Capítulo 51
Capítulo 51
“Irmão.”
“Hum.”
“Chu Yi.”
“He Yu.”
“Irmão?”
“Estou aqui.”
He Yu abraçou Chu Yi, esfregando a cabeça no ombro dele, sentindo-se como se estivesse sonhando, como se nada fosse real. Mas a temperatura e o toque de Chu Yi não eram falsos, nem as palavras que ele dizia; tudo era verdade.
Ele empurrou Chu Yi de repente, virou-se e deu um chute na cadeira. A cadeira de madeira maciça que Hang’er acabara de comprar simplesmente rachou ao meio.
“Pqp!” Ele passou a mão pelo cabelo, sentindo o corpo todo formigar de tanta excitação, com os olhos arregalados. “Eu, porra, saí do celibato! Caramba!”
“Ai,” Chu Yi lançou um olhar para os destroços da cadeira no chão, “que arrogante.”
“… Ah,” He Yu virou-se, percebendo tudo com atraso. O ambiente ao redor, incluindo Chu Yi, finalmente ganhou cor e realidade. A confissão que acabara de fazer e a que acabara de receber invadiram sua mente com clareza, e ele não conteve um suspiro baixo: “Pqp…”
Era tudo verdade. Ele ganhou na loteria! Um prêmio do tamanho de um bilhão de bilhões!
O sangue no peito finalmente voltou a circular; ele fora jogado com força no inferno e depois resgatado para o paraíso, e ainda colaram nele uma “permissão de residência permanente”. Todos os músculos do corpo tremiam, tensos. Agora, ele só queria pular, mexer-se, gritar e abraçar Chu Yi com toda a força.
Ele não conseguiu evitar cerrar os punhos. Chu Yi estava parado à frente, olhando para ele e sorrindo. Contra o pano de fundo da decoração antiga desta casinha e da luz ambiente, tudo parecia tão incrível e, ao mesmo tempo, tão natural.
Ah. Agora, este lugar também era a casa de Chu Yi. A casa deles.
Ei! A casa deles!
Ele não conteve o riso, tão entusiasmado que queria dar voltas, e Chu Yi riu junto.
“O que foi? Lembrou de algo para ficar tão contente?”, perguntou Chu Yi.
He Yu respirou fundo, ficou em posição de sentido e gritou com toda a força:
“Irmão!”
Chu Yi soltou uma risada, mas respondeu entrando na brincadeira: “Presente!”
“He Yu, da turma 5 do 11º ano da Escola Secundária de Tongyan, gosta de você! Gosta de você há muito tempo! Ele acha você fantástico!”, gritou He Yu com toda a seriedade.
“Chu Yi, colega de mesa de He Yu da turma 5 do 11º ano da Escola Secundária de Tongyan, na escuta! Ele diz que também gosta muito do He Yu! Que quer casar! E quer gostar dele por cinquenta anos!”, gritou Chu Yi junto com ele.
No segundo seguinte, Chu Yi abriu os braços, sorrindo como se fosse o único raio de luz na escuridão. He Yu, sem hesitar, lançou-se nos braços dele, abraçando-o com força, como um caranguejo-eremita agarrado à sua “casa”.
A força do abraço de Chu Yi foi tamanha que as costelas de He Yu doeram levemente, mas ele não reclamou. Gostava dessa intimidade sentida sem esforço; a dor era como um selo, gravado com força em seu corpo, confirmando que tudo aquilo era real.
……
“Meu irmão,” He Yu abraçou-o e balançou-o suavemente, chamando-o com voz preguiçosa.
“Hum?” Chu Yi deixou-se balançar.
“Eu gosto de você de um jeito super, invencível, cósmico e gigantesco,” He Yu ficou na ponta dos pés e sussurrou no ouvido dele.
“Eu também gosto de você,” Chu Yi respondeu baixinho, colado ao ouvido dele, “mas não tenho tantos adjetivos.”
“Não pode ser simples assim, tem que ter pelo menos uma palavra a mais do que ‘também gosto de você'”, disse He Yu, agarrando a orelha dele, “senão eu fico no prejuízo. Você não pode se aproveitar da sua beleza para fazer o que bem entende, camarada.”
