Capítulo 66
Capítulo 66
He Yu foi carregado por Chu Yi até a mesa de jantar. Seis dias de estresse pós-traumático o fizeram recusar firmemente a proposta de Chu Yi de segurá-lo no colo durante a refeição.
“Acho que consigo me sentar sozinho. Irmão, vá comer do outro lado, só de olhar para você minha cintura já dói.”
“Tudo bem.” Chu Yi acariciou o pescoço dele com pesar e sentou-se à frente.
He Yu prendeu a respiração ao se sentar; mesmo com uma almofada macia, certa parte indescritível ainda doía tanto que suas sobrancelhas tremiam. Ele se sentou com determinação, repetindo mentalmente: “se continuar doendo, uma hora eu acostumo”.
Mas o hábito é algo místico demais; ele não aguentaria até lá, então apenas fincou os pés no chão com força, tentando fazer com que as pernas dividissem o peso com o bumbum.
Caramba, que refeição… comendo em posição de agachamento.
O mais embaraçoso era que, assim que fazia força nas pernas, a cintura latejava, e até suas costas pareciam fora do lugar. Dava vontade de dar meia-volta, correr para o quarto e dormir por mais seis dias. Só dormir, sem exercícios.
Mas não dava, ele estava morrendo de fome; agora, sentindo o cheiro da comida feita pelo namorado, ele chegava a ver estrelas. Nesses seis dias ele não teve uma refeição decente; em todas as vezes, começava comendo e terminava “fazendo”.
Ao pensar nisso, uma série de Lamborghinis relacionados a mesas passou voando pela mente de He Yu, misturados com borrões pesados e sons de gemidos.
Droga, peguei trauma até da mesa de jantar.
“Camarada Chu Yi.” He Yu sentou-se trêmulo, contendo a careta de dor, e falou da forma mais amigável possível.
“Presente,” Chu Yi serviu o arroz para ele; o pijama bege o deixava com um ar extremamente caseiro. “Quais as ordens do Camarada He Yu?”
“Um… não, por três meses… vamos dormir em quartos separados.” He Yu queria mesmo dizer um ano, mas sua razão dizia que Chu Yi não aceitaria.
Dito e feito.
“Hum?” Chu Yi colocou a tigela na frente dele e serviu um copo de água quente. Sua expressão era natural, mas a primeira frase já foi uma Ferrari: “Não tínhamos combinado que da próxima vez brincaríamos de ‘bom mestre, cuide de mim’? Se dormirmos separados, o mestre ficará infeliz, e se ele ficar infeliz, você vai sofrer.” Ele arqueou a sobrancelha: “Tem certeza de que quer provocar tanto assim?”
“… Quem disse que íamos brincar disso!” He Yu não tinha forças nem para rebater as safadezas. Com a mão fraca, pegou a colher e tomou um pouco do mingau. Hum, estava cozido até ficar bem macio, uma delícia. “Se você quer me matar, me recuse de uma vez. De qualquer forma, já perdi metade da vida.”
“Desde quando sou tão cruel aos seus olhos?” Chu Yi balançou a cabeça, impaciente. Após um tempo, soltou uma risada e tentou acalmá-lo: “Descanse uma semana, pode ser?”
“Um mês.” He Yu continuou tomando o mingau sem levantar a cabeça; estava faminto.
Uma semana? Ele mal terminaria de descansar e já cairia de novo; depois mais uma semana, e outra queda… Não teria tempo nem para aproveitar momentos puros. Onde já se viu um namoro que só tem sexo!
“Uma semana e uma hora.” Chu Yi suspirou, cedendo com relutância.
“Quinze dias.” He Yu franziu o cenho.
“Uma semana e duas horas.” Chu Yi tinha uma expressão de quem estava levando um prejuízo enorme, como se não tivesse perdido apenas duas horas, mas todo o seu patrimônio.
“… Duas semanas.” He Yu apertou os lábios, encarando-o.
Pelo menos precisava deixá-lo inteiro por uma semana. Não iam viajar? Chu Yi não poderia carregá-lo nas costas a viagem toda, senão iam parar no jornal local: “Ômega com doença grave perde os movimentos, seu último desejo é percorrer as montanhas do país e Alfa fiel o carrega nas costas por cada centímetro da paisagem”.
Ele estava quase chorando.
“Então me mande embora, não consigo dormir sozinho.” Após dizer isso, Chu Yi pareceu murchar. Encostou-se na cadeira com a respiração pesada, olhando para ele fixamente, com um ar de “estou muito injustiçado” estampado em todo o corpo.
