Capítulo 59
Capítulo 59
Um mês depois, a porta de casa finalmente foi aberta. He Yu farejou o ar; não havia cheiro de poeira. Talvez fosse porque ele era bruto demais para notar.
“Achei que estaria tudo coberto de terra.” Ele entrou de mãos vazias.
“Uma tempestade de areia?” Chu Yi entrou logo atrás, carregando sacolas com mantimentos e legumes. He Yu fechou a porta; sua mão direita não era mais uma bola de curativos, mas ainda estava envolta em uma gaze fina e não podia ser movida bruscamente.
Os dois ficaram internados por um mês. A velocidade de recuperação de Chu Yi foi surreal, em uma semana ele já estava quase novo; He Yu, sendo mais frágil, precisou do mês inteiro. Chu Yi não o deixou receber alta antes; caso contrário, He Yu teria voltado para casa em quatro ou cinco dias. Não por falta de cuidado próprio, mas principalmente por ser pobre. Desta vez, as despesas de hospitalização e cirurgia foram todas pagas pelo namorado; por um momento, ele sentiu como se estivesse sendo sustentado.
É tão bom viver às custas de alguém.
“Minha casa!!!” He Yu abraçou o ar do ambiente de forma exagerada e deu uns tapinhas nas folhas da jiboia, sentindo-se finalmente em paz. “Nunca mais volto a um hospital na vida. Aquele cheiro de desinfetante me dá vontade de vomitar só de lembrar.”
“Então vamos ter os filhos em casa no futuro?” Chu Yi foi para a cozinha guardar as compras, com a voz descontraída. “Não é muito seguro, hein.”
“Hã? Ter o quê?” He Yu foi ajudá-lo a tirar os legumes das sacolas, mas parou no meio do caminho ao processar a frase. Pqp, o que mais seria, ter filhos… porra, nem tinha pensado nisso. Quase esqueci que sou um Ômega e que posso engravidar. “… Esse tomate está ótimo! Bem vermelhinho!”
“Se não quiser ter, não teremos,” Chu Yi pegou dois tomates e abriu a torneira, deixando a água correr um pouco antes de começar a lavar. “Eu não tenho essa necessidade.”
He Yu, por algum motivo, sentiu um alívio.
“Só tenho necessidade de fazer,” completou Chu Yi.
He Yu: “……”
He Yu colocou as mãos na cintura com um sorriso amarelo: “… Nossa, o céu está tão azul hoje!”
“Mas o tempo está nublado—” Chu Yi ia dizendo.
“Olha só, tomates com açúcar! Que delícia!” He Yu deu um tapinha no ombro dele e, rindo forçadamente, deu meia-volta e saiu caminhando todo desengonçado.
A cozinha mergulhou no silêncio por um momento, seguido por uma risada baixa e vitoriosa de Chu Yi.
He Yu voltou para o quarto decidido a trocar os lençóis e a colcha. Durante o mês de internação, uma diarista manteve a limpeza; se fosse apenas ele, teria apenas largado as malas e se deitado de qualquer jeito. Mas, como Chu Yi estava morando ali, tudo precisava estar impecável.
Sua mão direita já se movia e conseguia segurar objetos. Desde que não batesse em nada, não doía, mas não podia usá-la por muito tempo — como para fazer lição de casa, por exemplo. No hospital, quando os professores iam dar aulas de reforço, ele tinha que apenas observar e fazer os cálculos mentalmente.
Claro que trocar um jogo de cama ele conseguia. Cantarolando, ele trocou tudo por um conjunto de cores vibrantes: fundo branco com estampas de morangos enormes, com uma cara bem de verão. Assim que terminou, jogou-se na cama. Ah, não quero mais levantar.
Nenhuma cama de hospital chegava aos pés do conforto de casa; sentia que não dormia bem há um mês. Ele se enfiou debaixo do travesseiro e as palavras de Chu Yi começaram a ecoar em 3D em sua mente.
“Só tenho necessidade de fazer”, “Só tenho necessidade de fazer”, “Só tenho necessidade de fazer”…
Sem Chu Yi por perto, ele não precisava manter a compostura, então murmurou baixinho: “Eu também”, “Eu também”, “Eu também”…
Ah…
Ele precisava encarar esse assunto de frente. Virou-se de lado e ficou encarando o teto, refletindo. Ele não era do tipo que se preocupava excessivamente com a dignidade, nem tinha a timidez delicada de outros Ômegas; se o Irmão Yu fosse fazer algo, teria que ser em grande estilo, e a vergonha não atrapalharia seu desempenho.
Após tomar a decisão sem dificuldades, sua mente começou a divagar mais rápido que Chu Yi resolvendo questões de matemática. Em dois ou três minutos, já tinha planejado tudo: em qual loja comprar os itens necessários, a quantidade, o que fazer ao chegar em casa e até os cuidados pós-ato.
