Perdi meu disfarce na frente do colírio da escola

Capítulo 63

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Capítulo 63 

Uma vez que a vida volta aos eixos, o tempo torna-se, sem que se perceba, astuto, escapando por entre os dedos num piscar de olhos. 

Com o fim do semestre se aproximando, o clima na turma finalmente começou a dar aquela sensação de “todo mundo ficando ansioso junto”. Alguns realmente ansiosos, outros fingindo estar, como se o simples fato de fingir significasse que se esforçaram de verdade e que o exame final lhes daria um bom resultado de presente. 

Chu Yi não era do tipo que deixava tudo para a última hora; ele não precisava de pressa. Deitado preguiçosamente sobre a mesa, seu olhar percorria de vez em quando o perfil do namorado e colega de mesa. 

A luz do sol e a brisa chegavam juntas, e o rosto do namorado era expressivo e luminoso, cada detalhe dele atingindo-lhe diretamente o coração. He Yu sempre dizia que ele era bonito e frequentemente ficava hipnotizado olhando para ele, mas Chu Yi achava que He Yu era ainda mais bonito. 

Como ele pode ser tão fofo e bonito? 

Chu Yi mergulhou no turbilhão de “o que fazer quando o namorado é bonito demais”, imóvel, sem a menor vontade de lutar contra isso. 

Já havia passado um mês desde a revelação da identidade secreta no jogo, e a reação de He Yu foi maior do que Chu Yi imaginava — ou melhor, foi mais duradoura. He Yu, que sempre mimara e bajulara Chu Yi, de repente se empertigou, assumindo uma posição de classe dominante, revirando contas antigas todo santo dia com ar de deboche e recusando com arrogância as aproximações de Chu Yi. 

O carro com que Chu Yi tanto sonhava ainda não tinha saído para a estrada, mesmo após um mês. Principalmente porque o instrutor He não emitia a carteira de habilitação. 

O vento de julho, quente e seco, misturado a uma sensação pegajosa, passava pelo canto dos olhos e sobrancelhas sem trazer um pingo de frescor; pelo contrário, deixava o corpo quente, misturando-se com a ansiedade do final do semestre, deixando-o tão irritado que não conseguia se concentrar nos estudos. 

He Yu não tinha esse problema. A ponta de sua caneta deslizava rapidamente, os olhos fixos no quadro, a mão sem parar; cada letra parecia ter sido encantada, mantendo-se firme na mesma linha horizontal. 

O ar rente à pele fora substituído pelos feromônios do Alfa, que exalavam um frescor suave e duradouro. Ele desviou o olhar ligeiramente; Chu Yi também estava olhando para ele. No instante em que seus olhares se cruzaram, He Yu o desviou rapidamente, com uma expressão de “eu não estava olhando para você, você está tendo alucinações”. 

A pessoa ao lado riu, fingindo indiferença, e continuou a observá-lo. He Yu passou o dedo indicador pela mesa sem perceber, sentindo-se radiante por dentro. 

Na verdade, ele já não estava zangado há muito tempo; a juventude, os sentimentos, o que ele investira, tudo já fora compensado. Agora, essa pessoa era toda dele, de cima a baixo; o que mais ele teria para não estar contente? 

Ele só queria ser um pouco dramático. 

Lembrando-se de como, no começo, era sempre ele quem acalmava Chu Yi, aguentando, cedendo e recuando. Aquela época… podia-se considerar, com esforço, a fase de conquista. Embora Chu Yi também fosse bom para ele, He Yu sentia que a iniciativa estava sempre com o outro, enquanto ele era passivo como uma codorna, esperando o outro pegá-lo pelo pescoço e enfiá-lo no bolso. 

Nunca ter sido mimado por Chu Yi com tanta insistência — essa era a obsessão de He Yu. 

Ele nem era tão obstinado assim, mas já que Chu Yi deu a oportunidade de bandeja com aquela “surpresa” enorme, ele aproveitou a chance para se divertir à beça. Chu Yi também colaborou bastante. De fato, a relação entre os dois era profunda e sólida. 

“A aula está quase acabando, vou dizer algumas palavras aos alunos.” O Velho Yang estava no púlpito, olhando com benevolência para a turma. “As provas finais estão chegando. Não fiquem nervosos, façam as provas com naturalidade. Desde que tenham dado o seu melhor, não se culpem. Mesmo que se saiam mal, não tenham um bom desempenho e não saibam como explicar aos pais, não entrem em pânico. Procurem o professor, eu ajudo vocês a conversarem com eles.” 

