Capítulo 75
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Capítulo 75 Extra: A Casinha Feliz do Grande A
“Por favor, traga um mojito para a minha amada~ Adoro ler o brilho em seus olhos quando está levemente embriagada~”
Na beira do mar em agosto, as ondas traziam areia fina para a praia, deixando um rastro de pegadas brancas; a brisa suave balançava as pontas do cabelo, uma sensação de conforto indescritível.
He Yu aumentou o volume, jogou o celular de lado e, vestindo apenas um short de praia azul, abriu os braços de frente para o oceano. Contra o sol, ele gritou: “Irmão! Pode tirar a foto!”
Chu Yi estava uns sete ou oito metros atrás. Erguendo o celular, ele gritou de volta: “Camarada He Yu, você agora está parecendo um completo idiota.”
He Yu virou o rosto, mandou um beijo no ar e voltou-se para o mar, exibindo-se: “O objetivo é exatamente esse. Quem viaja e não se diverte feito um idiota não aproveitou a viagem direito.”
Sem dizer mais nada, ouviu-se o som de vários cliques da câmera.
He Yu caminhou em direção a ele, rindo: “E aí? Como ficaram? Ouvi os cliques sem parar, nem deu tempo de mudar a pose.”
“Tirei inúmeras,” Chu Yi mexia no aparelho. “Ficaram ótimas. Uma foto, um idiota diferente.”
“Pqp,” He Yu riu e avançou sobre ele, dando uma mordida em seu pescoço. Na ponta dos pés e abraçando os ombros dele, espiou a tela: “Deixa eu ver. Não podem estar tão ruins, vou postar no feed.”
Chu Yi tocou o local da mordida, baixou a cabeça e beijou o canto da boca dele. “Não estão. A técnica do seu marido é de primeira em qualquer área.”
“Para o carro! Motorista, para o carro!” He Yu brincou ao ver as fotos.
Para o gosto dele, as fotos estavam aceitáveis. Ele parecia um “rei do mar” marrento, abraçando o céu e o oceano com o sol sobre a cabeça, recriando com sucesso dois memes virais: “Este mar agora é seu por contrato” e “Segurando o sol”.
Digno do seu Irmão Chu; as fotos ficaram excelentes.
“Irmão, rápido, tira uma assim também,” He Yu pegou o celular dele, incentivando: “Vou postar uma foto de casal para matar o pessoal de inveja.”
“Eu também tenho que segurar o sol?” Chu Yi sorriu para ele. “Tem certeza?”
“O ato de um gato desses não pode ser chamado de ‘segurar o sol’,” He Yu discordou, dando um tapinha no ombro dele. “O nome disso é ‘mergulho no mar’.”
“Motorista, para o carro,” Chu Yi também entrou na brincadeira, encarando-o. “Sobe no meu, que o meu é mais rápido.”
“Vai, vai, vai logo,” He Yu o empurrou. “Meu querido Irmão, daqui a pouco o Xin Tao e o Yuan Li chegam, e você não vai querer ‘mergulhar’ na frente deles. Não deixe meu esforço ser em vão.”
“Você não cansa, né, He Zuizui?” Chu Yi foi empurrado até o lugar onde He Yu estivera. Forçado ao “mergulho”, levantou os braços: “Assim está bom?”
He Yu recuou rápido, ligou a gravação de vídeo e gritou contendo o riso: “Os braços! Levanta mais os braços!”
“Para que levantar tanto o braço para um mergulho?” Chu Yi resmungou, mas obedeceu.
No quesito mimar o parceiro, Chu Yi era o número um imbatível entre os três amigos. Aquele que fora um deus escolar frio e arrogante agora fazia qualquer pose que o namorado pedia.
“Pronto?” Chu Yi suspirou e acabou rindo sozinho. “Pqp, eu devo estar parecendo um idiota agora.”
“Nada disso, ficou muito gato! Muda a pose, agora faz do seu jeito!” He Yu gravava enquanto secava a baba.
As pessoas são realmente diferentes. Na mesma pose e com o mesmo short de praia, He Yu parecia um meme ambulante, enquanto Chu Yi parecia um modelo rebelde, transbordando sofisticação. Aquela cintura, os músculos serráteis, as costas, a definição dos braços… Caramba, foda demais.
Chu Yi abaixou os braços e virou-se levemente de perfil. Apenas aquele ângulo já superava qualquer modelo profissional, deixando He Yu hipnotizado de novo.
“Zuizui,” Chu Yi falou de repente.
“Hã?” He Yu estava com o olhar fixo.
