Capítulo 13
Eduardo entrou em seu apartamento. Havia roupas, sapatos e acessórios espalhados pela casa inteira.
“Nossa, o Otávio iria surtar com essa bagunça toda!”
Foi seguindo o caminho de roupas até chegar em frente ao grande espelho que tinha em seu quarto. Parou e perdeu alguns minutos observando as roupas de Otávio em seu corpo. Lembrou da sensação que teve quando abraçou a cintura dele na moto, puxou a gola da camiseta e percebeu que ainda conseguia sentir o cheiro do perfume.
“Como um perfume pode ser tão bom?”
Seus pensamentos foram interrompidos pelo toque da campainha. Seguiu até a porta para ver quem era.
— Marcela? Tá fazendo o que aqui?
— Ué, não posso visitar meu irmãozinho?
— Pode, claro que pode! Entra aqui.
— Que roupa é essa? Resolveu mudar o estilo?
— Ah, não! Essa roupa não é minha.
— Huuum… Tá de boy novo? Essa roupa é dele? Ele tá aqui???
— Não, não é nada disso! Na verdade, é uma longa história.
— Poxa, que pena. Você precisa conhecer alguém pra esquecer as experiências ruins. Vai me contar essa longa história?
— Depois eu te conto. Ainda tô processando a informação… Mas seu pai tem grande parte nisso!!
— Eduardo, ele é seu pai também. Pode não ser o melhor pai do mundo, mas não deixa de ser seu pai… O que ele fez dessa vez?
— Basicamente, me humilhou na frente dos meus colegas da faculdade. Fui para uma comemoração pelo sucesso de um evento e ele conseguiu tirar a alegria da minha noite, como sempre faz! É muito difícil pra ele querer a minha felicidade? Até parece que quer meu fracasso a todo instante.
— Eu sinto muito. Sei que isso foi importante pra você — aliás, vi os posts do evento, ficou tudo lindo! Quanto ao papai, ele é um cabeça-dura que não suporta quando as pessoas não fazem as coisas do jeito que ele quer ou planejou. Mas ele não quer seu fracasso, você sabe disso.
— Eu tenho minhas dúvidas… Mas não quero mais tocar nesse assunto, só de lembrar já me dá dor de cabeça.
— Tá bom, tá bom, vamos mudar de assunto!
Eduardo assentiu enquanto massageava a lateral do rosto com a ponta dos dedos.
— Seu apartamento tá uma zona, hein? O que aconteceu aqui? Passou um furacão?
— Eu tava procurando uma roupa pra sair ontem à noite.
— E acabou vestindo essa aí?
— Já falei que essa não é minha!!
— É, mas não me contou quem é o dono da roupa
Marcela disse, de modo malicioso.
— É de um amigo.
— Amigo?… Seiii.
— É só um amigo mesmo! Você que tá pensando besteira.
— Se você tá dizendo… Por falar em amigo, vi aquele seu amigo há uns dias. Como é o nome dele mesmo? Um que é super simpático…
— Super simpático? É do grupo de Artes?
— Não, é aquele que eu encontrei no hospital uma vez, quando você se machucou.
— O Otávio?
— Isso! Otávio o nome dele.
— Tem certeza de que era ele? “Simpático” e “Otávio” não são palavras que combinam na mesma frase.
— Eu achei ele super simpático! Pedi um delivery e ele foi entregar, lembrou de mim, brincou com a Eloísa… que, por sinal, adorou ele, principalmente porque ganhou uma caixa de jujubas. Sua sobrinha é muito chantagista, você não tem noção.
— A Lolo é uma fofa, puxou o tio!
— Ela é mimada por sua culpa!
— Não imaginava que o Otávio tinha facilidade com crianças. Ele é sempre tão fechado…
— Vocês ainda são amigos?
— Somos, sim. Ele quem me ajudou com alguns problemas do evento, inclusive.
— E já se pegaram alguma vez?
— Nossa, Marcela! Não, claro que não!
— Tá perdendo tempo! Ele é bonitão e parece ser legal… Ele não faz seu tipo?
— Não tem nada a ver! É que nós somos amigos mesmo, só isso.
— Você é bobo. Se fosse na minha época de solteira, eu pegava!
Eduardo jogou uma almofada em sua direção, acertando-a de raspão.
— E o seu marido sabe que você anda falando essas coisas?
— Por quê? Você vai contar?
— Jamais!!! — Eduardo disse, soltando uma gargalhada.
