Perdi meu disfarce na frente do colírio da escola

Capítulo 27

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Capítulo 27 

O sinal da segunda aula tocou. 

Li Jinhang bateu impacientemente na mesa. Bum! O estrondo assustou o aluno da frente. Ele levantou-se franzindo o cenho, pegou um caderno de Xin Tao, pediu uma caneta a He Yu e caminhou com cara de poucos amigos até a primeira fileira. 

“Inscrições para o festival de esportes,” disse ele, chutando de leve a mesa do primeiro aluno, enquanto rabiscava algo no papel com um tom de voz de agiota. “Vai se inscrever em quê?” 

He Yu estimou que as lentes daquele rapaz tivessem pelo menos 800 graus de miopia e ele era quase meio palmo mais baixo que o próprio He Yu; era impossível imaginar um esporte adequado para ele. Como esperado, o garoto se assustou e gaguejou, abanando as mãos: “Eu… eu não vou me inscrever.” 

“Humpf,” Li Jinhang não insistiu e virou-se para o colega ao lado. “E você? Vai ou não?” 

O “800 graus número dois” ficou tão nervoso que suas mãos suaram, e ele rapidamente negou também. Li Jinhang, com uma expressão de “estou por aqui”, passou para a mesa seguinte. 

“Acho que essa missão do Hang’er não vai acabar bem,” comentou He Yu, inclinando-se para o lado enquanto observava a cena. 

“O Hang’er nunca acaba bem,” disse Chu Yi, tirando uma caixa de leite da mochila, inserindo o canudo e colocando-a nos lábios de He Yu. “No fim, as tarefas sempre sobram para nós.” 

He Yu olhou para os dedos dele segurando a caixa, abocanhou o canudo e bebeu metade de uma vez, soltando um arroto em seguida. 

“Não vou roubar de você,” Chu Yi olhou para ele, rindo. “Quanta pressa.” 

O sorriso do Alfa tinha um toque infantil; os olhos levemente arqueados e o canto da boca transmitiam uma mistura de liberdade e fofura que dava vontade de apertar. Mas, desta vez, He Yu se controlou racionalmente, pois viu no olhar de Chu Yi uma pitada de deboche e a paciência de quem cuida de uma criança pequena. 

Já que o disfarce caiu, não preciso mais atuar. O Irmão Yu não se deu por vencido. Você não sabe do que o He Ritian é capaz; no submundo ou na lei, todo mundo me respeita, e você ainda ri de mim? Se não fosse você me dando na boca, eu teria bebido tanto a ponto de estufar? 

He Yu lançou-lhe um olhar calmo; Chu Yi já havia voltado a atenção para o caderno, ajudando-o a copiar a lição de física. O sorriso raro desaparecera, e seu perfil recuperara a habitual expressão de indiferença. 

Ainda assim, a beleza dele o deixava atordoado. He Yu tossiu levemente, mas não conseguiu atrair a atenção do outro. 

Você me obrigou a isso, bonitão. Vou contra-atacar, não se assuste. 

Sua mão esquerda coçou, e o “dedo médio do pecado” começou a se erguer lentamente. Quando estava a um milionésimo de distância de completar o gesto, o Irmão Yu hesitou e, um segundo depois, recuou com relutância. 

Não é bom. Esse gesto é ainda pior que o do Hang’er. Não era medo, era apenas… inadequação. He Yu conteve sua agitação interna. Chu Yi está se matando para copiar minha lição e eu querendo mostrar o dedo médio? Que ingratidão. Não era covardia, era apenas o peso da consciência. 

Li Jinhang, conforme o esperado, voltou com o caderno quase vazio de nomes, mas com um ar pomposo de quem realizou um grande feito. Jogou o caderno com desdém na mesa de Xin Tao. 

“A saúde física desta turma é uma lástima,” disse ele, sentando-se e chutando a cadeira da frente. “Só as garotas se inscreveram em tudo. Várias provas masculinas estão sem ninguém.” 

He Yu e Chu Yi trocaram um olhar e riram baixo. “Como imaginávamos,” sussurrou He Yu. 

Chu Yi olhou para Li Jinhang e também murmurou: “O trabalho vai sobrar para a gente agora.” 

He Yu assentiu com convicção. O Hang’er ainda era jovem, não sabia refletir. O representante de esportes da sala do Yuan Li implorava por inscritos, chamando todo mundo de pai e mãe; já o Jinhang parecia um cobrador da máfia — era um milagre alguém ter assinado. Se não fosse pelo rosto dele, nem as garotas teriam ido. 