“Uma palavra, né…” Chu Yi pensou por um momento e disse baixinho: “Eu também gosto de você, patinho.”
He Yu soltou uma risadinha. “Eu também, patinho!”
A manhã fora cheia de surpresas, com o destino da vida já traçado. He Yu, o aluno exemplar e excelente membro do grupo, decretou com um aceno: “Não vou para a escola hoje!”
Ele passaria o dia grudado em Chu Yi em casa e, à noite, iriam juntos àquele jantar para conhecer a dupla de pai e filha e ver que tipo de gente eram. Eram rivais amorosos padrão, os principais adversários de sua vida no momento.
O Irmão Yu estava em alerta máximo e, em momentos decisivos, não se importaria de recorrer a meios especiais — como dar uma surra.
“Irmão, quanto custou o aluguel deste terno? Só de tocar já dá para ver que não é qualquer coisa!” He Yu passou a mão no tecido de forma exagerada, mas a retirou de repente: “Ah! Fui ferido pela sua opulência!”
“Condene à morte,” disse Chu Yi, aparecendo na porta da cozinha com uma tesoura na mão esquerda. “Traga aqui.”
“Deixa para lá, Majestade,” disse He Yu, olhando o terno que parecia cada vez mais bonito. O irmão dele o escolhera, e era lindo demais. “Custou uma nota, tenho que devolver inteirinho.”
“Não precisa devolver,” disse Chu Yi, cortando o ar com a tesoura, em tom ameaçador. “Eu comprei.”
“Pqp!” He Yu ficou chocado. “Comprou! Você comprou mesmo! Quanto custou isso?!”
“Camarada,” disse Chu Yi, encostado no batente da cozinha, “por favor, não duvide da minha capacidade de gastar dinheiro com você. Obrigado.”
“Desculpe, camarada,” He Yu segurava a roupa como se fosse uma caixa de dinheiro, acariciando-a com carinho: “Ai, se tivesse esse dinheiro para mim, seria ótimo. Com certeza eu compraria um terno de 100 yuans e usaria o resto para te sustentar.”
“Usar o meu dinheiro para me sustentar… que gênio, camarada, é a lei da conservação da energia.” Chu Yi riu.
“Não mereço tanto,” disse He Yu, passando a mão na testa suada, enquanto pendurava a roupa no quarto com cuidado. “Vou tomar um banho antes de vestir. A vida precisa de rituais.”
“Se não gostar, compramos outro,” disse Chu Yi, largando a tesoura e seguindo-o, “seu marido tem dinheiro de sobra.”
“Isso é diferente,” He Yu parou, com uma expressão de preocupação exagerada, “esse dinheiro é da sua mãe, e nós vamos confrontá-la. Se ela ficar furiosa, você vai acabar na rua… Ei?” Ele bateu palmas, percebendo algo e olhando para Chu Yi com animação: “Pqp, agora sua mãe é minha sogra! Será que ela vai se comover com a minha história pobre mas inspiradora e deixar você correr livre na minha grande savana?”
“Hum…” Chu Yi coçou o queixo, pensativo. A visão do rapaz bonito refletindo deixou He Yu com vontade de provocá-lo.
“E então?”, perguntou He Yu, sem pudor. “A chance é grande, não é? Afinal, minha beleza foi certificada pelo próprio filho dela, que é tão lindo que ultrapassa a Via Láctea.”
“Chance,” Chu Yi respondeu, rindo, usando aquela frase clássica: “Arredondando… é igual a zero.”
“Sempre com a verdade nua e crua,” He Yu riu. Ao ver o gel de banho de melancia, lembrou que viera tomar banho. “Irmão, vou entrar no banho. Depois vou testar o traje imperial.”
“Pode ir.” Chu Yi encostou-se na parede e fez um gesto cavalheiresco, indicando que ele podia começar.
“… Caro camarada, acho que você deveria sair.” He Yu falou com seriedade.
“Hã?” Chu Yi fez cara de quem não entendia nada.
Após se encararem por um momento, Chu Yi pareceu ter um estalo. Assentiu, aproximou-se e segurou a barra da blusa de He Yu: “Levanta os braços.”
