Capítulo 6
Capítulo 6
Além do professor Yang Zenghe, He Yu não conhecia nenhum dos outros docentes das disciplinas específicas.
Na segunda aula, de Química, ele e Chu Yi faltaram, então não tinham como avaliar o professor; os de Língua Chinesa e Inglês eram muito legais, enquanto os de Física e Biologia eram um pouco mais rigorosos. Mas nem mesmo os mais rigorosos se importaram com o “grupinho de Chu Yi”, que passou o dia inteiro dormindo sobre as mesas.
He Yu balançou a cabeça, pensativo: Ter dinheiro realmente permite fazer o que se quer.
O dia passou num piscar de olhos enquanto ele dormia. He Yu se levantou e esfregou a cabeça; até sonhou. Era a primeira vez que conseguia dormir na aula sem ser incomodado e sem precisar ficar apreensivo. Que sensação boa.
“Hoje à noite não vou te levar para casa, mas amanhã de manhã vou te buscar”, Chu Yi, que não carregava mochila, levantou-se para ajudá-lo a arrumar os livros. “Você não sabe nada, para que levar tantos livros para casa? Vai vender no sebo?”
“Ainda assim, preciso dar uma olhada”, He Yu demonstrou uma força discreta, “cada ponto conta, pode fazer a diferença entre centenas de pessoas.”
“Ah,” Chu Yi riu, passando a mão pelo cabelo dele, “Que incrível.”
He Yu arrumou a mochila e saiu com Chu Yi. O Alfa carregava a mochila dele em um ombro só. Era uma mochila preta comum, comprada no Pinduoduo por 23 yuans, que ainda vinha com um estojo de brinde.
Na hora da compra, He Yu só pensou na capacidade; a mochila era grande demais e todos os dias ele parecia estar carregando uma carapaça de tartaruga. Chu Yi, com seus ombros largos e corpo esguio, um sorriso casual nos lábios e aquele olhar que lançava de vez em quando, fazia o coração de qualquer um bater mais forte. Ele combinava perfeitamente com aquela mochila que, à primeira vista, era desajeitada.
Então aquela frase está certa: o sucesso do estilo depende do rosto.
“Vou pedir ao Xin Tao para te levar”, disse Chu Yi, parado na porta da escola.
“Não precisa, não precisa”, He Yu disse discretamente ao lado dele, acenando rápido, “são só alguns passos até lá.”
Ele ainda precisava esperar Yuan Li; se Yuan Li visse Xin Tao, seria o fim, ele ficaria tão agitado que precisaria de um respirador.
“Ali,” Chu Yi ficou atrás dele, inclinou-se e apoiou o queixo no ombro de He Yu. Ele virou levemente a cabeça e sussurrou bem perto do ouvido: “Aquele grupo de pessoas… sabe o que estão fazendo?”
He Yu seguiu o olhar e viu um bando de estudantes com ar de delinquentes olhando para ele com hostilidade; ao verem Chu Yi, rapidamente fingiram que nada estava acontecendo.
Ah, não, He Yu moveu os dedos, eu ia ser cercado por valentões do ensino médio.
“Vão me cercar”, He Yu entrou na brincadeira com uma expressão de pânico e agarrou nervosamente a manga de Chu Yi. Justamente quando o Alfa pensou que ele aceitaria a carona, He Yu disse: “Irmão, eu corro rápido, ninguém me alcança.”
“Você é o vento, porra?”, Chu Yi deu um tapinha na cabeça dele, rindo de indignação.
“Sou um homem que nem o vento alcança.” He Yu cobriu a cabeça e riu.
“Se precisar de algo, me liga.” Chu Yi passou a mão pelo cabelo dele e olhou para o relógio, percebeu que tinha um compromisso.
“Com certeza vou ligar.” He Yu assentiu, compreensivo.
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Chu Yi resmungou um “hum”, lançou um olhar de advertência para o bando de delinquentes e só então entrou no carro particular para partir.
“Que Mercedes discreta.” He Yu retirou o olhar que quase lambia o veículo. Qual homem não ama carros? Os AO não são diferentes nisso.
“Da Yu! He Da Yu!”
