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Entre as Cores do Destino

Capítulo 2 — O Primeiro Aroma

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🟡 Em breve

O inverno havia chegado a Seul.

Flocos de neve caíam lentamente sobre os telhados, transformando a cidade em uma pintura branca.

Angel tinha acabado de completar dez anos.

Apesar da pouca idade, já carregava dores que muitas pessoas não enfrentavam em toda uma vida.

Naquela manhã, caminhava pelos corredores da escola segurando seus livros contra o peito.

Seu passo manco era facilmente percebido.

Alguns alunos olhavam.

Outros cochichavam.

Angel fingia não notar.

Mas sempre notava.

Sempre.

Durante o intervalo, ele estava sentado sozinho na biblioteca.

Era seu lugar favorito.

Longe das risadas.

Longe dos olhares.

Longe das palavras cruéis.

Enquanto desenhava em seu caderno, uma professora se aproximou.

Era a professora Han.

Uma beta conhecida por tratar todos os alunos com carinho.

Professora Han: — Posso ver o que você está desenhando?

Angel ficou envergonhado.

Angel: — Não é nada demais.

Ela observou a folha.

Seus olhos se arregalaram.

Professora Han: — Você fez isso sozinho?

Angel assentiu.

O desenho mostrava uma galeria cheia de quadros e pessoas sorrindo.

Professora Han: — É maravilhoso.

Angel: — Obrigado.

Professora Han: — Você sonha em trabalhar com arte?

Angel sorriu.

Um sorriso pequeno.

Mas verdadeiro.

Angel: — Sim.

Professora Han: — Então nunca abandone esse sonho.

Na mesma semana aconteceu algo que mudaria sua vida.

Algo que todo jovem do universo omegaverse acabava enfrentando.

Sua manifestação secundária.

O momento em que seu aroma natural apareceria pela primeira vez.

Angel estava em casa fazendo lição de casa quando sentiu uma tontura.

O lápis caiu de sua mão.

Seu corpo ficou quente.

Muito quente.

Ele tentou se levantar.

Mas suas pernas falharam.

Angel: — Pai…

Dae-Hyun correu para o quarto.

O desespero tomou conta de seu rosto.

Dae-Hyun: — Angel!

O menino tremia.

Respirava com dificuldade.

Um aroma suave começava a surgir pelo ambiente.

Flores silvestres.

Jasmim.

E chuva de primavera.

O cheiro era delicado.

Quase mágico.

Dae-Hyun compreendeu imediatamente.

Seu filho estava manifestando seu lado ômega.

Depois da consulta médica, a confirmação veio.

Médico: — A manifestação ocorreu normalmente.

Dae-Hyun: — Ele está bem?

Médico: — Sim.

O médico sorriu para Angel.

Médico: — Seu aroma é bastante raro.

Angel inclinou a cabeça.

Angel: — Raro?

Médico: — Muito raro.

Porém a notícia não trouxe apenas felicidade.

Na escola, os rumores se espalharam rapidamente.

Angel era oficialmente um ômega.

E alguns alunos fizeram questão de transformar isso em motivo de humilhação.

Durante a aula de educação física, um grupo de garotos começou a provocar.

Aluno Alfa: — Então é verdade.

Outro Alfa: — O manco é um ômega.

As gargalhadas ecoaram.

Angel tentou ignorar.

Aluno Alfa: — Deve precisar de ajuda até para caminhar.

Outro Alfa: — Imagina quando crescer.

Angel apertou os punhos.

Mas continuou em silêncio.

Até que uma bola foi lançada em sua direção.

Acertando sua perna.

A mesma perna que sempre lhe causava dor.

Angel caiu.

Os joelhos bateram no chão.

Os garotos riram.

Naquele momento, uma voz firme ecoou pela quadra.

Professora Han: — O que está acontecendo aqui?

O silêncio foi imediato.

Ela caminhou até Angel.

Ajudou-o a se levantar.

Seu olhar tornou-se frio ao encarar os alunos.

Professora Han: — Vocês acham divertido machucar alguém?

Ninguém respondeu.

Professora Han: — Um dia vocês vão entender que a verdadeira força não está em ser alfa, beta ou ômega.

Ela apontou para Angel.

Professora Han: — Está em continuar seguindo em frente mesmo quando o mundo tenta derrubar você.

Angel sentiu os olhos se encherem de lágrimas.

Naquela noite, ele chorou sozinho no quarto.

Sentado diante da janela.

Observando a neve cair.

Pela primeira vez, sentiu raiva.

Raiva da própria perna.

Raiva de ser diferente.

Raiva de ser um ômega.

Dae-Hyun entrou silenciosamente.

Sentou ao lado dele.

Dae-Hyun: — Quer conversar?

Angel demorou alguns segundos.

Então respondeu.

Angel: — Eu queria ser normal.

As palavras cortaram o coração do pai.

Dae-Hyun: — Quem disse que você não é?

Angel: — Todo mundo.

O silêncio tomou conta do quarto.

Angel: — Se eu não tivesse nascido assim…

Dae-Hyun: — Não termine essa frase.

Angel o encarou.

Pela primeira vez viu lágrimas nos olhos do pai.

Dae-Hyun: — Você é a melhor coisa que já aconteceu na minha vida.

Angel ficou imóvel.

Dae-Hyun: — Sua mãe foi embora.

Angel: — Eu sei.

Dae-Hyun: — Mas eu fiquei.

Angel: — Eu sei.

Dae-Hyun: — Porque você vale cada dificuldade.

As lágrimas começaram a cair.

Dae-Hyun: — Nunca tenha vergonha de quem você é.

Angel abraçou o pai com força.

Como se estivesse tentando juntar todos os pedaços quebrados de seu coração.

Naquela mesma noite, antes de dormir, Angel abriu seu caderno de desenhos.

Na última página escreveu uma promessa para si mesmo.

“Um dia vou mostrar ao mundo que minha perna não define quem eu sou.”

“Nem o fato de ser um ômega.”

“Eu vou conseguir.”

E pela primeira vez em muito tempo…

Ele acreditou nisso.

Capítulo 2 — O Primeiro Aroma
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Entre as Cores do Destino

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Em Seul, uma cidade onde o brilho das luzes esconde preconceitos silenciosos, Angel luta para encontrar seu lugar no mundo.

Órfão do amor de sua mãe desde o nascimento, Angel cresceu...

Chapters

  • Capítulo 15 — Ciúmes Inesperados
  • Capítulo 14 — O Guarda-Chuva
  • Capítulo 13 — Debaixo da Chuva
  • Capítulo 12 — A Dor Que Ninguém Via
  • Capítulo 11 — As Pequenas Gentilezas
  • Capítulo 10 — O Primeiro Dia
  • Capítulo 9 — Você Foi Contratado
  • Capítulo 8 — A Escolha de Minho
  • do Destino Capítulo 7 — A Primeira Impressão
  • Capítulo 6 — O Currículo Rejeitado
  • Capítulo 5 — O Homem Atrás da Galeria
  • Capítulo 4 — A Porta que se Abriu
  • Capítulo 4 — O Recomeço
  • Capítulo 3 — O Sonho das Cores
  • Capítulo 3 — Os Anos da Solidão
  • Capítulo 2 — O Primeiro Aroma
  • Capítulo 1 — As Cicatrizes de um Pequeno Anjo
 

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