Capítulo 35
Capítulo 35
“O quê?” He Yu não conseguiu reagir imediatamente.
Como assim terminar a relação? A cooperação não estava indo muito bem?
O que aconteceu para decidirem terminar assim? Que situação tão urgente seria essa para obrigá-lo a encarar isso sem qualquer preparo? Ontem à noite ainda estavam trocando carícias e hoje já se separam? Isso não é ser um canalha? Não, ele pagou. Cacete, o que está acontecendo afinal?
Sua expressão de perplexidade e abatimento era evidente demais. Chu Yi franziu o cenho, descontente com aquele ar desanimado, e deu um peteleco na testa dele: “Ouça-me até o fim primeiro. Não fique com essa cara de quem perdeu o último macarrão instantâneo do estoque.”
“Ah…” He Yu olhou para ele e baixou a cabeça; mesmo sem vontade, tinha que ouvir.
A parceria com Chu Yi começou por causa do dinheiro, depois passou a ser pela aparência, e agora ele tinha que admitir: admirava o próprio Chu Yi como pessoa.
De repente, essa pessoa diz que quer terminar uma relação que, por si só, já não tinha garantias. A primeira reação de He Yu foi ficar estagnado, sem saber o que fazer. Nunca se sentira tão desconfortável na vida; sentia um mal-estar por todo o corpo.
Não era aquele tipo de angústia comum, mas sim a angústia de saber o desfecho inevitável sem poder fazer nada para mudá-lo; era como ficar parado esperando a morte. A personalidade dele é de se lançar com todas as forças sempre que houver a mínima chance de contra-atacar; esse tipo de situação em que se fica completamente encurralado era o que mais o irritava.
É muita sacanagem.
“Diga logo,” disse He Yu, inspirando fundo com as sobrancelhas franzidas. “Eu tenho coragem, você não vai me assustar.”
Após deixar de lado sua máscara, era na presença de Chu Yi que ele se sentia mais à vontade. Sem emoções negativas, sem nada com que se preocupar; com tudo caindo do céu e a comida servida, bastava apenas respirar alegremente. Esses dias tinham sido tão confortáveis que ele quase esquecera como era antes e o tipo de vida que levava.
Quando Yuan Li dizia que seu temperamento explosivo andava sumido, referia-se apenas ao fato de He Yu não se zangar na frente dele, por medo de assustá-lo. Há quanto tempo o Irmão Yu não se irritava de verdade?
“Bem,” Chu Yi pegou um leite Wangzai da mesinha de cabeceira, colocou o canudo e entregou a ele, observando-o beber com ar deprimido antes de continuar: “O incidente com o Ding Wenlin… eu investiguei.”
“… Hum.” He Yu tentou beber de um só trago, mas foi impedido por Chu Yi.
“Beba em pelo menos quatro vezes,” ordenou o disciplinado Irmão Chu, “senão eu te bato.”
“…” Bata logo, afinal já rescindiu o contrato mesmo, onde é que vai me achar para bater? He Yu soltou mentalmente uma manada de cavalos selvagens que arrasaram a pradaria plantada por um certo Yi, sem deixar uma única folha. Então, muito contrariado, começou a beber em pequenos goles.
Isso era uma concessão estratégica, não tinha nada a ver com a dignidade de um homem.
Chu Yi ficou satisfeito, relaxou as costas na cabeceira da cama enquanto girava o isqueiro e disse em voz baixa: “Fui eu quem resolveu o Ding Wenlin.”
He Yu ergueu o rosto e assentiu. Claro que foi ele; He Yu até comemorou na época. Olha só como você era bom para mim antes, como pode separar assim do nada? Não venha tentar me reconquistar com amor verdadeiro depois… Pare por aí.
“Depois disso, investiguei a fundo e percebi que o assunto não era tão simples quanto parecia”, disse Chu Yi.
He Yu ficou surpreso; havia uma continuação.
“Ding Wenlin não teria tanta ousadia, nem encontraria oportunidade de te prejudicar”, Chu Yi fez uma pausa. “Alguém estava colaborando com ele, informando quando eu não estava ao seu lado, garantindo que resolveria qualquer problema e prometendo benefícios. Ele só precisava… destruir você.”
“Eu?” He Yu estava perplexo.
