Capítulo 10 — O estranho na janela
Topázio:
Eu estava sozinho na torre.
Gothel tinha saído naquela manhã e ainda faltavam dois dias para ela voltar.
Pascal estava comigo, perto da janela.
Eu tinha acabado de terminar uma parte dos meus cabelos quando ouvi um barulho vindo da floresta.
Parei.
Rapunzel: — Pascal… você ouviu isso?
Pascal olhou para a janela.
Aproximei-me devagar e olhei para baixo.
Entre as árvores, vi alguém correndo.
Era um homem.
Ele corria depressa e olhava para trás várias vezes.
Logo ouvi vozes distantes.
Guarda: — Parem! Ele está indo para a floresta!
Meu coração acelerou.
Rapunzel: — Guardas?
O homem continuou correndo.
Ele chegou cada vez mais perto da torre.
Então parou.
Olhou para cima.
Eu me abaixei rapidamente para não ser visto.
Esperei alguns segundos e voltei a olhar.
O rapaz estava diante da torre.
Era alto, tinha cabelos castanhos e uma aparência muito bonita. Mesmo estando cansado da fuga, ainda carregava um sorriso confiante.
Ele olhou para a torre de cima a baixo.
Flynn: — Quem construiu isso?
Ele procurou uma porta.
Não encontrou.
Andou ao redor da torre.
Nada.
Flynn: — Sem porta?
Olhou novamente para cima.
A única coisa que encontrou foi a janela.
Flynn: — Então vai ser pela janela.
Ele procurou uma maneira de subir.
Depois de algum esforço, começou a escalar a lateral da torre.
Eu observava tudo escondido.
Rapunzel: — Ele está subindo.
Pascal ficou assustado.
Rapunzel: — Eu sei.
O homem continuou subindo.
Eu nunca tinha visto ninguém fazer aquilo.
Quando ele estava quase chegando, me afastei da janela.
Meu coração batia forte.
Ele alcançou o parapeito.
Segurou a borda.
E entrou pela janela.
Eu fiquei olhando para ele.
Ele também ficou olhando para mim.
Por alguns segundos, ninguém disse nada.
Então ele respirou fundo.
Flynn: — Oi.
Eu não respondi.
Pascal apareceu ao meu lado e ficou encarando o estranho.
Flynn olhou para ele.
Depois voltou a olhar para mim.
Flynn: — Certo… isso não era exatamente o que eu esperava encontrar.
Segurei a escova de cabelo como se pudesse usá-la para me defender.
Rapunzel: — Quem é você?
Flynn: — Flynn Rider.
Rapunzel: — O que você está fazendo aqui?
Flynn: — Eu estava procurando um lugar para me esconder.
Rapunzel: — Você entrou pela minha janela.
Flynn: — Sim.
Rapunzel: — Sem pedir.
Flynn: — Tecnicamente, eu estava fugindo dos guardas.
Rapunzel: — Isso não responde.
Flynn deu um pequeno sorriso.
Flynn: — Você sempre faz tantas perguntas?
Rapunzel: — Quando aparece um estranho dentro da minha casa, sim.
Ele olhou ao redor.
Foi então que percebeu meus cabelos.
Os fios brancos estavam espalhados por boa parte do chão.
Flynn ficou surpreso.
Flynn: — Espera.
Ele apontou para meus cabelos.
Flynn: — Isso tudo é seu?
Olhei para os fios.
Rapunzel: — É.
Flynn: — Quanto cabelo.
Rapunzel: — Mais de setenta metros.
Ele arregalou os olhos.
Flynn: — Setenta metros?
Assenti.
Rapunzel: — Sim.
Flynn soltou uma pequena risada.
Flynn: — Certo, loirinho. Acho que nunca vi nada parecido.
Franzi a testa.
Rapunzel: — Loirinho?
Flynn: — Seus cabelos são praticamente brancos.
Rapunzel: — Meu nome é Rapunzel.
Flynn: — Eu sei.
Rapunzel: — Então me chame de Rapunzel.
Flynn sorriu.
Flynn: — Tudo bem, Rapunzel.
Pascal se aproximou de mim.
Flynn apontou para ele.
Flynn: — E esse pequeno sujeito?
Rapunzel: — Pascal. Meu melhor amigo.
Pascal encarou Flynn com desconfiança.
Flynn: — Ele não gosta de mim.
Rapunzel: — Ele acabou de conhecer você.
Flynn: — Já começou mal.
Eu quase sorri.
Mas lembrei que ele havia invadido minha torre.
Rapunzel: — Você disse que está fugindo dos guardas. Por quê?
Flynn ficou em silêncio.
Rapunzel: — Flynn?
Ele suspirou.
Flynn: — Digamos que eu peguei uma coisa que não deveria ter pegado.
Rapunzel: — O quê?
Flynn segurou a bolsa que carregava.
Flynn: — Isso não importa.
Rapunzel: — Para mim importa.
Ele me olhou por alguns segundos.
Flynn: — Você é sempre tão curiosa?
Rapunzel: — Eu passei a vida inteira nesta torre. Não tenho muita coisa para fazer.
Flynn ficou sério por um instante.
Flynn: — Você vive aqui?
Rapunzel: — Sim.
Flynn: — Sozinho?
Rapunzel: — Com Pascal. E com minha mãe quando ela está aqui.
Flynn olhou para a janela.
Depois para mim.
Flynn: — Então sua mãe não está?
Rapunzel: — Ela está viajando.
Flynn: — Por quanto tempo?
Rapunzel: — Três dias.
Flynn sorriu.
Flynn: — Então tive sorte.
Eu cruzei os braços.
Rapunzel: — Ainda não decidi se você teve sorte.
Flynn riu.
Flynn: — Justo.
Eu ainda não sabia quem ele era de verdade.
Não sabia que ele era um ladrão.
Não sabia que carregava uma coroa roubada.
E muito menos sabia que aquele encontro mudaria completamente a minha vida.
Pela primeira vez, alguém tinha entrado na minha torre sem ser Gothel.
E aquele alguém tinha chegado pela única entrada que eu conhecia.
A janela.
Capítulo 10 — O estranho na janela
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TOPÁZIO como RAPONZEL
Em 1950, o príncipe Topázio, filho do Rei Augusto e da Rainha Helena, desaparece ainda bebê. Seus cabelos possuem um poder mágico capaz de curar e manter alguém jovem, fazendo com que Gothel o...