Capítulo 55
Capítulo 55
“Está decidido.” Li Jinhang levantou-se, olhando para os dois.
Chu Yi soltou um bufo, sem sequer lhes lançar um olhar: “Se não têm medo de morrer, venham.”
Li Jinhang estremeceu, hesitou por um bom tempo e, com o pescoço erguido, fez uma última resistência: “Estou fazendo isso pela segurança de vocês dois! Vocês são uns ingratos, é?”
“Estamos bem seguros,” Chu Yi olhou para ele, frio e impiedoso. “Pode cair fora, não precisa se despedir.”
Li Jinhang: “……”
Li Jinhang: “Tchau! Tchau!”
He Yu ria tanto que chegava a esmurrar a mesa; Hang’er ficava cada vez mais corajoso quanto mais era rejeitado.
Assim que o sinal tocou, o Velho Yang entrou com sua garrafa térmica, todo sorridente.
“Alunos, houve um aviso que não foi transmitido a todos no intervalo. Vou aproveitar o tempo de aula para falar agora.”
“A escola marcou provisoriamente o exame mensal para este domingo e segunda-feira. Preparem-se. Vocês já estão no segundo ano, são alunos experientes que já passaram por inúmeras provas. Não fiquem nervosos, façam o seu melhor. Caneta preta, borracha…”
Ninguém na sala deu atenção ao conselho sobre nervosismo; estavam todos deprimidos, reclamando em voz alta.
“Vai ocupar o fim de semana de novo.”
“Pqp, eu queria jogar bola.”
“Essa escola não vive sem prova no fim de semana, escola de merda.”
“Droga, nem dão um fim de semana inteiro para revisar, como vamos fazer essa prova?”
……
Pela primeira vez, He Yu sentiu vontade de concordar. Realmente, não davam nem um dia a mais para estudar… Ele acabara de prometer ao Irmão Feng que iria trabalhar, não ficava bem pedir folga de novo…
“Atenção, pessoal! Desta vez a escola reservou uma verba extra para bolsas de estudo, para incentivar um novo fôlego neste semestre! Os três primeiros colocados de cada ano ganharão uma bolsa! E o valor é muito bom!”
He Yu ergueu a cabeça. Bolsa de estudo? Que novidade. Já estava no segundo semestre do segundo ano e era a primeira vez que ouvia falar de bolsa para exame mensal naquela escolinha.
Para falar a verdade, ele só tinha algumas centenas de yuans na mão; suas economias foram todas gastas em fones de ouvido para consolar a dor do “término”. Ontem, ao perguntar ao suporte, disseram que só trocavam, não devolviam; se quisesse deixar avaliação negativa, que deixasse. Abusados demais.
Ele já estava namorando o Chu Yi, mas ainda não tinha dado um presente decente para ele. Embora o Irmão Yu fosse meio bruto, ele sabia da importância de pequenos gestos românticos e surpresas.
Mas… He Yu olhou para o saldo miserável e sentiu a cabeça doer de preocupação. Pedir o salário do contrato anterior ao namorado para comprar um presente para ele… a lei da conservação de energia não funcionava assim, ele não podia passar por essa vergonha. Dava para pedir emprestado, mas pedir emprestado para comprar presente de namorado… soava mal demais.
“O primeiro lugar ganhará cinco mil! O segundo, três mil! O terceiro, mil!” O Velho Yang gesticulava com entusiasmo. “Alunos, a oportunidade é única! Em todos os meus anos aqui, é a primeira vez que a escola oferece um incentivo tão grande em um mensal! Vamos aproveitar e lutar para ficar entre os três primeiros!”
O sorriso de He Yu foi se abrindo aos poucos. Aproveitar? Com certeza ele ia aproveitar. He Yu, o verdadeiro favorito de Deus, olha só para essa sorte, era a chance perfeita.
“Irmão,” ele cutucou Chu Yi, com ar provocador, “e aí, topa uma batalha entre homens comigo?”
