Perdi meu disfarce na frente do colírio da escola

Capítulo 23

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Capítulo 23 

Na aula de inglês, a sala estava em calmaria total, com apenas a voz suave da professora explicando vocabulário. He Yu estava deitado sobre a mesa recuperando o sono, ao lado de um Chu Yi cuja caneta riscava o papel sem parar. 

Já faziam três semanas desde que Ding Wenlin resolveu cavar a própria cova. Chu Yi não contou o que tinha feito; apenas o levou para a escola na manhã seguinte e depois sumiu com Xin Tao e os outros por todo o período, voltando à tarde com um saco enorme de guloseimas para He Yu. 

Os detalhes vieram por Yuan Li. 

“Puta merda, He Da Yu! O desgraçado do Ding Wenlin virou atração turística!” 

“O infeliz apareceu pelado, usando só uma lingerie de S|M, estirado no meio da avenida principal. Caramba, eu vi as fotos, meus olhos até arderam. Fora a roupa, ele estava cheio de ferimentos indescritíveis. Quem diria que aquele idiota tinha fetiches tão… intensos!” 

“Aposto que armaram para ele, o bicho colheu o que plantou! O cara ficou jogado na calçada naquele estado por mais de três horas, bem no horário de pico, com um monte de estudante saindo para almoçar. As fotos viralizaram no grupo, tem de tudo que é ângulo… que loucura!” 

He Yu perguntou como a história terminou, e Yuan Li quase explodiu de empolgação. 

“A polícia levou ele. A rua estava cheia de Omegas, o crime foi considerado grave, ele pegou um mês de detenção e agora tem ficha suja.” 

“Dizem que no distrito ele ainda gritava que tinham armado para ele, acusando o meu Irmão Chu. Mas quando pediram provas, ele não soube dizer nada e a polícia nem deu bola.” 

“A escola ia expulsar, mas acabou ficando em observação; qualquer deslize e ele vaza. Se fosse eu, pulava da ponte de vergonha. Como ele ainda tem coragem de aparecer?” 

He Yu deu uma espiada na foto e sentiu a retina queimar; ele concordou com Yuan Li — se Ding Wenlin tivesse um pingo de dignidade, se atiraria no rio. Yuan Li disse que o delinquente só não acordou porque estava sob efeito de soníferos e tinha várias fraturas, especialmente “naquela região”, que deve ter levado muitos chutes. 

He Yu analisou a foto com seu olhar leigo e estimou que a peça devia ter sido inutilizada… 

Ninguém ousava especular, mas ele sabia que fora o Chu Yi. Ele sabia que o Alfa revidaria, só não imaginava que seria de uma forma tão… artisticamente humilhante. Mas foi revigorante; ele riu por um bom tempo. Aquilo fora mais eficaz do que tirar a vida do infeliz. 

Ele não ousava teorizar sobre o motivo de Chu Yi, concluindo apenas que a compatibilidade entre eles era alta demais e, por instinto biológico, Chu Yi repudiava qualquer Alfa que tentasse ferir o seu parceiro. Ele apenas pegou carona na compatibilidade. 

Após o incidente, a vida seguiu seu curso estável. Ele e Chu Yi viviam aquela rotina confortável de escola, jantar em casa, trabalho, lanche da madrugada e escola de novo. Chu Yi nunca perguntou sobre o serviço dele, deixando-o livre para suas idas e vindas, e até o levou para dar mais três aulas para Jiang Yue Nan para ele ganhar um extra. 

He Yu não resistiu a perguntar: “Eu continuar dando aula para a garota não vai irritar sua mãe?” 

Chu Yi apenas resmungou: “Quem sabe.” E continuou levando-o. 

He Yu suspeitava que mãe e filho estivessem em pé de guerra e que Chu Yi, por algum motivo, resolvera peitar o controle dela. Era um bom sinal; do jeito que a Madame era possessiva, um dos dois acabaria num hospício mais cedo ou mais tarde. 

A aula de inglês era a única que não terminava com comemoração, pois todos já entravam dormindo e continuavam assim depois que o sinal batia. He Yu olhou para Chu Yi resolvendo a lista de matemática e, pensando em como aquele rosto era abençoado pela genética, fechou os olhos em paz. 

Chu Yi morava com ele há mais de três semanas e cuidara de sua alimentação por todo esse tempo; He Yu sentia que estava até ganhando peso, ou talvez fosse apenas porque Chu Yi era um banquete para os olhos… 

“Chu Yi, está ocupado?” Uma voz tão doce que fez He Yu estremecer veio de cima. Ele moveu os dedos levemente, mas não se levantou. 

Era a姚鹿泠 (Yao Luling), a representante cultural da turma. Voz de mel, visual fofo e adorável — o oposto total de He Yu — e cantava muito bem. 

“Algum problema?” Chu Yi puxou a cortina, bloqueando o sol que batia no rosto de He Yu. 

“A escola de esportes entrou em contato. O concurso de ‘Galã da Escola’ deste ano foi antecipado”, disse ela, ajeitando o cabelo com um sorriso gentil. “Queria saber se você vai participar.” 