Ele, um Omega comum, merecia que alguém gastasse tanto e corresse o duplo risco de provocar Chu Yi e infringir a lei para atingi-lo? Que estranho; se a OTE resolvia as confusões por ele, ele nem tinha chance de arrumar inimigos.
“Não lembro de ter irritado ninguém”, disse ele, coçando o cabelo com irritação. “Ninguém tem motivo para me perseguir.”
“Esqueceu de quem você é agora?” Chu Yi parou o movimento das mãos, olhando para ele com hesitação. Fez uma pausa, mas acabou revelando: “Essa pessoa é a minha mãe.”
He Yu ficou paralisado. Passado um tempo, perguntou em choque: “Cacete, sua mãe?”
Chu Yi não disse nada.
“Não, eu não estou xingando,” He Yu coçou a nuca e levantou a mão. “Irmão, espera um pouco, estou confuso. Deixa eu organizar as ideias.”
O que o Ding Wenlin queria impedir não era o Chu Yi, nem era vingança contra ele. Aquela briga foi armada para atingir He Yu desde o início; fora a mãe de Chu Yi que quis prejudicá-lo, em conluio com o Ding Wenlin.
Cacete! Essa mulher é cruel demais!
Talvez por causa de suas experiências de infância, He Yu via todas as mulheres de meia-idade com um filtro de aversão; agora, esse filtro ficara ainda mais espesso por causa de Jiang Yiyun. Ela chegou ao ponto de planejar que um Alpha o violasse para forçar a separação de Chu Yi.
Um Omega marcado, se for possuído à força por outro Alpha, pode sofrer choque agudo por rejeição fisiológica, hemorragia grave, perda de lucidez… e há mais de 50% de chance de morrer na hora. É cruel demais, uma jogada suja pra cacete.
Como ela achava que ele fora marcado por Chu Yi, decidiu ir até as últimas consequências. Se ele fosse um Omega comum, a grama já estaria crescendo em seu túmulo!
Que merda. Com uma mãe tão bizarra, a vida do Chu Yi tem sido um inferno. He Yu sentiu que seus primeiros dezoito anos de vida foram até tranquilos; pelo menos ele escapara com a sanidade intacta. Enquanto isso, Chu Yi continuava como um tigre acorrentado: incapaz de se libertar e enfrentando diariamente uma domadora com problemas mentais.
Que vida de merda.
Sentiu um nó na garganta que o deixava com vontade de socar qualquer coisa. Ele já recebera inúmeras ameaças na vida, mas nunca ficara tão furioso. Sua raiva não era por Jiang Yiyun ser cruel com ele, mas por ela saber que ele estava com Chu Yi e, mesmo assim, agir pelas costas do próprio filho de forma tão vil.
É cada uma que parece duas.
Ser mãe é realmente a profissão mais fácil do mundo; não precisa de licença nem treinamento. O Estado deveria criar um “Certificado de Pais Nível 1”; quem não passasse e tivesse filhos seria multado em bilhões.
“O que eu quero que você saiba é isto,” Chu Yi interrompeu seus pensamentos, “desta vez não deu certo, mas ela certamente tentará de novo, e de novo, inúmeras vezes. Não sei que outros meios ela tem, nem se estarei ao seu lado na próxima vez.”
“Por isso, dou tempo para você pensar. A decisão está em suas mãos.”
“Se desistir agora, eu te transfiro todo o dinheiro deste mês e o que economizei para você antes. Não se preocupe com o dinheiro.”
“Quanto ao que acontecerá com você depois, tentarei não interferir,” Chu Yi esboçou um sorriso amargo, mas seu olhar permanecia fixo no rosto dele, ansioso por captar qualquer reação. “Você decide se fica ou vai embora.”
He Yu baixou a cabeça, o cérebro processando aquela rivalidade familiar, sem notar o sutil “tentarei” do Alpha. Cacete, para controlar o filho, essa mãe é capaz de tudo. Ele se perguntou se hospitais psiquiátricos aceitariam alguém assim; se sim, gastaria cada centavo para interná-la.
O Chu Yi é um coitadinho. Tão bonito, com um caráter tão bom e um temperamento… razoável, apenas um pouco teimoso, mas fofo. Como pôde ter uma mãe dessas? Dá até pena… Homens bonitos sempre despertam compaixão.