“No próximo semestre já será o terceiro ano. Vocês precisam manter o equilíbrio; é claro que precisam se dedicar, mas não ignorem a pressão psicológica. Resumindo: se tiverem algum problema, procurem o professor,” disse o Velho Yang sorrindo. “Seus pais podem bater ou xingar vocês, mas o professor não. Eu vou ajudá-los a resolver o problema com razão.” 

He Yu acreditava piamente nessas palavras vindo do Velho Yang; se fosse outro professor, ele nem prestaria atenção. No entanto… no próximo semestre já seria o terceiro ano. O tempo passava muito rápido. Logo seria a hora do vestibular. 

Ele hesitou um pouco e se inclinou para o lado, falando com Chu Yi por iniciativa própria pela primeira vez em um mês. 

“Irmão, você tem algum objetivo?” 

Chu Yi arqueou as sobrancelhas e também se aproximou: “Por quê? Você não tem?” 

“Não.” He Yu ia franzir o cenho, mas sua mão foi segurada por Chu Yi. 

“Para onde formos, será igual,” disse Chu Yi. “As notas estão aí. Não são as faculdades que nos escolhem, nós é que escolhemos as faculdades.” 

He Yu olhou para ele, e os cantos dos lábios de Chu Yi se curvaram: “Com tantas opções, não vamos conseguir achar uma para onde possamos ir juntos?” 

He Yu riu baixinho, e a insegurança em seu coração sumiu; ao apertar os dedos de Chu Yi, sentiu que tinha o mundo inteiro na palma da mão. Antes, ele nunca pensara tão longe, focando apenas em ganhar dinheiro, chegando a pensar que “nem faria faculdade”, quanto mais considerar um curso ou instituição. 

O futuro, para ele, era uma folha em branco, sem o menor interesse em escrever ou desenhar nela. Agora, a folha tinha um desenho. Não era uma faculdade, nem um curso, eram apenas duas palavras escritas por ele mesmo: Chu Yi. 

He Yu transbordava alegria, com um sorriso no rosto, enquanto a mão direita imitava o gesto de Chu Yi ao girar a caneta. E o Alfa que o fazia tão feliz aproximou-se, sussurrando ao seu ouvido: “A aposta do final do semestre ainda está de pé?” 

He Yu largou a caneta, fechou o sorriso e assumiu uma expressão séria, com uma chama de competitividade nos olhos. Virou-se e disse pausadamente: “Com certeza.” 

“Que bom,” Chu Yi sorriu. “Já pensou no que vai querer?” 

“O quê?” He Yu o encarou. “Esse seu tom parece que já tem certeza de que eu vou ganhar. Camarada, você não está tramando nada, né?” 

“Não,” disse Chu Yi, “estou apenas trocando impressões com meu adversário.” 

O adversário He Yu rebateu: “… O meu pedido é segredo.” 

Chu Yi assentiu: “Então o meu também é segredo.” 

He Yu: “……” Um pressentimento ruim. 

Para ser sincero, He Yu não tinha confiança em vencer um Alfa Super S nem jogando limpo nem jogando sujo, mas isso era estudo, a forma mais justa de competição antes de entrar na sociedade. Em sua avaliação, as chances eram de cinquenta por cento para cada um. Afinal, seu estado e ambiente de estudo anteriores eram péssimos; agora, parecia que estava estudando no paraíso, a sensação era outra. Ele estava muito confiante desta vez. 

As provas finais começaram cinco dias depois. Chu Yi saía mais cedo em todas as matérias, e He Yu fazia o mesmo. Mas ele não entregava antes para competir com Chu Yi; ele simplesmente tinha certeza de que terminara, que sabia tudo e que estava tudo correto. 

Os dois, em sintonia, não conferiram as respostas; após a prova, conversavam sobre coisas leves: o que comer em casa, para onde ir nas férias, se iriam ao cinema… Após a prova de matemática, o grupo se reuniu na porta. Assim que Li Jinhang ia dizer “A”, Chu Yi o calou com um olhar gélido. Ninguém ia conferir respostas. 

Somente após as seis matérias terem terminado é que He Yu finalmente relaxou, após passar o tempo todo com o coração na mão. Pela primeira vez, respondeu às questões com seriedade na sala de aula, em vez de rabiscar rascunhos e entregar folhas em branco. 

“Finalmente acabou,” disse Li Jinhang, caminhando na frente, massageando os braços e ombros. “Quase morri naquela sala, deviam ter me dado um sofá…” 

“Você devia ter feito a prova pelado, deitado na cama,” retrucou Chu Yi, mexendo no celular sem levantar a cabeça. 