He Yu, sem entender, levantou os braços instintivamente. Sentiu o frio no corpo e só então percebeu que a roupa sumira. Naquele instante, a primeira reação daquele homem de temperamento forte foi: ainda bem que eu estava de camiseta interna.
Chu Yi não deu tempo para mais nada; a mão já estava no cós da calça dele, pronta para puxar. He Yu segurou a mão dele rapidamente: “Irmão, irmão, irmão, deixa que eu faço, eu faço sozinho! Eu já cresci, sei tirar as calças!”
“Que incrível,” disse Chu Yi, suspirando com falso pesar, mas sem tirar a mão, “cresceu em um piscar de olhos.”
He Yu: “……”
Acho que você está dando em cima de mim, mas não tenho provas.
“Não é…” Mal disse as palavras, Chu Yi já concordou.
“Não é mesmo.”
Desta vez não foi apenas uma insinuação; foi como se o pneu do carro passasse por cima da cara dele. Desprezo descarado! Mesmo sendo um Ômega, ele era um homem, com dignidade inviolável! Mesmo que o oponente fosse um Alfa Super S, He Yu não admitiria derrota nesse quesito.
“Eu estou muito satisfeito!”, afirmou ele.
“Hum,” Chu Yi concordou com tudo, “eu também estou satisfeito.”
“……” Satisfeito com o quê?!
Em poucas palavras, o Irmão Yu ficou com o rosto queimando e empurrou Chu Yi para fora: “Vai cozinhar, mestre, eu te imploro. Quando você terminar, eu já terei acabado o banho…”
“Não quer ir comigo?”, Chu Yi perguntou, rindo enquanto era empurrado, virando-se com relutância. “Economiza água. Assim, quando eu for expulso de casa, já conta como uma economia.”
“Não precisa, eu te sustento,” pensou He Yu. Tomar banho juntos seria o fim. Ele confiava em Chu Yi, mas não em si mesmo. “O Irmão Yu ganha mais de dez mil por mês, sou foda demais.”
“Que incrível.”
Enquanto Chu Yi se maravilhava, He Yu fechou a porta do banheiro e enxugou o suor. Mal descansara e ouviu a voz risonha de Chu Yi do lado de fora:
“Não quer que eu esfregue suas costas?”
“Não precisa!”, He Yu deu um pulo. “Eu alcanço!”
“Quanta flexibilidade,” a voz de Chu Yi veio através da porta, “tenho muita sorte.”
He Yu quase tropeçou de vergonha, admirando a habilidade daquele mestre em soltar cantadas. Ele aproveitou a água quente, especialmente hoje, que parecia mais reconfortante. Ergueu o rosto sob o fluxo, limpou a água e não conteve um riso.
Estão juntos! Pqp, estão juntos! Ele tinha um namorado! E ainda por cima o sonho de milhares de jovens! Embora He Yu não fosse nada mal, aquele era Chu Yi!
Foda demais. Chu Yi tinha razão, ele era incrivelmente bonito… Quando se está feliz por dentro, não dá para esconder. He Yu esfregava as costas cantarolando com orgulho:
“Só gostar de você não é o bastante~
Só a admiração não preenche meu coração~”
He Yu saiu com o cabelo todo molhado, secando-o enquanto ia para a cozinha e gritou: “Irmão! Já acabou?”
“Sua música não durou cinco minutos,” Chu Yi gritou de volta, “como eu teria acabado?”
“Não acabou, então.” He Yu respondeu alto.
“Acertou,” elogiou Chu Yi sem reservas, “você é fantástico.”
A carne ainda não estava pronta, então He Yu foi para o quarto para vestir a roupa e mostrar para o irmão. Mas desistiu ao pegar as peças; tinha que vestir ao mesmo tempo que Chu Yi e tirar uma foto para postar no WeChat, para ter o devido ritual. Como fotos de casamento.
Ele escondeu seus planos, largou a roupa e saiu. Chu Yi saíra da cozinha e estava encostado no sofá lendo um livro. Sempre que o via concentrado, He Yu se maravilhava: como alguém pode ser tão bonito?
E esse alguém era seu namorado!
Ao pensar nisso, a excitação subiu. Com a toalha na cabeça, ele correu, saltou por trás do sofá e abraçou Chu Yi. “Camarada, você está preso!”
