Capítulo 11
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- Capítulo 11 - O Resgate e a Manhã Seguinte
Otávio estava esparramado em sua cama, sem camisa, totalmente confortável — conforto esse que foi interrompido por uma ligação.
“Porra, a essa hora?… É o Felipe.”
— Alô! Por que tá ligando a essa hora? Aconteceu alguma coisa?
— Otávio, é sobre o Eduardo!!
Otávio deu um pulo da cama por puro reflexo.
— O que tem o Eduardo?! Aconteceu alguma coisa?!
— Calma! É que ele veio beber no bar em que eu trabalho, mas acabou bebendo demais. Eu tentei parar ele, mas ele foi teimoso. Ele não tá conseguindo parar em pé e eu não sabia mais com quem falar.
— Porra, o Eduardo é foda! E os amigos dele? Deixaram ele sozinho nesse estado?
— Cara, eu não sei, porque ele chegou aqui sozinho.
— Sozinho?
— É, ele chegou sozinho e começou a beber todas.
— Merda! Deve ter acontecido alguma coisa. Me passa o endereço que eu tô indo aí. Não deixa ele sair daí, daqui a pouco eu tô chegando.
Otávio vestiu a primeira roupa que viu pela frente e seguiu às pressas em direção ao endereço que Felipe tinha enviado.
— Felipe!! Cadê ele?
— Tá aqui!!
— O que você tá fazendo aqui, hein? Você falou que não queria beber! Por que não me avisou que mudou de ideia? Felipe!!! Desce mais uma, vamo comemorar que o Otávio chegou!!
— Desce mais uma o cassete! Por que você foi beber desse jeito? Você sabe que não aguenta bebida!
— Aquele filho da puta desgraçado!! Ele acabou com a minha alegria! Ele se acha superior só porque é advogado!! Eu também sou advogado, sabia?!
— Do que ele tá falando, Otávio?
— Esquece, depois eu te conto essa história… Eu sei, Eduardo, eu sei. Agora a gente precisa ir embora, vou te levar na sua casa.
— Eu não quero ir embora!! Eu vou processar ele!! Ele acabou com a minha noite, ele tem que pagar por isso!
— Tá bom, amanhã você processa ele, agora o tribunal tá fechado, vamo embora.
— Tá bom… mas amanhã ele me paga!!
— Qual é o número do seu apartamento? Eu não lembro, preciso que você me fale.
— O número?
— É, o número! Qual o número?
— Número 139, Lei 2.848, artigo referente à difamação!!!
— Não, Eduardo, o número do seu apartamento!!
— Hã?
— Esquece, eu vou te levar pra minha casa… Felipe!
— Oi?
— Obrigado por me ligar!!
— Por nada, cara. Se precisar de alguma coisa, me avisa!
— Valeu!
“Caralho, Eduardo, você me paga por isso! O que aconteceu com você, hein? Por que foi beber desse jeito?”
Otávio seguiu com Eduardo apoiado nos ombros em direção ao carro que havia chamado.
— É sempre você que tá do meu lado!! Só você, eu só posso contar com você!
— É, Eduardo, eu tô do seu lado. Agora fica quietinho que a gente já tá chegando.
A motorista lançou um olhar atravessado, mas logo olhou para a frente e seguiu caminho.
— Chegamos!!
— Valeu, moça, boa noite.
— Não deixa seu namorado beber mais desse jeito não, vai acabar fazendo mal pra ele.
— Ele não é… quer saber, deixa! Não vou deixar ele beber mais não, isso a senhora pode ter certeza. Boa noite pra senhora.
“Você viu, seu idiota? O que eu tenho que aguentar?! Vamos, entra logo!”
— Onde a gente tá?
— Na minha casa, Eduardo! Você não lembrava do seu endereço!!
— Finalmente vou conhecer sua casa, uhuuul!!!
— Você tá ferrado comigo amanhã!
Otávio entrou e colocou Eduardo em cima da cama.
— Porra, você tá fedendo a bebida, vai ter que trocar essa camisa.
Otávio procurou uma camiseta no guarda-roupa e entregou para Eduardo.
— Toma, veste logo!
Eduardo pegou a camiseta, mas começou a vesti-la por cima da camisa.
— Assim não, seu idiota!!
— Eu não quero vestir nada, eu quero dormir! Eduardo disse enquanto fechava os olhos, lentamente.
— Ah, não, você não vai dormir agora, né? Eduardo!! Eii, Eduardo!!
“Droga, era só o que me faltava!”
Otávio colocou a camiseta em cima da cama e começou a desabotoar os botões da camisa de Eduardo, deixando seu peito à mostra.
“Caralho, por que ele tem que ser tão bonito?”, disse para si mesmo enquanto olhava para o corpo de Eduardo. Sua mente lutava, mas seus olhos sequer desviavam. Deu uma leve chacoalhada na cabeça e começou a desabotoar os botões do pulso da camisa.
Eduardo, por reflexo, colocou a mão prendendo o pulso de Otávio e o puxou para a frente. Otávio sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo; sentiu seus batimentos cardíacos aumentarem.
— Eduardo! Por favor, colabora. Eu preciso que você troque de roupa.
