Capítulo 4 — O Recomeço
Três anos haviam passado.
As estações continuaram mudando.
As flores continuaram desabrochando na primavera.
A neve continuou cobrindo os telhados de Seul durante o inverno.
E Angel cresceu.
Agora tinha dezenove anos.
Já não era o garoto inseguro que escondia seus desenhos no fundo da mochila.
Tampouco era a criança que chorava sozinha depois de ouvir comentários cruéis.
A vida o havia machucado.
Mas também o havia fortalecido.
Naquela manhã, o auditório da universidade estava lotado.
Famílias ocupavam todas as cadeiras.
Alunos vestiam becas.
Fotógrafos registravam cada momento.
Era o dia da formatura.
O dia pelo qual Angel havia lutado durante anos.
Sentado entre os colegas, Angel observava o palco.
Seu coração estava acelerado.
Não por nervosismo.
Mas porque finalmente estava vendo um sonho se tornar realidade.
Quando seu nome foi chamado, o auditório inteiro aplaudiu.
Apresentador: — Kang Angel.
Angel levantou-se.
Seu caminhar ainda era lento.
Sua perna ainda o fazia mancar.
Mas dessa vez ninguém estava olhando para aquilo.
Todos observavam o jovem talentoso que havia concluído a graduação em História da Arte com excelentes notas.
Na primeira fila, Dae-Hyun não conseguiu conter as lágrimas.
As mãos tremiam enquanto aplaudia.
Seu pequeno menino havia chegado tão longe.
Muito mais longe do que qualquer médico imaginara.
Muito mais longe do que qualquer pessoa que o julgou acreditava.
Após a cerimônia, Angel correu — ou pelo menos tentou correr — até o pai.
Os dois se abraçaram.
Dae-Hyun: — Eu estou tão orgulhoso de você.
Angel: — Obrigado por nunca desistir de mim.
O homem segurou o rosto do filho.
Dae-Hyun: — Nunca diga isso.
Os olhos dele ficaram vermelhos.
Dae-Hyun: — Você é a melhor coisa da minha vida.
Angel sorriu.
Um sorriso cheio de amor.
Naquela noite, eles comemoraram em um pequeno restaurante perto do rio Han.
Nada luxuoso.
Nada extravagante.
Mas para eles era perfeito.
Enquanto voltavam para casa, Dae-Hyun observou o filho olhando pela janela do ônibus.
Pensativo.
Dae-Hyun: — Está preocupado.
Angel: — Um pouco.
Dae-Hyun: — Por causa do emprego?
Angel assentiu.
O sorriso desapareceu lentamente de seu rosto.
A formatura era apenas o começo.
Agora precisava encontrar trabalho.
Precisava construir uma carreira.
Precisava provar que podia viver sozinho.
Mas no fundo ele sabia.
A sociedade continuava sendo a mesma.
Ainda existiam pessoas que enxergavam primeiro sua deficiência.
Depois seu status de ômega.
E apenas por último suas qualidades.
Nos dias seguintes, Angel enviou currículos para inúmeras empresas.
Museus.
Galerias.
Editoras.
Centros culturais.
Qualquer lugar relacionado à arte.
As respostas começaram a chegar.
E quase todas eram negativas.
“Infelizmente seguimos com outro candidato.”
“Procuramos um perfil diferente.”
“Agradecemos seu interesse.”
Angel sabia ler nas entrelinhas.
Sabia exatamente o que muitas empresas pensavam.
Numa tarde particularmente difícil, ele saiu de mais uma entrevista.
A terceira rejeição naquela semana.
A chuva caía fina sobre Seul.
O céu estava cinzento.
Assim como seu humor.
Enquanto caminhava lentamente pela calçada, ouviu duas mulheres conversando.
Mulher 1: — Aquele rapaz mancava bastante.
Mulher 2: — Deve ser difícil trabalhar assim.
Angel fingiu não ouvir.
Mas as palavras ficaram.
Como sempre.
Quando chegou em casa, largou a pasta sobre a mesa.
Pela primeira vez em muito tempo, parecia derrotado.
Dae-Hyun percebeu imediatamente.
Dae-Hyun: — Mais uma entrevista?
Angel: — Sim.
Dae-Hyun: — E?
Angel desviou o olhar.
Angel: — Não deu certo.
O silêncio tomou conta da sala.
Angel: — Talvez eu esteja tentando algo impossível.
Dae-Hyun franziu a testa.
Dae-Hyun: — Olhe para mim.
Angel levantou os olhos.
Dae-Hyun: — Você lembra de quando tinha dez anos?
Angel: — Mais ou menos.
Dae-Hyun: — Diziam que você não conseguiria acompanhar as outras crianças.
Angel permaneceu em silêncio.
Dae-Hyun: — Você conseguiu.
Dae-Hyun: — Diziam que não entraria na universidade.
Dae-Hyun: — Você entrou.
Dae-Hyun: — Diziam que não se formaria.
Dae-Hyun: — Você se formou.
Os olhos de Angel começaram a ficar marejados.
Dae-Hyun: — Então por que acredita nessas pessoas agora?
Angel não respondeu.
Porque não tinha resposta.
Naquela noite, sentado diante da janela de seu quarto, observou as luzes da cidade.
Milhares de pessoas.
Milhares de sonhos.
Milhares de destinos.
Sem perceber, abriu seu computador.
E começou a procurar novas oportunidades.
Uma vaga chamou sua atenção.
Uma famosa galeria de arte em Seul.
Galeria Aurora.
Uma das mais respeitadas da cidade.
Angel soltou uma pequena risada.
Angel: — Eles nunca vão me chamar.
Mesmo assim…
Enviou o currículo.
Apenas por esperança.
Apenas por insistência.
Apenas porque, depois de tudo o que havia vivido, desistir nunca foi uma opção.
Do outro lado da cidade…
Em um elegante escritório cercado por obras de arte milionárias…
Um alfa chamado Minho analisava relatórios sem imaginar que um simples currículo estava prestes a mudar sua vida.
Capítulo 4 — O Recomeço
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Entre as Cores do Destino
Em Seul, uma cidade onde o brilho das luzes esconde preconceitos silenciosos, Angel luta para encontrar seu lugar no mundo.
Órfão do amor de sua mãe desde o nascimento, Angel cresceu...