— Ah, é! Meu marido… É sobre isso que vim falar.
— O que aconteceu?
— Rafael e eu vamos fazer uma festa de aniversário de casamento mês que vem. Queria muito que você fosse.
— Você vai convidar o senhor Alexandre Burany?
— Eduardo, vocês são a minha família… Por favor, faz esse esforço por mim. Por favor, Duduzinho!
— Ai, ai, Marcela… O que você não pede sorrindo que eu não faça chorando, hein?
— Esse é meu maninho! Você tem que estar comigo nesse dia especial, não seria o mesmo sem você.
— Eu também te amo, mana. Não sei o que faria sem você.
— Ai, não fala assim que eu vou chorar!
— Sua boba!!! Vem, vou passar um café para nós e você me conta como vai ser a decoração.
Eduardo e Marcela passaram horas conversando sobre arranjos de flores, cor das toalhas de mesa e sobre a decoração; nem perceberam o tempo passar.
— Eduardo do céu, eu preciso ir embora! Falei para o Rafael que ia só dar uma passadinha aqui, tenho que revisar um caso para uma audiência.
— Nossa, eu nem vi o tempo passar.
— Também não vi. Eu adoro conversar com você e o papo tá ótimo, mas preciso ir, maninho. — Marcela deu um beijo na testa de Eduardo enquanto pegava a bolsa e a chave do carro. — Ah, já tava esquecendo: a Tia Helena quer o seu contato.
— Por quê?
— Ela está se associando com uma empresa que organiza eventos para exposição em museus e artes de feira livre. Ela quer que você trabalhe com ela, ficou surpresa com as fotos da feira que você organizou.
— Não quero trabalhar com ninguém da família! Eu quero me levantar sozinho.
— Não seja orgulhoso! E outra: você sabe que a Tia Helena é o oposto do papai. Acho que vocês vão se dar bem. Se eu fosse você, dava uma chance.
— Eu prometo que vou pensar com carinho, tá?
— Esse é meu maninho! — disse, dando mais um beijo em Eduardo enquanto abria a porta do apartamento para sair.
— Tchau, mana! Dirige com cuidado, tá?
— Tchau, maninho. Quero você na minha festa! Se quiser levar o gato do Otávio, eu apoio.
— Tchau, Marcela, tchau! — Eduardo disse, revirando os olhos.
Marcela saiu pela porta soltando um sorriso travesso. Eduardo adorava a companhia da irmã; ela era seu porto seguro nesse mundo caótico.
Colocou a mão na cintura enquanto observava a bagunça ao seu redor. Guardou os itens espalhados até que, enfim, percebeu que havia passado o dia inteiro com as roupas de Otávio. Por mais fora do seu padrão que elas pudessem ser, Eduardo se sentia confortável — não pelas roupas em si, mas pela proteção e pelo cuidado que o amigo lhe transmitia. Voltou a lembrar da cena pós-banho, quando se pegou observando os músculos de Otávio.
“Tanta coisa pra fazer e eu pensando besteira…”, disse para si mesmo enquanto seguia em direção à lavanderia. “Mas que ele tem lados que eu não fazia ideia que existiam, isso eu não posso negar.”
{………}
Otávio, por outro lado, ficou desconcertado após a saída de Eduardo. Voltou para casa e organizou a cozinha que, após a macarronada, havia ficado caótica — sua falta de concentração o fez sujar mais utensílios do que o necessário.
Olhou para a cama ainda bagunçada e resolveu tirar o lençol, que ainda tinha um leve cheiro de bebida. Lembrou novamente de como aquela cama pareceu minúscula perante a tensão que sentiu de ter Eduardo colado ao seu corpo.
“Esquece isso, Otávio… Esquece isso”, repetia para si mesmo enquanto trocava o forro da cama.
Sua mente o levava a vários loops. A permanência de Eduardo em sua casa foi breve, mas marcante o suficiente para fazê-lo lembrar de detalhes para cada canto que olhava.
“Vou me concentrar nas minhas lições. Perdi um dia de aula por causa daquele idiota do Eduardo.”
Continuou concentrado, olhando para seu caderno de anotações, e não pretendia sair de lá tão cedo.
Capítulo 13
Fonts
Text size
Background
A primavera sem Flores
- Otávio é um nerd negativo e mau humorado, sempre no seu canto sem amigos por perto.
Eduardo é o mais popular da Faculdade
sempre positivo, bem...