“Você está gravando, não está?” Chu Yi estreitou os olhos.
“Estou… ah, não!” He Yu negou rápido, mas sua atuação foi traída pela sua cara de safado. Ele começou a rir: “Deixa eu gravar um pouquinho, qual o problema? Ai, meu namorado é lindo demais, tsc tsc, que gato.”
Slurp.
“Tem graça gravar isso de calça?” Chu Yi arqueou a sobrancelha. “Em casa a gente grava sem nada, seja bom.”
Os nervos de He Yu saltaram com a fala. Uma pequena chama começou a arder em seu peito. Ele apontou para Chu Yi com seriedade: “Estou te avisando que estou me segurando muito. Não me provoca, senão eu acabo com você!”
Chu Yi abriu os braços: “Ai, vem acabar comigo então. Mal posso esperar.”
He Yu lamentou-se: “Será que não podemos apenas brincar na água em paz? Não dá? Não dá mesmo?”
Chu Yi olhou ao redor. A praia privativa já era vazia, e naquele momento não havia vivalma. Ele sorriu de canto e chamou: “Zuizui.”
He Yu o olhou: “Hã?”
Chu Yi enganchou o polegar no elástico do short de praia e deu um puxão leve para baixo. Não mostrou nada, mas o gesto foi extremamente provocante…
He Yu ficou estático, demorou a reagir e então avançou sobre ele, puxando o short de volta. “PQP, você não cansa de ser safado!” Olhou para os lados e ameaçou: “Droga, se alguém visse eu te batia! Te batia mesmo! Mesmo se eu perdesse a briga, eu te batia!”
“Eu nem tirei o short,” Chu Yi o abraçou, dando uma mordida em seu ombro. Sussurrou: “Não me bate, dói. Me morde, morde onde quiser…”
“Tirou o cacete! Nem para baixo pode puxar, guarda isso para mostrar só para mim em casa!” He Yu subiu o short dele com força, percebendo com tristeza que já entendia perfeitamente qual “mordida” Chu Yi queria. “Morde o seu tataravô.”
“Nem fala, apertou aqui embaixo e doeu,” disse Chu Yi, ainda o abraçando.
He Yu: “……” Eu sei que é grande, não precisa me lembrar! Obrigado!
“Ei, que cena é essa?” um grito veio de longe.
Eles olharam para cima. Xin Tao vinha de mãos dadas com Li Jinhang, e Cheng Haoyan abraçava Yuan Li pela cintura. Li Jinhang fez uma careta de desdém: “Vocês dois não desgrudam nunca, é?!”
He Yu suspirou com um pesar fingido: “Ai! Se eu soubesse tinha passado Super Bonder antes de vir!”
Li Jinhang mostrou o dedo do meio: “O que o Chu Yi está te ensinando, hein? Da Yu, você não era assim antes!”
He Yu caiu na risada. Chu Yi, abraçado ao namorado, encarou Li Jinhang e bufou: “Ensinei ele a não falar com idiotas, mas ele ainda não aprendeu.”
“VAI SE FUDER, CHU YI! Tá querendo apanhar?!” Li Jinhang avançou para brigar, mas foi contido por Xin Tao, que sussurrou algo em seu ouvido. Li Jinhang xingou mais um pouco e ficou quieto.
“Da Yu, você trouxe boia?” Yuan Li, com o rosto corado pelo braço de Cheng Haoyan em sua cintura, tentou mudar de assunto. “Fiquei com medo de você esquecer e trouxe uma reserva.”
“Pior que não trouxe,” He Yu deu um tapinha no ombro de Chu Yi, com um sorriso convencido. “Ele vai me ensinar. Caro camarada, olhe para este meu porte atlético. Vou aprender em um minuto e em meia hora estarei dominando o oceano!”
“Aprender o qu—” Yuan Li engoliu o palavrão, preocupado. “Não é seguro, você é doido!”
“Relaxa, esse desgraçado do Chu Yi é um tubarão em forma de gente,” Li Jinhang disse com desdém, mas admitindo a verdade. “Com ele vigiando, nem dez He Yus se afogariam.”
Yuan Li ia retrucar, mas Cheng Haoyan deu um aperto em sua cintura e disse: “É verdade.”
Yuan Li soltou um “ah” e murmurou: “É que eu me preocupo.”
Enquanto conversavam, os outros quatro já corriam para o mar. Cheng Haoyan agachou-se, colocou as mãos nas canelas de Yuan Li e começou a massagear suavemente. “Eu sei.”