He Yu abafou seu coraçãozinho que se encantava pelo corpo do Alpha e decidiu que, a partir de agora, ele protegeria esse cavalo selvagem chamado Chu Yi.
Colocou as mãos no topo da cabeça do Alpha e bagunçou levemente o cabelo dele. Chu Yi levantou-se em um movimento brusco para esconder a expressão e disse com a voz abafada: “Já entendi. Vamos, vou te levar para casa.”
He Yu levantou-se e o seguiu de perto.
“Irmão,” disse He Yu, segurando a ponta da camisa dele quando ele ia entrar no banheiro. Mordeu o lábio e levantou a cabeça com os olhos marejados: “Se eu dissesse que vamos terminar aqui, como se nunca tivéssemos nos conhecido…”
Ele fungou, com os olhos vermelhos, parecendo um coelho injustiçado; os ombros tremiam levemente enquanto ele desviava o rosto. Chu Yi estagnou, virou-se e o encarou. Após um longo silêncio, suspirou e o puxou para um abraço suave, sussurrando rente à orelha dele: “He Yu.”
He Yu, fazendo-se de vítima: “Hum…”
“Exagerou na atuação,” disse Chu Yi, afastando-se e puxando a bochecha dele. Não satisfeito, bagunçou o cabelo de He Yu novamente. “Você ainda tem muito o que aprender.”
As lágrimas de He Yu sumiram instantaneamente. Ele ficou chocado e, com a bochecha sendo puxada, falou de forma enrolada: “Irmão, eu acabei de dar meu melhor aqui!”
“Fale direito.” Chu Yi o soltou.
“Entendido,” disse He Yu, massageando o rosto. Não doía, mas estava sensível onde fora beliscado. “Para onde eu iria? Vou ficar com você, Irmão. Minha lealdade não é óbvia? Quer que eu arranque o coração para você ver?”
He Yu fez menção de abrir o peito, mas Chu Yi segurou sua mão com um riso sarcástico: “Melhor não, tenho medo que você tire uma conserva de repolho daí de dentro.”
He Yu: “…”
Ele recolheu a mão, concordando internamente: “… Tem razão, ia fazer uma sujeira danada.”
“Tem certeza?” Chu Yi arqueou as sobrancelhas. “Depois de decidir ficar hoje, não poderá sair tão facilmente.”
“Claro que fico”, disse He Yu, batendo no ombro dele; pela diferença de altura, quase caiu no colo do Alpha. Com um sorriso sem jeito, recuou e ergueu o punho: “Estamos juntos nessa.”
Chu Yi olhou para o punho por dois segundos, depois para o próprio peito, e finalmente retribuiu o toque de punhos. He Yu sorriu por dentro. Pronto, aliança feita, selada, ninguém separa.
Que maravilha.
“Irmão,” He Yu se aproximou, sem conter o sorriso satisfeito. “Se eu realmente fosse embora, você ficaria arrasado, não é? Nunca mais acharia um parceiro tão leal e inteligente. Admita.”
“De agora em diante, mantenha distância do Jinhang”, disse Chu Yi. “Ter confiança demais não é bom.”
“Irmão, não precisa ter vergonha,” He Yu cutucou o braço dele com o cotovelo, rindo como uma raposa. “Eu não vou rir de você.”
De repente, uma mão forte envolveu a nuca sensível de He Yu, que estremeceu. Chu Yi apertou os dedos lentamente, inclinou-se sem pressa e disse: “Qual a diferença entre acabar com você ou com um pintinho, hein?”
He Yu, o “pintinho”, agarrou a mão dele, aproveitando a deixa: “Se acabar comigo, onde vai achar outro parceiro assim? Nossa compatibilidade é de outro mundo, Irmão. Eu sou excelente, sensato, corajoso… Pense bem, é um destino mágico, você tem que valorizar essa conexão.”
“Não estou com tanta vontade de valorizar.” Chu Yi soltou a mão, mas acariciou a orelha dele com o polegar, olhando em seus olhos: “Mas se você se atrever a fazer algo pelas minhas costas, eu vou perder o controle. Você que sabe.”
Dito isso, ele se virou e saiu.
He Yu: “…”
Isso foi uma ameaça, né? Um Alpha nível S dizer que vai perder o controle… é como um homem-bomba no centro da cidade dizendo que vai detonar! Mas He Yu sorriu; seu irmão era realmente fofo em suas ameaças.
