Capítulo 25
Capítulo 25
Chu Yi o acompanhou até as quatro da manhã, quando seu turno terminou. Xin Tao e os outros haviam ido embora à meia-noite; ao saírem, lançaram olhares significativos que diziam claramente: “Amanhã queremos os detalhes”.
He Yu, agora devidamente “desmascarado”, não precisava mais bagunçar o cabelo para se transformar no “Yu Cafona”. Trocou o uniforme e saiu apressado para encontrar Chu Yi.
“Acabou, finalmente!” He Yu correu até ele e entregou uma garrafa de suco lacrada. Seus olhos estavam injetados e o cansaço era nítido. “Consigo dormir em pé agora. Irmão, você está com sono?”
“Estou bem.” Chu Yi pegou o suco, abriu-o e entregou de volta para ele primeiro.
“Acabei de tomar duas garrafas de café”, He Yu massageou a barriga com pesar. “Não posso mais. Se tomar outra, não durmo as poucas horas que me restam.”
“Bem feito”, Chu Yi lançou-lhe um olhar, tirou o próprio boné e colocou na cabeça de He Yu para protegê-lo do vento cortante da madrugada. “Peça folga amanhã.”
“Folga… não é má ideia”, He Yu sentiu-se tentado, mas lembrou do rosto cansado do Irmão Feng e sentiu um pingo de culpa. Ainda tinha meio maço de cigarros no bolso; quem aceita favores fica em dívida. He “Moleque” Yu raramente pensava no bem-estar de Feng Cang: “Vou ver se ele consegue ajustar a escala, se não tem nenhum VIP amanhã.”
Os dois pegaram um táxi. Em casa, após uma higiene rápida, desabaram na cama.
Quando o despertador tocou, He Yu estava em transe. Parecia que havia viajado no tempo: do momento em que encostou na cama até agora, pareceu ter passado apenas um segundo. Dormiu absolutamente nada.
Levantou-se cambaleando, sacudiu a cabeça e abriu a porta do quarto com irritação, dando de cara com Chu Yi saindo da cozinha com um prato.
Ao ver Chu Yi e a comida, a irritação de He Yu evaporou, dando lugar a lágrimas dramáticas: “Irmão, você é foda. Como consegue levantar depois dessa?”
Ele teria uma refeição quente de novo. O “Alfa Prendado” era real! Seu Irmão era o melhor!
Chu Yi o observou enquanto colocava o prato na mesa de jantar recém-comprada: “Sua alma ainda não voou de sono?”
He Yu arrastou-se como um zumbi até o banheiro, com o cabelo parecendo um ninho de pássaros. Agora que o disfarce de “bom menino” caíra, o He Ritian estava em sua forma mais deplorável: “Minha alma já era. Vou apagar a qualquer momento. Se eu bobear, durmo com a cara dentro da pia…”
Um riso baixo ecoou. He Yu espiou para fora do banheiro.
Chu Yi estava de costas, exibindo ombros largos, cintura fina e pernas longas. Mesmo com a temperatura baixa, vestia apenas uma camiseta de manga curta, revelando braços firmes. Suas mãos pálidas e elegantes mexiam casualmente em um vaso de jiboia sobre a mesa. A silhueta era impecável.
Esse Alfa perfeito ainda ostentava um avental rosa choque da Sailor Moon. O contraste era tão grande que He Yu sentiu vontade de gritar internamente: Que fofo, porra, pato!
— O avental fora um brinde de leite do mercado. He Yu pegara qualquer um sem olhar, e nunca imaginou que Chu Yi realmente o usaria… e que ficaria tão bem nele.
Realmente, o que importa é o rosto.
He Yu admirou a cena por mais alguns segundos antes de voltar para a pia e jogar água gelada no rosto. O choque térmico o despertou.
Mas o corpo ainda protestava. Seus olhos pareciam cheios de areia; cada piscada era um “cacete, que dor”, e os músculos gritavam por descanso. Essa rotina era desumana.
