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A primavera sem Flores

Capítulo 14

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  4. Capítulo 14 - Bombons, Provocações e Promessas Queimadas
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Manhã seguinte, na faculdade.

Eduardo andava lentamente até o campus de Belas Artes. Não havia respondido a ninguém no dia anterior e já esperava a enxurrada de perguntas após a cena caótica que seu pai lhe proporcionara.

— Bom dia, margarida! Resolveu aparecer?

Letícia dizia, em tom de repreensão.

— Desculpa, eu precisava de um tempo sozinho pra pensar.

— Eu imaginei, mas fiquei preocupada.

— Me desculpa, eu devia ter dado notícias.

— Devia mes…

— Você está se sentindo melhor?

Arthur disse enquanto parava atrás de Eduardo, colocando a mão em sua cintura. Eduardo deu um pulo, surpreso — fazia muito tempo que ninguém o tocava daquele jeito. Sentiu um leve arrepio vindo com o susto.

— Oi, Arthur! Estou melhor, sim.

— Fiquei preocupado. Você não respondeu às minhas mensagens, achei que tinha ficado chateado comigo.

— É claro que não! Eu só precisava de um tempo pra pensar.

— Eu te entendo, meu bem. Olha só: trouxe isso pra você!

Arthur tirou de trás das costas uma caixinha de bombons amarela com laços azuis e a entregou a Eduardo, que ficou surpreso com o gesto repentino. Espero que goste.

— Muito obrigado, Arthur… mas não precisava!

— Para adoçar o seu dia, meu bem

Arthur disse, com os olhos cintilantes, mantendo sua mão levemente apoiada na cintura de Eduardo. Só passei aqui para saber como você estava. Agora preciso passar na coordenação. Se precisar de alguma coisa, me avise, tá?

Arthur deu um beijo na bochecha de Eduardo, que sentiu o rosto corar na hora.

— T-tá bom, Arthur… obriga-gado Eduardo disse, gaguejando.

— Fofo.

Arthur saiu em direção à porta com as mãos dentro dos bolsos e um olhar de vitória estampado no rosto.

— O que foi isso?!

Letícia disse, surpresa.

— Ele disse que quer me conhecer melhor…

Eduardo respondeu, colocando as mãos geladas sobre o rosto para tentar abafar a sensação de constrangimento.

— E o que você respondeu?

— Que precisava pensar!

— Sério que ainda precisa pensar?

disse, apontando para a caixa amarela com laços azuis.

— Eu não sei se tô preparado pra conhecer alguém. Tô com muita coisa na cabeça.

— Seu rosto diz outra coisa… Tá vermelho, parecendo um pimentão!

— Não tô, não! — Eduardo virou de lado, tentando disfarçar.

— Se eu fosse você, investia. Se não rolar namoro, pelo menos você pegou um gato!

— Não quero só pegar por pegar. Já me decepcionei muito assim.

— É só não entregar o coração… entrega “outra” coisa!

Letícia soltou uma gargalhada ao ver Eduardo arregalando os olhos.

— Letícia, você é inacreditável!!!

— Vocês é que são muito sérios, não sabem curtir a vida. Por falar em gente séria: seu amigo me deu um belíssimo fora!

— O Otávio?

— O próprio! Tentei dar em cima dele, mas ele fugiu de mim igual o diabo foge da cruz.

— O Otávio é muito na dele.

— É, mas eu queria que ele estivesse “na minha”… Na minha cama, de preferência! Você viu aqueles músculos? Ver é bom, mas sentir é muito mais gostoso!

— Você agarrou ele??!! — Eduardo disse, surpreso.

— Não agarrei, só toquei no peitoral dele… E já foi um baita incentivo pra não desistir daquele gostoso!

— Meu Deus, você é terrível!!!

— Eu não! Só sei aproveitar as coisas boas da vida.

Eduardo fez um leve sinal de “não” com a cabeça enquanto desatava o laço da caixa e saboreava um bombom.

As palavras de Letícia fixaram-se em sua mente. Lembrou dos longos segundos em que perdeu os olhos no corpo do amigo e da sensação que teve ao se agarrar à sua cintura na moto. Sentiu o rosto aquecer novamente… e lembrou do toque de Arthur em seu corpo e do beijo inesperado que o tirara do eixo.

“Acho que estou ficando maluco!”

— O que disse?

— Nada, só estou pensando alto.