“Caramba, eu sou mesmo um safado.” O Irmão Yu esfregou o rosto com certo drama; como usou força demais, a mão e o rosto doeram.
Dói… com certeza vai doer… meu Irmão é foda demais naquela parte…
Ah, não posso pensar nisso, que calor da porra.
O He “Safado” Yu levou uns dez minutos para se acalmar e esfriar o corpo. Ajustou a calça de moletom e saiu do quarto tentando parecer apresentável. Chu Yi estava cozinhando, e o cheiro familiar da comida o fez relaxar; tudo parecia estar no lugar certo.
“Irmão,” ele tossiu, tentando puxar assunto, “então, Irmão, a gente vai para a escola amanhã?”
Originalmente, hoje deveria ter sido um dia de festa com fogos e uma multidão buscando-os no hospital, mas por coincidência calhou de ser o dia do segundo exame mensal. Os Alfas podiam faltar às aulas, mas não às provas; até Yuan Li estava na escola hoje. Afinal, como herdeiros de grandes famílias, o desempenho acadêmico era levado a sério.
“Se quiser ir, nós vamos,” disse Chu Yi.
“Vamos sim. Ficar só em aula de reforço está afetando meu ritmo,” disse He Yu. Seus olhos não se comportavam e percorriam as costas do irmão: os ombros, o pescoço, a lombar, os glúteos, as pernas… a vontade era tanta que seus olhos chegavam a arder.
Ferrou. A frase que o irmão dissera antes era 99% de certeza de ter sido proposital, e agora ele estava preso em um redemoinho de desejos.
“Então vamos. O Velho Yang já ligou mesmo,” disse Chu Yi. “Se não aparecermos, ele vai ter um troço de tanta preocupação.”
“O Velho Yang é o maior responsável por manter nosso primeiro lugar,” He Yu concordou vagamente, com os olhos grudados nele. “Irmão, a gente perdeu esse mensal agora. Nosso próximo duelo só vai ser no final do semestre.”
“Está com tanta pressa assim?” Chu Yi virou-se para olhá-lo, com um meio sorriso que parecia ler sua alma.
“… Não,” He Yu sentiu o rosto queimar, desviou o olhar e fixou-o no próprio nariz. “É que eu acho que a gente deveria estudar… não, é que eu quero ir para a escola… também não é isso… é que eu… ele apenas… porra!”
He Yu deu meia-volta para sair, mas desistiu de fingir e soltou de uma vez: “Eu só quero um prêmio! Você vai me dar ou não?!”
“Dou,” a voz de Chu Yi transbordava diversão. “Dou o que você quiser.”
“Então está combinado!” He Yu parou bruscamente, virou-se e apontou para as costas dele. “Quem ficar em primeiro lugar pode fazer um pedido, e o outro tem que aceitar sem condições. Topa?”
“Qualquer pedido?” perguntou Chu Yi.
“Qualquer um.” He Yu estava decidido. Se era para jogar, que fosse em alto nível. Ele já se imaginava ganhando e mandando e desmandando; se Chu Yi não estivesse bem na sua frente, ele teria dado uma gargalhada vitoriosa.
“Que estimulante,” Chu Yi desligou o fogo e virou-se para ele. Após um momento, deu um sorriso enigmático. “Então, antes disso, vamos fazer uma aposta que pode ser decidida ainda hoje à noite.”
“Apostar o quê?” He Yu perguntou com uma inocência fingida. Ele jamais venceria o irmão em uma corrida de malícia.
“Apostamos em quem é mais alto. Quem perder, a partir de agora, não pode se mexer,” disse Chu Yi enquanto se aproximava. Ele o abraçou, derrubando-o no sofá, e começou a morder levemente seu pescoço, fazendo dengo: “Pode ser? Hum?”
A palavra “pode” ficou entalada na garganta de He Yu, que fez um esforço hercúleo para não soltá-la.
“Caro camarada, se essa sua aposta tivesse o mínimo de justiça, eu até aceitaria.” He Yu bagunçou o cabelo dele. Ah, que textura boa.
“Ah, que pena,” Chu Yi apoiou-se nos braços para levantar um pouco e, como quem brinca com um gato, passou o dedo na ponta do nariz de He Yu, expondo-o: “Você não está com vontade?”
“Eu não—” He Yu foi interrompido antes de terminar a segunda palavra.
“Seus olhos estão fixos. Está olhando para onde? Hum?” Chu Yi sorria enquanto o encarava, com os cílios levemente baixos, sem conseguir esconder o divertimento. “Me diz, o que você estava olhando agora pouco que te deixou tão vermelho? Fala logo. Se falar, eu tiro a roupa para você olhar com calma.”
O silêncio durou alguns segundos antes de o clima explodir, deixando o rosto de He Yu vermelho como se tivesse sido cozido.