Não, espera… He Yu bocejou. Agora ele vivia como um rei. Enquanto passava o sabonete facial caro que Chu Yi comprara, refletiu: tinha comida quente sempre que sentia fome, não precisava mais arrumar a casa e seus problemas eram resolvidos por um Alfa Super S.
Comparado ao passado, era uma vida de luxo. Seja grato, He Yu, seja grato.
À mesa, Chu Yi terminou primeiro. Observou He Yu engolir o último pedaço e perguntou: “Você trabalha comendo apenas biscoitos de ursinho?”
He Yu travou. O segredo fora revelado. “Ah… é que não tem muita opção. O Irmão Feng sempre dá aqueles pães recheados e eu já não aguento mais.” Ele fez uma cara de sofrimento: “Agora, se vejo pão, lembro de mirtilo. Se vejo mirtilo, lembro de pão. Estou quase virando um mirtilo gigante, vejo tudo azul.”
“Vou preparar marmitas para você”, disse Chu Yi enquanto recolhia a louça. “Ou coma antes de ir.”
He Yu ficou lisonjeado. A habilidade de Chu Yi era tamanha que ele poderia abrir um restaurante se desistisse da herança bilionária.
Antes de sair, He Yu guardou com pesar o uniforme escolar surrado que o acompanhara por um ano e vestiu o uniforme ajustado que ficava no fundo da gaveta. Parecia novo, pois nunca fora usado. He Yu mudou de visual: de “baixinho cafona” para “alto e esbelto” em segundos.
Embora tivesse 1,75 m, suas pernas longas e o corpo magro o faziam parecer mais alto. Olhou-se no espelho: um Omega de porte atlético e aura ensolarada. Parecia garoto-propaganda de escola particular: “Eu amo estudar e o estudo me ama”. Exalava vigor juvenil — mesmo tendo virado a noite.
Após ensaiar o sorriso perfeito três vezes, sentiu que faltava algo. Não arrumara o cabelo. Sem o topete, não havia estilo. O “Elfo da Noite” precisava de seu visual icônico.
Ao entrar no banheiro, Chu Yi estava lavando as mãos e deu um passo para o lado. Com seus 1,89 m, Chu Yi fazia He Yu parecer uma “esposinha” mimada ao seu lado. He Yu pegou um pouco de água, fingindo ajeitar o cabelo para observar a proximidade deles pelo espelho.
Nesse mês, foram poucas as vezes em que dividiram a pia assim. Chu Yi acordava cedo demais e só o chamava no último minuto. Ele sempre saía em disparada para não se atrasar, sem tempo para o “calor do lar”.
Ontem eles abriram o jogo. Tiraram as máscaras e tiveram uma conversa real, estabelecendo uma diplomacia honesta. Por isso, ele valorizava esse momento matinal.
Chu Yi lavava as mãos seguindo rigorosamente o protocolo médico: as pontas dos dedos massageando cada centímetro da pele, olhos baixos, lábios cerrados. Parecia uma escultura de mármore. He Yu admirou a “estátua” por um tempo, jogando água no cabelo sem foco, sentindo um vazio estranho.
Dois segundos depois, ele fingiu um desequilíbrio sonolento e inclinou-se para o lado. As silhuetas se aproximaram. O moletom de He Yu roçou no de Chu Yi — eram moletons de casal comprados dias atrás; o de Chu Yi era preto, o dele cinza, com patinhos bordados no capuz.
He Yu não conteve o sorriso. O reflexo no espelho sorriu de volta. Ao notar, He Yu mordeu os lábios e desviou o olhar, rindo internamente.
Antes que pudesse saborear o momento, Chu Yi perguntou: “Do que está rindo?”
He Yu se assustou. Esse cara lê mentes ou o quê?
“Não estou rindo, Irmão,” mentiu.
“Mentira,” Chu Yi olhou para o garoto meio palmo mais baixo que ele pelo espelho. Com um sorriso de canto, insistiu: “Do que está rindo?”
“De como você é bonito,” He Yu apoiou-se na pia, olhando para cima para encarar o Alfa. “Nossa, como você é gato!”