Eduardo soltou o braço de Otávio, que o ergueu, passando a camisa por trás do corpo. Otávio se virou para pegar a camiseta, mas Eduardo o puxou novamente, encostando seu corpo contra o dele. O corpo de Otávio estava trêmulo, sua respiração começou a ficar ofegante, sentia o coração errar as batidas.
— É só você quem está do meu lado, Otávio… Você promete que vai ficar comigo? Promete que não vai me deixar?
Eduardo repetia enquanto prendia Otávio em seus braços, cada vez mais perto, mais firme a cada toque.
Otávio sentia todas as suas emoções se misturarem. Sentia a pele de Eduardo tocando a sua, o que fazia seu corpo arrepiar de um jeito mais intenso. Ele estava ali em suas mãos, corpo com corpo, seu corpo sobre o dele; conseguia sentir os seus batimentos, conseguia tocar cada músculo, ouvir sua respiração, e isso o estava enlouquecendo.
“Se controla, Otávio! Vocês são amigos, são só amigos e ele está bêbado! Você precisa se controlar, precisa se controlar!!!”
Repetia freneticamente com a esperança de que suas palavras surtissem efeito.
Por um impulso, soltou seu corpo do de Eduardo. Estava trêmulo e não sentia as pernas. Puxou o ar várias vezes tentando liberar a adrenalina, colocou a mão sobre o pescoço que estava tenso, respirou fundo várias e várias vezes até sentir seu peito desacelerar.
Pegou a camiseta rapidamente e a vestiu em Eduardo, sem pensar, no automático. Tirou o colar e os anéis dele de modo cirúrgico; ele só queria acabar logo com aquilo. Jogou uma coberta em cima dele e foi em direção ao chuveiro.
“Preciso de um banho gelado, preciso urgente me livrar disso.”
Otávio deixou a água gelada cair e sentiu seu corpo se acalmando aos poucos. Se sentia mais leve. Se trocou e parou em frente à cama, pegou uma coberta e deitou ao lado de Eduardo, mas se manteve imóvel. Prendeu os braços junto ao corpo e não pretendia tirá-los dali, não pretendia se mexer, não depois do que aconteceu. Desviou o olhar em direção a Eduardo enquanto dizia:
— Eu sempre vou estar do seu lado, seu idiota! Não importa o que aconteça, eu sempre vou estar do seu lado.
E assim, repetindo essas palavras, ele adormeceu.
{…}
Eduardo abriu os olhos lentamente, sentindo sua cabeça girando e o corpo pesado.
— Booom dia, flor do dia! Achei que não fosse mais acordar!
— Caralho! Para de gritar, minha cabeça tá explodindo!
Eduardo olhou ao redor e percebeu que não reconhecia aquele lugar. Deu um pulo que o colocou sentado na cama.
— Otávio? Onde eu tô?
— Na minha casa, seu idiota!
— De quem é essa camiseta? Cadê minha camisa?
— É minha, Eduardo. E sua camisa tá pra lavar.
— Espera! Eu tô na sua cama?
— É, gênio! Você tá na minha cama, se essa é minha casa, né!
— Puta que pariu! Otávio?
— O quê?
— Por acaso a gente fez… “aquilo”?
— Fez aquilo?
— É, Otávio! A gente fez?
— Você não lembra de nada do que aconteceu ontem?
— Porra! Eu não lembro de nada. O que aconteceu ontem? Me fala logo, por favor!
— O que aconteceu ontem foi que você tava caindo de bêbado, o Felipe me ligou e eu fui te ajudar. Mas nem do número do seu apartamento você se lembrava! Tive que trazer você pra cá. E a sua camisa tava fedendo a bebida, por isso tá pra lavar.
— Caralho, por que você não falou isso logo?! Me deixou pensar besteira.
— Pra ver se você tem noção do que fez! E se o Felipe não trabalhasse lá? E se eu não fosse te buscar? Já pensou no que podia ter acontecido? Você podia nem estar vivo agora!!
— Eu sei… Me desculpa, e obrigado por me ajudar. Eu agradeço por você estar sempre do meu lado.
— Agora tá tudo bem, mas vê se não faz mais isso!
— Não vou, juro que não vou.
— Aliás, você pensou besteira por quê? Sai fazendo essas coisas quando tá bêbado?
— É lógico que não! Tá maluco? Eu só dei importância demais para o que o Arthur me falou.
— O que o Arthur te falou?
— Não é nada importante…
— Sei… Você brigou com seu pai ontem?
— Como você sabe?
— Você tava gritando, falando que ia processar ele por difamação.
— Merda! Eu fiz isso?
— Fez! Pergunta pro Felipe.
— A gente acabou discutindo, mas eu já te conto. Primeiro, eu preciso de um gole desse café!
— Toma!
— Porra, isso tá horrível, Otávio!!
— Café cura ressaca, toma tudo! Depois pega um sanduíche, eu fiz pra você. Deve estar sem comer nada há horas.
— Vou tomar… vou tomar.
Capítulo 11
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A primavera sem Flores
Otávio é um nerd negativo e mau humorado, sempre no seu canto sem amigos por perto.
Eduardo é o mais popular da Faculdade
sempre positivo, bem humorado e...