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TOPÁZIO como RAPONZEL

Capítulo 6 — Dezessete anos de saudade

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Topázio:

Enquanto eu crescia naquela torre, havia duas pessoas que nunca conseguiram seguir em frente.

Meus pais.

Dezessete anos haviam passado desde o meu desaparecimento.

Mas, para o rei Augusto e a rainha Helena, parecia que aquela noite nunca tinha terminado.

O palácio continuava o mesmo por fora.

Por dentro, porém, havia um vazio que ninguém conseguia preencher.

Naquela manhã, minha mãe estava sentada sozinha em seu quarto.

Sobre a mesa havia uma pequena caixa de madeira.

Ela a abriu devagar.

Dentro estava uma manta branca.

A mesma que havia sido usada para me envolver quando nasci.

Helena passou a mão pelo tecido e ficou alguns segundos em silêncio.

Helena: — Dezessete anos…

Seus olhos se encheram de lágrimas.

Ela segurou a manta contra o peito.

Helena: — Onde você está, meu filho?

A porta se abriu.

Meu pai entrou.

Ele parou ao perceber que minha mãe estava chorando.

Augusto: — Helena.

Ela levantou os olhos.

Helena: — Eu estava pensando nele novamente.

Augusto se aproximou e sentou ao lado dela.

Augusto: — Eu também.

Helena: — Todos esses anos… e nós não encontramos nenhuma pista.

Augusto: — Ainda estamos procurando.

Helena: — Mas e se ele estiver morto?

Meu pai ficou em silêncio.

Ele não gostava daquela possibilidade.

Augusto: — Não diga isso.

Helena: — Eu preciso pensar nisso às vezes.

Augusto: — Eu não.

Helena olhou para ele.

Augusto: — Enquanto não encontrarmos o corpo dele, vou acreditar que nosso filho está vivo.

Ela começou a chorar novamente.

Augusto segurou sua mão.

Augusto: — Topázio está vivo.

Helena: — Você realmente acredita nisso?

Augusto: — Acredito.

Helena: — Depois de dezessete anos?

Augusto: — Justamente depois de dezessete anos.

Ele respirou fundo.

Augusto: — Se alguém levou nosso filho, essa pessoa ainda pode estar escondendo ele.

Helena olhou para a manta.

Helena: — Eu só queria saber se ele cresceu bem.

Augusto: — Eu também.

Helena: — Será que ele se lembra de nós?

Meu pai abaixou os olhos.

Augusto: — Ele era pequeno demais.

A resposta doeu.

Minha mãe apertou a manta contra o peito.

Helena: — Então talvez ele nem saiba que somos os pais dele.

Augusto: — Mas nós sabemos.

Ela olhou para ele.

Augusto: — E nunca vamos esquecer.

Mais tarde, meu pai estava no escritório.

Sobre sua mesa havia dezenas de documentos.

Relatórios de buscas.

Mapas.

Nomes de pessoas interrogadas.

Locais onde haviam procurado.

Tudo relacionado ao meu desaparecimento.

O capitão da guarda entrou.

Capitão: — Majestade.

Augusto: — Entre.

O homem colocou alguns papéis sobre a mesa.

Capitão: — Fizemos novas buscas nas regiões ao norte.

Meu pai pegou os documentos.

Augusto: — Encontraram alguma coisa?

O capitão hesitou.

Capitão: — Não, majestade.

Augusto fechou os olhos por um instante.

Augusto: — Continuem.

Capitão: — Sim.

Augusto: — Procurem novamente as florestas.

Capitão: — Já procuramos muitas vezes.

Meu pai levantou os olhos.

Augusto: — Então procurem mais uma.

O capitão assentiu.

Capitão: — Sim, majestade.

Antes de sair, ele parou.

Capitão: — Rei Augusto…

Augusto: — Sim?

Capitão: — Eu sinto muito.

Meu pai ficou em silêncio.

Augusto: — Eu não quero que sintam pena de mim.

Capitão: — O que deseja então?

Augusto olhou para o retrato que ficava sobre sua mesa.