Disfarce caiu, agora eu posso dar em cima! He Yu estava empolgado.
“Devo agradecer?” Chu Yi parou o que fazia e se inclinou. A distância encurtou até as respirações se misturarem.
As feições perfeitas do Alfa se aproximaram. Seus olhos focaram apenas em He Yu. O perfume gélido do Mar de Gelo era uma tentação insuportável. He Yu sentiu o olhar nublar e, sem controle, ficou na ponta dos pés para encurtar a distância.
O clima pesou, a temperatura subiu, o cheiro de melancia começou a emanar…
Contudo, o Irmão Chu continuava sendo o Irmão Chu. Ele tinha mil formas de quebrar o encanto. Ele beliscou a bochecha de He Yu, puxando-a de leve, e sentenciou: “Se você aparecer na minha frente com esse cabelo de idiota de novo, vai ter que cozinhar sua própria comida daqui para frente.”
“……O quê?” He Ritian despertou do transe e recuou, gesticulando dramaticamente para disfarçar. “Eu cozinhar? Não, Irmão! Se eu me explodir, tudo bem, mas e se a cozinha for junto? E se eu te matar intoxicado? Pense bem!”
Por pouco… Ele quase beijou Chu Yi. Não que ele não quisesse, ele sempre quis, mas o choque foi ter realmente tomado a iniciativa. Que descuido. Por que o Chu Yi exala esse feromônio logo cedo? Ele nem está no período de sensibilidade.
E eu? Como sou fraco. He Ritian, agora você quer dominar o céu e o… He Yu se amaldiçoou internamente.
Chu Yi afastou o rosto dele com o dedo e terminou de lavar as mãos. “Vou pedir delivery,” ele disse com um sorriso cínico. “Você come sozinho.”
He Yu: “……” Vingativo demais!
Todo o romance matinal virou fumaça. He Yu arrumou o cabelo com indiferença fingida. Tudo bem, He Zuizui, você está gato. Com esse uniforme, já pode caminhar ao lado de Chu Yi sem passar vergonha.
Isso, joga o cabelo para trás. Muito cool. Olha só, até o ‘Deus’ Chu Yi olhou duas vezes. Você conquistou a atenção dele.
“O que foi agora?” Chu Yi afagou a cabeça dele, bagunçando tudo. “Dois minutos para sair. Pare de se exibir.”
He Yu travou, terminou de se arrumar às pressas e saiu com ele.
“A porta está aberta,” gritou Chu Yi, olhando para ele como se fosse uma criança de jardim de infância.
He Yu interrompeu sua corrida para a liberdade e voltou para trancar. Ele sempre esquecia. Uma vez um ladrão entrou, roubou meio fardo de miojo e deixou cinquenta yuans com um bilhete: “Estude muito e coma bem. Miojo faz mal! Compre dois quilos de carne com isso!”.
Na época, He Yu pensou que cinquenta yuans não compravam nem um quilo de carne, mas não achou o ladrão. Depois disso, ele passou a lembrar, mas agora voltara a esquecer — porque havia alguém para lembrá-lo todo dia.
O ser humano é um bicho preguiçoso! Não pode ser mimado! — Para esconder sua dependência, He Ritian culpou toda a humanidade.
Abril. As plantas mais fortes começavam a brotar, desafiando o frio: “Pode nevar, eu vou florescer e te deixar desesperado!”
Após a revelação de ontem, He Yu sentia certa vergonha de agir como um “Omega frágil” perto de Chu Yi. O filtro de “bom menino” sumira. Agora, para Chu Yi, ele era um segurança casca-grossa; se aproximar demais pareceria… estranho. He Yu suspirou e caminhou mantendo um pouco de distância.
“Eu sou radioativo por acaso?” Chu Yi o puxou pelo pescoço para um abraço, bagunçando seu cabelo novamente. “Está com medo de morrer e não ter quem herde seu estoque de miojo?”