Letícia continuou o que estava fazendo, sem dar muita importância.

{……..}

Otávio seguia em direção ao campus de Computação, ainda se sentindo um pouco ansioso. Iria focar nos seus afazeres sem pensar muito na agitação que o dia anterior lhe causara.

— Bom dia, Otávio!!

— Ah, oi… Bom dia, Felipe.

— E aí, cara? Você tá legal? Não te vi ontem, e você nunca falta.

— Cheguei muito tarde em casa e o dia foi exaustivo. Não consegui vir.

— Por causa do Eduardo?

— Tive que cuidar daquele idiota!

— Não vi ele ainda. Preciso zoar ele pelo mico.

— Capricha! Quem sabe ele aprende a não beber mais daquele jeito. Se você não estivesse lá, não sei o que podia ter acontecido com ele.

— Ele tava chateado com alguém, pelo jeito!

— O desgraçado do pai dele. Sempre acaba mexendo com a cabeça dele.

— O que ele queria processar?

— Esse mesmo!

— Não imaginei que ele soubesse tanto de Código Penal.

— O Eduardo é advogado formado.

— Tá de sacanagem?!

— Não tô, mas ele nunca quis seguir carreira.

— Caraca! Por isso que ele é “Estrela”, né? Tem um monte de talento escondido.

Otávio apenas assentiu com a cabeça enquanto guardava um objeto dentro do bolso da mochila.

— Você conseguiu deixar ele em casa? Ele lembrou o endereço?

— Lembrou o cacete! Tive que levar aquele folgado pra minha casa.

— Hahaha! Dormiram agarradinhos?

— Por quê? Tá com ciúmes?

— Não, nenhum dos dois faz meu tipo

Felipe disse enquanto gargalhava.

— Você só abre a boca pra falar besteira, né?

— Agora falando sério: eu sou hétero, não leva pro pessoal, não, tá?

— Não perguntei e muito menos levei pro pessoal.

— Então tá… Mas, mudando de assunto: descobriu o que a Letícia queria falar com você? Ela parecia ansiosa… E é uma tremenda gata, meu Deus!!!

— Não disse nada importante.

— Não rola descolar o contato dela pra mim?

— Não tenho amizade com ela. Por que não pede pro Eduardo?

— Tá bom, tá bom… Tô vendo que você tá azedo hoje!

Otávio deu de ombros enquanto corria os olhos pelas anotações em seu caderno.

{…}

Chegou o fim de tarde. Otávio e Felipe caminhavam em direção ao gramado do campus. Eduardo vinha ao encontro deles com um largo sorriso no rosto.

— E aí, senhor advogado! Sarou da ressaca? Felipe disse, enquanto ria.

— Nossa, nem me lembre dessa história… Eu paguei muito mico, né?

— Cara, você queria processar geral! Eu te aconselho a não beber tanto. Da próxima vez, você vai tentar invadir algum tribunal ou algo assim!

— Ou vai parar no hospital — Otávio disse, de modo sério.

— Eu já entendi, Otávio… Eu já entendi! Ah, Felipe! Eu esqueci de perguntar: eu paguei a conta? Não consigo me lembrar de nada daquela noite.

— Ah, o Otávio já me pag…

— Você quase deixou sua carteira lá
Otávio o interrompeu.

— Se fosse em outro lugar, tinham te roubado. Sorte que o Felipe estava lá.

— Eu não tenho como agradecer ao Felipe!

— Só ao Felipe?

— Eu já te agradeci ontem, não enche o saco!!

— Ah, eu sei de um jeito de me agradecer!

Felipe disse, aumentando a voz, animado.

— Como?

— Me passa o contato daquela sua amiga gata, a Letícia!

— Posso até passar, mas acho que ela tá interessada em outra pessoa.

disse Eduardo, direcionando o olhar para Otávio, que já tinha entendido a intenção de suas palavras.

— Ué, você não me disse que ela não queria “nada demais”?

— Não sei do que ele tá falando !

Otávio disse enquanto estendia a mão em direção a Eduardo.

— Você esqueceu em casa!

— Nossa, meus anéis! Nem reparei que fui embora sem eles… Aliás, eu vou devolver a sua roupa, tá? É que eu não lavei ela ainda!

Felipe entreolhou os dois, mas não teve nem tempo de reagir. Foram surpreendidos pela chegada inesperada de Arthur.

