Capítulo 26 — A Casa que Ainda Respira Ele
No dia seguinte.
Rubi ficou parado diante de um portão alto.
Uma casa grande.
Elegante.
Silenciosa demais.
Era ali.
A casa dos pais de Tae-Hyun.
Ele respirou fundo.
Mas o ar parecia não entrar direito.
Mesmo assim… tocou a campainha.
Alguns segundos depois.
A porta se abriu.
E o mundo de Rubi pareceu parar.
Os pais de Tae-Hyun estavam ali.
Mais velhos.
Mais cansados.
Mas com o mesmo olhar de dor que ele lembrava do enterro.
Por um instante… ninguém falou nada.
Até a mãe reconhecer ele.
O silêncio ficou pesado.
Mas ela não fechou a porta.
Apenas deu um passo para trás.
Mãe de Tae-Hyun: Você…
A voz não era de raiva.
Era de cansaço.
De algo que já tinha doído demais para gritar de novo.
O pai apenas observou.
E depois abriu espaço.
Pai de Tae-Hyun: Entre.
Rubi entrou devagar.
Como se cada passo pudesse quebrar algo que ainda estava inteiro ali.
A casa era silenciosa.
Organizada demais.
Intocada demais.
Como se o tempo tivesse parado no dia em que Tae-Hyun não voltou.
Eles sentaram na sala.
O clima era pesado.
Mas não explosivo.
Era o tipo de dor que já tinha sido gritada antes… e agora só existia.
Pai de Tae-Hyun: Você veio tarde.
Rubi abaixa o olhar.
Rubi: Eu sei.
A mãe segura uma xícara de chá com as duas mãos.
Mas não bebe.
Só segura.
Como se aquilo fosse o único controle que ainda tinha.
Mãe de Tae-Hyun: Ele falava de você o tempo todo.
Rubi levanta os olhos rapidamente.
Surpreso.
Ela continua, sem olhar diretamente para ele.
Mãe de Tae-Hyun: Mesmo quando você o machucava… ele voltava sorrindo.
Como se amar você fosse algo natural.
Rubi fecha os olhos por um instante.
Como se cada palavra fosse um peso novo no peito.
O pai respira fundo.
Pai de Tae-Hyun: Depois que ele se foi…
essa casa ficou vazia.
Mas a gente nunca teve coragem de mudar nada.
A mãe abaixa a cabeça.
E a voz sai mais baixa.
Mãe de Tae-Hyun: O quarto dele…
eu nunca tive coragem de mexer.
Está tudo do mesmo jeito.
Silêncio.
Dessa vez, mais profundo.
Mais real.
Rubi levanta o olhar devagar.
E algo muda nele.
Não era pedido.
Nem insistência.
Era necessidade.
Rubi: Eu… posso ver?
A pergunta sai quase como um sussurro.
A mãe hesita.
Olha para o marido.
Ele não responde de imediato.
Mas depois de alguns segundos…
assente.
Pai de Tae-Hyun: Pode.
Eles sobem as escadas em silêncio.
Cada degrau parece mais pesado que o anterior.
Rubi sente o coração bater forte demais.
Como se ele estivesse prestes a encarar não só um quarto…
mas tudo o que perdeu.
Quando chegam à porta…
a mãe para.
A mão dela toca a maçaneta por um segundo.
E ela fala baixo:
Mãe de Tae-Hyun: Ele sempre deixava a luz da mesa ligada à noite.
Dizia que… gostava de voltar e ver que a vida ainda estava ali.
Ela abre a porta.
E o quarto continua exatamente como antes.
Intacto.
Vivo.
Como se Tae-Hyun pudesse entrar ali a qualquer momento.
Livros organizados.
Roupas dobradas.
Um leve cheiro de algo familiar ainda preso no ar.
Rubi fica parado na entrada.
Sem conseguir dar mais um passo.
Porque aquele não era só um quarto.
Era um pedaço dele que nunca foi embora.
E pela primeira vez…
ele percebe que não estava ali para pedir perdão.
Nem para ser perdoado.
Mas para entender que algumas presenças…
nunca realmente desaparecem.
Mesmo depois da morte.
Capítulo 26 — A Casa que Ainda Respira Ele
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RUBI🌹 2 Temporada
Dez anos se passaram desde que Rubi deixou a Coreia do Sul.
Aos 29 anos, Rubi se tornou um homem rico e bem-sucedido no exterior, mas nunca conseguiu esquecer o passado. O arrependimento e a...