He Yu se virou: um Omega de rosto doce corria ofegante. Assim que parou, Yuan Li abriu a boca e traiu a própria aparência: “Puta merda, meu professor insistiu em me deixar de castigo. Onde está o Chu Yi? Cadê o Chu Yi?”
He Yu passou o braço pelos ombros dele e seguiu em frente, rindo: “Já foi há um tempão.”
“Caramba!” Yuan Li ficou furioso, “Vou mudar de turma!”
“Você quer ficar vendo a gente se abraçando todo dia?” He Yu fez uma cara de falso constrangimento, “Tenho medo que você não aguente.”
“Sai daqui, sai daqui,” Yuan Li, aproveitando-se de ser três centímetros mais alto, segurou o pescoço dele, “Isso te deixa todo empolgado! Fala! Até onde vocês chegaram?”
“Demos as mãos”, He Yu disse rindo enquanto beliscava o braço do amigo com força calculada; Yuan Li soltou-o instantaneamente e He Yu deu de ombros: “Eu ganho dinheiro, ele resolve os problemas, é uma troca.”
“Hah,” o Omega ergueu o queixo, “Tudo bem, então!”
“Ah, é”, Yuan Li esfregou o braço, “não se esqueça das aulas particulares. Já combinei com o Irmão Feng que você não vai trabalhar naquela noite.”
“Vemos na hora”, He Yu respondeu com indolência, “hoje ainda tenho que ir. Mestre Yuan, dá uma olhada: meu rosto parece que vai sofrer uma morte súbita?”
“Deixa eu ver”, Yuan Li segurou o rosto dele e examinou-o de todos os ângulos, “Tsc, tsc. Pelo que calculei, você comeu miojo por um mês e virou noites. Se ficar acordado hoje de novo, com certeza vai levar um raio na cabeça! Vai ficar careca para sempre!!!”
“Puta merda! É tão grave?” He Yu cobriu a cabeça em desespero fingido, “Mestre, há solução?”
“Na verdade, há,” Yuan Li coçou o queixo, “é preciso o corpo de um menino virgem e de uma menina virgem…”
“Então estou perdido, Mestre,” He Yu empalideceu dramaticamente, “já decidi que vou passar a vida sozinho.”
“Hã? Não pode ser!” Yuan Li saiu do personagem, olhando com raiva, “Você ainda não esqueceu aquele homem nojento?!”
“Hã???” He Yu fez cara de interrogação, “Eu só preciso de um tempinho.”
“Já faz um ano”, Yuan Li revirou os olhos, “Você nem sabe como ele é, só sabe que ele é fera no jogo e te carregou até o ranking King. O que tem de tão incrível nisso!”
“Só acho que a gente se dá bem.” He Yu fez expressão séria.
“Acho que você é teimoso.” Yuan Li não se comoveu.
Da Escola de Tongyan até o bairro Xingfu não levava cinco minutos; o caminho era cheio de barracas de rua e He Yu comprou um jianbing: “Mestre, coloque duas salsichas e dois ovos!”
“Que generoso”, disse Yuan Li, “não ia comprar um teclado?”
“Não, não, não”, He Yu sorriu maliciosamente, “o camarada Chu Yi me mandou o adiantamento esta manhã.”
“Caramba”, disse Yuan Li, com inveja, “também queria um patrocinador.”
He Yu morava no Condomínio Felicidade e Yuan Li no Prosperidade, logo atrás. Na hora da despedida, Yuan Li lembrou: “Avisa o Irmão Feng logo, para não ficar na correria na troca de turno.”
“Tá”, disse He Yu, “vemos depois.”
“Você nunca perde esse jeito preguiçoso”, Yuan Li teve vontade de lhe dar um tapa, “não se planeja para nada.”
“Que preguiça”, He Yu deu uma mordida no jianbing ao ar livre, sentindo a brisa, “vou indo.”
“Tchau.”
“Tchau~” He Yu acenou caminhando de costas, rindo sem preocupações.
Ele passou a noite fora, a casa estava uma bagunça e ele não teve tempo de arrumar nada. Ferveu uma panela de água e tomou um banho rápido. Depois do banho, pulou pelo chão gelado até o quarto, enterrando-se no lençol térmico.
