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Caleidoscópio da Morte

Capítulo 14: De Volta à Realidade

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Novel Info

Enquanto Lin Qiushi seguia em frente, a luz ficava cada vez mais forte; o brilho começava a arder em seus olhos, obrigando-o a semicerrá-los. Felizmente, o caminho sob seus pés não era irregular, então ele conseguiu continuar andando sem muita dificuldade.

Quando começou a se perguntar por quanto tempo ainda teria que caminhar, foi tomado de repente por uma tontura. Instintivamente fechou os olhos com força e tentou se apoiar na parede ao lado, mas o que sentiu foi uma superfície gelada, quase congelante.

Ele abriu os olhos de imediato, surpreso com o frio cortante, e ficou paralisado ao ver o que tinha diante de si.

Um corredor normal. Um apartamento comum. Uma luz branca suave saía das luminárias no teto.

Tudo ao redor era familiar demais — ele havia voltado para o seu próprio corredor.

Ele voltou?

Lin Qiushi ficou um instante sem reação, sem saber o que deveria fazer. Depois de pensar um pouco, tirou o celular do bolso.

Sexta-feira, 17 de julho, 20h00. Ele havia retornado exatamente ao mesmo horário em que tinha saído daquele mundo.

Ele se lembrava muito bem. Na noite do dia 17, tinha combinado de jantar fora com um amigo. Estava prestes a sair de casa quando abriu a porta… e se deparou com uma cena impossível de descrever.

O lugar onde deveria estar seu corredor comum havia se transformado em um corredor com doze portas de ferro preto.

Na época, Lin Qiushi quase perdeu a alma de tanto medo. Ficou parado ali por um longo tempo, achando que estava alucinando. Mas o frio vindo daquelas portas deixava claro que aquilo não era imaginação.

Ele olhou ao redor e percebeu que todos os outros caminhos haviam desaparecido — até mesmo sua casa não estava mais lá.

Não havia fim naquele corredor escuro. O silêncio mortal parecia uma entidade viva, consumindo tudo aos poucos.

Então ele tentou abrir uma das portas.

Mas todas estavam trancadas. Por mais força que fizesse, nenhuma se movia.

Ele testou uma por uma, até chegar à última porta… e essa abriu.

No instante em que ela se abriu, uma força violenta o puxou para dentro, e ele caiu.

No segundo seguinte, estava naquele terrível vilarejo nas montanhas.

Mas agora ele tinha voltado.

Lin Qiushi ficou parado por um longo tempo, tentando decidir se tudo aquilo tinha sido apenas um sonho estranho. Porém, então lembrou-se de algo.

Ele tocou a orelha e depois o bolso.

O brinco de pedra vermelha.

E o papel branco.

Naquele momento, ele entendeu: não era um sonho.

Ele realmente tinha vivido algo muito mais assustador do que qualquer pesadelo.

Seu celular tocou de repente. Lin Qiushi atendeu e viu o nome do amigo na tela.

“Ei, Lin Qiushi, o que você tá fazendo?” O nome dele era Wu Qi, colega de trabalho de Lin Qiushi. “Por que você ainda não desceu?”

Lin Qiushi estava meio atordoado. Aos poucos voltou a si. Wu Qi estava esperando lá embaixo; eles tinham combinado de jantar juntos.

Ele olhou o histórico de mensagens e percebeu que havia se passado apenas quinze minutos. Naquele outro mundo, ele tinha ficado cerca de quinze minutos também.

“Lin Qiushi?” Wu Qi perguntou, preocupado. “Você não vai falar?”

“Ah, não é nada.” Lin Qiushi respondeu. “Só me atrasei um pouco. Já estou descendo.”

“Tá bom.” Wu Qi disse antes de desligar.

Lin Qiushi desceu rapidamente.

Era julho, o auge do verão. O calor era intenso, e mesmo às oito da noite o sol ainda não tinha se posto. Raios alaranjados cortavam o horizonte, pintando o céu de vermelho. As pessoas caminhavam tranquilamente pelas ruas, abanando-se com leques. Tudo ao redor transbordava vida.

O corpo tenso de Lin Qiushi começou a relaxar.

Wu Qi estava na entrada do condomínio. Assim que o viu sair, acenou e reclamou que ele estava demorando demais, dizendo que nem sabia se ele estava se arrumando.