O concurso de galãs… He Yu conhecia. O campeão do ano passado fora o próprio Chu Yi. A Primeira Escola e a Escola de Esportes eram rivais históricas em tudo. Como os atletas não ganhavam nos estudos, tentavam apelar para o visual e o prestígio da beleza. 

“Tanto faz.” Chu Yi nem desviou os olhos da prova. 

A garota hesitou. O sexto sentido de He Yu disse que ela o estava encarando. 

“O regulamento mudou,” continuou Yao Luling suavemente. “Agora é ‘Concurso do Casal com Melhor Visual’. A nota é a média dos dois.” 

Ahhh… He Yu entendeu na hora. Eu sou o peso morto. 

Mas logo ficou confuso. E aí? Como eu sou o peso morto, a representante cultural quer assumir o meu lugar? As garotas de hoje eram muito estratégicas. Ei, eu sou gato também, você que não sabe de nada, pensou ele. 

“Precisa que eu assine algo?” Chu Yi perguntou de repente, lançando-lhe um olhar gélido. 

“N-não, não precisa. Esquece.” Yao Luling se assustou e deu um passo atrás. 

Chu Yi era famoso pela beleza e pela linhagem, mas também por não fazer distinção de gênero na hora de ser curto e grosso. Omegas que o importunavam acabavam sempre levando a pior. “Eu te bater não tem nada a ver com você ser A ou O, depende apenas de você merecer ou não”. Com esse lema, o ambiente ao redor dele era sempre tranquilo; os fãs podiam gritar lá fora, mas na frente do “Imperador”, todos ficavam pianinho. 

“Se não precisa, por que ainda está parada aí?” Chu Yi cortou. 

Yao Luling mordeu o lábio, lançou um olhar mortal para He Yu e saiu pisando duro. He Yu deu um joinha mental para Chu Yi. O cara é implacável, adorei. 

“Até que ela não é feia,” Xin Tao comentou, observando a cena. 

“Boca vermelha demais,” desdenhou Li Jinhang. “Parece que acabou de comer alguém e não limpou.” 

Xin Tao não discutia com Li Jinhang, que só gostava do tipo “moça culta e sem maquiagem”; ele preferia o visual batom vermelho e pernas longas. 

 

Quando se dorme durante o dia, o tempo voa. He Yu sentiu que mal fechara os olhos e já era hora da saída. 

“Faz hora extra hoje?” Chu Yi perguntou enquanto caminhavam. 

“Sim, não precisa me esperar,” He Yu se espreguiçou, bocejando; o sono nunca era suficiente. “Só saio depois das quatro.” 

“Não quer que eu te busque?” A pergunta diária de Chu Yi. 

“Não precisa,” mentiu He Yu. “Meu trabalho é super seguro, totalmente dentro dos valores cívicos.” 

“Hm,” disse Chu Yi. “Cuidado no caminho.” 

He Yu fez o sinal de OK. Chu Yi tinha esse poder de transformar frases comuns em algo que mexia com o coração e fazia a gente imaginar mil coisas. Aquele “cuidado no caminho” parecia coisa de casal que estava junto há décadas… Era como dizem: olhei para você e já escolhi o nome dos nossos filhos. 

 

Chu Yi chegou em casa e começou a cozinhar. Ultimamente, He Yu andava ocupado; saía sem jantar, mas voltava para comer de madrugada. Ele não queria interferir, mas a situação estava ficando insustentável. Qualquer distância mínima entre eles o deixava inquieto, com vontade de trancar o Omega no quarto e nunca mais soltar. 

As desvantagens da compatibilidade extrema eram cruéis. Se houvesse amor, seria ótimo; mas sem ele, a biologia tornava tudo uma tortura. Razão e instinto brigavam em sua mente; se não resolvesse logo, ele enlouqueceria. 

“I will keep quiet, You won’t even know I’m here……” 

“Alô?” 

“E aí, meu Yi? Vamos sair?” Xin Tao chamou. 

“Se você não aparecer, vou achar que o He Yu te acorrentou no pé da mesa!” Li Jinhang berrou ao fundo. 

“O amigo do Hang indicou um lugar novo, bebida de primeira. Vamos?” convidou Xin Tao. 

Chu Yi hesitou. Eles não frequentavam lugares bagunçados por causa de sua mania de limpeza, mas seu humor estava péssimo ultimamente… 

“Vamos.” 

 

A noite caiu e o Sul de Tongyan despertou como uma fera. No barulhento OTE, He Yu entrou no escritório de Feng Cang com um isqueiro nos dedos. 

“Irmão Feng, tem cigarro? O meu e o do Liu acabaram”, He Yu sentou-se folgado na frente do chefe. “O cigarro do Wu é fraco demais, não desce.” 

Feng Cang já o encarava com irritação. “Levante daí! Fumando no horário de trabalho? Quer perder o bônus do mês?” 

He Yu sorriu cínico. “Pode tirar. Bônus é dinheiro, cigarro é alma. Irmão Feng, me vê dois, estamos quase dormindo em pé aqui.” 

Feng Cang tirou o maço novo e ia dar dois cigarros, mas He Yu foi mais rápido e tomou o maço inteiro. “Valeu, Irmão Feng!” 