“Certo,” Chu Yi puxou a gola da camiseta branca, revelando a pinta na clavícula. “Então vamos tirar juntos. Também quero ver se consigo ficar hipnotizado olhando para você. Ser o único observado não tem graça.”
O “pare com isso” que He Yu ia dizer sumiu instantaneamente. Tira, tira logo, não deixa nada…
Quando Chu Yi levantou os braços e tirou a camiseta em um segundo, He Yu nem teve tempo de reagir. Viu aquela massa de músculos brancos como leite e ficou tão deslumbrado que nem sabia para onde olhar primeiro… Para ser sincero, em todo esse tempo de namoro, ele ainda não tinha apreciado o corpo nu do irmão com calma… Que desperdício…
O rosto de Chu Yi não era do tipo bruto, mas sim de uma beleza refinada e marcante. Quando sereno, parecia a estátua de um deus antigo; quando ousado, parecia um jovem rebelde abençoado pelos deuses. E esse rapaz tão elegante, ao tirar a roupa, mostrava que tinha tudo no lugar; as fibras musculares se moviam em sintonia com cada gesto, uma explosão de força e estética.
He Yu, sem compostura, cobriu o nariz. Que calor do cacete. Dizem que é difícil manter o corpo quando se é baixo, mas ser muito alto também exige esforço. Se emagrece, parece um cabo de vassoura; se engorda, parece uma parede. Mas Chu Yi… ele parecia esculpido em mármore.
He Yu, sentindo-se pequeno e vulnerável, mas totalmente safado, cobriu os olhos com o braço e bateu a cabeça no sofá em sinal de derrota: “Ah… eu não aguento…”
“Já desistiu?” Chu Yi arqueou a sobrancelha e afastou a mão que cobria os olhos dele. No segundo seguinte, colocou a mão na barra da camiseta de He Yu, pronto para levantá-la. “Eu nem comecei ainda.”
“Eu não desisti!” He Yu segurou a barra da própria roupa, esquecendo a dignidade masculina para protegê-la. “Caro camarada, a gente… a gente não pode… a gente tem que—” se preparar.
“Não vai deixar?” Chu Yi estreitou os olhos.
“……” Como diabos eu respondo a isso!
“Vai deixar ou não?” Chu Yi colocou a mão no cós da calça de moletom cinza igual à dele, enganchou o elástico com o polegar e puxou levemente para baixo. “Vou contar até três.”
“Eu deixo! Eu deixo! Tá satisfeito?!” He Yu perdeu o juízo de vez. A borda da cueca que Chu Yi deixou à mostra fez sua cabeça e seu nariz esquentarem. Ele tentou desviar o olhar, mas acabou focando no peito nu do outro — impacto visual nível 2.0.
He “Bêbado” Yu estava totalmente embriagado de desejo, o pomo de adão subindo e descendo freneticamente. Com um homem daqueles na frente, ele perdeu a razão. Por que esse homem é tão sexy? Nós dois temos dezoito anos, por que os meus dezoito não são assim!
Quando Chu Yi se inclinou sobre ele, He Yu só tinha um pensamento: que se dane a preparação, qualquer coisa eu tomo um remédio depois, um safado não sabe esperar! Que venha a tempestade!
“Ding-dong— ding-dong—”
He Yu: “… Quem é?”
Chu Yi: “… Porra.”
“Abram a porta! O pai de vocês veio visitar! Abram! Não aguento mais carregar essas sacolas!”
He Yu olhou para o volume evidente em sua calça de moletom, com o rosto em brasas, entre a vergonha e a frustração: “… Irmão, agora… não é um bom momento…”
Chu Yi também olhou para baixo, viu o estado dos dois e franziu o cenho. Simplesmente se deitou por cima dele, resmungando: “Para mim também não.”
A voz transbordava irritação e um forte desejo insatisfeito. Chu Yi “Manhoso” ressurgia após anos. He Yu o abraçou como se fosse um tesouro, enquanto as batidas na porta continuavam junto com os gritos de Li Jinhang.
“O que vocês estão fazendo?! Abram logo! Estou morrendo de cansaço!”
He Yu suspirou fundo. Ficar abraçado assim por cem anos não ia resolver o problema lá de baixo! Droga!
Nota do Autor:
O autor sorri radiante: Oh ho~ (Quando faço os dois namorarem, sou o “Kongkong”, quando os machuco, sou o “Irmão Pássaro”. Vocês são bem seletivos, hein!)
[Uma pequena enquete: alguém quer ler histórias extras de Hang’er e Xin Tao, ou de Haoyan e Yuan Li? As extras de Da Yu e Chu Yi já estão garantidas.]
Capítulo 59
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Perdi meu disfarce na frente do colírio da escola
【Completo + Extras】
He Yu sofre de Desordem de Feromônios Ômega.
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