He Yu: “……” Fazendo dengo de novo. O que fazer? Ele sempre caía nessa. Meu Deus. O namorado dele era bonito demais. Bem dotado, bom de cama, cintura e fôlego em dia, e ainda por cima lindo… meu Deus…
“É só dormir,” He Yu hesitou; na verdade, ele também não gostava da ideia de quartos separados. Com Chu Yi o abraçando, ele dormia tranquilo, e com Chu Yi agindo daquele jeito, não conseguia recusar. “Nada de sexo por uma semana, mas podemos dormir abraçados, beleza?”
“Recuperado com sucesso.” Chu Yi levantou a cabeça instantaneamente, sorrindo radiante.
“A que horas é a confraternização amanhã mesmo?” He Yu perguntou casualmente entre uma colherada e outra.
“Às três.” Chu Yi começou a descascar um ovo para ele.
“Mais de cinquenta pessoas, nem sei quanto o Velho Yang vai gastar. Ele é sincero demais.” He Yu comentou com admiração. Foi uma sorte encontrar um professor tão bom no ensino médio, assim como o Diretor Zeng; eram pessoas raras.
“Não vamos deixar ele pagar,” Chu Yi colocou o ovo descascado na tigela dele. “Nós já pagamos antecipadamente.”
“Vocês já tinham pensado nisso! Nem fiquei sabendo quando decidiram.” He Yu deu dois tapinhas na mesa, imaginando que discutiram no grupo enquanto ele estava ocupado demais pensando em “como fazer ou não fazer”. “Não é à toa que é o nosso Camarada Chu Yi! Sempre previdente!”
“Obrigado pelo elogio, Camarada He Yu.” Chu Yi sorriu para ele.
He Yu dormiu até o meio-dia do dia seguinte. As dores no corpo diminuíram bastante, tornando-se apenas um incômodo ocasional ao toque. Ele realmente devia agradecer ao seu físico forjado em brigas desde pequeno por ter uma recuperação tão rápida.
Uma semana talvez fosse realmente suficiente; Chu Yi o conhecia melhor do que ele mesmo.
Lavaram-se, escovaram os dentes e comeram. Os dois vestiram roupas que pareciam um conjunto de casal: Chu Yi de camiseta preta, bermuda branca e tênis de cano alto preto; He Yu de camiseta branca, bermuda preta e tênis de cano alto branco.
Enquanto se olhavam no espelho, He Yu instintivamente encostou-se em Chu Yi e o cheirou. Um frescor gelado, aquele aroma frio que só ele sentia… Além disso, não havia nenhum outro cheiro.
Ele afastou o rosto com desapontamento: “Já está totalmente marcado, mas parece que não está. Ainda cheira a um grande gato virgem.”
Chu Yi cheirou a nuca dele; o aroma de melancia não estava mais tão escondido. Ao cheiro naturalmente doce e refrescante, misturou-se uma frieza dominante e severa. Um Ômega não sentiria muito, mas um Alfa perceberia na hora: este Ômega tem dono, e o dono é um Alfa Super S. Se não quiser morrer, é melhor manter distância.
Proteção natural.
“Ai, é injusto,” resmungou He Yu. “Eu tenho sua marca no meu corpo, mas você não tem a minha. Injustiça.”
“Que tipo de marca você quer?” Chu Yi apontou para as marcas de beijo e mordidas evidentes em sua clavícula. “Essa aqui?”
“Ah…” He Yu corou. Nem lembrava quando tinha mordido aquilo. Quando viu ontem, ficou realmente chocado; a mordida deixou até marca de sangue, que brutalidade…
O Velho Yang escolheu um buffet muito bom na zona norte, com preço médio-alto. Com mais de cinquenta pessoas, mesmo com desconto, saía quase duzentos por cabeça; a conta total passaria de dez mil yuans.
Diziam que a filha do Velho Yang era rica, mas vivia tão ocupada que não tinha tempo de visitá-lo, então mandava montanhas de dinheiro nas datas festivas. O Velho Yang não gastava consigo mesmo, mas tratava os alunos como filhos; se alguém passava por dificuldade, ele ajudava sem hesitar.
Os dois chegaram faltando exatamente dez minutos para as três.
Li Jinhang estava postado na entrada como um guarda, com um boné de aba reta na cabeça; pelo tom de rosa, dava para ver que pertencia ao Taozi.
O estilo de Xin Tao permitia que ele usasse rosa sem parecer afeminado; pelo contrário, dava a ele um charme relaxado. Mas Li Jinhang não era assim; de cima a baixo, ele exalava uma aura arrogante de “não gosto de você”, e com aquele boné rosa, parecia um Husky usando um avental rosa.
Ele nem percebia nada de errado; ao notar olhares estranhos, fuzilava de volta com os olhos e ainda soltava: “Tá olhando o quê, porra? Nunca viu um cara gato?”
He Yu não conteve o riso.
Chu Yi bufou: “Essa autoconfiança é sobrenatural.”
“Hanghang é uma figura,” He Yu comentou, acenando. “Chegaram cedo, hein!”
