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Entre as Cores do Destino

Capítulo 1 — As Cicatrizes de um Pequeno Anjo

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🟡 Em breve

A chuva caía forte naquela madrugada em Seul.

O pequeno apartamento era simples, mas estava cheio da expectativa da chegada de um bebê.

Kang Dae-Hyun caminhava de um lado para o outro da sala de espera do hospital enquanto apertava nervosamente as mãos.

Horas depois, o choro de uma criança ecoou pelos corredores.

Seu filho havia nascido.

Um menino.

Um pequeno ômega.

Quando a enfermeira colocou o bebê em seus braços, Dae-Hyun sentiu o coração parar por alguns segundos.

O bebê possuía cabelos escuros e macios.

Suas pequenas mãos seguraram um dos dedos do pai.

Naquele instante, Dae-Hyun sorriu pela primeira vez em dias.

Dae-Hyun: — Olá, meu pequeno…

Lágrimas escorreram por seu rosto.

Dae-Hyun: — Eu sou seu pai.

O bebê abriu os olhos lentamente.

E Dae-Hyun sentiu que seu mundo havia mudado para sempre.

Porém, poucos dias depois, os médicos descobriram algo.

Havia uma má formação em uma das pernas do bebê.

Ele teria dificuldades para caminhar durante toda a vida.

O médico chamou os pais para conversar.

Médico: — Seu filho poderá viver normalmente.

Mãe de Angel: — Normalmente?

Médico: — Sim.

Mãe de Angel: — Mas ele nunca vai andar direito?

O médico permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Médico: — Ele precisará de tratamentos e acompanhamento.

O rosto dela mudou completamente.

Enquanto Dae-Hyun apenas segurava o filho contra o peito.

Os meses passaram.

Angel crescia rodeado pelo amor do pai.

Mas sua mãe se tornava cada vez mais distante.

Ela evitava segurá-lo.

Evitava brincar com ele.

Evitava até olhar para ele.

Uma noite, Dae-Hyun a encontrou arrumando malas.

Seu coração gelou.

Dae-Hyun: — O que está fazendo?

Ela não respondeu.

Dae-Hyun: — Responde!

Ela fechou a mala.

Mãe de Angel: — Eu não consigo.

Dae-Hyun: — Não consegue o quê?

Mãe de Angel: — Viver assim.

O silêncio tomou conta do apartamento.

Dae-Hyun: — Assim como?

Mãe de Angel: — Com essa responsabilidade.

Os olhos dele se encheram de lágrimas.

Dae-Hyun: — Você está falando do nosso filho?

Ela desviou o olhar.

Mãe de Angel: — Eu não nasci para isso.

Dae-Hyun: — Ele é seu filho!

Mãe de Angel: — Eu sei.

Dae-Hyun: — Então fique!

Mãe de Angel: — Não posso.

Dae-Hyun sentiu o chão desaparecer sob seus pés.

Dae-Hyun: — Angel precisa de você.

Ela abriu a porta.

Mãe de Angel: — Você é mais forte do que eu.

E foi embora.

Para sempre.

Naquela noite, Angel chorava em seu berço.

Sem entender que acabara de perder a mãe.

Dae-Hyun o pegou nos braços.

Abraçado ao filho, chorou até o amanhecer.

Dae-Hyun: — Eu prometo…

Ele beijou a testa do bebê.

Dae-Hyun: — Nunca vou abandonar você.

Os anos passaram.

Angel cresceu.

Aos cinco anos começou a perceber que era diferente.

Enquanto outras crianças corriam pelo parque, ele precisava caminhar devagar.

Enquanto elas brincavam sem preocupações, ele frequentemente caía.

Mesmo assim, nunca desistia.

Numa tarde de primavera, várias crianças jogavam futebol.

Angel observava sentado em um banco.

Seus olhos brilhavam.

Ele queria brincar.

Queria ser como elas.

Tomando coragem, aproximou-se.

Angel: — Posso jogar também?

Algumas crianças se entreolharam.

Uma delas riu.

Menino: — Você?

Angel: — Sim.

Menino: — Você nem consegue correr.