“Escolham vocês,” disse Li Jinhang, recuperando a postura de comandante e apontando a lista. “5.000 metros, revezamento 4×100, salto em distância, arremesso de peso, salto em altura…” 

“Você não deixou sobrar nada, hein?” Xin Tao largou a caneta, olhando os poucos nomes no papel. 

“O representante de estudos pegou badminton,” disse Li Jinhang, “e o monitor pegou a primeira perna do revezamento.” 

“Então você quer que a gente faça o salto, o arremesso, o salto em altura, o revezamento e termine com os 5.000 metros?” Xin Tao questionou a lógica do “parça”. 

Li Jinhang o encarou com um desprezo genuíno: “Você não aguenta?” 

“Pai aqui aguenta, mas não quer aguentar tanto assim.” Xin Tao bufou. 

“Tá, tá, o de sempre,” Li Jinhang apontou para Chu Yi. “O monstro do Chu Yi faz os 5.000 metros; a raposa do Xin Tao faz os saltos e o arremesso; eu, o Cheng Haoyan e o Irmão He fazemos o revezamento.” 

He Yu aplaudiu a organização. 

“Você faz os 5.000 metros,” Chu Yi fez um pequeno ajuste. “Eu e o He Yu fazemos o revezamento.” 

Li Jinhang hesitou. 

“Homens de verdade correm os 5.000 metros,” Chu Yi jogou a isca. “As veteranas adoram assistir.” 

O “homem de verdade” Li Jinhang se animou na hora, estufando o peito: “Então eu fico com os 5.000 metros, e você acompanha o He Yu.” 

“Hm,” consentiu Chu Yi. 

He Yu assistiu à negociação e aplaudiu Chu Yi silenciosamente. O Alfa apertou o pulso dele e o puxou para perto, sussurrando no ouvido com uma voz rouca e ambígua: “Consegue fazer o revezamento?” 

“Cem metros é moleza.” He Yu manteve a pose, sem saber que Chu Yi sentia perfeitamente seu coração disparado através do pulso que segurava. 

O Alfa curvou os lábios. Seu olhar percorreu a nuca rosada do Omega e um brilho indecifrável passou por seus olhos antes de soltar um riso satisfeito. 

 

“Embora tenhamos o festival de esportes na semana que vem, não se esqueçam da vida,” disse o professor de física enquanto escrevia no quadro. “O simulado mensal está chegando, alunos. Logo após os jogos, temos provas. O vestibular cobra esportes? Não! Mas cobra física! É a maior nota da área de exatas!” 

A quarta aula da manhã era pura distração. O professor aumentava o tom para tentar despertar os alunos que só pensavam no almoço. Chu Yi fazia duas cópias de anotações simultaneamente. Ele anotava apenas o essencial e depois transcrevia para o caderno de He Yu, para que o outro não precisasse perder seu tempo de sono copiando. 

“Agora vocês não ouvem, só pensam em comer. Mas quando o ensino médio acabar e faltarem poucos pontos para a universidade, vocês vão pensar,” o professor lamentou, “se eu tivesse ouvido o professor de física, se tivesse decorado aquele exemplo, eu teria passado!” 

“Valorizem o agora! Depois não adianta chorar!” “Parem de pensar em comida! Se passarem na faculdade, seus pais compram o que vocês quiserem!” 

Chu Yi assentiu e olhou para o relógio. Inclinou-se e chamou He Yu, que dormia profundamente. 

“O que vamos comer no almoço? Hm?” 

He Yu não se mexeu. Estar em estado de semi-coma era sua rotina. Chu Yi insistiu: 

“He Yu, acorda.” “He Zuizui, He Xiaoyu, He Da Yu… se não acordar, eu te janto.” “……” “Vou jogar seu miojo fora.” 

“Uhm…” He Yu franziu o cenho. Ao abrir os olhos, sentiu o mundo girar; instintivamente agarrou o braço de Chu Yi. Após um momento, murmurou com a voz abafada: “… Sem fome.” 

Já era, estou um caco. Ele cerrou os dentes e piscou com força; a visão foi voltando aos poucos. Sentia a cabeça pesada, incapaz de se mover sem que tudo balançasse. E sentia muito frio; queria perguntar se Chu Yi estava liberando feromônios, de tanto que tremia. 