Lin Qiushi riu, mas não respondeu.

Os dois caminharam conversando em direção ao restaurante de churrasco perto do bairro.

Wu Qi reclamava dos mosquitos do lugar de Lin Qiushi. Disse que ficou lá meia hora e foi completamente picado. Enquanto falava, mostrou a perna para ele.

Lin Qiushi olhou. “Tem pelo demais. Não dá pra ver nada.”

Wu Qi: “Porra, até isso? Se não fosse esse pelo todo me protegendo, acha que eu ia ficar te esperando tanto tempo?”

Lin Qiushi: “…Foi mal. Eu pago o jantar hoje.”

Wu Qi: “Aí sim.”

O restaurante estava cheio. Eles pediram espetinhos e cerveja e começaram a conversar enquanto comiam.

Wu Qi perguntou: “Você vai mesmo pedir demissão e voltar pra sua cidade natal?”

Lin Qiushi: “Hã?”

Wu Qi ficou confuso. “O que tem com você hoje? Tá estranho. Você não foi você mesmo a noite toda. Você não me chamou pra falar disso?”

Lin Qiushi engoliu a cerveja gelada e respondeu de forma displicente: “Nada demais. Tive um pesadelo à tarde e ainda não consegui me recuperar.” Sua mente ainda estava presa ao que tinha acontecido dentro da porta. Ele tinha uma sensação vaga de que aquilo ainda não tinha terminado.

“Entendo.” Wu Qi disse. “Você não anda muito bem esses dias. Já foi ao hospital fazer um check-up?”

Lin Qiushi respondeu: “Fui sim. O resultado ainda não saiu.”

Wu Qi suspirou. “Nossa área é cheia de acidentes. Você lembra daquele diretor que se demitiu alguns meses atrás? Dizem que ele saiu porque quase morreu.”

“Ah…” Lin Qiushi murmurou.

Os dois continuaram conversando sobre assuntos aleatórios quando, de repente, um barulho alto veio da rua.

Parece que tinha acontecido um acidente de carro.

O restaurante de churrasco ficava de frente para a rua, com visão direta da avenida. Todos os clientes ouviram o som e alguns se levantaram. Aos poucos, mais pessoas foram se aproximando para olhar.

Wu Qi estava sentado perto da janela. Ele olhou para fora e comentou surpreso: “Foi um acidente de carro.”

Lin Qiushi se levantou e seguiu o movimento das pessoas até a entrada do restaurante para ver melhor.

O cenário era chocante: um carro havia batido violentamente em uma árvore. Ninguém sabia a velocidade em que ele estava, mas a frente inteira do veículo estava completamente destruída.

Era difícil imaginar que alguém tivesse sobrevivido a um impacto daquele tipo.

Vários curiosos se aproximaram para ajudar, alguém chamou a emergência, e logo viaturas da polícia e uma ambulância chegaram ao local.

Wu Qi, comendo tranquilamente, comentou enquanto observava a movimentação: “Esse cara estava claramente em alta velocidade. Pra destruir o carro desse jeito, devia estar a mais de 160 km/h.”

Lin Qiushi discordou: “Isso é centro da cidade. Como alguém chegaria a 160 km/h aqui?” Além disso, era sexta-feira à noite, horário de pico — havia carros por todos os lados. Era praticamente impossível acelerar tanto assim.

“Vai saber.” Wu Qi deu de ombros. “Para de olhar e volta. O peixe que você pediu já chegou.”

Lin Qiushi assentiu. Mas antes de voltar, lançou mais um olhar para o acidente.

E foi esse olhar que fez seu coração apertar.

O motorista estava sendo retirado do carro pelos policiais. O corpo estava completamente destruído, irreconhecível de tão ensanguentado… mas as roupas eram familiares.

Muito familiares.

Depois de pensar por alguns segundos, ele finalmente lembrou.

Quando entrou pela primeira vez naquele vilarejo nas montanhas, nem todos tinham trocado de roupa. Havia alguém ali usando exatamente aquelas roupas.

O nome dessa pessoa era…

Zhang Zishuang.

Um arrepio percorreu a espinha de Lin Qiushi.

Ele desviou o olhar imediatamente e voltou para dentro do restaurante, mas já não tinha mais vontade de comer.

Wu Qi perguntou: “Fala sério, o que tá acontecendo com você? Você ficou estranho a noite inteira.”

