Capítulo 38
Capítulo 38
“Então o He Yu já está bem, mas o médico recomendou que vocês dois tivessem um responsável por perto?” Xin Tao, parado a dois metros da cama, olhou para He Yu e depois para Chu Yi.
“Sim,” Chu Yi não parecia se importar. Olhava para os amigos como se fossem raposas prestes a roubar uma melancia, estreitou os olhos com cautela e acrescentou com ar indiferente: “Um responsável é desnecessário.”
“Por que eu sinto…” A visão de Xin Tao caiu sobre a mão do seu irmão segurando o pulso de He Yu, depois para os olhos dele que não paravam de encarar o Omega e, por fim, para o olhar furtivo de He Yu na clavícula de Chu Yi. Sua cabeça começou a doer. “… que é extremamente necessário.”
“Fechado!” Li Jinhang concluiu. “Vamos nos sacrificar um pouco e acompanhar vocês por uma semana!”
He Yu olhou para Jinhang com vontade de rir. Poder comer a comida de Chu Yi todo dia era um “sacrifício” e tanto.
Chu Yi olhou para eles, esperou um momento e depois virou o rosto, sem contestar.
Ainda tem salvação, pensou Xin Tao. Se ninguém vigiar esses dois, com o desejo mútuo que estão sentindo, logo teremos dois filhos em três anos, três em quatro…
Normalmente, um Omega fica enfraquecido por um tempo após a primeira marcação temporária, mas He Yu tinha uma constituição física peculiar; não só não precisava de descanso, como já estava cheio de energia.
O médico, vendo a expressão de Chu Yi que gritava “estou irritado e posso surtar a qualquer momento”, percebeu que não conseguiria contê-los e liberou a alta de ambos.
No caminho de volta, Li Jinhang reclamou que a cama era pequena demais para seus 1,90 m, e Cheng Haoyan, milagrosamente, concordou. O sofá também não cabia seus 1,87 m; ele vivia caindo quando se virava. Passavam a noite entre “cair” e “subir”, sem dormir nada.
He Yu sentiu-se culpado: “Talvez fosse melhor vocês voltarem, nós dois—” com certeza ficaríamos bem.
“Nem pensar,” Li Jinhang, cheio de espírito de equipe e alerta, disse: “Temos uma missão. Precisamos vigiar vocês para não cruzarem a linha, não dormirem juntos, não fazerem—”
“Não precisa entrar em detalhes, Jinhang,” He Yu estendeu a mão dramaticamente pela segunda vez no dia. As cenas do hotel passavam como um filme em sua mente; ele massageou a testa em agonia. “Sério, não precisa. Eu entendi, eu entendi tudo.”
Li Jinhang, com ar de desaprovação, ia continuar o sermão.
Chu Yi estendeu o braço, puxando He Yu para um abraço, lançou um olhar para o amigo e perguntou: “O Xin Tao andou sonambulando esses dias?”
Li Jinhang enrijeceu de forma estranha, engoliu as reclamações que ia dizer a He Yu, endireitou a postura e gaguejou: “Cacete, com… comigo aqui, ele… ele ainda teria coragem de sonambular?”
Chu Yi bufou. He Yu suspirou aliviado.
Discussões à parte, Chu Yi deu um telefonema e mandou entregarem duas camas de casal grandes e uma de solteiro. He Yu observou comovido enquanto os operários desmontavam as camas velhas e instalavam as novas, muito maiores e mais bonitas. Colocaram a de solteiro na sala, com uma pequena cortina e uma mesa de cabeceira.
A casinha da felicidade do Grande A: apertada, mas aconchegante.
“Certo, agora só precisamos seguir uma diretriz, que é—” Li Jinhang ergueu o braço. “Vigiar Chu Yi e He Yu! Garantir que—”
Chu Yi o silenciou com uma frase: “Se o Xin Tao sonambular, você pode trocar de lugar com o Haoyan.”
Xin Tao riu, com um tom significativo: “O Haoyan prefere dormir sozinho.”
Li Jinhang ficou com o fôlego preso, sem saber o que responder, e virou-se irritado: “Vou ao banheiro!”
Haoyan, por sua vez, estava ocupado mexendo no celular, ponderando se o lençol vermelho era mais bonito que o azul, sem saber quando passou a “preferir dormir sozinho” nem sobre o que estavam conversando.
À noite, He Yu estava deitado rigidamente na cama nova. A dois espaços de distância estava Chu Yi, nada rígido, deitado de lado e encarando-o por mais de meia hora.
He Yu fechou os olhos.
Talvez fosse estranhamento pela cama nova, mas, milagrosamente, ele ficou deitado por meia hora sem sentir um pingo de sono. Entre a febre de união aguda de ontem, as três ou quatro horas no hotel com Chu Yi fazendo “isso e aquilo”, as seis ou sete horas de sono no hospital, os exames e as recomendações médicas… ele deveria estar exausto.