As outras começaram a rir.

O coração de Angel apertou.

Angel: — Eu posso tentar.

Menino: — Vai atrapalhar o time.

Angel abaixou a cabeça.

As crianças voltaram a brincar.

Como se ele nem existisse.

Naquela noite, Angel permaneceu quieto durante o jantar.

Dae-Hyun percebeu imediatamente.

Dae-Hyun: — O que aconteceu?

Angel mexia no arroz sem comer.

Angel: — Pai…

Dae-Hyun: — Sim?

Angel: — Por que eu sou diferente?

A pergunta atingiu o coração do homem.

Dae-Hyun: — Diferente não significa pior.

Angel: — Mas ninguém quer brincar comigo.

Dae-Hyun segurou a mão do filho.

Dae-Hyun: — Escute bem.

Angel levantou os olhos.

Dae-Hyun: — Algumas pessoas enxergam apenas o que está por fora.

Angel: — E as outras?

Dae-Hyun: — As pessoas certas enxergam seu coração.

Angel ficou em silêncio.

Guardando aquelas palavras.

Aos sete anos, outra descoberta mudaria sua vida.

Ele era um ômega.

Na sociedade em que vivia, isso significava enfrentar ainda mais preconceitos.

Na escola, alguns alunos começaram a provocá-lo.

Aluno 1: — Ele manca.

Aluno 2: — E ainda é ômega.

Aluno 1: — Duas vezes azarado.

Os dois riram.

Angel fingiu não ouvir.

Mas as palavras ficaram.

Sempre ficavam.

Naquela tarde, ele voltou para casa mais cedo.

Entrou no quarto.

Sentou-se perto da janela.

E começou a desenhar.

Desenhou árvores.

Flores.

Céus.

Pessoas sorrindo.

Um mundo onde ninguém era rejeitado.

Um mundo onde ele podia correr.

Um mundo onde ele era amado.

Quando Dae-Hyun entrou no quarto, encontrou dezenas de desenhos espalhados.

Ficou impressionado.

Dae-Hyun: — Foi você quem fez tudo isso?

Angel assentiu timidamente.

Angel: — Está feio?

Dae-Hyun observou cada folha.

Sorriu.

Dae-Hyun: — Não.

Angel ficou nervoso.

Angel: — Não?

Dae-Hyun: — Está lindo.

Os olhos do menino brilharam.

Pela primeira vez naquele dia.

Dae-Hyun: — Você tem talento.

Angel: — Mesmo?

Dae-Hyun: — Muito.

Naquele momento, uma pequena semente nasceu no coração de Angel.

A arte.

A única coisa que nunca o julgava.

A única coisa que parecia abraçá-lo exatamente como ele era.

E sem saber, aquele menino solitário estava dando o primeiro passo em direção ao destino que um dia o levaria até Minho.

Capítulo 1 — As Cicatrizes de um Pequeno Anjo
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Entre as Cores do Destino

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Em Seul, uma cidade onde o brilho das luzes esconde preconceitos silenciosos, Angel luta para encontrar seu lugar no mundo.

Órfão do amor de sua mãe desde o nascimento, Angel cresceu...

Chapters

  • Capítulo 15 — Ciúmes Inesperados
  • Capítulo 14 — O Guarda-Chuva
  • Capítulo 13 — Debaixo da Chuva
  • Capítulo 12 — A Dor Que Ninguém Via
  • Capítulo 11 — As Pequenas Gentilezas
  • Capítulo 10 — O Primeiro Dia
  • Capítulo 9 — Você Foi Contratado
  • Capítulo 8 — A Escolha de Minho
  • do Destino Capítulo 7 — A Primeira Impressão
  • Capítulo 6 — O Currículo Rejeitado
  • Capítulo 5 — O Homem Atrás da Galeria
  • Capítulo 4 — A Porta que se Abriu
  • Capítulo 4 — O Recomeço
  • Capítulo 3 — O Sonho das Cores
  • Capítulo 3 — Os Anos da Solidão
  • Capítulo 2 — O Primeiro Aroma
  • Capítulo 1 — As Cicatrizes de um Pequeno Anjo
 

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