Era um retrato meu ainda bebê.

Augusto: — Que encontrem meu filho.

O capitão abaixou a cabeça.

Capitão: — Vamos continuar procurando.

Quando ficou sozinho, meu pai se levantou.

Caminhou até o retrato.

Passou os dedos pelo pequeno rosto retratado.

Augusto: — Você já deve estar grande agora.

Ele sorriu tristemente.

Augusto: — Talvez tenha os cabelos da sua mãe.

Fez uma pausa.

Augusto: — Ou talvez tenha os meus.

Ele respirou fundo.

Augusto: — Onde quer que esteja, Topázio… seu pai ainda está procurando por você.

Naquela noite, minha mãe foi até o antigo quarto que havia sido preparado para mim.

O quarto continuava intacto.

Ninguém havia permitido que nada fosse retirado dali.

O pequeno berço ainda estava no mesmo lugar.

Os brinquedos que haviam comprado antes do meu nascimento continuavam guardados.

Helena entrou lentamente.

Sentou-se perto da janela.

Helena: — Eu deveria ter protegido você.

Ela começou a chorar.

Helena: — Desculpa, meu filho.

Meu pai apareceu na porta.

Augusto: — Helena…

Ela limpou as lágrimas.

Helena: — Às vezes eu penso que ele pode estar em algum lugar esperando que nós o encontremos.

Augusto: — Eu penso nisso todos os dias.

Ele entrou no quarto.

Helena: — Então não vamos desistir.

Augusto segurou a mão dela.

Augusto: — Nunca.

Eles permaneceram ali por alguns minutos.

Sem saber que, muito longe dali, seu filho estava vivo.

Eu estava crescendo.

Eu tinha dezessete anos.

E, mesmo sem saber quem eram meus verdadeiros pais, carregava dentro de mim uma sensação estranha.

Como se faltasse alguma coisa.

Como se uma parte da minha história estivesse escondida.

Meus pais procuravam por Topázio.

Eu me conhecia como Rapunzel.

E ninguém imaginava que os caminhos de nós três estavam começando, finalmente, a se aproximar.

Capítulo 6 — Dezessete anos de saudade
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TOPÁZIO como RAPONZEL

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Em 1950, o príncipe Topázio, filho do Rei Augusto e da Rainha Helena, desaparece ainda bebê. Seus cabelos possuem um poder mágico capaz de curar e manter alguém jovem, fazendo com que Gothel o...

Chapters

  • Capítulo 31 — A verdade diante de mim
  • Capítulo 30 — A coroa
  • Capítulo 29 — De volta à torre
  • Capítulo 28 — Gothel aparece
  • Capítulo 27 — A perseguição
  • Capítulo 26 — O amanhecer
  • Capítulo 25 — Gothel descobre a fuga
  • Capítulo 24 — Uma sensação estranha
  • Capítulo 23 — A lanterna que brilhou
  • Capítulo 22 — As lanternas
  • Capítulo 21 — Uma dança no coração do reino
  • Capítulo 20 — A trança de flores
  • Capítulo 19 — Uma nova manhã
  • Capítulo 18 — Uma noite diferente
  • Capítulo 17 — A entrada no reino
  • Capítulo 16 — O primeiro caminho
  • Capítulo 15 — Cabelos demais
  • Capítulo 14 — O caminho para o reino
  • Capítulo 13 — Pela primeira vez fora da torre
  • Capítulo 12 — O plano
  • Capítulo 11 — Um acordo inesperado
  • Capítulo 10 — O estranho na janela
  • Capítulo 9 — O príncipe que nunca voltou
  • Capítulo 8 — Flynn Rider
  • Capítulo 7 — Três dias sozinho
  • Capítulo 6 — Dezessete anos de saudade
  • Capítulo 5 — Dezessete anos depois
  • Capítulo 4 — O sequestro do príncipe
  • Capítulo 3 — Os primeiros dias do príncipe
  • Capítulo 2 — O nascimento do príncipe Topázio
  • Capítulo 1 — Antes de eu nascer
 

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