Por que estava tão desperto, como se tivesse virado a personificação do café?
“Não consegue dormir?” Chu Yi perguntou de repente.
“Ah,” He Yu hesitou, virou-se para encará-lo. “Ainda não me acostumei com a cama, logo eu—” melhoro.
Chu Yi simplesmente estendeu a mão, agarrou sua cintura e o puxou para perto. Prendeu as pernas de He Yu com as suas, com uma mão em sua cintura e a outra na nuca. O movimento foi tão decidido que parecia que ele esperava por esse momento há muito tempo.
He Yu caiu nos braços dele de surpresa. Seu corpo tensionou e relaxou logo em seguida. Antes de raciocinar, sua cabeça já estava enfiada no ombro do Alpha, esfregando-se descaradamente.
“… Jinhang tem razão,” He Yu estagnou, envergonhado. Não sabia se continuava o carinho ou se ficava parado. Suspirou: “Cedo ou tarde algo vai acontecer entre nós. Ontem a culpa foi minha, tive pouca força de vontade. Me odeio por ter virado um bobão chorão de repente, nada parecido com um aluno exemplar…”
“Peço desculpas, sério, Irmão, eu atrasei—”
“Cale a boca,” Chu Yi segurou a cabeça dele. “Durma.”
He Yu encostou a testa na clavícula dele, hesitou por um segundo e subiu um pouco a cabeça, roçando a ponta do nariz na pele do Alpha. Ele parou ali e fechou os olhos.
“Boa noite.”
“Boa noite.”
O efeito colateral da marcação temporária exigia que dormissem na mesma cama por pelo menos uma semana, mantendo o respeito mútuo. Para dois jovens saudáveis com uma compatibilidade altíssima, isso era sinônimo de uma palavra: tortura.
Mas na primeira noite He Yu dormiu muito bem. Após abraçá-lo, Chu Yi não se moveu mais, agindo como um cavalheiro nato. Já He Yu, o grande pervertido, não resistiu e fingiu se mexer durante o sono para apalpar a cintura do Alpha algumas vezes… viciante…
Na aula matinal, após muito tempo ausente, a sala estava um caos discutindo quem venceria o festival esportivo da próxima semana. O representante de classe apontou para si mesmo… e para os Alphas de elite que estavam distraídos ao fundo.
“Nem precisa perguntar. Com a gente aqui, as outras turmas têm alguma chance?”
“O representante é fera!”
“Boa!”
“Parem de se gabar, já votaram no ‘Casal Mais Bonito’? Até a faxineira da escola de educação física votou!”
“Que casal o quê, estou solteiro há milênios.”
“Os candidatos deste ano são Chu Yi e He Yu!”
“Manda o link agora, por favor!”
…
He Yu desviou o olhar e folheou a pilha de exercícios que Cheng Haoyan trouxera. Com uma olhada rápida, concluiu que nada ali valia o esforço de escrever.
Seu jeito de fazer provas e de levar a vida eram parecidos: se pudesse não se mexer, não se mexia; se pudesse apenas olhar em vez de escrever, assim faria. O cérebro de um gênio serve para ganhar dinheiro, não para gastar tempo escrevendo soluções de problemas que ele resolve de olhos fechados. Afinal, o objetivo final do estudo não é sustentar a casa? Cedo ou tarde, dá no mesmo.
Além disso, o foco agora era outro.
A febre de união aguda de anteontem o mandou para o hospital e o “fundiu” a Chu Yi. Agora ele estava ótimo, revigorado, e sentia um frescor constante na respiração. Também conseguia sentir um aroma de melancia, quase imperceptível, vindo de Chu Yi. Antes de sair de casa, perguntou a Xin Tao e aos outros se sentiam algo; todos disseram que não, o que o tranquilizou.
O problema era o temperamento…
“He Yu, Chu Yi, vocês fizeram o exercício de literatura?”
O representante de literatura era um Alpha com um ar intelectual; comparado a qualquer um que não fosse Chu Yi, ele seria considerado bonito. Mas He Yu, o grande apreciador de beleza, não sentia nada por aquele estilo tímido. Antes ele nem daria atenção, e agora, após tanto tempo com Chu Yi, nem notava a existência estética do rapaz.
Ele baixou a cabeça e começou a revirar a gaveta bagunçada da mesa, fazendo barulho com os papéis.
“Eu lembro de ter colocado aqui.” Ele coçou o cabelo e ia dizer ao representante que tinha perdido, mas foi pressionado contra a mesa por Chu Yi.
O movimento não foi forte. Normalmente He Yu resistiria por reflexo, mas hoje o nervo da rebeldia estava inativo; ele ficou dócil como um passarinho, sem vontade de se mover. Que estranho.
“Não fizemos,” disse Chu Yi. O tom não foi agressivo para os seus padrões, mas estava longe de ser amigável.