Yuan Li ferveu de vergonha. Olhando para os cabelos pretos e levemente ondulados do Alfa, sentiu um formigamento no peito e não resistiu a tocá-los. A textura era tão macia quanto imaginava; os cachos naturais não o deixavam fofo, mas sim com um ar de mistério e distância.
Tão lindo.
Cheng Haoyan levantou o olhar. Seu rosto sério possuía um charme único.
Yuan Li amarelou: “… É macio, bom de tocar, não aguentei.”
Cheng Haoyan simplesmente sentou na areia, deu um tapa em suas coxas e disse: “Senta.”
Yuan Li arregalou os olhos, o rosto soltando fumaça: “No… no seu colo?”
Cheng Haoyan apenas o encarou em silêncio.
É no colo mesmo, meu Deus!
Yuan Li respirou fundo e aproximou-se com cautela. Quando ia sentar, foi puxado por braços firmes e acomodado no colo do Alfa. Sem camisa, as peles se tocavam e os batimentos pareciam sincronizados.
Não, o meu está muito mais rápido… aguenta firme, Yuan Li! Se o nariz sangrar vai ser o fim…
“Se não massagear, vai ter cãibra,” explicou Cheng Haoyan brevemente, com os dedos ágeis pressionando os músculos da panturrilha do Ômega, com expressão focada.
Yuan Li engoliu em seco, zonzo com o aroma de floresta tropical que emanava do outro. “Eu sei.”
Os outros Alfas não tinham esse problema; a resistência física do Da Yu era muito superior à dele, ele não teria cãibras, só Yuan Li é que era um “frangote”…
Pelo canto do olho, viu que He Yu já tinha afundado três vezes e sido resgatado por Chu Yi. Ele ria e brincava, parecendo bem, mas Yuan Li continuava com o coração na mão. O Da Yu não tem juízo! Seria muito mais seguro com a boia!
“Está olhando o quê?” Cheng Haoyan perguntou de repente.
“Hã?” Yuan Li desviou o olhar rápido. Suas mãos, que seguravam os ombros do Alfa, tremeram. “Nada.”
Cheng Haoyan deu um peteleco no joelho dele: “Mentiroso.”
Yuan Li encolheu a perna, mas não doeu. Enterrou a cabeça no pescoço do Alfa e resmungou: “Tá, não olho mais.”
Com a nuca do Ômega exposta, Cheng Haoyan não se conteve e deu um beijo ali, fazendo o rapaz estremecer e agarrar seus ombros com força, mas sem tentar fugir.
Fofo, dá vontade de morder.
Suprimindo o instinto predatório, ele deu um tapinha nas costas de Yuan Li e levantou com ele no colo. “Vamos.”
Yuan Li o acompanhou, comentando: “Eu sei nadar, tá?”
O Alfa, que raramente falava, perguntou: “Aprendeu quando?”
Yuan Li apertou os dedos dele, sorrindo: “No primário, meu pai ensinou. Sei até nadar de costas!”
Cheng Haoyan deu uma risada baixa: “Que incrível.”
Yuan Li, radiante, olhou para ele: “E você?”
“Também no primário,” pensou Cheng Haoyan.
Yuan Li não disse nada, mas estava feliz. Ambos no primário, que coincidência boa.
“Pqp— cof cof—” He Yu foi retirado do fundo do mar pela enésima vez por Chu Yi. Engoliu um monte de água, salgada e amarga. “Eu desisto— cof— porra—”
Chu Yi o segurava para ele não afundar de novo e lhe entregou uma garrafa de água mineral aberta: “Lava a boca. A gente combinou de não abrir a boca, mas você não resiste.”
He Yu virou a garrafa e bebeu um gole enorme, com lágrimas nos olhos pelo gosto amargo. “Não tenho medo de morrer afogado, mas essa água é ruim demais! Dá vontade de chorar, sério! Camarada Yuan Li, me arrependo! Eu não devia ter recusado seu convite naquela época, eu fui muito burro!”
Chu Yi perguntou: “Que convite?”
He Yu encheu a boca de água de novo e apontou para Yuan Li para ele explicar.
Yuan Li, flutuando ali perto, explicou com desdém: “Meu pai queria ensinar nós dois a nadar. Mas o Da Yu ficava adiando: ‘amanhã eu vou’, ‘depois de amanhã eu vou’… no fim, nunca aprendeu.”
“Ah, qual a pressa? Eu ainda vou viver muito,” disse He Yu rindo após limpar a boca, sentindo o sal de novo. “Putz, que amargor… Irmão, acho que agora eu peguei o jeito. Mais uma tentativa e eu vou flutuar que nem um golfinho!”