“Você está sem dinheiro?” Chu Yi lançou-lhe um olhar certeiro. “Se for por isso, eu nem faço a prova.”
“Ei, camarada, isso é desprezo puro,” He Yu cobriu o caderno de exercícios que ele estava preenchendo, inclinando a cabeça em desafio. “Responda normalmente. Vou te mostrar minha verdadeira força e te deixar de queixo caído.”
“Melhor não,” disse Chu Yi, “tenho medo de ficar abobalhado com a sua ‘verdadeira força’.”
“Nada disso, você tem que responder sério,” insistiu He Yu. “Se você não der o seu melhor, eu vou me sentir mal, vai ser uma vitória sem honra.”
“Não,” disse Chu Yi, “eu não consigo fazer isso com você.”
“Nada disso,” He Yu retrucou, “eu sou melhor que você.”
“Não—”
“Então, Chu Yi e He Yu têm confiança para conquistar os primeiros lugares?” O Velho Yang perguntou de repente, sorrindo.
Mais de cinquenta cabeças se viraram ao mesmo tempo, um efeito visual digno de filme de terror. He Yu retirou, envergonhado, a mão que tampava o caderno de Chu Yi, tossiu e decidiu deixar a palavra com o primeiro da turma.
O primeiro da turma, que normalmente não se dava ao trabalho de falar com ninguém, apenas levantou os olhos e soltou uma frase curta e arrogante: “O primeiro lugar.”
“O aluno Chu Yi decidiu buscar o primeiro lugar!” O Velho Yang se empolgou na hora, com os olhos brilhando. “O aluno He Yu quer buscar o segundo?!”
Pelas notas antigas, He Yu podia buscar o penúltimo, mas o estilo de ensino do Velho Yang era tão contagiante que He Yu sentiu o sangue ferver e respondeu sem pensar: “Eu também quero o primeiro.”
“O ALUNO HE YU TAMBÉM VAI TENTAR O PRIMEIRO LUGAR!!!” O Velho Yang bateu na mesa, tão emocionado que ajustou os óculos três vezes em cinco segundos. “Temos que aprender com esse espírito, alunos! Não importa as dificuldades à frente, temos que ter coragem de rompê-las! Não importa onde estamos agora, acreditem: no próximo segundo, vamos surpreender a todos! Nós…”
“Caramba,” sussurrou He Yu, “nós dois, com uma frase cada, deixamos o Velho Yang louco.”
“Foi principalmente a sua,” disse Chu Yi em voz baixa. “Eu ganho faz tempo, ele já está anestesiado.”
“Camarada, suspeito que você esteja se exibindo,” He Yu disse desconfiado. “Irmão, você não vai usar suas glórias passadas para abalar minha confiança, vai? Impossível. Posso não ter nada, mas confiança eu tenho de sobra.”
“Que medo,” disse Chu Yi, “estou tão assustado que perdi as palavras.”
He Yu torceu o canto da boca: “… Você está falando muito bem para quem perdeu as palavras.”
“De. tanto. medo. que. eu. perdi. as. palavras.” Chu Yi olhou para ele, pausando em cada sílaba.
“……” Seu irmão, quando queria brincar, era mais divertido que ele. He Yu abriu a folha de exercícios e pegou a caneta, entrando no clima: “Jovem mestre, cuidado, eu vou começar.”
“Que me—” disse Chu Yi, “do.”
“Lindo, por favor, se comporte.” He Yu enfiou a mão debaixo da mesa e deu um apertão na coxa dele. Nossa, que firme.
“Certo, o mapa de assentos e as salas de prova estarão com o representante no gabinete após a aula. Vamos começar. Na última aula, paramos em…”
No segundo seguinte, Chu Yi segurou a mão de He Yu sem hesitar. He Yu colocou a sua por cima e apertou. Chu Yi puxou a mão e segurou a dele de novo, firme. He Yu não hesitou e colocou a sua por cima mais uma vez. Chu Yi, como uma criança, voltou a cobrir a mão dele. He Yu entendeu. A “pata do gato” tinha que ficar por cima.
