Capítulo 18
Capítulo 18
Vida difícil, He Yu suspira.
Quando se assume um disfarce, é inevitável ter que usar outros dezessete ou dezoito para encobri-lo. Ele jurava ser um excelente aluno, cidadão exemplar e justo que se esforçava todos os dias, mas a situação não dava trégua; ele teve que passar de um “invisível inútil” a um “invisível inteligente”.
Mas ele definitivamente não queria continuar perdendo as máscaras até se tornar o “Elfo da Noite He Ritian”.
“Aquele…” He Yu olhou para Chu Yi com cautela e disse, sem um pingo de vergonha: “Irmão, ainda preciso dormir aqui hoje?”
“Tem algum compromisso?” Chu Yi abriu os olhos; o olhar estava límpido, ele nem sequer estava dormindo.
“Tenho.” He Yu assentiu com ar profundo.
“Não pode contar?” perguntou Chu Yi.
“Hum.” He Yu continuou profundo.
“Pode ir”, disse Chu Yi.
?
He Yu deu uma espiada discreta; Chu Yi parecia perfeitamente natural, fechou os olhos logo em seguida e respirava ritmicamente. Não dava para saber se ele tinha voltado a dormir ou não.
E ele nem perguntou nada.
Onde se encontra um Alfa tão bom? O controle da distância social dele era impecável. Até um antissocial diria: “Quero ser seu amigo”. He Yu sentia que, se antes a afinidade deles era de 60%, agora já passava dos 75%.
Com seus sentidos aguçados, o Alfa já havia percebido o olhar óbvio de He Yu. Ele apoiou o queixo na mão, observando-o com calma: “Eu respeito sua privacidade. Fico no aguardo da sua próxima surpresa.”
“Sim, senhor,” He Yu entrou imediatamente no personagem, “Vossa Majestade não se decepcionará.”
À tarde, a governanta bateu à porta.
“Jovem Mestre Chu, seus colegas chegaram.”
He Yu imediatamente se enfiou sob o cobertor, encolhendo-se todo com uma cara de “estou tão fraco”. Chu Yi deu um peteleco na testa dele: “Levanta. É o Xin Tao e os outros, não precisa atuar.”
Só então He Yu se levantou, esperando a reunião completa da “Casinha Feliz do Grande A”. Entre perder disfarces e encenar ontem, ele esteve ocupado demais e nem conseguiu dar notícias. Mas, pelo tom de Xin Tao e dos outros, parecia que a mãe de Chu Yi fazia esse tipo de coisa com frequência, tanto que os três nem pareciam ansiosos.
He Yu é quem ficou mais ansioso.
Li Jinhang entrou primeiro carregando duas sacolas enormes de supermercado, seguido por Xin Tao com um saquinho de frutas e, por fim, Cheng Haoyan com uma pilha de exercícios…
Só depois que Cheng Haoyan fechou a porta é que Xin Tao falou, sorrindo radiante para os dois: “Feliz lua de mel! Feliz lua de mel!”
Li Jinhang acompanhou o coro: “Feliz lua de mel!”
Chu Yi, encostado na cabeceira, deu uma olhada rápida: “Só trouxeram isso?”
“Sabia que você ia ser um ingrato!” Li Jinhang jogou as sacolas pesadas sobre a mesa e sentou-se. “Eu não devia ter acreditado nesse bosta do Xin Tao.”
“Eu te mandei comprar coisas, não carregar o supermercado inteiro,” Xin Tao afagou a cabeça dele, balançando a própria com ar de pena. “Pobre criança.”
“Vaza.” Li Jinhang mostrou o dedo do meio.
De repente, bateram à porta e a voz de Jiang Yue Nan ressoou: “O Xin Tao e os outros chegaram?”
Xin Tao olhou para He Yu e perguntou: “Deixo ela entrar?”
He Yu ficou frágil em um segundo, encostou-se em Chu Yi com um ar moribundo e fez um sinal de “OK”. Li Jinhang e Cheng Haoyan, que só ontem souberam da encenação, olharam para He Yu com um respeito solene.
Aquela atuação… se não ganhasse um Oscar, com certeza era marmelada!
Jiang Yue Nan mal entrou e levou com a pilha de exercícios de Cheng Haoyan na cara. Xin Tao explicou para a garota: “Nós, seus Irmãos, não poderíamos vir à sua casa de mãos vazias. Escolhemos a dedo essa coleção de exercícios para você.”
Jiang Yue Nan abraçou os papéis, reclamando: “Na próxima eu vou dar livros de vestibular para vocês também!”
“Gentileza sua,” Xin Tao deu um tapinha na cabeça dela, “mas as notas dos seus Irmãos dispensam exercícios extras.”
Pobre Jiang Yue Nan, apenas uma criança de quinze anos que, prestes a ter dois dias de folga no fim de semana, foi completamente “organizada” por esse grupo de Alfas sem moral.