Vou morrer — era a única frase que ecoava em sua mente febril. Uma mão tocou sua testa gentilmente; estava fria, e He Yu inclinou-se buscando o contato. 

“Você está com febre,” disse Chu Yi. “Vamos para a enfermaria.” 

“Hã?” He Yu estava grogue. Febre de novo? Suas gripes nunca foram tão fortes. Agora parecia uma doença terminal. “… Não precisa,” ele fungou; o nariz estava totalmente entupido e ele respirava pela boca, o que secava sua garganta. “É só um resfriado, não é nada.” 

“Quer que eu te carregue?” Chu Yi ignorou o protesto, passando o braço pela cintura dele como se fosse levantá-lo na frente de toda a turma. 

He Yu notou que até o professor de física parou de falar. “N-não, eu consigo andar…”, apressou-se a dizer com a voz rouca, como se tivesse engolido cimento. 

Gatinho, quer namorar? Tenho voz de fumante. 

Chu Yi retirou a mão e olhou para frente: “Professor, o He Yu está com febre alta.” 

O professor, que já observava a cena, apenas acenou: “Podem ir. A enfermaria deve estar vazia agora no almoço.” 

Chu Yi ajudou-o a levantar. He Yu estava pálido, com os olhos vermelhos e pernas trêmulas; no segundo passo, ele cambaleou. Chu Yi não esperou por novos protestos: pegou-o no colo, em estilo princesa. 

He Yu envolveu o pescoço do Alfa por instinto. Alguém na sala soltou um “uau”, seguido de uma onda de assovios e brincadeiras. He Yu, morrendo de vergonha, escondeu o rosto no ombro de Chu Yi, como um avestruz. 

Sou um paciente, isso é tratamento médico, consolou-se o Irmão Yu. Aos olhos dos outros, eles eram namorados reais; um abraço era normal. Mal sabiam que, longe de olhares, Chu Yi já até deitara em seu colo implorando por carinho. Crianças inocentes. 

“Tragam algo leve para a enfermaria no almoço,” disse Chu Yi ao passar pelos amigos. 

“Pode deixar. Qualquer coisa liga,” Xin Tao assentiu. 

Chu Yi caminhava rápido; ao descer a escada, começou a correr. He Yu, aninhado, não conseguia nem falar; apenas observava o pescoço do Alfa com os olhos ardendo. A paisagem passava como um borrão e ele se distraiu. Se abrisse o colarinho dele, veria a pequena pinta na clavícula; agora, seu rosto estava tão perto que bastaria um movimento para tocá-la… 

Com a corrida, o peito do Alfa subia e descia ritmicamente. O batimento cardíaco soava como um sinal, sincronizando-se com o coração do Omega. O aroma sutil do Mar de Gelo o fez sentir-se em um oceano calmo; a água era morna, envolvendo-o e protegendo-o de tudo. Não sabia se era delírio, mas a dor parecia menor. 

Chegaram à enfermaria quando o médico ia sair para comer. Ao vê-los, o doutor mandou Chu Yi deitá-lo imediatamente. He Yu parecia magro, mas era puro músculo; só dava para notar o peso real de um corpo atlético quando se tentava levantá-lo. Chu Yi, porém, parecia carregar uma pluma; mesmo após correr, mal estava ofegante. 

He Yu deu um sinal de “joinha” para a resistência do Alfa, apesar do mal-estar. O médico mediu a temperatura e perguntou sobre os sintomas. 

“Tontura, frio, tudo gira,” disse He Yu, com a voz tão falha que parecia que ficaria mudo para sempre. “A garganta… dói.” 

“Ele comeu o mesmo que eu no café, sem problemas,” informou Chu Yi, ajeitando o cobertor. “Ele teve febre há duas semanas, mas não foi tão forte.” 

O médico olhou o termômetro: “39°C. É febre alta. Parece gripe, mas é melhor fazer um check-up no hospital depois. Omegas têm imunidade frágil, não podem facilitar. Evite noites em claro e má alimentação, isso acaba com a resistência.” 

Chu Yi assentiu. O médico colocou o soro em He Yu e saiu para almoçar, deixando-os sozinhos. He Yu, respirando pesado pela boca, sentia-se como um Husky doente levado ao veterinário pelo dono. 

