda ferida na cauda de Max.
Algumas escamas haviam sido arrancadas pelo arpão humano.
Curandeiro: — O corte foi profundo… Felizmente, o arpão não atingiu a espinha da cauda. Ele vai se recuperar, mas precisará descansar.
Pietro soltou um longo suspiro de alívio.
Nesse instante, a porta abriu com violência.
Era o Rei Tritão.
Seu olhar caiu imediatamente sobre o ferimento de Max.
Por alguns segundos, ele não disse uma palavra.
Apenas observou o sangue do filho.
Então sua expressão mudou completamente.
A tristeza deu lugar à fúria.
Rei Tritão: — O que aconteceu?
Ninguém respondeu.
O silêncio tomou conta da enfermaria.
A voz do rei tornou-se mais alta.
Rei Tritão: — Eu fiz uma pergunta!
Calebe deu um passo à frente.
Calebe: — Pai… Max foi até a superfície.
Os olhos do rei se arregalaram.
Rei Tritão: — O quê?
David abaixou a cabeça.
David: — Ele tentou salvar dois tritões que haviam sido capturados pelos humanos.
O rei olhou lentamente para Max.
Sua voz era firme, mas carregada de decepção.
Rei Tritão: — É verdade?
Max, ainda deitado, respirou fundo.
Max: — Sim… é verdade.
O rei apertou com força o tridente.
Rei Tritão: — Eu proibi todos vocês de se aproximarem da superfície!
Max: — Eu não podia deixá-los morrer!
Rei Tritão: — E quase foi você quem morreu!
O grito ecoou por toda a enfermaria.
Até os guardas abaixaram a cabeça.
Nunca tinham visto o rei tão furioso.
Rei Tritão: — Você desobedeceu uma ordem direta do seu rei!
Max: — Eu desobedeci… porque precisava salvá-los.
O rei respirava pesadamente.
Rei Tritão: — Você ainda acha que os humanos são bondosos?
O silêncio respondeu.
Rei Tritão: — Olhe para sua cauda!
Max abaixou os olhos.
O curativo escondia parte do ferimento, mas a dor ainda era intensa.
Rei Tritão: — Foi um humano que fez isso!
Rei Tritão: — Se o arpão tivesse atingido alguns centímetros acima… eu teria perdido meu filho.
As últimas palavras saíram com a voz trêmula.
Pela primeira vez, Max percebeu que, por trás da raiva do pai, existia um medo imenso.
O medo de perdê-lo.
Os irmãos permaneceram em silêncio.
Pietro apertava os punhos.
David desviava o olhar.
Calebe observava o pai, compreendendo sua dor.
Depois de alguns instantes, o Rei Tritão voltou a falar.
Rei Tritão: — A partir de hoje…
Todos prenderam a respiração.
Rei Tritão: — Está proibido de deixar o palácio sem minha autorização.
Max levantou a cabeça.
Max: — Pai…
Rei Tritão: — Não terminei.
O rei apontou o tridente para a saída.
Rei Tritão: — Guardas!
Dois guardas reais entraram imediatamente.
Guardas: — Sim, Majestade!
Rei Tritão: — Dobrem a segurança ao redor do príncipe Max. Quero vigilância dia e noite.
Guardas: — Como desejar.
O rei olhou uma última vez para o filho.
Seu olhar já não era de fúria.
Era de preocupação.
Rei Tritão: — Prefiro que você me odeie… a ter que enterrá-lo.
Sem dizer mais nada, o Rei Tritão deixou a enfermaria.
Max permaneceu em silêncio.
Pela primeira vez, começou a entender que o medo de seu pai era muito maior do que ele imaginava.
Mas, no fundo do seu coração, uma pergunta ainda permanecia:
Será que todos os humanos eram realmente cruéis?
Sem saber, o jovem príncipe Harry também não conseguia esquecer o brilho azul da criatura que havia visto escapar entre as ondas. O destino dos dois continuava seguindo o mesmo caminho, rumo a um encontro inevitável.
Capítulo 4 – A Fúria do Rei
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TOPÁZIO e o Pequeno Príncipe
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