“Vou fingir que acredito,” Chu Yi riu. Pelo visto, porte físico e talento para natação não tinham nada a ver. He Yu, com seus musclinhos definidos, só servia para afundar mais rápido.
He Yu inspirou fundo e mergulhou com tudo. A pose e a coragem foram nota dez, mas ele simplesmente não voltou à superfície. A água foi se acalmando.
“Da Yu?!” Yuan Li se desesperou e ia mergulhar para buscá-lo, mas foi segurado por Cheng Haoyan. “O que foi?! Eu—”
Antes dele terminar, Chu Yi já tinha mergulhado e, em segundos, trouxe He Yu, que prendia a respiração, de volta. Embora não soubesse nadar, o fôlego de He Yu era excelente; ele aguentaria mais um minuto lá embaixo sem problemas. Ao ser resgatado, respirou fundo e ia limpar a boca de novo, mas Chu Yi o impediu: “Está querendo mais sal?”
“Não,” He Yu fez uma careta e beliscou o ombro dele. “Seu Pato Mergulhador, eu sou um pato seco por acaso?! Você roubou todo o meu talento, que falta de ética! Que egoísmo!”
Chu Yi, levando a culpa injustamente, sugeriu: “Que tal irmos brincar na areia então?”
He Yu o encarou: “… Está falando sério?!”
Chu Yi mudou de assunto: “Na verdade, podemos começar treinando a pernada na água.”
Ignorando a ideia da areia, He Yu refletiu. Apontou para Yuan Li boiando: “Igual a ele?”
Chu Yi pegou a mão de He Yu e a colocou em seu próprio peito: “Igual a mim. Pode olhar. Não estou flutuando bem?”
“Está, está, você é o melhor!” He Yu deu um beijo no rosto dele, sentindo o gosto salgado. “Irmão, você não está mais doce.”
Chu Yi: “Brincar na areia me deixa doce.”
He Yu: “Cala a boca!”
“Da Yu, você é uma vergonha para o seu nome,” Li Jinhang aproximou-se nadando, esbanjando desprezo por Chu Yi. “O Velho Yi é um inútil, não sabe ensinar. Vem comigo, em dez minutos eu te faço flutuar.”
Yuan Li pensou: … Agora eu entendo por que o Chu Yi vive provocando o Li Jinhang.
Chu Yi, flutuando com He Yu, nem olhou para trás. Bufou: “Em dez segundos eu te faço congelar nesse mar.”
Li Jinhang: “… Porra!”
Xin Tao, excepcionalmente, estava mais ocupado que Cheng Haoyan, tentando salvar Li Jinhang de arrumar briga. Nadou até ele: “Vamos para a areia tomar um sol?”
Li Jinhang o olhou: “Está com frio?”
Xin Tao riu e assentiu: “Sim, estou congelando, vamos.”
Li Jinhang deu um tapinha no ombro dele com um ar de protetor: “Vamos subir então. Se você ficar resfriado, eu que vou ter que cuidar de você.”
Xin Tao se divertiu: “É mesmo? Então agora eu quero ficar resfriado.”
Li Jinhang o fuzilou com o olhar: “Entrou água no seu cérebro? Resfriado não tem graça nenhuma!”
Xin Tao beijou o canto do olho dele: “Mas aí você cuidaria de mim, né?”
Li Jinhang corou e o empurrou: “Porra… se você quer que eu cuide de você, fala logo! Eu posso fazer esse favor… o pai aqui não é mesquinho!”
Xin Tao o tocou por baixo da água e sussurrou em seu ouvido: “Eu sei. Nosso Hang’er é o melhor em tudo.”
Li Jinhang estremeceu. Com a mão do outro ainda em seu bumbum, seu pescoço ficou escarlate, mas ele manteve a pose: “B-bom mesmo que você saiba.”
Xin Tao o guiou para a margem: “Seja bom, vamos.”
Li Jinhang resmungou acompanhando: “Não vamos ficar muito tempo no sol, senão o pai aqui murcha.”
Xin Tao mimou: “Como você quiser. Tomamos um sol e depois vamos descansar.”
……
Yuan Li assistia a tudo chocado. O gênio curto do Li Jinhang era famoso na escola toda, mas Xin Tao era foda, acalmava o cara com duas frases. Talvez fosse por ser o Xin Tao; com ele, Li Jinhang perdia a braveza fácil. Que inveja.
