Capítulo 13 — Debaixo da Chuva
A chuva começou no final da tarde.
Primeiro algumas gotas.
Depois uma garoa.
E então uma tempestade.
As janelas da Galeria Aurora tremiam com o vento.
Relâmpagos iluminavam o céu escuro de Seul.
A maioria dos funcionários já havia ido embora.
Angel terminou seus relatórios e olhou pela janela.
Seu coração afundou.
Angel: — Que ótimo…
A parada de ônibus ficava a quase dez minutos de caminhada.
Em dias normais já era difícil.
Naquele dia, com a perna doendo desde a manhã…
Parecia uma missão impossível.
Mesmo assim, não tinha escolha.
Pegou sua mochila.
Despediu-se dos seguranças.
E saiu da galeria.
A chuva gelada atingiu seu rosto imediatamente.
Angel: — Vamos lá…
Começou a caminhar.
Um passo.
Depois outro.
A dor em sua perna aumentava a cada metro percorrido.
Quando finalmente chegou à parada de ônibus, estava completamente encharcado.
Sentou-se no banco de metal.
Respirando pesadamente.
A perna latejava.
E o painel eletrônico trouxe uma notícia ainda pior.
Próximo ônibus: 28 minutos.
Angel fechou os olhos.
Angel: — Não acredito…
O vento frio atravessava suas roupas molhadas.
E a dor só aumentava.
Enquanto isso…
No estacionamento da galeria.
Minho entrava em seu carro.
Ligou o motor.
Preparou-se para sair.
Mas algo chamou sua atenção.
A parada de ônibus do outro lado da rua.
E a figura sentada sozinha sob a tempestade.
Minho reconheceu imediatamente.
Minho: — Angel?
Franziu a testa.
O jovem estava completamente molhado.
Sozinho.
E claramente desconfortável.
Sem pensar muito.
Virou o volante.
Poucos minutos depois, um carro preto parou diante da parada.
Angel ergueu os olhos.
Confuso.
O vidro desceu.
E revelou Minho.
Minho: — O que está fazendo aí?
Angel piscou várias vezes.
Angel: — Esperando o ônibus.
Minho: — Debaixo dessa chuva?
Angel: — Eu moro longe.
Minho observou suas roupas encharcadas.
Seu rosto pálido.
E a forma como mantinha uma das mãos discretamente sobre a perna.
A mesma perna que estava doendo.
Minho: — Entre.
Angel arregalou os olhos.
Angel: — O quê?
Minho: — Vou levá-lo para casa.
Angel: — Diretor, não precisa…
Minho: — Entre no carro, Angel.
Não era exatamente um pedido.
Era uma ordem.
Depois de alguns segundos de hesitação…
Angel entrou.
O interior do veículo estava aquecido.
E imediatamente sentiu o corpo relaxar.
Angel: — Obrigado.
Minho: — Você deveria ter chamado um táxi.
Angel deu uma pequena risada.
Angel: — Meu salário ainda não caiu.
Minho ficou surpreso.
Depois soltou uma risada baixa.
A primeira que Angel ouviu dele.
E descobriu que gostava daquele som.
Muito.
O trânsito estava lento por causa da tempestade.
Os minutos passavam.
E pela primeira vez os dois estavam sozinhos.
Sem reuniões.
Sem funcionários.
Sem formalidades.
Apenas eles.
Minho: — Sua perna está pior hoje.
Angel ficou surpreso.
Angel: — Como sabe?
Minho: — Porque você está tentando escondê-la desde manhã.
O jovem desviou os olhos.
Flagrado.
Angel: — Não gosto de preocupar as pessoas.
Minho: — Isso não significa que precise sofrer sozinho.
Angel ficou em silêncio.
Ninguém costumava dizer coisas assim.
Principalmente para ele.
Pouco depois, o carro parou diante de um pequeno restaurante.
Angel olhou pela janela.
Confuso.
Angel: — Diretor?
Minho: — Está com fome?
Angel: — Um pouco.
Minho: — Ótimo.
Angel: — Ótimo?
Minho: — Porque eu também estou.
Angel piscou.
Angel: — Estamos… parando para jantar?
Minho: — Sim.
Angel: — Nós dois?
Minho: — Vejo que suas habilidades de observação são excelentes.
Angel começou a rir.
E Minho precisou conter um sorriso.
Dentro do restaurante o ambiente era acolhedor.
Luzes suaves.
Música baixa.
Cheiro de comida quente.
Eles se sentaram próximos à janela.
Enquanto a chuva continuava caindo lá fora.
No início, a conversa foi tímida.
Mas aos poucos ficou natural.
Falaram sobre arte.
Livros.
Pinturas.
Sonhos.
E pela primeira vez…
Minho viu Angel além do funcionário.
Viu alguém inteligente.
Gentil.
Engraçado.
Alguém que continuava sorrindo apesar das dificuldades.
E Angel também começou a enxergar um lado diferente do diretor.
Um homem paciente.
Atencioso.
Muito mais gentil do que aparentava.
Quando perceberam…
Duas horas haviam passado.
Angel: — Nossa…
Minho: — O quê?
Angel: — Faz tempo que não converso assim com alguém.
Os olhos de Minho suavizaram.
Minho: — Eu também.
O silêncio que veio depois não foi desconfortável.
Pelo contrário.
Foi acolhedor.
Quente.
Especial.
E enquanto observavam a chuva cair do lado de fora…
Nenhum dos dois percebeu.
Mas algo havia mudado naquela noite.
Algo pequeno.
Delicado.
Como a primeira pincelada em uma tela em branco.
O começo de uma história que ainda estava sendo desenhada.
Capítulo 13 — Debaixo da Chuva
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Entre as Cores do Destino
Em Seul, uma cidade onde o brilho das luzes esconde preconceitos silenciosos, Angel luta para encontrar seu lugar no mundo.
Órfão do amor de sua mãe desde o nascimento, Angel cresceu...