Eles formaram um círculo e começaram a reunião oficial. Pauta central: onde ir no fim de semana.
O mundo dos ricos é realmente monótono e chato, pensou He Yu, bocejando no abraço de Chu Yi. Ele, como pilar da sociedade e força motriz do progresso, teria que trabalhar no fim de semana.
“Nessa época não tem muita coisa legal para fazer,” disse Xin Tao. “Quando esquentar mais a gente vai para a praia.”
Tongyan ficava no litoral. O mar era dividido em dois: a praia pública para os “plebeus” e as praias privadas de veraneio. He Yu assentiu; eles obviamente falavam das privadas.
“Surfar seria bom,” Li Jinhang comentou, jogado na cadeira. “Ficar trancado em casa todo dia está me deixando doente.”
“Vamos correr de carro,” sugeriu Cheng Haoyan, raramente abrindo a boca.
“Pode ser,” Chu Yi concluiu.
Eles começaram a discutir destinos, equipamentos novos e por aí vai… A vida de um Alfa de elite era esse ciclo de tédio e busca por adrenalina.
He Yu ouvia tudo, observando Jiang Yue Nan com os olhos brilhando. Ele entendeu por que ela tentou ir ao OTE na primeira chance que teve de parecer adulta. Aquele grupo não tinha filtro perto de crianças; Li Jinhang chegou a perguntar se a menina queria ir junto na corrida.
Jiang Yue Nan, com as bochechas coradas de empolgação, levantou a mão. Chu Yi, no entanto, foi implacável: “O pai dela mandou ela ficar em casa fazendo lição. Proibida de sair.”
A garota murchou na hora, resmungando: “Era só você não contar para ele.”
“Pequena Jiang,” Chu Yi olhou para ela com um sorriso cínico, “as câmeras estão cegas ou a governanta é surda?”
Jiang Yue Nan fez beicinho e se calou. O “bom Irmão” Xin Tao, nunca perdendo a chance de ensinar que “a vida é sofrimento”, reforçou:
“Da última vez que te levamos para sair, seu pai ficou com estresse pós-traumático. Pode esquecer, seus Irmãos não te levam mais a lugar nenhum.”
Jiang Yue Nan, furiosa, deu um pisão no pé dele.
He Yu prestou atenção e pescou a história toda. Nas férias de inverno, o pai da menina pediu que Chu Yi desse aulas para ela. Em vez disso, Chu Yi a levou para andar de moto em alta velocidade; era moto de dia e videokê à noite. Embora estivessem apenas os quatro, sem más companhias, o pai dela ficou tão aterrorizado que desistiu do sobrinho e procurou outro professor particular.
Sim, o substituto era ele. O destino é realmente uma sucessão de peças de dominó; a partir do momento em que a primeira cai, tudo o que vem depois está traçado. Genial.
À noite, He Yu passou em casa, trocou de roupa e tomou um banho frio. Não sabia se era impressão, mas a água não parecia mais tão gelada.
Chegou ao OTE às sete e meia em ponto. Han Liu, o “Liu’er”, estava de vigia no portão e veio logo contar as novidades dos últimos dias. No fim, perguntou: “Irmão Yu, por onde você andou?”
He Yu deu um tapinha no ombro dele: “Fui namorar.”
Liu’er riu: “Irmão, não me zoa. Da última vez você disse que o amor é um peso e que ser solteiro é que é vida.”
“Isso é porque você não entende nada,” He Yu disse com ar de veterano. “Quando você encontra alguém que te agrada de verdade, você cai na rede. O amor é essa loucura.”
Liu’er, um Alfa três anos mais velho que He Yu, ficou boquiaberto. Coçou a cabeça e perguntou: “Será que um dia eu encontro alguém?”
“Questão de destino,” respondeu He Yu. Liu’er assentiu com convicção.
Após enrolar o pobre rapaz, He Yu conteve o riso e foi para os fundos. O Irmão Feng não estava, mas o barman Zhou Wu apontou para a mesa com resignação: “Irmão Feng disse para não te entregar nada. Pegue você mesmo.”
He Yu riu e pegou os documentos: “Se você fosse obediente assim com seus professores, estaria estudando na NASA agora.”
“Eu era jovem demais,” Zhou Wu balançou a cabeça. “Não levo jeito para os estudos. Se eu tivesse sua cabeça, não estaria aqui.”
“E o que tem de errado aqui?” He Yu estava satisfeito. “Tirando o risco de ficar careca por virar noites, é um ótimo emprego.”
Zhou Wu caiu na risada.
A foto no relatório era de uma mulher Omega estilo “mulherão”: pernas longas, olhar marcante, bonita e elegante. O tipo mais visado em bares e propenso a atrair confusão.