Os dois sentaram-se frente a frente na cama, em um clima sério.
“Irmão, e se…”
“Cale a boca.”
“Mas eu queria perguntar por que você me trouxe direto para cá hoje.” He Yu insistiu, observando a reação de Chu Yi.
“Eu queria usar sua presença para irritá-la e criar uma chance de contra-atacar.” O tom de Chu Yi era casual, como se fosse apenas uma travessura.
He Yu não se importou, apenas deu de ombros: “Então por que me contou?”
Chu Yi lançou um olhar preguiçoso: “Fiz minha boa ação do dia.”
“… Tá bom,” disse He Yu, recostando-se na cama e rindo com ousadia. “Irmão, eu já saquei: você é durão por fora, mas tem o coração mole.”
Esse traço de Chu Yi criava uma distância enorme com quem não o conhecia. Com aquele rosto perfeito, berço de ouro e uma língua afiada, quase ninguém conseguia ser seu amigo. Mas quem tivesse a sorte de sobreviver à tempestade, como He Yu, descobriria que ele não era o que parecia.
Ele era frio, insensível e debochado, sim; mas também era teimoso, bondoso, atencioso e respeitava limites. Era adorável. Lá fora era o grande demônio de gelo, mas em casa, fechava a porta e pedia carinho de forma mal-humorada.
Não é exatamente a alegria de ter um gato? Por maior que seja o tigre, ele ainda é um gato! He Yu sentiu-se orgulhoso; passara de um simples “porquinho” cuidado por Chu Yi para o cuidador oficial desse grande tigre.
“Você evoluiu bastante ultimamente”, disse Chu Yi com um sorriso irônico. “Agora se atreve a me tocar à noite e até a me responder.”
He Yu: “!!!”
Cacete… Chu Yi não dormiu. Ele não acordou quando He Yu estava sobre ele; ele já estava acordado o tempo todo. Ele sabia de tudo!!!
O Irmão Yu manteve a pose por um minuto e depois desmoronou. Virou-se, agarrou o travesseiro, enterrou o rosto nele e ficou imóvel. Morte social. É a dor de achar que está domando um gato e descobrir que o gato é quem está brincando com você.
Chu Yi cutucou o braço do He Yu “avestruz”. Ele se contorceu e, após um silêncio, disse trêmulo: “Se eu disser que eu…”
“Não acredito,” cortou Chu Yi, traçando o contorno da orelha vermelha dele com o dedo, baixando o tom de voz: “Levante-se, temos uma reunião.”
“Não faz isso, senhor,” disse He Yu, levantando a cabeça com o rosto em chamas. “Nem um minuto para eu me recuperar?”
“Luxúria é doença terminal, não tem cura,” Chu Yi debochou.
“… Tem razão,” He Yu recompôs-se, sentou-se com retidão e disse: “Pode falar.”
“Em alguns dias, ela voltará para um jantar de gala com toda a elite empresarial e política de Tongyan,” disse Chu Yi. “Você vai comigo.”
“Eu?” He Yu apontou para si mesmo. “Vou como segurança? Quanto é a diária?”
“Cem milhões. Vai ou não?” Chu Yi o olhou como se visse um idiota.
He Yu estagnou, soltou um “ah” e coçou o nariz: “Vou como seu acompanhante para o jantar, entendi.” Vício profissional: viu gente rica e pensou logo em fazer a segurança. He Zuizui, você é um gênio da dedicação.
“Lá, todos os parceiros comerciais saberão que o herdeiro do Grupo Jiang tem um Omega de alta compatibilidade. A família Yan não é boba; mesmo com o risco de eu tratar mal a filha deles, eles não forçarão o casamento contra um escândalo que afetaria a reputação deles.”
He Yu assentiu. Esse plano era melhor do que inventar uma marca, pois não traria consequências negativas para ele; a mídia focaria na relação conflituosa de Chu Yi com a mãe.
Chu Yi estava protegendo a reputação dele. He Yu, comovido, decidiu expandir ainda mais a “pradaria” de afeto em seu coração por aquele Alpha.
Capítulo 35
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Perdi meu disfarce na frente do colírio da escola
【Completo + Extras】
He Yu sofre de Desordem de Feromônios Ômega.
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