Se não consertarem o aquecimento, o verão vai chegar primeiro… He Yu reclamou mentalmente. No WeChat, Feng Cang insistia:
Irmão Feng: Já se arrumou? Não vá dormir de novo.
Irmão Feng: Já saiu de casa? Não precisa comer, preparei tudo aqui.
Irmão Feng: Venha logo.
He Yu respondeu “já vou” e se cobriu até o nariz. Só mais cinco minutos…
Uma hora depois, He Yu deu um pulo da cama, atendendo o telefone enquanto abria o armário: “Ei, Irmão, eu ia dizer que…”
“Não diga nada! Eu sei que você dormiu! Venha logo!” Feng Cang olhou o relógio, grato por conhecer o jeito do moleque e ter ligado cedo.
“Já estou indo, já estou indo.” He Yu desligou, pegou um casaco fino, vestiu a calça de moletom e correu para o banheiro. Lavou o rosto e puxou a franja para trás, deixando a testa à mostra. Seu rosto não era fofo como o dos Omegas comuns; era angulado, com nariz arrebitado e um sorriso bonito, meio provocante.
Na escola, ele era um Omega fraco e invisível; agora, com a franja para trás, lentes de contato, postura ereta e o sorriso revelando os caninos, alguém poderia até acreditar que ele fosse um Alfa. Mas ele tinha apenas 1,75 m… Mesmo com essa pose, ele não passava por um Alfa.
Ao sair, colocou um boné e uma máscara, vestindo-se todo de preto para sua “corrida mortal”.
OTE era o maior bar de Tongyan. No sul da cidade, ao contrário do norte desolado, tudo era luxo e diversão. De ônibus, levava mais de uma hora; de táxi, quarenta minutos. O cochilo que ele tirou foi realmente… corajoso. He Yu era um homem de fibra.
Chegou às sete em ponto. Cumprimentou o segurança na porta: “Liu’er, chegou cedo.”
“Não brinca, meu Irmão”, disse o segurança Alfa, com tom de brincadeira e respeito. “O Irmão Feng está furioso, vai lá se entregar.”
“Já vou.” He Yu atravessou a recepção quase vazia e entrou na área dos fundos, onde o pessoal fumava.
“Irmão Yu!” “O Irmão Yu chegou.” “Bom dia, Irmão Yu.”
“Bom dia uma ova!” Feng Cang entregou-lhe uma pilha de papéis. “Uma ‘Colher de Ouro’ veio se divertir, toma cuidado para ela não se sujar.”
“Essa gente de berço de ouro vem aqui e nem tem medo de ser levada”, He Yu revirou os olhos, “vou ficar de olho, o que poderia acontecer?”
“Hum”, Feng Cang fez careta, “Você está ficando cada vez mais convencido.”
“Não comece”, He Yu riu, começando a brincar, “não tínhamos combinado que eu te chamaria de Irmão e você me chamaria de…”
Feng Cang lançou um olhar mortal e He Yu, sabendo quando parar, engoliu a palavra “Pai”.
He Yu foi trocar de roupa. O uniforme preto de corte impecável fazia seus 1,75 m parecerem 1,80 m. No relatório, dizia que a cliente era filha de um empresário, recém-transformada em O, rebelde e fugindo da família.
O OTE, para ser gentil, era um bar; na verdade, era um palco para a devassidão. Muitos vinham para beber, mas a maioria buscava emoções perigosas. Havia de tudo. Herdeiros mimados que usavam o poder da família para escapar; muitos acabavam drogados ou pior, e ninguém era punido.
O trabalho dele era ficar perto desses “filhos de papai”, mantendo distância, mas sempre vigilante para impedir que esses Omegas sem noção se metessem em encrenca.
Com um punhal e um bastão elétrico escondidos no uniforme, He Yu empurrou a porta e foi para a área indicada. Como funcionários, não recebiam nomes, apenas sabiam que eram VIPs.
A pessoa tinha acabado de chegar. Vista de costas, era uma Omega pequena com duas tranças, quase sumindo no sofá da cabine.
Duas tranças… Que loucura! Vir aqui assim.
He Yu já imaginava o trabalho que teria naquela noite.
Capítulo 6
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Perdi meu disfarce na frente do colírio da escola
【Completo + Extras】
He Yu sofre de Desordem de Feromônios Ômega.
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