Ele parou de lutar, aproximou-se e sussurrou: “Irmão, não dá. Você está segurando minha mão esquerda. Você não consegue escrever, mas eu ainda posso continuar resolvendo as questões.”
“Eu só preciso observar,” disse Chu Yi.
“Que foda,” He Yu olhou para ele.
“Aprendi com o meu namorado: se dá para não usar a caneta, eu não uso.” Chu Yi também o olhou.
He Yu ia responder quando uma bolinha de papel voou em sua direção, atingindo a mesa como uma arma secreta. Chu Yi pegou e abriu. Uma letra garranchosa saltou aos olhos:
【Vocês dois, parem com isso! O Velho Yang não para de olhar para trás, o pai aqui quer dormir e não consegue!】
He Yu refletiu imediatamente. Era a primeira vez namorando, e ainda por cima com alguém de quem gostava muito; talvez estivesse animado demais. Seu irmão provavelmente pensava o mesmo, também estava radiante. He Yu pensou e decidiu que a culpa não era deles; qualquer um no primeiro namoro não ficaria assim tão exibido? Ele tinha que se exibir.
Chu Yi foi mais direto. Com traços firmes e elegantes, sua letra fez o garrancho de Li Jinhang parecer arte abstrata:
【Se estiver carente, procure o Taozi. Não venha aqui implorar por dog food.】
Quando a bolinha voou de volta, He Yu fez um sinal de positivo para ele. Caramba, que frase potente.
Como esperado, Li Jinhang deu apenas uma olhada, amassou a bolinha e ia jogá-la fora. Xin Tao olhou perguntando o que era, ele se recusou a mostrar, mas no fim não se sabe o que Xin Tao sussurrou para convencê-lo. Li Jinhang entregou o papel, com o rosto corado e uma expressão de “estou fazendo isso contra a minha vontade”.
He Yu observava tudo. A única diferença daquilo para um namoro era que eles ainda não tinham admitido. Taozi era foda, conseguia transformar a vida de solteiro do Hang’er em uma vida de casal. Não admira que não tivesse pressa para confessar; o bobão já estava no bolso dele e nem sabia. Cedo ou tarde, seria do Taozi.
Ele se perguntava se para esses jovens mestres de famílias ricas seria difícil ser homossexual, como no caso de Yan Xueyuan… mas não dava para ser tão pessimista. Pais como Yan Pu e Jiang Yiyun eram tipos raros e bizarros.
……
Quando se presta atenção na aula e se esforça nos deveres, o dia passa voando. He Yu guardava o material na mochila enquanto suspirava: “Irmão, me ajuda a resumir as notas de química? Vou tentar voltar cedo hoje para dar uma olhada.”
“Não vou resumir,” Chu Yi pegou a mochila dele e colocou no ombro. “Não presto serviços para competidores.”
“Hein?” He Yu travou por dois segundos e riu, dando uma ombrada nele. “O que é isso, camarada? Eu estou ganhando… dinheiro para sustentar a casa. Você, como meu namorado oficial, tem que contribuir um pouco com a casa e comigo.”
“Você não tinha pegado uma semana de folga?” Chu Yi olhou para ele, franzindo o cenho. “O que vai fazer lá hoje? Demonstrar seu amor pelo trabalho? Se eu não te der uma medalha de honra ao mérito, vou estar sendo injusto com você.”
“Ah, não precisa de medalha. É que agora que o período de sensibilidade passou, não sinto mais dor em lugar nenhum, ficar em casa sem fazer nada é chato,” disse He Yu. “Falei com o Irmão Feng que iria hoje. Já tive tantos dias de folga, este mês vou acabar sendo sustentado por você.”
“O terceiro ano está chegando. Por quanto tempo mais você pretende se desgastar desse jeito?” Chu Yi fez a pergunta que queria fazer há muito tempo.
