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Entre as Cores do Destino

Capítulo 3 — Os Anos da Solidão

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Os anos passaram.

A neve dos invernos veio e foi muitas vezes.

As flores da primavera floresceram inúmeras vezes nas ruas de Seul.

E Angel cresceu.

Agora tinha quatorze anos.

Seu rosto infantil começava a ganhar traços delicados da adolescência.

Seu cabelo castanho-claro caía suavemente sobre os olhos.

Mas algumas coisas nunca mudavam.

Seu caminhar continuava lento.

As dores na perna ainda existiam.

E os preconceitos também.

A escola parecia maior a cada ano.

Mais corredores.

Mais alunos.

Mais pessoas observando.

Mais pessoas julgando.

Naquele mundo, os alfas eram admirados.

Os betas eram respeitados.

E muitos acreditavam que os ômegas deveriam apenas aceitar seu lugar.

Angel odiava aquilo.

Odiava que as pessoas decidissem seu valor antes mesmo de conhecê-lo.

Certa manhã, ele caminhava pelos corredores carregando alguns livros quando ouviu risadas atrás de si.

Aluno Alfa: — Olha quem está aí.

Outro Alfa: — O ômega quebrado.

Os dois riram.

Angel continuou andando.

Tentando ignorar.

Mas então sentiu um empurrão.

Os livros caíram no chão.

O silêncio tomou conta do corredor.

Todos olharam.

Ninguém ajudou.

Ninguém disse nada.

Angel se ajoelhou lentamente para recolher os livros.

Sua perna doía.

Seu orgulho também.

Foi então que uma garota se aproximou.

Ela tinha cabelos escuros presos em um rabo de cavalo.

E um olhar firme.

Sem dizer nada, começou a ajudá-lo.

Angel ficou surpreso.

Angel: — Obrigado.

Ela entregou os livros.

Yuna: — Você não precisa agradecer.

Angel: — Preciso sim.

Yuna: — Não.

Ela sorriu.

Yuna: — Ajudar alguém deveria ser normal.

Angel ficou sem palavras.

Era a primeira vez em muito tempo que alguém o tratava daquela forma.

Seu nome era Seo Yuna.

Uma jovem ômega da mesma idade.

Diferente de Angel, Yuna era extrovertida.

Corajosa.

E parecia não ter medo de ninguém.

Nos dias seguintes, ela passou a sentar ao lado dele na biblioteca.

No refeitório.

Nas aulas.

A amizade nasceu naturalmente.

Certa tarde, enquanto observavam a chuva pela janela da biblioteca, Yuna encontrou o caderno de desenhos de Angel.

Seus olhos se arregalaram.

Yuna: — Você desenhou tudo isso?

Angel ficou vermelho.

Angel: — São apenas rabiscos.

Yuna: — Rabiscos?

Ela virou várias páginas.

Paisagens.

Pessoas.

Prédios.

Flores.

Tudo parecia vivo.

Yuna: — Isso é incrível.

Angel desviou o olhar.

Angel: — Não é nada especial.

Yuna bateu levemente em sua cabeça com o caderno.

Yuna: — Pare de falar mal de si mesmo.

Angel riu.

Uma risada sincera.

Algo raro.

Naquela noite, ao voltar para casa, Dae-Hyun percebeu algo diferente.

Seu filho estava sorrindo.

Um sorriso verdadeiro.

Talvez o primeiro em meses.

Dae-Hyun: — Aconteceu alguma coisa boa?

Angel colocou a mochila no sofá.

Angel: — Fiz uma amiga.

Os olhos do pai brilharam.

Dae-Hyun: — Sério?

Angel assentiu.

Angel: — Ela é meio assustadora.

Dae-Hyun: — Assustadora?

Angel: — Ela briga com qualquer um que me provoque.

Dae-Hyun começou a rir.

Dae-Hyun: — Então ela parece uma ótima amiga.

Os meses passaram.

E pela primeira vez a escola deixou de ser apenas um lugar de sofrimento.

Mas a vida ainda guardava novos desafios.

Aos quinze anos, os aromas começaram a ficar mais intensos.

Alfas e ômegas passavam por mudanças físicas e emocionais.

Angel começou a perceber os olhares.

Os cochichos.