Cheng Haoyan percebeu o olhar carente de Yuan Li acompanhando o outro casal até a areia. “Gostou do que viu?” perguntou subitamente.
“Hã?” Yuan Li virou-se para ele. “O quê?”
“Nada,” Cheng Haoyan acenou para Chu Yi e começou a guiar Yuan Li para fora da água. “Vamos.”
“Ué, não vamos mais brincar?” Yuan Li não entendeu a saída repentina, mas obedeceu, aproveitando para espiar os músculos definidos de Cheng Haoyan e engolindo em seco.
“Não,” disse o Alfa. “Não estou feliz.”
Yuan Li travou, observando-o. O rosto de perfil estava sério, o queixo marcado, lindo demais… mas não dava para saber se ele estava bravo ou não.
Após saírem da água, Cheng Haoyan seguiu em silêncio, guiando-o até uma área de repouso próxima e usando o cartão para entrar. Já dentro do quarto, Yuan Li ficou parado sem jeito na porta do banheiro. Cheng Haoyan lhe entregou uma toalha e disse: “Tem tudo aí dentro.”
Dito isso, entrou no outro banheiro do quarto. Yuan Li espiou, mas não viu nada. Coçou a nuca sem entender a irritação do outro e entrou para tomar banho. Ao sair, ainda envolto em vapor, encontrou Cheng Haoyan sentado na cama mexendo no celular. Ele vestia um roupão de forma desleixada, deixando o peito e o abdômen à mostra, uma visão tentadora…
Ao ouvir a porta, Cheng Haoyan levantou o olhar. Yuan Li só então notou que o quarto tinha duas suítes, uma cama de casal com pétalas de rosa e, no criado-mudo, uma caixa de…
Cheng Haoyan deu um tapinha no colchão ao seu lado. Yuan Li caminhou todo desengonçado e sentou, com a cabeça baixa e o coração a mil. O que vai acontecer? Será que é… AQUILO? Tão rápido assim? Embora eu não seja contra, mas… ah, seja o que Deus quiser!
“Aquele negócio de agora pouco… por que você ficou infeliz?” Yuan Li puxou assunto, nervoso.
Cheng Haoyan largou o celular e o encarou: “Nós estamos namorando.”
“Hã? Sim… estamos,” corou Yuan Li.
“Então por que não olha para mim?” O Alfa franziu levemente o cenho.
“Eu não estava olhando?” Yuan Li refletiu e tomou um susto: ele realmente ficara secando os outros por um tempão. O ciúme de um Alfa de elite como Cheng Haoyan devia ser absurdo. “Desculpa,” disse ele com os olhos marejados, “eu só… fiquei com inveja…”
Ao ver os olhos vermelhos dele, Cheng Haoyan acariciou o rosto do Ômega com a palma quente. “Inveja de quê?”
Yuan Li esfregou o rosto na mão dele, desviando o olhar, e sussurrou: “Eu vi o Xin Tao beijando o Li Jinhang…”
A mão no rosto dele parou por um segundo e subiu para a nuca. “Olha para mim,” disse o Alfa suavemente.
Yuan Li obedeceu e, antes que pudesse falar, o rosto do outro se aproximou: “Hum…”
No primeiro beijo, a reação de Yuan Li foi susto. Tentou recuar, mas foi segurado firmemente e acabou se entregando ao abraço do Alfa, fechando os olhos.
……
Os dois ficaram deitados abraçados. Cheng Haoyan beijava a testa de Yuan Li, observando o rosto dele ficar cada vez mais vermelho e quente. Encarava-o nos olhos até ver o pescoço do rapaz ganhar um tom rosado. Yuan Li sentia que ia desmaiar sob aquele olhar. O ar cheirava ao frescor da floresta e ao doce da laranja. Estava totalmente entregue.
Um coelhinho chorão.
Só após beijá-lo até ele ficar exausto é que Cheng Haoyan parou. Sem soltá-lo, perguntou: “Ainda tem inveja?”
Yuan Li já tinha chorado de emoção pelo beijo, e a pergunta o fez querer chorar de novo. Escondeu o rosto no peito do Alfa, soluçando: “Não tenho mais…”
Que vergonha, Yuan Li, você é muito mole, chorando por causa de um beijo… Mas foi intenso demais, o que passa na TV está tudo errado, eu mal consigo ficar sentado agora…
“Puta que pariu…” He Yu estava deitado no ombro de Chu Yi, boiando. Estava tão empanturrado de água do mar que parecia um peixe morto. “Irmão, acho que não posso mais me chamar He Yu. Eu nem sei boiar, não mereço o nome…”
“Como quer se chamar então?” Chu Yi o carregava nadando devagar, pensativo. “He Patinho?”
