Capítulo 5 — O Homem Atrás da Galeria
O sol da manhã iluminava os arranha-céus de Seul.
No último andar de um dos edifícios mais luxuosos da cidade, Minho observava a paisagem através da enorme janela de seu escritório.
A cidade estava viva.
Carros circulavam pelas avenidas.
Pessoas caminhavam apressadas pelas calçadas.
A vida seguia seu curso.
Mas dentro daquela sala elegante havia apenas silêncio.
Minho tinha vinte e sete anos.
Era jovem para alguém tão bem-sucedido.
Mas seu sucesso não havia vindo facilmente.
Muitos enxergavam apenas o empresário rico.
O alfa poderoso.
O dono da famosa Galeria Aurora.
Ninguém via as noites sem dormir.
As responsabilidades.
A solidão.
Sobre sua mesa havia contratos, relatórios e projetos para futuras exposições.
Seu celular vibrava constantemente.
Mensagens.
Chamadas.
Convites.
Reuniões.
Ele ignorava quase tudo.
Minho: — Próximo relatório.
Sua secretária colocou uma nova pasta sobre a mesa.
Secretária: — O conselho quer uma resposta até amanhã.
Minho: — Eles terão hoje.
Ela sorriu.
Já estava acostumada.
Minho sempre resolvia tudo antes do prazo.
Quando ficou sozinho novamente, suspirou.
Pela primeira vez naquele dia.
O sucesso tinha um preço.
E Minho o conhecia muito bem.
Desde pequeno, fora criado para ser perfeito.
Seu pai era um empresário influente.
Sua mãe vinha de uma família tradicional de alfas.
Nunca lhe perguntaram o que queria ser.
Apenas disseram o que deveria ser.
O melhor.
Sempre o melhor.
Quando criança, enquanto outros meninos brincavam, Minho estudava.
Quando outros descansavam, ele treinava.
Quando outros sonhavam, ele trabalhava.
E acabou se tornando exatamente aquilo que esperavam.
Um alfa exemplar.
Mas às vezes…
Sentia-se preso.
Seu olhar desviou para uma pintura pendurada na parede.
Era uma das primeiras obras que havia comprado quando fundou a galeria.
Uma paisagem simples.
Nada particularmente valioso.
Mas era sua favorita.
Porque a pintura transmitia paz.
Algo que raramente encontrava.
A porta do escritório se abriu sem aviso.
Joo: — Você vai morrer de tanto trabalhar.
Minho nem precisou olhar.
Reconheceria aquela voz em qualquer lugar.
Minho: — Bom dia para você também.
Joo entrou segurando um copo de café.
Joo: — Estou falando sério.
Minho: — Você sempre está.
Joo: — E você nunca me escuta.
Minho finalmente sorriu.
Um sorriso pequeno.
Mas verdadeiro.
Joo era um dos poucos amigos que possuía.
Eles se conheciam há anos.
Muito antes da Galeria Aurora se tornar famosa.
Joo sentou-se na cadeira em frente à mesa.
Joo: — Sabe qual é seu problema?
Minho: — Tenho medo da resposta.
Joo: — Você não vive.
Minho arqueou uma sobrancelha.
Minho: — Eu estou literalmente vivo.
Joo: — Você trabalha.
Não é a mesma coisa.
Minho soltou uma risada baixa.
Joo: — Faz quanto tempo que você não sai para se divertir?
Minho: — Não faço ideia.
Joo: — Exatamente.
O beta cruzou os braços.
Joo: — Você precisa conhecer pessoas.
Minho: — Eu conheço pessoas.
Joo: — Clientes não contam.
Minho apenas balançou a cabeça.
Apesar das brincadeiras, Joo tinha razão.
Nos últimos anos sua vida havia se resumido à galeria.
Não havia relacionamentos.
Não havia encontros.
Não havia espaço para sentimentos.
E talvez fosse mais fácil assim.
O amor complicava tudo.
Pelo menos era o que acreditava.
Mais tarde, enquanto caminhava pelos corredores da galeria, funcionários o cumprimentavam respeitosamente.
Todos admiravam Minho.
Mas poucos realmente o conheciam.
Atrás da postura elegante existia um homem cansado.
Um homem que carregava expectativas demais.
Ao entrar em uma nova exposição, parou diante de uma pintura inacabada.
Seu olhar permaneceu fixo nela.
A obra retratava uma estrada.
Longa.
Solitária.
De repente algo chamou sua atenção.
Uma pequena inscrição feita pelo artista.
“Às vezes a pessoa que muda sua vida aparece quando você menos espera.”
Minho ficou observando aquelas palavras.
Por algum motivo estranho…
Seu coração ficou inquieto.
No mesmo instante, do outro lado de Seul, Angel terminava de se preparar para a entrevista na Galeria Aurora.
Dois homens.
Duas vidas completamente diferentes.
Dois caminhos que jamais deveriam se cruzar.
E mesmo assim…
O destino já estava conduzindo ambos para o mesmo lugar.
Sem que nenhum dos dois soubesse.
Capítulo 5 — O Homem Atrás da Galeria
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Entre as Cores do Destino
Em Seul, uma cidade onde o brilho das luzes esconde preconceitos silenciosos, Angel luta para encontrar seu lugar no mundo.
Órfão do amor de sua mãe desde o nascimento, Angel cresceu...