He Yu trocou o uniforme e ficou na penumbra do salão. A cliente chegou sozinha. Embora o registro dissesse “19 anos”, ela parecia muito madura, nada a ver com a rebelde Jiang Yue Nan. A maquiagem era pesada; He Yu demorou a reconhecê-la pela foto.
Ela vestia um vestido preto justo e provocante. Sentou-se ao balcão, pediu uma bebida e sua postura refinada logo atraiu olhares mal-intencionados. He Yu massageou as têmporas.
Momentos depois, a mulher fez um sinal para o barman Zhou Wu e sussurrou algo. Zhou Wu hesitou e acenou para He Yu. O Omega estranhou. A mulher olhou para ele com um sorriso de canto. He Yu suspirou, caminhou até lá e sentou-se ao lado dela.
Ela o analisou com calma, apoiando o queixo na mão. Sua voz era fria, contrastando com a aparência sedutora: “Nada mal. Bem bonito.”
He Yu sorriu e pediu um copo de água ao Zhou Wu. Ela está me cantando.
Ele não era um galã como Chu Yi, mas tinha um charme que crescia conforme se olhava. Em um bar, ninguém o confundiria com um Omega por causa de sua aura. Um Beta bonito e com um ar rebelde às vezes era mais disputado que um Alfa autoritário. He Yu recebia bebidas, gorjetas e propostas diretas com frequência.
Antes, ele não tinha interesse. Agora, ele não tinha coragem. Se Chu Yi soubesse que ele estava aprontando durante o contrato, provavelmente seria fatiado por ele.
“Obrigado pelo elogio. Você também é linda,” He Yu respondeu com tranquilidade.
Yan Xueyuan estendeu a mão com um sorriso preguiçoso: “Yan Xueyuan. Seu jeito de elogiar é bem comum.”
“Meu trabalho não exige que eu seja um poeta,” He Yu apertou a mão dela suavemente, mantendo o sorriso ideal. “Mas o que eu disse é verdade.”
“Você é interessante.” O olhar dela o percorria sem cerimônia.
“Algo te incomoda?” He Yu deixou que ela olhasse, mantendo a calma. “Para vir beber aqui.”
“Este não é um lugar bom. Com humor bom ou ruim, ninguém deveria vir aqui.” Yan Xueyuan desviou o olhar e tomou um gole.
“Concordo plenamente.”
“Você é Beta?” ela perguntou.
“O que você acha?” He Yu riu. Seus feromônios eram tão bem escondidos que ninguém suspeitaria.
“Não me diga que é um Omega?” ela brincou.
“Ah,” He Yu tomou um gole de água, imitando o sorriso cínico de Chu Yi e arqueando a sobrancelha. “Sou um Omega, sim.”
“Você é linda. Como podem deixar um Alfa ou Beta vir aqui te vigiar?”
“Incrível,” Yan Xueyuan semicerrou os olhos com um sorriso. “Acho que me apaixonei à primeira vista por um Omega. Gostei de você.”
“Eu também gostei de você.” He Yu ergueu o copo. Entre Omegas, ele não se importava com as formalidades. Os copos brindaram com um som cristalino.
Yan Xueyuan suspirou com ironia. “Os homens que me interessam são Omegas. Os que não me interessam são Alfas.” Ela olhou para o colarinho de He Yu com o olhar sombrio. “Pode me passar seu contato?”
“Claro.” He Yu assentiu. Sendo do mesmo gênero, ele poderia deletar depois; não havia motivo para desfeitear uma Cunhada Omega agora.
“Você já namorou?” ela perguntou casualmente.
“Eu…” A imagem de Chu Yi fazendo manha veio à mente de He Yu. Ele sorriu e suavizou a voz: “Estou namorando agora.”
“Ele deve te amar muito,” Yan Xueyuan comentou com uma pitada de inveja. “Você parece feliz.”
“E você?” devolveu He Yu.
Yan Xueyuan desdenhou, com o olhar amargo: “Vou ficar noiva em breve.”
“Tão cedo?” He Yu estranhou. Ela tinha só 19 anos; era raro Omegas estudantes decidirem o casamento tão cedo hoje em dia. Não era mais como antigamente, onde nasciam para casar e procriar logo.
“Sim, em breve,” ela disse, com uma frustração que não conseguia esconder. “Eu não tenho o direito de recusar.”
He Yu entendeu e brindou novamente em sinal de apoio. Filhos de famílias ricas sofriam do mesmo mal de Chu Yi: dinheiro sobrando, liberdade faltando. O problema de Chu Yi estava resolvido por hora, mas ele se perguntava se haveria mais confusão pela frente.
Capítulo 18
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Perdi meu disfarce na frente do colírio da escola
【Completo + Extras】
He Yu sofre de Desordem de Feromônios Ômega.
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