“Melhor He Bêbado mesmo,” apesar do sal no corpo, He Yu não resistiu e deu um peteleco na nuca do namorado. A pele pálida ficou vermelha na hora. Os músculos do meu Irmão são sensíveis demais, qualquer toque deixa marca. Parece até que ele é o Ômega e eu o Alfa, embora ele pudesse me girar no ar com uma mão. “Para onde aqueles quatro fugiram? Falaram de brincar na água e só eu, o único que não sabe nadar, levei a sério. Tsc.”
“Deixa eles pra lá,” disse Chu Yi, sem interesse nos amigos. Mudou de assunto: “Morde mais forte.”
He Yu travou, deu outra mordida e riu: “Ficou animado, é? Pois bem, em público assim, você pode escolher brincar com o oceano.”
“Não combina,” disse Chu Yi.
“Hã?” He Yu não entendeu, roçando o nariz no pescoço dele. “O quê?”
“’Brincar com o oceano’ não soa bem.”
“Putz… você é um gênio mesmo.” He Yu estava admirado. Na arte da conversa, ele não chegava aos pés do irmão.
Chu Yi começou a nadar para a margem. Seus músculos trabalhando sob a pele molhada e o reflexo do sol o deixavam extremamente sexy, fazendo o fogo de He Yu reacender.
“Parou de nadar?” He Yu tentava ajudar batendo as pernas, sentindo-se um tubarão, mesmo sendo apenas um passageiro em cima de um.
“Vou voltar para fazer um exercício e ajudar na digestão,” Chu Yi riu. “Não está cheio de tanta água que bebeu? Quando digerir, a gente volta para você beber mais. Economiza no jantar.”
“Pqp, caro camarada, essa sua boca—” He Yu o mordeu. “Que língua afiada! Que língua afiada!”
……
Após um banho gelado revigorante, He Yu saiu apenas de toalha e viu Chu Yi encostado na cabeceira mexendo no celular. Avançou sobre ele como um tigre na caça. Chu Yi nem levantou a cabeça, apenas abriu os braços para recebê-lo, beijou seu pescoço e perguntou rindo: “Já está com fome de novo?”
He Yu sentia-se como se estivessem casados há décadas; em um mês, sua vergonha sumira completamente. Começou a puxar a toalha do outro: “Para que roupa entre íntimos? Quanta formalidade! Deixa eu ver! Deixa eu ver!”
Chu Yi colaborou, levantando o quadril. Seus músculos abdominais definidos pareciam provocar He Yu: “Vem cá, mestre, aproveite esses oito gomos, o que está lá embaixo também está ansioso!”
He Yu engoliu em seco, passou a mão com força por todo o abdômen dele e murmurou: “Com essa força abdominal, eu estou quase babando.”
“Elogiar sem testar não tem valor,” disse Chu Yi, com a mão na cintura de He Yu. O toque nos músculos finos fez seu olhar escurecer. Com a voz rouca, disse: “Seria um desperdício você não sentar nessa cintura.”
“… Não consigo competir com sua lábia, hum—” He Yu ia retrucar, mas foi puxado para um beijo intenso. Agarrou os ombros definidos do namorado e retribuiu com a mesma vontade.
……
……
“O Chu Yi tá maluco!” Li Jinhang esmurrou o chuveiro. “É de propósito! Com certeza! A temperatura máxima é fria!”
“Deixa eu ver,” Xin Tao o abraçou e beijou. Testou a água e viu que realmente não esquentava. Sorriu de canto, entendendo o jogo. “Vamos testar o outro, sorte que temos dois banheiros aqui.”
“Se o outro estiver ruim eu saio no soco com ele,” rosnou Li Jinhang. “Esse clube dele não tem manutenção por acaso?!”
O outro chuveiro estava perfeito.
“Toma banho você primeiro,” Li Jinhang entregou uma toalha para ele. “Eu aguento, você não pode pegar friagem. Se ficar resfriado eu te dou uma surra!”
Xin Tao o segurou, impedindo sua saída. Beijou a ponta do nariz dele e o encarou com seus olhos amendoados até Li Jinhang corar. “Teria coragem de me bater?” perguntou calmamente.
“Não teria! Não teria, não teria! Tá satisfeito?! Agora me deixa sair! Esse banheiro é pequeno demais para nós dois!” Li Jinhang falava grosso, mas só empurrava o braço do outro de leve, com o rosto fervendo.