Todo o seu ser emanava um “estou irritado”, embora seus movimentos ainda lembrassem os de um cavalheiro preguiçoso. O representante de literatura nem ousou respirar fundo; assentiu baixo e saiu correndo.
Pelo canto do olho, He Yu viu os dois colegas da frente empurrarem as cadeiras para frente simultaneamente, fazendo um barulho alto. Eles tremeram e ficaram imóveis sobre as mesas, ainda mais submissos que He Yu.
Chu Yi não costumava partir para a briga, pois não precisava. Se um Alpha o irritasse, bastava liberar feromônios para a luta acabar. Betas e Omegas, em sã consciência, jamais o provocariam. Sua má fama era global.
Ele não resistiu e olhou para o culpado.
Chu Yi soltou a mão e também o encarava. Os olhares se cruzaram; He Yu achou que ele ia explodir, mas Chu Yi apenas se inclinou, ficando muito perto, e perguntou: “Por que está olhando para ele?”
Hã???
Quando foi que eu olhei para ele? Ele quem? O representante?
He Yu ficou chocado por um momento, mas logo entendeu. Culpa da marcação temporária. Chu Yi agora queria grudá-lo em seu cinto; se pudesse trancá-lo em um quarto escuro, melhor ainda; de preferência um espaço onde pudessem fazer “isso e aquilo” à vontade.
Ele entendia… o cacete.
O que eu faço? He Yu estava aflito. Bastava ele olhar para o lado para tentar interagir normalmente e Chu Yi já perdia a linha; se ele realmente conversasse com alguém, Chu Yi surtaria e bateria em todo mundo. Ele tinha sorte que Chu Yi era nível S+ e ninguém podia feri-lo, senão ainda teria que ficar preocupado…
“Estou falando com você, hum?” Chu Yi não foi grosseiro, mas seus olhos semicerrados pareciam uma bomba prestes a explodir tudo ao redor.
“Eu não achei o papel,” He Yu resolveu seguir o manual de saúde fisiológica: o Omega deve ser submisso e acalmar o Alpha durante o período sensível. Ele se aproximou e sussurrou: “Eu só ia dizer que nem queria falar com ele, prefiro ser invisível. Que bom que você falou por mim.”
“Da próxima vez, ignore. Eu falo por você.” Chu Yi afagou a cabeça dele.
“Tá bom, você manda.” He Yu esfregou a cabeça na palma da mão dele inconscientemente. No meio do gesto, percebeu o quão “fofo” aquilo foi e congelou. Chu Yi o encarou imediatamente, e ele não teve escolha a não ser continuar o carinho docilmente.
A mão dele é linda, não é prejuízo.
Vivendo com Chu Yi, ele nunca saía perdendo; estava sempre tirando vantagem.
A primeira aula passou tranquila. He Yu, milagrosamente, manteve a postura, e continuou assim no intervalo. O Irmão Feng soube que ele fora internado e lhe deu uma semana de folga, avisando: “Não venha aqui me dar dor de cabeça antes de se curar. Se precisar de dinheiro, eu te adianto.”
Se existisse prêmio de melhor patrão do mundo, ele daria para Feng Cang.
“Chu Yi,” Yao Luling aproximou-se com um caderno, falando suavemente: “A escola vai selecionar representantes estudantis para o discurso do festival esportivo, um por turma. Eu queria te recomendar.”
He Yu virou a cabeça tão rápido que quase deslocou o pescoço. O estalo assustou a garota. Ele olhou para os papéis na mão dela e franziu o cenho. Seus olhos provocadores tornaram-se agressivos, iguais aos de quando estava no trabalho: “Que discurso?”
Yao Luling ia retrucar, mas recuou um passo intimidada pela expressão dele. Gaguejou: “É… é a declaração de cada turma.”
“O representante de esportes não deveria ir?” He Yu soltou um som de desdém. Não queria maltratar a colega, mas também não ia deixar passar. Ele se inclinou para trás na cadeira e acenou por cima da garota: “Jinhang! Discurso no festival esportivo, quer ir? Só tem veterana gata.”
“Eu vou!” gritou Li Jinhang, virando-se com meio pacote de frutas secas na boca.
Yao Luling: “…”
Ela estava furiosa. Como esse He Yu podia ter duas caras assim? Que susto! Ela realmente achou que ele ia levantar para bater nela!
Nota do Autor:
Eles chegaram! Chegaram com as sequelas da marcação temporária!
He Yu: “O impacto no meu Irmão foi grande demais, sorte que eu continuo normal.”
Chu Yi: “Meus parabéns. Por favor, continue normal assim, obrigado.”
Capítulo 38
Fonts
Text size
Background
Perdi meu disfarce na frente do colírio da escola
【Completo + Extras】
He Yu sofre de Desordem de Feromônios Ômega.
...