Li Jinhang virou-se, encarando os dois com impaciência: “Vocês vieram montados em uma tartaruga? Eu quase assei aqui no sol esperando.”
“Tem algum feitiço na porta que impede a entrada de cães?” Chu Yi lançou um olhar para ele e puxou He Yu para dentro.
“O quê?” Li Jinhang foi atrás. “Dá para falar como gente? Vive enrolando e soltando essas pérolas.”
“Eles chegaram, vamos entrar também,” Xin Tao afagou a cabeça do bobão. “Cachorrinho.”
“Quem você tá chamando de cachorro!” Li Jinhang afastou a mão dele, mas seu rosto ficou vermelho. Ele apressou o passo para se afastar de Xin Tao e falou alto para disfarçar a vergonha: “Eu sou um lobo, entendeu? Um Alfa de elite! Quem me chamar de cachorro de novo vai levar porrada!”
“Hahaha.” Chu Yi o olhou de soslaio.
He Yu estava extremamente curioso sobre o progresso entre Hang’er e Taozi e olhou para Xin Tao. Xin Tao devolveu um sorriso resignado e ergueu as sobrancelhas na direção de Chu Yi.
He Yu também não sabia por que entendeu o sinal de Taozi na hora; corou e assentiu. Não era vergonha admitir para os amigos que a marcação total já tinha acontecido.
Chu Yi puxou He Yu para perto de seu peito, olhou para Xin Tao com um sorriso de canto e articulou silenciosamente: “Você é lento demais.”
A rivalidade entre Alfas às vezes era assim, infantil e sem sentido; além de diminuir o Q.I., baixava o nível de felicidade. O bom humor de Chu Yi só diminuiu um pouquinho quando ele se sentou ao lado do Velho Yang para ouvir o discurso.
A disposição dos lugares era a seguinte: na mesa grande cabiam cinco ou seis pessoas; o Velho Yang no meio, à esquerda Chu Yi, à direita o representante Qiu Jia. À esquerda de Chu Yi estava He Yu, ao lado de He Yu não havia ninguém, e do lado de Qiu Jia sentaram-se algumas garotas. Xin Tao e os outros sentaram na mesa ao lado, aproveitando a liberdade.
“Alunos, estou muito feliz que todos vieram prestigiar o professor,” o Velho Yang levantou-se, sorridente. “Podem comer enquanto falo, não se acanhem; saímos para nos divertir.”
“Vocês costumam ir cantar depois de comer, não é?” perguntou o professor.
“Com certeza!” Li Jinhang concordou. “Tem que ir para um bar! E dançar!”
Xin Tao tampou a boca dele na hora; se fossem ao bar que costumavam frequentar, bastaria abrir algumas garrafas de vinho caro para o Velho Yang ir à falência.
“Bar?” O Velho Yang hesitou. Não queria ser estraga-prazeres, mas aconselhou: “Não é seguro. Evitem beber muito, o álcool causa problemas. Se forem, vão acompanhados dos pais.”
He Yu balançou a cabeça rindo. O Velho Yang era bondoso demais. Sugerir ir ao bar com os pais era de uma ingenuidade sem tamanho. Mas ele não era irritante.
“Podemos ir ao karaokê,” sugeriu Qiu Jia. “KTV! Quem não bebe álcool toma refrigerante!”
“Fechado!” O Velho Yang deu um tapinha no ombro dele. “Depois do jantar o professor paga o karaokê. Não sei o que os jovens gostam de ouvir hoje em dia, o pessoal da minha época gosta de ‘Qian Qian Que Ge’, ‘Esperando’, ‘O Sutra Difícil de Ler’…”
“Música de velho! Minha mãe ouve essas!” Alguém soltou e a turma caiu na risada, interrompendo a lista do Velho Yang.
He Yu teve vontade de abrir sua lista de músicas para ver se batia com a do professor, mas não deu. O celular de Chu Yi, que estava perto dele, acendeu. He Yu usou a digital para desbloquear e deu uma olhada.
Era uma notificação da “Cabana da Felicidade”.
Soda de Pêssego do Tao Tao: Vocês dois, coloquem o celular no mudo.
He Yu deu um risinho.
O pessoal continuava resmungando que aquelas músicas eram do arco da velha, que ninguém mais ouvia… Se soubessem que o toque de celular do “deus” Chu Yi era “Garota Ardente”, não saberiam o que dizer.
Pois é, a culpa foi toda minha por corromper ele.
Nota do Autor:
O autor dança equilibrando uma caneca de chá na cabeça: “Yo-yo-yo~~~~”
(Olha só vocês, parecem que nunca viram nada! É só um Lamborghini, nada de mais!)
Capítulo 66
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Perdi meu disfarce na frente do colírio da escola
【Completo + Extras】
He Yu sofre de Desordem de Feromônios Ômega.
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