— Posso saber o que estão fofocando?

disse, enquanto abraçava a cintura de Eduardo. Sua mão não podia estar mais confortável.

Otávio sentiu seu corpo ferver. Aquela intimidade toda do Arthur o estava tirando do sério.

— Por que você quer saber? — Otávio retrucou.

— Sempre muito educado, né, Otávio? Arthur disse, distribuindo seu sarcasmo.

— Estávamos apenas conversando  Eduardo interveio.

— Então, meu bem… Vim saber se gostou dos bombons e também te convidar pra sair mais tarde. Você topa?

Otávio arregalou os olhos ao ouvir aquilo. “Meu bem”, “bombons” e “sair juntos” era muita informação para uma frase só.

— Adorei os bombons, eram muito bons.

— Que bom que gostou, meu bem! Da próxima, eu trago alguns de pistache pra você.

— Ele é alérgico a pistache — Otávio cortou o assunto de modo abrupto.

— Pelo visto, você sabe muita coisa sobre ele que eu não sei, né?

Arthur respondeu, aumentando o tom.

— Finalmente você falou alguma coisa com que eu consiga concordar.

Otávio transmitia sua raiva pelo olhar, mas Arthur sequer se abalou.

— Mas e então, meu bem? Você não me respondeu: topa sair comigo? — Arthur disse, mudando completamente o tom de voz, como se estivesse falando com uma criança.

— Eu preciso ver se…

— Ah, por favor, Duduzinho! Só pra eu ter certeza de que você realmente não ficou chateado comigo..

— Tudo bem, tudo bem… Eu saio com você!

— Tá bom! Eu te busco em casa. Você já está indo embora?

Otávio sentia seus nervos tremerem. Prendeu as mãos ao lado do corpo e sentiu o punho doer aplicou tanta força que, se aquilo fosse um soco, seu oponente já estaria no chão.

— Sim, já estou indo. Otávio, Felipe, muito obrigado de novo. Estou em dívida com vocês.

— Não tem o que agradecer!

Felipe disse.

Otávio apenas assentiu com a cabeça enquanto assistia Eduardo e Arthur saírem lentamente. O olhar vitorioso de Arthur o tirava ainda mais do sério. O clima que restou estava tão tenso que poderia ser cortado com uma faca.

— Será que eles estão namorando?

Felipe disse, quebrando o silêncio.

— Não faço ideia — Otávio disse, de modo seco.

— Pareciam bem íntimos…

— Até demais!

— Você não vai com a cara dele, né?

— Deu pra perceber?

— Sei lá… Você tava olhando pra ele como se estivesse a ponto de estrangular!

— Eu faria se pudesse. Tenho um mau pressentimento. Tenho certeza de que ele não é tão bonzinho quanto parece.

— Carinha de anjo, né?

— Lúcifer também era!

— Você não está exagerando?

— O problema é que você é igual ao Eduardo: são dois trouxas que acham que todo mundo é legal.

— Calma, cara! Não precisa ficar tão nervoso.

— Não tô nervoso!

— Imagina se estivesse…

Otávio bufou enquanto tirava uma carteira de cigarros de dentro da mochila. Ficou olhando por alguns segundos até amassá-la, esmigalhando os cigarros por completo.

— Por que fez isso?

— Prometi pro Eduardo que ia parar de fumar Otávio disse enquanto colocava as mãos na nuca, sentindo os ombros tensos.

Felipe podia pressentir o que estava acontecendo, mas ainda não falaria nada sem ter certeza.

— Tô indo embora, preciso trabalhar.

— Vai lá, cara! Vê se esfria essa cabeça.

Otávio só seguiu em frente, dando passos duros em direção à saída.

Capítulo 14
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A primavera sem Flores

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  1. Otávio é um nerd negativo e mau humorado, sempre no seu canto sem amigos por perto.

Eduardo é o mais popular da Faculdade

sempre positivo, bem...

Chapters

  • Capítulo 14 Bombons, Provocações e Promessas Queimadas
  • Capítulo 13
  • Capítulo 12
  • Capítulo 11 O Resgate e a Manhã Seguinte
  • Capítulo 10 O Pós-Evento e a Sombra do Passado
  • Capítulo 09
  • Capítulo 08
  • Capítulo 07
  • Capítulo 06
  • Capítulo 05
  • Capítulo 04
  • Capítulo 03
  • Capítulo 02
  • Capítulo 01
 

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