Lin Qiushi balançou a cabeça.

Então Wu Qi percebeu o brinco. “Quando você fez esse furo na orelha?”

Ele tentou tocar, mas Lin Qiushi desviou instintivamente.

“Uau, você mudou mesmo. Antes deixava eu encostar em você.”

Lin Qiushi respondeu seco: “Quando foi que eu deixei você me tocar?”

Wu Qi: “Você esqueceu daquela noite…”

Lin Qiushi imediatamente cortou: ele já sabia que aquilo ia virar besteira.

“Minha orelha ainda tá sensível. Vai inflamar se você encostar com essas mãos sujas.”

Wu Qi desistiu, mas ainda ficou curioso.

“Mas por que você fez isso? Não me diga que vai começar a namorar?”

Lin Qiushi: “Com um monte de homem ao meu redor? O quê, eu ia namorar você?”

Wu Qi ficou levemente envergonhado: “Não precisa ser tão direto… eu posso até considerar, sabe?”

Lin Qiushi nem hesitou: “Cai fora.”

Enquanto os dois homens brincavam e trocavam provocações, o céu foi escurecendo aos poucos.

Em qualquer outro dia, Lin Qiushi provavelmente não daria importância para a chegada da noite. Mas hoje era diferente — ele acabara de voltar daquele lugar.

Ao ver a escuridão se espalhar, sentiu um leve pânico.

Além disso, as palavras escritas naquele papel continuavam ecoando na sua mente, trazendo uma sensação inexplicável de inquietação.

Ele queria voltar para casa o quanto antes.

Wu Qi não o impediu. Pelo contrário, insistiu várias vezes para que ele se cuidasse e descansasse bem, dizendo que sua aparência realmente não estava boa nos últimos dias.

Os dois se despediram na entrada do condomínio e Lin Qiushi voltou rapidamente para casa.

Só depois de tirar a chave do bolso, destrancar a porta e entrar em seu apartamento é que ele finalmente soltou um suspiro de alívio.

Ele acendeu a luz da sala e viu seu gato, Castanha, deitado obedientemente no hall, miando para ele.

“Castanha!!!”

Lin Qiushi correu para tentar pegá-lo no colo, mas o gato virou o corpo com total desprezo e saiu andando, balançando o rabo redondo enquanto se afastava.

Lin Qiushi: “Castanha… deixa o papai te abraçar, vai.”

Castanha: “Miau~”

Com elegância, o gato saltou para o arranhador que ele tinha comprado e ergueu o nariz, olhando de cima para baixo para o próprio dono, como se o estivesse desprezando completamente.

Ainda não quer me deixar te abraçar…

Lin Qiushi suspirou.

Castanha era um Angorá Turco de dois anos. Apesar da aparência bonita e imponente, tinha um temperamento geralmente dócil. Antes, vivia grudado nele, miando e pedindo carinho o tempo todo — era seu “bebê” mais precioso.

Mas recentemente algo estranho começou a acontecer.

Castanha passou a rejeitá-lo.

Não só não deixava mais ser abraçado, como também começou a rosnar e tentar arranhá-lo com raiva. Se Lin Qiushi insistisse em pegá-lo, acabaria se machucando.

Ele simplesmente não entendia o motivo.

Ainda assim, naquele dia, o comportamento do gato parecia um pouco melhor — pelo menos não tentou atacá-lo.

Lin Qiushi suspirou novamente, olhou para Castanha e decidiu primeiro tomar um banho antes de tentar entender tudo com calma.

Capítulo 14: De Volta à Realidade
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Caleidoscópio da Morte

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Chapters

  • Capítulo 14: De Volta à Realidade
  • Capítulo 13: Outro Mundo
  • Capítulo 12: A Chave da Porta
  • Capítulo 11: A Mulher
  • Capítulo 10: Desenterrando Pessoas
  • Capítulo 9: O Coração das Pessoas
  • Capítulo 8: Uma Divindade Nefasta
  • Capítulo 7: Uma Mulher
  • Capítulo 6: Entrando no Templo
  • Capítulo 5: O Poço Seco
  • Capítulo 4: Mais Mortes
  • Capítulo 3: Uma Noite Infernal
  • Capítulo 2: Portas de Ferro e Chaves
  • Capítulo 1: Cruzando o Primeiro Limiar
 

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