“Não é pequeno,” Xin Tao abraçou a cintura dele, deslizando os dedos pela linha das costas. Li Jinhang estremeceu como se tivesse levado um choque. Xin Tao riu: “Não quer tomar banho comigo? Só banho, prometo não fazer nada além disso.”
“Não tenta me enganar, porra!” Li Jinhang o empurrou, mas sem força; o tapa no ombro parecia mais uma carícia de Ômega, o que o deixou ainda mais envergonhado. Aumentou o tom: “N-não inventa moda, porra!”
Xin Tao caiu na risada. “O que eu inventei?” Aproximou-se e mordeu a orelha dele, perguntando manhoso: “Hum? O que eu inventei?”
Li Jinhang amava esse jeito grudento dele, mas como era puro demais, não admitia. Gritou nervoso: “Você sabe muito bem! E para de se mexer! Só você tem ‘aquilo’ por acaso? Eu também tenho! Eu também consig—”
Subitamente imobilizado, Li Jinhang arregalou os olhos. Com as orelhas escarlates e sem coragem de se mexer, sussurrou: “Me solta, porra!”
Xin Tao beijou o canto do olho dele com um ar inocente, distorcendo os fatos: “Você disse que também tinha, achei que queria ajuda.”
Li Jinhang perdeu o argumento. Vermelho de raiva, virou o rosto para a parede, evitando contato visual. Ele não sabia que aquela expressão de “não aguento mais ser humilhado” era a favorita de Xin Tao; era o gatilho perfeito para o desejo do Alfa.
“Hang’er…” Xin Tao continuou o movimento, sussurrando: “Diz que me ama.”
“Por que você é tão meloso, porra!” Li Jinhang arfava.
“Diz…” insistiu Xin Tao baixo. “Eu quero ouvir.”
“Se eu disser você vai—” Li Jinhang hesitou. Sentia a carência e a necessidade no tom de voz do outro. Aquela sensação de ser o porto seguro de alguém inflou seu ego e amoleceu seu coração. Afagou as costas de Xin Tao e tossiu, dizendo sem jeito: “Eu te amo, te amo muito! Te amo pra caralho… pronto! Satisfeito?!”
……
……
“Desculpa…” Xin Tao estava deitado com Li Jinhang na cama, com a cabeça em seu pescoço, beijando-o repetidamente.
“Cai fora!” Li Jinhang empurrou a cabeça dele, desta vez com força. Xin Tao soltou um gemido abafado. Li Jinhang travou, dizendo a si mesmo que era fingimento, mas não resistiu e afagou o cabelo dele, fingindo impaciência: “Pqp… machucou?”
“Hum…” Xin Tao se aconchegou mais.
“Não mente para mim!” Li Jinhang tentou virar de lado, mas o corpo todo doía. O Taozi era um devorador desalmado. Irritado, ia empurrar o outro de novo, mas desistiu no meio do caminho e apenas fez carinho.
“Não fica bravo, não faremos mais no banheiro.” Xin Tao olhou para ele; os olhos amendoados e úmidos não pareciam carentes, mas sim perigosamente sedutores. O olhar dizia: “me beija que tem prêmio”.
Prêmio o cacete! Sexo não é prêmio! Teria coragem de deixar o pai aqui ir por cima uma vez?!
Droga, eu nem tenho coragem de tentar!
Porra!
Ele me pegou de jeito porque sabe que eu o mimo demais!
“Você disse a mesma coisa da última vez!” Li Jinhang o encarou. “Mentiroso! Sabe que o pai aqui tem o coração mole.”
“É a última vez,” Xin Tao o beijou com um sorriso de adoração. “Sério. Eu te amo.”
“Você…” O “eu te amo” fez a espinha de Li Jinhang amolecer. Olhou para os lábios de Taozi, hesitou e virou o rosto para a parede, resmungando: “Se me ama tanto, por que não vem me beijar logo?”
“Entendido,” Xin Tao riu baixo e o beijou com vontade por um longo tempo, deixando o outro sem fôlego. O rapaz puro ainda não aprendera a respirar durante o beijo e sempre ficava mole.
Desta vez foi Li Jinhang quem ficou no colo de Xin Tao. Olhando as marcas no pescoço, teve vontade de bater nele. “Você é um cachorro por acaso? Só sabe morder! Daqui a pouco o Chu Yi vai rir da minha cara!”
“Não vai,” garantiu Xin Tao rindo, mordendo a orelha dele e movendo as mãos sob a coberta. “Não vai.”
