Capítulo 14 — O Guarda-Chuva
A chuva continuava caindo sobre Seul.
As luzes da cidade refletiam nas ruas molhadas, criando um brilho dourado que parecia saído de uma pintura.
Dentro do carro, o silêncio era confortável.
Nem Angel nem Minho pareciam ter pressa para encerrar aquela noite.
Depois do jantar, Minho voltou a dirigir.
Angel observava a cidade pela janela.
Ainda não conseguia acreditar que tinha acabado de jantar com o diretor da Galeria Aurora.
E, estranhamente…
Tinha sido uma das noites mais agradáveis dos últimos anos.
Minho: — Está sorrindo.
Angel virou o rosto imediatamente.
Angel: — Estou?
Minho: — Está.
O jovem ficou levemente vermelho.
Angel: — Acho que foi um dia bom.
Minho concordou com um pequeno movimento de cabeça.
Minho: — Foi.
E pela primeira vez em muito tempo…
Ele realmente quis dizer aquilo.
Alguns minutos depois, o carro entrou em uma rua mais tranquila.
Prédios simples.
Pequenas lojas.
Luzes aconchegantes.
Angel: — É aqui.
Minho reduziu a velocidade.
Parando em frente ao edifício onde Angel morava.
A chuva ainda era forte.
Angel pegou sua mochila.
Angel: — Obrigado pela carona.
Minho: — E pelo jantar?
Angel sorriu.
Angel: — Pelo jantar também.
Os dois riram.
Então Angel abriu a porta do carro.
Mas uma voz o interrompeu.
Minho: — Espere.
Angel virou-se.
Minho pegou um guarda-chuva no banco traseiro.
Abriu-o.
E saiu do carro.
Angel: — Diretor, eu posso ir sozinho.
Minho: — Eu sei.
O alfa fechou o carro.
Minho: — Mesmo assim.
Angel sentiu o coração acelerar.
Os dois caminharam juntos até a entrada do prédio.
O guarda-chuva era grande.
Mas ainda assim estavam próximos.
Próximos demais.
Angel conseguia sentir o perfume suave de Minho.
E isso o deixava nervoso.
Muito nervoso.
Quando chegaram à porta principal…
Uma figura apareceu atrás do vidro.
Dae-Hyun.
O pai de Angel estava voltando do mercado.
Ao abrir a porta, congelou.
Primeiro olhou para Angel.
Depois para Minho.
Depois para Angel novamente.
Dae-Hyun: — Filho?
Angel: — Pai.
O sorriso nervoso de Angel praticamente confirmou que aquela situação precisava de explicações.
Angel: — Este é o diretor Minho.
Dae-Hyun imediatamente fez uma reverência educada.
Dae-Hyun: — Muito prazer.
Minho: — O prazer é meu.
Os dois homens apertaram as mãos.
Mas Dae-Hyun era observador.
Muito observador.
E percebeu algo imediatamente.
O jeito como Minho olhava para Angel.
O jeito como Angel parecia mais feliz do que o normal.
O jeito como ambos pareciam esquecer do resto do mundo quando conversavam.
Aquilo não passou despercebido.
Nem um pouco.
Dae-Hyun: — Obrigado por trazer meu filho para casa.
Minho: — Não foi nada.
Dae-Hyun: — Foi uma noite difícil para caminhar.
O olhar do pai caiu discretamente sobre a perna de Angel.
Minho percebeu.
E respondeu sem pensar.
Minho: — Sim.
Sua voz ficou suave.
Minho: — Ele estava sentindo dor.
Angel ficou surpreso.
Porque Minho havia notado.
De novo.
E aquilo aqueceu seu coração.
Dae-Hyun também percebeu.
Muito bem.
Os olhos do pai brilharam discretamente.
Talvez pela primeira vez…
Alguém além dele estivesse realmente prestando atenção em Angel.
Não por pena.
Não por obrigação.
Mas porque se importava.
Depois de alguns minutos de conversa, Minho preparou-se para ir embora.
Minho: — Nos vemos amanhã.
Angel sorriu.
Angel: — Boa noite, diretor.
Minho: — Boa noite, Angel.
Por alguns segundos…
Nenhum dos dois desviou o olhar.
E então Minho foi embora.
A chuva continuava caindo enquanto o carro desaparecia na rua.
Dae-Hyun observou tudo em silêncio.
Esperou até o veículo sumir completamente.
Só então voltou-se para o filho.
Com um sorriso muito suspeito.
Angel: — O quê?
Dae-Hyun: — Nada.
Angel: — Pai.
Dae-Hyun: — Absolutamente nada.
Angel estreitou os olhos.
Angel: — Você está pensando alguma coisa.
Dae-Hyun: — Talvez.
Angel: — Pai.
Dae-Hyun: — Seu diretor parece gostar muito de você.
O rosto de Angel ficou vermelho imediatamente.
Angel: — Não fale bobagens!
Dae-Hyun começou a rir.
E Angel ficou ainda mais vermelho.
Mas quando entrou em seu quarto naquela noite…
Uma lembrança insistia em permanecer.
O sorriso de Minho.
Seu olhar gentil.
E a forma como havia segurado o guarda-chuva sobre sua cabeça.
Pela primeira vez…
Angel adormeceu com um sorriso.
Sem saber que, do outro lado da cidade…
Minho também estava pensando nele.
Capítulo 14 — O Guarda-Chuva
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Entre as Cores do Destino
Em Seul, uma cidade onde o brilho das luzes esconde preconceitos silenciosos, Angel luta para encontrar seu lugar no mundo.
Órfão do amor de sua mãe desde o nascimento, Angel cresceu...