Capítulo 5 — Dezessete anos depois
Topázio:
Dezessete anos.
Esse era o tempo que havia passado desde que eu tinha sido levado para aquela torre.
Eu não sabia disso.
Para mim, aquela torre sempre tinha sido minha casa.
Eu conhecia cada corredor, cada janela e cada cômodo. Conhecia também cada árvore que conseguia enxergar do alto da torre.
Mas nunca havia pisado no chão da floresta.
Nunca tinha conhecido uma cidade.
Nunca tinha visto o reino.
E, principalmente, nunca tinha conhecido outra pessoa além de Gothel.
Meu nome era Rapunzel.
Foi assim que Gothel me chamou desde que eu era pequeno.
Eu não sabia que meu verdadeiro nome era Topázio.
Naquela manhã, acordei com a luz do sol entrando pela janela.
Sentei-me na cama.
Meus cabelos brancos caíram pelos meus ombros e se espalharam pelo chão.
Eu já estava acostumado com aquilo.
Mais de setenta metros de cabelos.
Peguei a escova e comecei a pentear os fios.
Pascal apareceu perto de mim.
Rapunzel: — Bom dia, Pascal.
Ele olhou para os meus cabelos e fez uma expressão divertida.
Rapunzel: — Eu sei. É muito cabelo.
Pascal se aproximou.
Peguei uma parte dos fios e comecei a desembaraçá-los.
Era uma tarefa demorada.
Enquanto penteava, fiquei olhando meu reflexo no espelho.
Eu tinha crescido.
Já não era mais uma criança.
Tinha dezessete anos e uma aparência que muitas vezes fazia até Gothel dizer que eu era diferente.
Meu rosto era delicado, meus olhos claros e meus cabelos completamente brancos.
Olhei para eles.
Rapunzel: — Será que alguém no mundo tem cabelos iguais aos meus?
Pascal balançou a cabeça.
Rapunzel: — Você também não sabe.
Sorri.
Depois fui até a janela.
Olhei para a floresta.
O mundo lá fora parecia enorme.
Tão perto…
E, ao mesmo tempo, tão distante.
Eu coloquei as mãos no parapeito.
Rapunzel: — Eu queria saber como é lá fora.
Pascal ficou ao meu lado.
Rapunzel: — Queria conhecer pessoas.
Olhei para o céu.
Rapunzel: — Queria ver as lanternas.
Todos os anos, no meu aniversário, eu via aquelas luzes distantes no céu.
Eu não sabia de onde vinham.
Só sabia que apareciam todos os anos.
E cada vez que as via, sentia uma vontade enorme de estar lá embaixo.
Queria vê-las de perto.
Queria descobrir por que apareciam justamente no meu aniversário.
Foi então que ouvi uma voz vindo de baixo.
Gothel: — Rapunzel!
Meu rosto se iluminou.
Rapunzel: — Mãe!
Corri até a janela.
Meus cabelos estavam espalhados pelo chão.
Peguei uma grande parte deles e joguei pela janela.
Os fios brancos desceram pela torre até o chão da floresta.
Rapunzel: — Pode subir!
Gothel segurou meus cabelos e começou a subir.
Esperei na janela.
Pouco depois, ela apareceu.
Gothel: — Bom dia.
Rapunzel: — Bom dia, mãe.
Gothel entrou e soltou meus cabelos.
Gothel: — Você já penteou?
Rapunzel: — Ainda não.
Ela olhou para a quantidade de fios espalhados pelo chão.
Gothel: — Vai levar horas.
Rapunzel: — Eu sei.
Pascal fez um pequeno som.
Olhei para ele.
Rapunzel: — Não reclama.
Gothel sorriu.
Eu peguei a escova.
Rapunzel: — Mãe, você canta para mim enquanto eu penteio?
Gothel olhou para mim.
Gothel: — Você ainda gosta daquela música?
Rapunzel: — Sempre gostei.
Ela se sentou atrás de mim.
Começou a pentear meus cabelos enquanto cantava baixinho.
Eu fiquei quieto.
Aquela era uma das poucas coisas que ainda me faziam sentir que aquela torre era um lar.
Mas, naquele dia, havia algo diferente dentro de mim.
Eu estava cansado de apenas olhar pela janela.
Queria sair.
Queria conhecer o mundo.
E meu aniversário de dezoito anos estava chegando.
Talvez aquele fosse o momento em que minha vida finalmente começaria.
Eu só não sabia que, naquele mesmo ano, descobriria que meu nome não era Rapunzel.
Era Topázio.
E que, em algum lugar distante daquela floresta, duas pessoas ainda esperavam pelo filho que havia desaparecido dezessete anos atrás.
Capítulo 5 — Dezessete anos depois
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TOPÁZIO como RAPONZEL
Em 1950, o príncipe Topázio, filho do Rei Augusto e da Rainha Helena, desaparece ainda bebê. Seus cabelos possuem um poder mágico capaz de curar e manter alguém jovem, fazendo com que Gothel o...