Capítulo 6 — O Currículo Rejeitado
A Galeria Aurora estava especialmente movimentada naquela manhã.
Funcionários caminhavam de um lado para o outro organizando novas exposições.
Artistas chegavam para reuniões.
Colecionadores faziam ligações.
E no último andar do prédio, Minho analisava uma pilha de currículos.
Seu rosto permanecia sério.
Concentrado.
Impecável.
Sentado atrás da mesa de madeira escura, ele folheava documentos um após o outro.
Experiência.
Formação.
Recomendações.
Tudo precisava ser perfeito.
A porta abriu sem que ele percebesse.
Joo entrou carregando uma pasta azul.
Joo: — Ainda analisando currículos?
Minho: — Infelizmente.
Joo: — Você faz parecer que está sendo torturado.
Minho: — Porque estou.
Joo revirou os olhos.
Joo: — Dramático.
Ele sentou na cadeira à frente da mesa.
Joo: — Encontrei um interessante.
Minho: — Hm.
Joo abriu a pasta.
Retirou um currículo.
E o colocou sobre a mesa.
Joo: — Olha só esse currículo.
Minho pegou o documento.
Começou a ler.
Nome: Kang Angel.
Idade: 19 anos.
Formação: História da Arte.
Especialização: Conservação Artística.
Prêmios Acadêmicos: Concurso Nacional de Arte.
Por alguns segundos, Minho permaneceu em silêncio.
Joo: — E então?
Minho colocou o papel sobre a mesa.
Minho: — Não.
Joo piscou.
Joo: — Não?
Minho: — Esse não serve.
Joo: — Por quê?
Minho cruzou os braços.
Minho: — Tem dezenove anos.
Joo: — E?
Minho: — É praticamente uma criança.
Joo: — Você tinha vinte quando abriu sua primeira empresa.
Minho ficou em silêncio.
Joo: — Continue.
Minho: — Ele não sabe como lidar com uma galeria de arte.
Joo: — Como sabe?
Minho: — Porque acabou de sair da universidade.
Joo: — Todo profissional começou assim.
Minho lançou um olhar impaciente para o amigo.
Minho: — Você está defendendo esse garoto por quê?
Joo apoiou os cotovelos na mesa.
Joo: — Porque eu li o currículo inteiro.
Minho arqueou uma sobrancelha.
Joo: — Você leu só a idade.
O alfa não respondeu.
O que era praticamente uma confirmação.
Joo apontou para o documento.
Joo: — Ele ganhou um concurso nacional.
Minho: — Muitos ganham.
Joo: — As notas dele são excelentes.
Minho: — Ainda não.
Joo suspirou.
Sabia que havia mais alguma coisa.
Joo: — O verdadeiro motivo.
Minho desviou os olhos para a janela.
Minho: — Ele é um ômega.
O silêncio tomou conta da sala.
Joo o encarou.
Joo: — E daí?
Minho: — Eu não gosto de trabalhar com ômegas.
Joo: — Isso é ridículo.
Minho: — É minha opinião.
Joo: — Não. É preconceito.
A palavra ficou suspensa no ar.
Minho não gostou de ouvi-la.
Minho: — Você está exagerando.
Joo: — Estou?
O beta pegou novamente o currículo.
Joo: — Aqui não diz que ele é irresponsável.
Virou a página.
Joo: — Não diz que ele é incompetente.
Outra página.
Joo: — Não diz que ele não trabalha duro.
Joo encarou Minho.
Joo: — A única coisa que você viu foi que ele é um ômega.
Pela primeira vez, Minho não respondeu imediatamente.
Porque parte dele sabia que Joo estava certo.
Alguns segundos se passaram.
Joo: — Você sempre fala que a arte deve ser julgada pelo valor que possui.
Minho observou o amigo.
Joo: — Então por que não faz o mesmo com as pessoas?
A pergunta atingiu em cheio.
O silêncio voltou.
Joo sorriu levemente.
Sabia que estava vencendo.
Joo: — Faça apenas uma entrevista.
Minho: — Não.
Joo: — Uma entrevista.
Minho: — Não.
Joo: — Trinta minutos.
Minho: — Joo.
Joo: — Vinte minutos.
Minho: — Você é impossível.
Joo: — Quinze minutos.
Minho soltou um suspiro pesado.
Minho: — Dez minutos.
Os olhos de Joo brilharam.
Joo: — Então aceitou.
Minho: — Não coloque palavras na minha boca.
Joo: — Vou ligar para ele agora mesmo.
Minho: — Joo.
Mas já era tarde.
O beta estava pegando o celular.
Minho observou o currículo mais uma vez.
Seu olhar parou na pequena foto anexada ao documento.
Um jovem de traços delicados.
Olhos gentis.
Um sorriso discreto.
Por algum motivo estranho…
Algo em seu peito ficou inquieto.
Minho: — Espero que você não esteja me fazendo perder tempo.
Joo abriu um sorriso enorme.
Joo: — Eu tenho a sensação de que esse garoto vai surpreender você.
Sem perceber…
Naquele exato momento…
O destino acabava de abrir uma porta.
E nenhum dos dois fazia ideia de que o nome escrito naquele currículo mudaria a vida de todos na Galeria Aurora.
Capítulo 6 — O Currículo Rejeitado
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Entre as Cores do Destino
Em Seul, uma cidade onde o brilho das luzes esconde preconceitos silenciosos, Angel luta para encontrar seu lugar no mundo.
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