Capítulo 12 — A Dor Que Ninguém Via
Os dias continuavam passando na Galeria Aurora.
Angel estava cada vez mais adaptado ao trabalho.
Os funcionários começaram a respeitá-lo.
Os clientes gostavam dele.
E Joo vivia dizendo que a galeria parecia mais alegre desde sua chegada.
Mas havia uma coisa que ninguém percebia.
Ou pelo menos…
Quase ninguém.
A dor.
Angel sempre sorria.
Sempre dizia que estava tudo bem.
Sempre respondia que conseguia continuar.
Mas sua perna ainda doía.
Muito.
Naquela semana a galeria estava preparando uma grande exposição.
O trabalho havia dobrado.
Todos estavam ocupados.
Angel também.
Durante horas ficou organizando documentos, verificando obras e caminhando de um setor para outro.
No começo conseguiu ignorar o desconforto.
Depois veio a dor.
E então a dor ficou mais forte.
Cada passo parecia mais pesado que o anterior.
Mas ele continuou.
Como sempre fazia.
Porque estava acostumado.
Desde criança.
Acostumado a suportar.
Acostumado a fingir.
Acostumado a não preocupar ninguém.
No final da tarde, Angel carregava uma caixa de catálogos quando uma fisgada atravessou sua perna.
Angel: — Ah…
Seu corpo vacilou.
Por pouco não deixou a caixa cair.
Conseguiu se apoiar numa mesa próxima.
Respirando fundo.
A dor era tão intensa que lágrimas surgiram em seus olhos.
Mas ele rapidamente as enxugou.
Angel: — Só mais um pouco…
Pensou que estava sozinho.
Não estava.
Do outro lado do corredor…
Minho havia acabado de sair de uma reunião.
E viu tudo.
Viu Angel perder o equilíbrio.
Viu sua expressão de dor.
Viu o esforço que fazia para permanecer de pé.
O coração do alfa apertou de forma inesperada.
Porque aquela não era uma dor passageira.
Era uma dor que Angel conhecia bem demais.
E mesmo assim continuava trabalhando.
Minho observou enquanto ele voltava a caminhar.
Mais devagar.
Tentando esconder o sofrimento.
Minho: — Teimoso…
Murmurou para si mesmo.
Naquela noite…
A maioria dos funcionários já havia ido embora.
Angel continuava terminando alguns relatórios.
A galeria estava silenciosa.
As luzes pareciam mais suaves.
Mas sua perna estava piorando.
Muito pior.
Ele tentou se levantar da cadeira.
E uma pontada forte atravessou sua perna.
O jovem fechou os olhos imediatamente.
Angel: — Não agora…
Sua voz saiu quase como um sussurro.
Tentou dar um passo.
Outro.
E então precisou se apoiar na mesa.
A respiração estava acelerada.
A dor estava forte demais.
Foi nesse momento que ouviu uma voz atrás de si.
Minho: — Angel.
O jovem se assustou.
Virou-se rapidamente.
Angel: — Diretor Minho.
Mas ao tentar endireitar a postura…
Vacilou novamente.
Minho aproximou-se.
Seu olhar estava sério.
Muito sério.
Minho: — Está sentindo dor.
Não era uma pergunta.
Era uma afirmação.
Angel desviou os olhos.
Angel: — Estou bem.
Minho permaneceu em silêncio.
Minho: — Você acabou de quase cair.
Angel ficou sem resposta.
Minho: — Quantas vezes isso aconteceu hoje?
O jovem apertou os dedos.
Angel: — Não é nada importante.
Minho sentiu uma estranha irritação.
Não com Angel.
Mas com a situação.
Porque era evidente que ele estava sofrendo.
E mesmo assim insistia em fingir que não.
Minho: — Por que sempre faz isso?
Angel piscou.
Angel: — Isso o quê?
Minho: — Finge que está tudo bem.
O silêncio caiu entre eles.
Por alguns segundos.
Longos segundos.
Então Angel sorriu.
Mas era um sorriso triste.
Angel: — Porque as pessoas se cansam.
Minho franziu a testa.
Angel: — Se eu reclamar demais.
Seus olhos baixaram.
Angel: — Se eu demonstrar fraqueza.
Sua voz ficou mais baixa.
Angel: — As pessoas acabam se cansando.
Minho ficou imóvel.
Porque aquelas palavras carregavam anos de sofrimento.
Anos de rejeição.
Anos ouvindo que era um problema.
Que era um peso.
Que era diferente.
O coração de Minho apertou.
Mais do que deveria.
Muito mais.
Então, pela primeira vez…
Sua voz ficou gentil.
Minho: — Eu não estou cansado.
Angel levantou os olhos.
Surpreso.
Os dois permaneceram em silêncio.
O mundo parecia distante naquele momento.
Minho: — Você deveria ir para casa.
Angel sorriu de leve.
Angel: — Ainda tenho trabalho.
Minho: — O trabalho pode esperar.
Angel: — Diretor…
Minho: — Isso é uma ordem.
Angel acabou rindo.
Uma risada pequena.
E Minho sentiu seu coração aquecer ao ouvi-la.
Algo que não acontecia havia muitos anos.
Enquanto observava Angel guardar suas coisas…
Uma única certeza surgiu dentro dele.
Ele não gostava de vê-lo sofrer.
E isso já estava se tornando perigoso.
Capítulo 12 — A Dor Que Ninguém Via
Fonts
Text size
Background
Entre as Cores do Destino
Em Seul, uma cidade onde o brilho das luzes esconde preconceitos silenciosos, Angel luta para encontrar seu lugar no mundo.
Órfão do amor de sua mãe desde o nascimento, Angel cresceu...