He Yu foi esmagado contra o peito dele. O Alfa cheirava a amaciante limpo e àquele perfume gélido e sutil que só He Yu captava. Era envolvente e perigoso. Fazia o coração vibrar.
Era abril, o calor subia e as roupas diminuíam. No abraço, havia menos tecido entre eles. Deve ser por isso que meu ouvido está pegando fogo, pensou He Yu.
“Estou falando com você,” Chu Yi ignorou os outros alunos, analisando o namorado de contrato. “Não está satisfeito com o nosso acordo?”
“Não, imagina!” He Yu despertou e levantou o rosto, sorrindo amarelo. “É que eu achei você muito gato hoje. Um brilho que ofusca meus olhos comuns. Estava apenas tentando me proteger da sua beleza.”
“Sua nota em Literatura não faz justiça ao seu talento para mentir.” Chu Yi apertou o nariz dele.
He Yu, sem ar, protestou com voz fanhosa: “É a mais pura verdade, Majestade!”
Chu Yi riu e soltou o nariz dele, mas logo em seguida segurou sua mão, entrelaçando os dedos. He Yu suspirou, sentindo-se nas nuvens. Chu Yi era carinhoso até nos pequenos gestos.
“Continue com os elogios. Estou ouvindo.”
“Meu irmão irritado é impossível de lidar!” — o aviso de Jiang Yue Nan ecoava.
“Irmão, você é o Alfa mais lindo que já vi na vida,” He Yu disparou sem precisar pensar. Era sincero demais. “Com ou sem franja, você é mara! Já eu, de franja, pareço um mendigo.”
“Pelo menos você não passou fome esses anos todos com esse visual.” Chu Yi era mestre no sarcasmo.
“……É,” He Yu riu. “Tenho que ser discreto. Trabalhar a noite toda e falar com gente de dia é cansativo. Cada minuto de sono conta.”
“Você deveria pedir demissão antes do terceiro ano,” disse Chu Yi, sério.
He Yu era brilhante, mas o estudo exigia esforço. Ele fingia dormir na aula, mas ouvia tudo e fazia as tarefas nos intervalos — ele não entregava, mas resolvia todas. O corpo de um Omega era frágil; a privação de sono era um risco de morte súbita.
“Não dá,” disse He Yu. “É o meu ganha-pão. Se eu sair, volto para a dieta restrita de miojo.”
“Você pode dar mais aulas particulares,” sugeriu Chu Yi.
“Aula é bico. O bar é fixo e paga mais,” rebateu He Yu. “Irmão, você sabe que eu gasto rápido. Se você me der cem mil, eu gasto em uma noite. Deixo cem para o miojo e o dinheiro das aulas não cobre o prejuízo.”
“Você ainda se orgulha disso,” desdenhou Chu Yi. “Hoje, quando chegarmos, jogue todo o miojo fora.”
He Yu fez um gesto dramático de horror. “Majestade! O miojo é inocente!”
“Dê para seus amigos, então,” Chu Yi ignorou o drama. “He Zuizui, não há discussão.”
He Yu fez biquinho, mas lembrou que o disfarce caíra; manha de “Omega fraco” não funcionava mais. Ele se sentiu injustiçado e suspirou pesado, virando o rosto. Acabou o mimo. Agora eu sou apenas o bruto He Ritian, ninguém mais me protege.
A tristeza fingida quase se tornou real. He Yu parecia prestes a chorar.
“Eu te magoei?” Chu Yi suspirou e afagou o topo da cabeça dele. O toque era leve e a voz suavizou: “Vou deixar você ficar com os de sabor conserva.”
He Yu soltou um som de alegria e reviveu na hora.
Nota do Autor:
He Zuizui: um homem que tenta seduzir e acaba seduzido em um segundo pelo Irmão Chu.
Obrigado pelo apoio! Red packets para os dez primeiros comentários! Continuarei dando o meu melhor!
Capítulo 25
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Perdi meu disfarce na frente do colírio da escola
【Completo + Extras】
He Yu sofre de Desordem de Feromônios Ômega.
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