Afinal, ele também não riria de He Yu ou Yuan Li. Era a mesma lógica. Mas ele não podia dizer isso, comparar Li Jinhang a um Ômega era pedir por um surto. Embora o surto fosse lindo e ele adorasse, por hoje já chegava; senão o outro ficaria bravo de verdade.
“Como você tem tanta certeza?” Li Jinhang sentia as pernas pesadas. Droga, o Tao não é humano. Quase morri no trajeto do banheiro pra cama, precisava ser no banheiro? Que mania!
“Não acredita?” Xin Tao sugeriu sorrindo: “Vamos apostar então.”
“Não aposto nada!” Li Jinhang deu um tapa nele. “Não tenta me ferrar. Eu conheço todos os seus truques. Não se ache tão esperto, sempre tem alguém melhor, entendeu?!”
“Entendi,” Xin Tao sorriu com um carinho infinito e o beijou. “Faço como você quiser.”
Ao entardecer, He Yu despertou devagar. Moveu o pescoço com preguiça e deu de cara com o rosto de Chu Yi, que ainda dormia. Ele parecia tão calmo dormindo, com o cabelo desalinhado; parecia o “garoto da casa ao lado”.
He Yu tentou mover as pernas, mas travou. A “segunda rodada de beber água do mar” teria que ser cancelada; esse era o preço de ser abusado. No momento em que se mexeu, Chu Yi acordou. Sem abrir os olhos, apertou o abraço e o beijou. He Yu retribuiu, e os dois ficaram se amassando por um tempo até Chu Yi abrir os olhos, com um ar preguiçoso e extremamente sexy.
He Yu sentiu o perigo, mas antes que pudesse raciocinar, já estava sobre ele, mordendo sua clavícula.
“Zuizui,” Chu Yi disse com a voz rouca, “eu não vou conseguir me segurar.”
“Irmão…” He Yu deixou as marcas de dentes e logo se arrependeu, beijando o local com carinho. Suspirou: “Como você pode ser tão gato? É bonito demais, não dá para resistir.”
“Essa frase não deveria ser minha?” Chu Yi o virou e ficou por cima. He Yu deitou em seu peito, ofegante e animado. “Que horas são?”
“Já era,” He Yu percebeu que tinha vindo com o grupo. Pegou o celular no criado-mudo e o coração gelou. “Ferrou, já é quase noite. Demos o maior bolo no pessoal.”
“Não demos bolo,” Chu Yi mordeu o queixo dele com preguiça. “Ninguém foi.”
“Hã?” He Yu beijou o pescoço dele, satisfeito ao ver as marcas que deixara. “Como assim ninguém foi?”
“O que nós fizemos aqui?” Chu Yi perguntou de volta.
“A gente f…” He Yu riu e apertou a clavícula dele. “Pois é, a gente fodeu.”
Chu Yi também riu: “Eles também não ficaram parados. Com um tempo desses, ninguém ia desperdiçar.”
He Yu assoviou: “Realmente, não tenho argumentos. Caro camarada, como faço para ter essa sua lábia?”
Chu Yi estreitou os olhos com um sorriso inocente: “Pratique bastante ‘aquilo’ que você consegue.”
He Yu admitiu a derrota e se aconchegou no peito dele. “Acho que você devia fazer cinema.”
“Que tipo de filme?” Chu Yi acariciava a cintura dele.
“Transformers. Uma hora é carro, outra é gente, alterna com uma facilidade incrível!”
Chu Yi caiu na gargalhada. “Acabamos de fazer e você já está com a língua afiada de novo?”
He Yu aplaudiu a si mesmo: “Sou um aluno aplicado.”
Na manhã seguinte, os seis se reuniram. Chu Yi, Xin Tao e Cheng Haoyan estavam radiantes, trocando olhares de vitória. He Yu, Li Jinhang e Yuan Li caminhavam com dificuldade, com vontade de esganar os três Alfas infantis que ficavam competindo entre si!!!
Nota do Autor:
(Curva-se: Desculpem pela demora, tive alguns problemas de saúde ultimamente. O capítulo ficou longo para compensar! [imagem_triste.jpg])
“Por favor, traga um mojito para a minha amada~
Adoro ler o brilho em seus olhos quando está levemente embriagada~”
Música: Mojito, Cantor: Jay Chou.
Capítulo 75
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Perdi meu disfarce na frente do colírio da escola
【Completo + Extras】
He Yu sofre de Desordem de Feromônios Ômega.
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