“Irmão,” He Yu murmurou, exausto, com os olhos vermelhos. “Será que eu vou morrer de castigo por ter mentido?…” 

“Vai,” Chu Yi ironizou, levantando-se para pegar água. “Vai morrer agorinha. E assim que você se for, eu vou lá em casa e jogo todo o seu estoque de miojo no lixo.” 

Naquele instante, He Yu sentiu-se curado. Chu Yi era Chu Yi; ele nunca seguia o clichê. Nos doramas que o Yuan Li assistia, as frases eram “não diga bobagens”, “eu te protejo” ou “estou aqui”. Coisa de gente fraca que não motiva o paciente a lutar. Já o Chu Yi… o cara era prático. 

Ele é bom demais, porra, pensou He Yu, emocionado. Vou viver mais uns quinhentos anos só de raiva. 

Chu Yi temperou a água misturando quente e fria e sentou-se ao lado dele. “Vou pedir licença para o Velho Yang e te levar ao hospital.” 

“Não precisa,” protestou He Yu. O professor já conversara com eles; faltar de novo seria mancada. Ele tirou a mão debaixo do cobertor e fez um sinal de positivo. “O soro vai resolver. O médico disse que é só gripe, não sou tão fresco. Sou um cara durão, sou foda.” 

“Você costumava ter febre com essa frequência?” Chu Yi ignorou o “foda” e mudou a pergunta. 

“Já tive, mas não tanto,” He Yu tentou lembrar. Ele era mais forte que a média dos Omegas, mas não era invencível. “Nunca foi nada demais. Quase nunca tomei remédio; era só beber água e dormir que no dia seguinte eu estava novo.” 

Mesmo que não estivesse bem, a vida seguia. Ele não podia faltar ao trabalho ou à escola por um mal-estar. Ninguém pagava suas contas ou cuidava dele; casa, escola ou bar, era tudo igual. Só se descobre a própria resistência quando se é empurrado contra a parede. 

Chu Yi o encarou e ia falar, mas He Yu o cortou: “Eu estar vivo até hoje é um milagre do Criador!” 

“Uma semana de licença,” sentenciou Chu Yi, dando um peteleco na testa dele. Ajudou-o a sentar um pouco e entregou a água. “Nada de OTE.” 

He Yu quase engasgou com a água. “Cof… não, não posso! Já fui trabalhar com febre antes, é tranquilo.” 

“O antes acabou. Já esteve acabado assim alguma vez?” Chu Yi o desafiou. “Se você ousar ir, eu ligo para o seu chefe e faço ele te demitir.” 

He Yu encolheu-se sob o cobertor, derrotado. “Eu já estive pior, sério.” 

“Hm,” Chu Yi trocou a toalha úmida na testa dele. “Que pena que agora você me conheceu.” 

“Ahhh—” He Yu resmungou em desespero e deixou-se cair nos braços do Alfa. 

 

Nota do Autor:  

Falha na sincronização do tempo… Orz.  

He Yu: “Achei que ele ia ser fofo, mas ele quer me dar uma bofetada.”  

Chu Yi: “O que é ser fofo?”  

Obrigado a todos pelo carinho e apoio! Continuarei me esforçando! 

Capítulo 27
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Perdi meu disfarce na frente do colírio da escola

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【Completo + Extras】

He Yu sofre de Desordem de Feromônios Ômega.

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Chapters

  • Capítulo 45
  • Capítulo 44
  • Capítulo 43
  • Capítulo 42
  • Capítulo 41
  • Capítulo 40
  • Capítulo 39
  • Capítulo 38
  • Capítulo 37
  • Capítulo 36
  • Capítulo 35
  • Capítulo 34
  • Capítulo 33
  • Capítulo 32
  • Capítulo 31
  • Capítulo 30
  • Capítulo 29
  • Capítulo 28
  • Capítulo 27
  • Capítulo 26
  • Capítulo 25
  • Capítulo 24
  • Capítulo 23
  • Capítulo 22
  • Capítulo 21
  • Capítulo 20
  • Capítulo 19
  • Capítulo 18
  • Capítulo 17
  • Capítulo 16
  • Capítulo 15
  • Capítulo 14
  • Capítulo 13
  • Capítulo 12
  • Capítulo 11
  • Capítulo 10
  • Capítulo 9
  • Capítulo 8
  • Capítulo 7
  • Capítulo 6
  • Capítulo 5
  • Capítulo 4
  • Capítulo 3
  • Capítulo 2
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