Ele fugiu antes que o chefe pudesse reagir. O recém-papai Feng Cang deu um tapa na mesa, possesso. O dinheiro das fraldas que ele economizava para os cigarros fora levado por aquele moleque! 

He Yu foi para a porta dos fundos. Ele não mentira; estava exausto. Com a correria, esqueceu de comprar fumo e, como não podia fumar perto de Chu Yi durante o dia, estava em abstinência. 

“Irmão Yu! Deu ruim lá na frente!” alguém gritou. 

He Yu pôs o cigarro na boca e, sem tempo de acender, correu para o salão. No balcão, uma confusão estava armada. Um sujeito discreto sacou uma faca de frutas e, antes que fizesse algo, He Yu tomou a arma e o nocauteou com um chute. 

“Ainda tentam trazer armas…”, He Yu girou a faca nos dedos e a entregou para um colega. Quando ia lidar com os dois bêbados no chão, ele levantou o olhar e deu de cara com quatro rostos muito familiares. 

Da esquerda para a direita: Xin Tao, Chu Yi, Li Jinhang e Cheng Haoyan. 

O choque foi tão grande que o quinteto ficou estático por dez segundos. Li Jinhang deixou o copo cair; o barulho do vidro quebrando não despertou ninguém, mas o susto fez o cigarro de He Yu cair da boca. 

“HE YU???” Li Jinhang foi o primeiro a berrar. “CARALHO! É você mesmo! Que moral…” 

He Yu só tinha olhos para Chu Yi. Nem o cérebro mais brilhante teria uma desculpa pronta agora. Só havia uma frase em sua mente: Agora fodeu. 

Chu Yi não demonstrava nada. Após um longo silêncio, ele soltou um riso seco e apontou para o chão: “Resolva isso primeiro.” 

He Yu despertou do transe. Ignorando os olhares curiosos dos colegas de trabalho, nocauteou os dois bêbados que tentavam resistir. Ele estava possesso. Ele era o supervisor e raramente agia na linha de frente, a menos que houvesse um Omega em perigo; bastou ele ser proativo uma única vez para o disfarce ir para o ralo. 

“Joguem eles na rua, bem longe,” murmurou He Yu. Se não fossem aqueles idiotas, seu segredo estaria seguro. Mas por que Chu Yi viera ao OTE? Ele não deveria estar em casa cozinhando? Camarada Chu Yi, você está aprendendo o que não presta, saindo escondido para a farra… 

Espera, eu que estou saindo escondido dele há semanas… 

Eu mereço a morte. 

“Pode deixar, Irmão.” 

A confusão acabou e os curiosos se dispersaram. He Yu teve que encarar Chu Yi. Que venha o apocalipse, pensou ele. 

Xin Tao puxou o atônito Cheng Haoyan e o eufórico Li Jinhang para outra mesa. He Yu caminhou até o balcão e sentou ao lado de Chu Yi, esperando o interrogatório. Mas o Alfa ficou em silêncio, tomando seu coquetel calmamente. 

He Yu já conhecia o temperamento dele: ele era carinhoso, mas também ácido, e em situações críticas mantinha uma calma que deixava qualquer um desesperado. He Yu realmente não sabia por onde começar. Era erro demais acumulado para confessar de uma vez. 

“Eu… sou o supervisor aqui. Um segurança comum,” disse He Yu, sentindo que sua língua era inútil para explicar aquilo. 

Chu Yi resmungou um “hum”. 

He Yu tamborilou na mesa, nervoso. “Eu não queria mentir, é que naquelas circunstâncias não parecia o momento certo…” 

“Sim,” Chu Yi assentiu, tomou um gole e olhou para ele. “Eu sei.” 

He Yu ficou sem palavras. Sim, fora tudo uma atuação. Ele não era medroso, nem frágil, nem feio. Ele era um vencedor do Oscar. Estava acabado. O que mais doía não era perder o emprego ou o contrato, mas sentir que sua relação com Chu Yi morreria ali. Não sobraria nem a amizade. Era pior que um fora de uma noite só. 

Após um longo tempo, Chu Yi bateu o copo na mesa e o encarou: “A partir de agora, as coisas mudam.” 

He Yu sentiu um peso no peito. Tudo bem, o ‘cartão VIP Chu Yi’ expirou. Sem dramas. Ele levantou sua garrafa de água com um ar de despedida: “Então, adeus—” 

“Não solte mais o cabelo,” Chu Yi o interrompeu, com um olhar enviesado. “Temos um concurso para vencer. Seria uma vergonha perder.” 

He Yu sentiu a vida voltar ao corpo num instante. 

 

Nota do Autor: 

O autor está comemorando: Disfarce revelado! Uhuuu! 

He Yu: “Acabou pra mim.” 

Chu Yi: “Vem aqui me pedir desculpas e talvez eu te perdoe.” 

Obrigado por tudo! Sorteio de brindes nos comentários! 

 

Capítulo 23
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Perdi meu disfarce na frente do colírio da escola

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【Completo + Extras】

He Yu sofre de Desordem de Feromônios Ômega.

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