As conversas quando ele passava.

Seu aroma floral era considerado raro.

Chamava atenção.

Muita atenção.

Algo que ele detestava.

Um dia, enquanto voltava da escola, um grupo de jovens alfas o cercou numa rua próxima.

Angel sentiu o coração acelerar.

Não gostava daquela situação.

Nem um pouco.

O líder do grupo sorriu.

Alfa Desconhecido: — Então você é o famoso ômega da escola.

Angel segurou a mochila com força.

Angel: — O que vocês querem?

Alfa Desconhecido: — Nada demais.

O sorriso dele não parecia amigável.

Alfa Desconhecido: — Só conversar.

Angel sabia que era mentira.

Antes que algo acontecesse, uma voz firme surgiu atrás deles.

Dae-Hyun: — Afastem-se do meu filho.

Todos congelaram.

O pai de Angel estava parado na calçada.

Seu olhar era assustadoramente sério.

Os garotos recuaram imediatamente.

Poucos segundos depois já haviam ido embora.

Angel sentiu as pernas tremerem.

Dae-Hyun aproximou-se.

Dae-Hyun: — Está bem?

Angel assentiu.

Mas seus olhos estavam marejados.

Angel: — Pai…

Dae-Hyun: — Sim?

Angel: — Eu odeio ser diferente.

O homem suspirou.

Era uma frase que já ouvira muitas vezes.

Mas que continuava doendo.

Eles sentaram num banco próximo.

O céu estava ficando alaranjado.

O pôr do sol coloria toda a cidade.

Dae-Hyun: — Posso te contar um segredo?

Angel: — Pode.

Dae-Hyun: — Quando você nasceu…

Angel ouviu atentamente.

Dae-Hyun: — Eu tive medo.

Angel: — Medo?

Dae-Hyun: — Muito.

Angel: — De quê?

Dae-Hyun: — De não conseguir protegê-lo.

O silêncio caiu entre eles.

Dae-Hyun: — Porque eu sabia que o mundo poderia ser cruel.

Angel baixou os olhos.

Dae-Hyun: — Mas sabe o que descobri?

Angel: — O quê?

O pai sorriu.

Dae-Hyun: — Que você é muito mais forte do que eu imaginava.

As lágrimas vieram sem aviso.

Angel: — Eu não me sinto forte.

Dae-Hyun: — Mesmo assim continua levantando todos os dias.

Angel ficou em silêncio.

Dae-Hyun: — Isso é coragem.

Naquela noite, antes de dormir, Angel ficou observando uma de suas pinturas.

Era uma galeria de arte.

Cheia de luz.

Cheia de pessoas felizes.

Um lugar onde ninguém era julgado.

Um lugar onde ele queria trabalhar um dia.

Sem saber…

Aquela simples pintura estava desenhando o caminho para seu futuro.

Um caminho que, anos depois, o levaria até um homem chamado Minho.

Um homem que mudaria sua vida para sempre.

Capítulo 3 — Os Anos da Solidão
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Entre as Cores do Destino

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Em Seul, uma cidade onde o brilho das luzes esconde preconceitos silenciosos, Angel luta para encontrar seu lugar no mundo.

Órfão do amor de sua mãe desde o nascimento, Angel cresceu...

Chapters

  • Capítulo 15 — Ciúmes Inesperados
  • Capítulo 14 — O Guarda-Chuva
  • Capítulo 13 — Debaixo da Chuva
  • Capítulo 12 — A Dor Que Ninguém Via
  • Capítulo 11 — As Pequenas Gentilezas
  • Capítulo 10 — O Primeiro Dia
  • Capítulo 9 — Você Foi Contratado
  • Capítulo 8 — A Escolha de Minho
  • do Destino Capítulo 7 — A Primeira Impressão
  • Capítulo 6 — O Currículo Rejeitado
  • Capítulo 5 — O Homem Atrás da Galeria
  • Capítulo 4 — A Porta que se Abriu
  • Capítulo 4 — O Recomeço
  • Capítulo 3 — O Sonho das Cores
  • Capítulo 3 — Os Anos da Solidão
  • Capítulo 2 — O Primeiro Aroma
  • Capítulo 1 — As Cicatrizes de um Pequeno Anjo
 

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