He Yu inspirou fundo. Chu Yi sempre ia direto ao ponto. Ele não queria pedir demissão, ao menos não agora, para não perder sua única fonte de renda. Se fizesse isso, a disparidade entre ele e Chu Yi seria grande demais. Por um momento… ele não conseguia aceitar isso.
Ele deu um risinho, tentando desconversar: “No terceiro ano a gente vê, agora nem estou tão ocupado.”
“E se eu disser que não quero que você se desgaste tanto?” Chu Yi não deu escapatória.
A sala já estava vazia. Os outros três já tinham ido embora. Provavelmente eram os únicos no andar inteiro, enrolando para terminar de guardar tudo. O silêncio se instalou. He Yu abriu a boca, mas não saíram palavras.
Ele entendia o sentimento de Chu Yi. Se Chu Yi se desgastasse assim todo dia, He Yu também ficaria preocupado e não ia querer que ele continuasse. Por outro lado, ele também deveria considerar o lado de Chu Yi…
“Irmão, vou avisar o Irmão Feng que não vou hoje.” He Yu pegou o celular para mandar a mensagem.
Chu Yi segurou a mão dele, direto: “Eu quero que você não vá mais, ao menos enquanto estiver na escola.”
He Yu estagnou. Isso… não estava nos seus planos. Ele disse rápido: “… Irmão, eu tenho um contrato assinado. Se eu sair assim, além da multa, fica feio para mim.”
“He Yu, o que você precisa entender agora não é sobre ficar feio,” Chu Yi o encarou. “Quanto tempo mais seu corpo aguenta? Sou eu que fico com tanto sono durante o dia que mal consigo abrir os olhos na aula? Sou eu que sinto dor de estômago e de cabeça por virar noites? Sou eu que tomo vários cafés por noite? O que o médico disse no último exame foi para mim?”
As perguntas deixaram He Yu sem palavras. Ele baixou a cabeça, sem saber o que dizer.
“Você só tem dois caminhos,” disse Chu Yi. “Ou abandona a escola hoje e foca só no trabalho, dormindo de dia e trabalhando à noite. Ou pede demissão, foca nos estudos e dorme bem à noite.”
“Irmão, eu…” He Yu cerrou os dentes. “Eu faço isso há tanto tempo. Eu entendo sua preocupação, mas eu…” Ele parou, sem saber como continuar.
“Você não aceita a ideia de não ter renda e ser sustentado por mim.” Chu Yi completou a frase, lendo-o como um livro aberto.
He Yu inspirou fundo e, sem olhá-lo, assentiu constrangido. Não era por não confiar em Chu Yi ou por não considerá-lo íntimo; era apenas o hábito. Por muitos anos ele dependeu apenas de si mesmo. Nunca fora sustentado por ninguém. Ele não aceitava, de repente, tornar-se um “inútil”.
Mas Chu Yi riu subitamente, olhando para ele com calma: “Quem disse que vou te sustentar? Vamos assinar uma nota promissória. ‘Chu Yi, em tal data, empresta para He Yu tal quantia sem juros. He Yu deverá pagar em até cinquenta anos. Durante o empréstimo, não haverá cobranças. He Yu deve focar nos estudos, comer bem e dormir no horário certo…'”
“… Hã?” He Yu ficou em choque com a palavra nota promissória, nem percebendo o absurdo dos “cinquenta anos”. “Irmão, você… vai me… emprestar dinheiro?”
“Essa sua pergunta significa que quer pagar com o corpo?” Chu Yi pensou um pouco. “Não é má ideia, vou pensar na taxa de câmbio.”
“… ?!” He Yu levou cinco segundos para entender o que era a “taxa de câmbio”. O rosto ficou vermelho na hora. “Não faz isso, senhor, como consegue soltar uma dessas do nada?”
Nota do Autor:
O autor dá um suspiro de alívio: Da Yu finalmente não vai mais precisar virar noites trabalhando. Ter namorado é bom demais.
Capítulo 55
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Perdi meu disfarce na frente do colírio da escola
【Completo + Extras】
He Yu sofre de Desordem de Feromônios Ômega.
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