Capítulo 8 — A Escolha de Minho
A porta do escritório se fechou atrás de Angel.
O som ecoou suavemente pela sala.
Mas ninguém falou nada.
Nem Minho.
Nem Joo.
O silêncio durou vários segundos.
Minho continuava olhando para a porta.
Pensativo.
Algo raro para alguém que costumava tomar decisões rapidamente.
Joo observou o amigo.
Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.
Joo: — Então?
Minho pegou uma caneta.
Minho: — Então o quê?
Joo: — Não se faça de desentendido.
Minho: — Tenho trabalho.
Joo: — E eu tenho curiosidade.
Minho suspirou.
Minho: — Ele é educado.
Joo: — Só isso?
Minho: — Inteligente.
Joo: — Continue.
Minho: — Conhece arte.
Joo começou a sorrir ainda mais.
Joo: — Continue.
Minho: — E para de repetir isso.
Joo: — Você gostou dele.
Minho lançou um olhar sério.
Minho: — Eu avaliei um candidato.
Joo: — Claro.
Minho: — Estou falando sério.
Joo: — Eu também.
O beta apoiou os braços sobre a mesa.
Joo: — Você mudou de expressão quando ele falou sobre arte.
Minho permaneceu em silêncio.
Porque era verdade.
A frase de Angel continuava em sua cabeça.
“A arte foi o único lugar onde eu nunca precisei pedir desculpas por existir.”
Por algum motivo…
Ele não conseguia esquecer aquelas palavras.
Joo: — O que está pensando?
Minho desviou os olhos para a janela.
Minho: — Estou pensando que a vida dele não deve ter sido fácil.
Joo ficou surpreso.
Não era comum ouvir Minho falar daquela forma sobre alguém que acabara de conhecer.
Joo: — Não foi.
Minho voltou a encará-lo.
Minho: — Você pesquisou sobre ele?
Joo: — Um pouco.
Minho: — E?
Joo respirou fundo.
Joo: — Ele foi criado apenas pelo pai.
Minho ouviu atentamente.
Joo: — A mãe abandonou a família quando ele era bebê.
O olhar do alfa mudou.
Joo: — Sofreu preconceito a vida inteira.
Minho permaneceu em silêncio.
Joo: — Pela deficiência.
Mais silêncio.
Joo: — E por ser um ômega.
O escritório ficou quieto.
Minho lembrou do momento em que viu Angel caminhar.
Lembrou da forma como o jovem tentou esconder o desconforto.
Lembrou do instante em que seus olhos se encontraram.
E lembrou principalmente da expressão de Angel.
Não havia pena em seu olhar.
Não havia autocomiseração.
Havia força.
Uma força silenciosa.
Minho: — Ele continua sorrindo.
Joo: — Sim.
Minho: — Depois de tudo isso.
Joo: — Sim.
Minho apoiou a cabeça na mão.
Pela primeira vez sentiu vergonha.
Vergonha de ter rejeitado aquele currículo sem sequer ler direito.
Vergonha de ter decidido quem Angel era antes mesmo de conhecê-lo.
Minho: — Eu fui injusto.
Joo quase caiu da cadeira.
Joo: — Você acabou de admitir isso?
Minho: — Não me acostume com isso.
Os dois riram.
Era um momento raro.
Minho então pegou novamente o currículo.
Observou a fotografia anexada.
Na imagem, Angel sorria discretamente.
Parecia gentil.
Parecia alguém que havia aprendido a esconder a própria tristeza.
E aquilo mexeu com ele mais do que gostaria de admitir.
Joo: — Então?
Minho fechou a pasta.
Minho: — Contrate-o.
Joo abriu um enorme sorriso.
Joo: — Sabia!
Minho: — Não comemore.
Joo: — Vou comemorar sim.
Minho: — Joo.
Joo: — Vou ligar para ele agora mesmo.
O beta praticamente correu para fora da sala.
Quando a porta se fechou, Minho ficou sozinho novamente.
Mas dessa vez o silêncio parecia diferente.
Ele caminhou até a enorme janela.
A cidade de Seul se espalhava diante de seus olhos.
Milhares de pessoas.
Milhares de histórias.
E em algum lugar daquela imensidão…
Um jovem chamado Angel provavelmente estava esperando mais uma rejeição.
Sem saber que sua vida estava prestes a mudar.
Minho observou o céu por alguns instantes.
Então um pensamento inesperado surgiu.
Minho: — Espero que você não me decepcione, Angel.
Mas, no fundo…
Pela primeira vez em muitos anos…
Ele estava curioso para conhecer alguém.
E isso o assustava um pouco.
Capítulo 8 — A Escolha de Minho
Fonts
Text size
Background
Entre as Cores do Destino
Em Seul, uma cidade onde o brilho das luzes esconde preconceitos silenciosos, Angel luta para encontrar seu lugar no mundo.
Órfão do amor de sua mãe desde o nascimento, Angel cresceu...