Chu Yi inclinou o pescoço para trás, olhando para o namorado de baixo: “Tão agressivo?”
He Yu estava sempre cheio de energia, animado em tudo o que fazia. Lembrava um cão de pastoreio: vivaz, leal, com energia infinita, mas firme e feroz quando alguém tentava roubar seu pedaço de carne. Que fofo.
Talvez eu seja esse pedaço de carne. Ainda mais adorável.
“Camarada, talvez você não me conheça bem,” disse He Yu com um sorriso profundo, “eu sou super incrível. E lindíssimo. Com certificado do meu namorado.”
“Não posso deixar de concordar,” disse Chu Yi, “Camarada, estou impressionado com você.”
“É compreensível, não precisa…” He Yu mal terminou a frase quando o camarada impressionado segurou sua nuca, levantou a cabeça e o beijou. Desta vez, ele não resistiu; abriu a boca de forma cooperativa e até mordeu a língua de Chu Yi…
Ah, o prazer na ponta da língua.
……
Chu Yi estava deitado no sofá, com He Yu deitado sobre seu colo, com o rosto corado. O pequeno corte no lábio inferior o ensinou a nunca competir em selvageria com um Alfa S+, porque você não consegue mordê-lo de volta no mesmo nível.
Mas o nosso Irmão Yu era mestre em desafiar o impossível. Mesmo naquela situação, não esqueceu seus velhos hábitos; sua mão percorria a cintura que tanto cobiçara, enquanto murmurava de olhos fechados: “Ai, camarada, essa sua cintura…”
“O que foi, Mestre?” Chu Yi entrou no papel na hora, com a mão na cintura dele, as pontas dos dedos pressionando a coluna, indo e vindo. “Não está acostumado a usá-la?”
“Pqp…” He Yu corou. O irmão dele sempre fora bom de volante.
Após um tempo, o mestre, cada vez mais corajoso, enfiou a mão sob a blusa de Chu Yi e apalpou o abdômen com seriedade, dizendo em voz grave: “Você interrompeu o Mestre enquanto ele falava. Qual a sua punição?”
Mal as palavras saíram, He Yu se arrependeu. Isso não era abrir caminho para o “piloto” Chu Yi?
Como esperado, Chu Yi aproveitou a pista. De repente, mordeu o lóbulo da orelha de He Yu. Ele estremeceu, como um gato pego pela nuca, ficando vermelho da orelha ao pescoço em um instante.
Antes que ele dissesse algo, Chu Yi soltou a orelha e sussurrou com a voz rouca: “Minha punição é ajudar você a se acostumar.”
!!!
He Yu paralisou por dois segundos, depois virou-se e, com a força de um tigre, derrubou o verdadeiro tigre. Mordeu com força a marca na clavícula que tanto o atraía, rangendo os dentes ferozmente e deixando duas marcas nítidas. “Não fique me seduzindo o tempo todo, porra…”
Havia outra frase que ele não disse: você não sabe que seu mestre é um safado que não resiste a provocações?
“Ah…” Chu Yi deitou no sofá sem oferecer resistência, olhando-o com os olhos entreabertos e uma expressão sedutora. “Dói tanto.”
“Já chega, o professor não te ensinou limites?”, He Yu apoiou as mãos ao lado da cabeça dele, assumindo a postura de um segurança autoritário ao segurar o queixo dele. Falava com arrogância, mas agia com timidez. “Tosse, vou te beijar. Um beijo à força, entendeu? Do tipo que te faz chorar.”
“Não entendo, estou com medo.” Chu Yi estava mergulhado no papel.
“Não tenha medo, vou ser suave…” Ele não terminou a frase quando Chu Yi, de repente, segurou sua nuca. O mestre que antes se gabava foi imediatamente envolvido nos braços de alguém e virado de cabeça para baixo. Antes que pudesse dar um tapa nas costas dele, foi pressionado, com os dedos entrelaçados, e o sofá pequeno tornou-se um lugar em brasa…
Capítulo 51
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Perdi meu disfarce na frente do colírio da escola
【Completo + Extras】
He Yu sofre de Desordem de Feromônios Ômega.
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