“Não dá, iam todos ficar me olhando, e eu ainda sou um rapaz puro.” Li Jinhang sentiu o rosto queimar ao dizer isso, lançando um olhar sem jeito para Xin Tao ao seu lado. Logo, suas orelhas ficaram vermelhas. 

Xin Tao deu um sorriso discreto e se aproximou para sussurrar algo para Li Jinhang. He Yu testemunhou tudo e balançou a cabeça em desaprovação. 

Antigamente, ele achava que o Taozi não se declarava por medo de falhar, mas agora via que era puro prazer em ver o Hang’er bobo e desorientado, na fase de “coração prestes a despertar”, “sentimentos vagos” e “relação ambígua”. Quando o bobão perdesse o chão de vez e ficasse totalmente perdido, seria a hora de o Taozi fechar a rede. Nesse meio tempo, os dois aproveitavam a alegria dos olhares trocados e das provocações mútuas. 

Gênio, realmente um gênio. 

He Yu voltou a si. Por mais genial que fosse, não se comparava ao progresso dele com Chu Yi. Só que essa barra de progresso estava parada há mais de um mês… He Yu dobrou levemente os dedos, e seu coração de safado começou a agitar-se. 

 

O dia do resultado coincidiu com um sol radiante. He Yu acordou de manhã todo suado; Chu Yi, por questões físicas, não suava fácil. He Yu pegou a toalha para tomar uma ducha fria. No meio do banho, a voz de Chu Yi ressoou na porta. 

“O resultado saiu.” 

“Hã?” O coração de He Yu deu um salto; sem nem fechar a torneira, com o cabelo molhado, abriu a porta ansioso e perguntou: “Em que lugar eu fiquei? Deixa eu ver, rápido, rápido!” 

Chu Yi não se moveu, como se estivesse petrificado. Seu olhar estava sombrio, deslizando do rosto de He Yu para baixo, onde ficou fixo. He Yu travou por um instante e logo olhou para baixo também. 

“PQP!!!” 

Ele recuou bruscamente e bateu a porta. Só depois percebeu que ambos eram homens, já tinham um compromisso para a vida e não precisavam desse pudor. Mas seu rosto tinha vontade própria, ficando vermelho como um tomate. 

Tomate, tomate? Ele baixou a cabeça e, após um tempo, cobriu os olhos com a mão. Droga, quem estava sendo olhado era eu, por que fui eu quem “se animou”… 

A pessoa do lado de fora pensava algo parecido. Chu Yi sentou-se no sofá, largou o celular e encarou o teto. Foi só um olhar de dois segundos, por que eu “me animei” também? 

No momento seguinte, os dois fecharam os olhos ao mesmo tempo, pensando: Se eu resolver isso aqui, ele vai notar? Como a resposta era incerta, nenhum dos dois ousou “baixar a bandeira” manualmente em plena luz do dia. 

He Yu demorou um tempão na ducha fria até sair; depois daquela confusão, o resultado nem parecia mais importante. A beleza realmente leva ao pecado. Secando o cabelo às pressas, ele olhou sem jeito para Chu Yi, que fingia dormir no sofá. Tossiu e perguntou tentando soar natural: “Que lugar eu peguei? Saiu cedo este ano, geralmente só sai à tarde…” 

Chu Yi não disse nada. Estava encostado no sofá com o boneco de pelúcia do Psyduck — que He Yu comprara na internet — nos braços, cobrindo estrategicamente certas partes. Ele apontou para o celular na mesa, com a voz um pouco rouca: “Um verdadeiro herói deve enfrentar a realidade nua e crua.” 

He Yu não notou a posição do boneco nem o tom estranho do namorado. O coração apertou, ele sentou-se no sofá e ligou a tela do celular. O grupo da turma estava em polvorosa, cheio de reclamações: 

“Se minha mãe não me matar hoje é milagre.” 

“Meus pais viajaram, tenho uns dias de vida ainda.” 

“Socorro, o Velho Yang quer me matar.” 

“Pqp eu estudei e olha essa nota!” 

“Vou desistir, que prova maldita.” 

“Adeus mundo, estou exausto.” 

…… 

He Yu passou os olhos pelas lamentações dos colegas; a maioria envolvia os pais. É verdade, naquela idade, poucos haviam passado pelo que ele passou. Enquanto folheava os arquivos do grupo, olhou de soslaio para o lado. Seu irmão também era uma exceção. 

Deve ser um destino especial para termos nos tornado uma família… cantarolando mentalmente, seu humor se acalmou. Ele abriu a lista de classificação. Sem precisar procurar muito, o primeiro nome era mais que familiar. 

Chu Yi. 

“Já era, ostentei demais.” He Yu soltou um suspiro de derrota e se jogou nos braços de Chu Yi. Seu braço pressionou o Psyduck e, indiretamente, certa parte que estava tentando “baixar a bandeira”. 

Chu Yi hesitou: “… Talvez você devesse apenas deitar no meu peito.” 

He Yu largou o celular e se aconchegou preguiçosamente: “Já estou no seu peito, papai Rei da Selva.” 

Chu Yi inspirou fundo e não conteve o riso. Tentando ignorar a agitação lá embaixo, apertou a bochecha de He Yu: “Essa história não vai morrer nunca, né?” 

“Não vai,” He Yu olhou para cima com um olhar ameaçador. “Agora diga o seu pedido, e eu vou pensar se deixo essa história passar.” 

“Ah…” Chu Yi ponderou por um momento. 

Ter um desejo que a outra parte “tinha que aceitar sem condições” diante dele, combinado com o He Yu que tinha nos braços, era um impacto e tanto. Ele também era humano, e um Alfa Super S que reprimira seus instintos por muito tempo. Os “carros” que passavam em sua cabeça agora eram em quantidade e modelo muito superiores aos que He Yu imaginava… 

“Acho que já sei,” disse ele após um tempo. 

“Acho que eu também já sei,” seguiu He Yu. 

“Hum?” Chu Yi olhou para baixo. “O que você pensou?” 

“Será que…”, He Yu tossiu sem jeito. Mesmo que já tivessem falado disso, dizer em voz alta ainda o deixava nervoso. “… vai rolar o ‘carro’?” 

“Hã?” Chu Yi o encarou com uma expressão de total inocência, fazendo He Yu corar. “Eu estava pensando em viajar nas férias. Você queria o ‘carro’?” 

He Yu: “……” PQP, eu não acredito que caí nessa de novo!!! 

Capítulo 63
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Perdi meu disfarce na frente do colírio da escola

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【Completo + Extras】

He Yu sofre de Desordem de Feromônios Ômega.

...

Chapters

  • Historia Principal
      • Capítulo 69 [Fim da História Principal] 
      • Capítulo 68
      • Capítulo 67
      • Capítulo 66
      • Capítulo 65
      • Capítulo 64
      • Capítulo 63
      • Capítulo 62
      • Capítulo 61
      • Capítulo 60
      • Capítulo 59
      • Capítulo 58
      • Capítulo 57
      • Capítulo 56
      • Capítulo 55
      • Capítulo 54
      • Capítulo 53
      • Capítulo 52
      • Capítulo 51
      • Capítulo 50
      • Capítulo 49
      • Capítulo 48
      • Capitulo 47
      • Capítulo 46
      • Capítulo 45
      • Capítulo 44
      • Capítulo 43
      • Capítulo 42
      • Capítulo 41
      • Capítulo 40
      • Capítulo 39
      • Capítulo 38
      • Capítulo 37
      • Capítulo 36
      • Capítulo 35
      • Capítulo 34
      • Capítulo 33
      • Capítulo 32
      • Capítulo 31
      • Capítulo 30
      • Capítulo 29
      • Capítulo 28
      • Capítulo 27
      • Capítulo 26
      • Capítulo 25
      • Capítulo 24
      • Capítulo 23
      • Capítulo 22
      • Capítulo 21
      • Capítulo 20
      • Capítulo 19
      • Capítulo 18
      • Capítulo 17
      • Capítulo 16
      • Capítulo 15
      • Capítulo 14
      • Capítulo 13
      • Capítulo 12
      • Capítulo 11
      • Capítulo 10
      • Capítulo 9
      • Capítulo 8
      • Capítulo 7
      • Capítulo 6
      • Capítulo 5
      • Capítulo 4
      • Capítulo 3
      • Capítulo 2
      • Capítulo 1
  • Extra
      • Capítulo 75 Extra: A Casinha Feliz do Grande A 
      • Capítulo 74 Extra: Cheng Haoyan X Yuan Li 
      • Capítulo 73 Extra 4: Xin Tao X Li Jinhang 
      • Capítulo 72 Extra 3: Xin Tao X Li Jinhang 
      • Capítulo 71 Extra 2: Xin Tao X Li Jinhang 
      • Capítulo 70 Extra: Xin Tao X Li Jinhang 

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