Capítulo 15
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- Capítulo 15 - Entre Focaccias, Copos Cheios e Beijos Inesperados
Otávio caminhou em direção à sua moto; seu corpo fervia de raiva.
“Filho da puta! Quando foi que ele conseguiu tanta liberdade? Ele tava confortável demais com aquela mão na cintura dele… Se eu pudesse, arrancava a mão dele fora! Eles vão num encontro? Por que o Eduardo não me falou nada? Ele nunca esconde nada de mim.”
“Caralho, Otávio! Vocês são só amigos, não tem o mínimo direito de exigir satisfação. Mas, porra! Que merda está acontecendo?”
Otávio pegou a chave da moto de modo abrupto, levou o capacete em direção à cabeça e sentiu sua mão fedendo a cigarro.
“Droga… Eu preciso manter a calma. Não posso deixar esse sentimento me dominar.”
Respirou fundo algumas vezes, sentindo seu corpo desacelerar. Então, seguiu seu trajeto. A solução dos seus problemas agora era mergulhar no trabalho e tentar amenizar as próprias emoções.
{……..}
Arthur e Eduardo caminhavam lentamente até finalmente chegarem ao carro de Eduardo. Os olhos de Arthur estavam fixos no rosto dele.
— Então, chegamos! — Eduardo disse.
— Sim, eu percebi.
Arthur foi chegando mais perto, enquanto Eduardo recuava aos poucos, até finalmente dar de encontro à porta de seu carro. Restando apenas uma distância mínima entre seus corpos, com os olhos fixos e os rostos colados, Eduardo sentiu um arrepio percorrer a pele e as bochechas corarem; a respiração foi ficando involuntariamente mais profunda.
Arthur o surpreendeu com um beijo na testa e se afastou rapidamente.
— Daqui a duas horas eu passo na sua casa pra te buscar, pode ser? — Arthur disse de modo natural, como se não tivesse sequer sentido a tensão de segundos atrás.
Eduardo levava as mãos abertas às bochechas, tentando disfarçar o indisfarçável.
— T-tá bom… Eu te es-espero — gaguejou, como se estivesse esquecido como falar.
— Tá bom, fofo!
Arthur dizia já se afastando a passos lentos, enquanto Eduardo tentava recuperar os próprios sentidos.
“Que merda, Eduardo! Como você consegue perder a postura tão rápido?”, dizia a si mesmo enquanto abria a porta do carro e ligava o ar-condicionado, tentando amenizar a tensão que seu corpo ainda sentia.
Chegou em casa, largou a bolsa e algumas pastas da faculdade em um canto qualquer e se jogou na cama.
“Droga! Eu tenho um encontro? O que eu faço agora?”
Afundou a cabeça no travesseiro, deixando a mente divagar por alguns segundos.
“Primeiro de tudo: preciso de um banho, urgentemente!!”
Tomou um banho demorado, saiu do banheiro e seguiu transitando pelo apartamento apenas com uma toalha amarrada na cintura.
“Preciso achar uma roupa decente!”
Vish…
“Mas eu nem perguntei onde íamos! E agora, o que eu visto?”
Começou a tirar todas as roupas do guarda-roupa. Estava cercado por uma pilha de peças, mas nenhuma parecia ser a certa. Parou em frente ao espelho enquanto olhava seu próprio reflexo. Desviou o olhar para a cadeira no canto do quarto; as roupas de Otávio ainda estavam penduradas ali.
Lembrou das palavras de sua irmã: “E acabou vestindo essa aí?”
Não conseguiu conter a risada. As roupas de Otávio ficavam ridiculamente desproporcionais, mas, mesmo assim, passavam uma sensação boa — lembravam o cuidado e a proteção que Otávio transmitia.
“Você tá perdendo tempo, Eduardo. Precisa se arrumar logo!”, dizia a si mesmo enquanto mergulhava novamente na pilha de roupas.
{……….}
Otávio chegava a um dos seus trabalhos temporários: a Boate Bonavir.
— Oh, meu filho! Nem vi você chegando.
— Tudo bem, seu Manoel?
— Eu tô, mas, pela sua cara, o dia não foi dos melhores.
— O senhor não faz ideia… E o movimento de domingo? Fiquei sabendo que a casa lotou.
— Casa cheia! Você fez muita falta aqui.
— É, eu sei. A Rafa mandou mensagem brigando comigo.
— Essa menina não dá uma brecha!
— Puxou o pai dela…
Manoel fez um leve sinal de “não” com a cabeça.
— Ela tem o gênio da mãe dela, isso sim!
— Sei…
— Ei, Otávio! Você voltou a fumar? Tá fedendo a cigarro, até parece que rolou num cinzeiro!
— É uma longa história, mas tô querendo esquecer. Mas e o senhor? Vai trabalhar ou vai ficar aqui especulando a minha vida?
— Não tem medo de falar assim com seu chefe, não, garoto? Tá querendo ser demitido?
— E onde vai conseguir achar um funcionário melhor do que eu?
— Moleque abusado!! Vai logo trabalhar, vai!
Otávio saía com as mãos no bolso e um sorriso no rosto.
— Aliás, seu Manoel, eu não voltei a fumar, não. Prometi pra uma pessoa que não voltaria… e eu sempre cumpro uma promessa.
O chefe ficou surpreso, mas não disse nada. Apenas seguiu Otávio com o olhar até ele entrar no pequeno banheiro de funcionários da boate.
{……….}
Eduardo havia se trocado e estava se admirando no espelho. Escolheu uma camisa de seda azul-marinho com botões apedrejados e uma calça jeans clara, sempre acompanhado de sua coleção de anéis e duas pulseiras em cada pulso.
Eduardo era um jovem extremamente bonito, mas, naquelas roupas, seria capaz de tirar o fôlego de qualquer um. Seus olhos estavam extremamente satisfeitos com o reflexo que via. Despertou do transe ao ouvir o toque do celular.
— Alô?
— Oi, meu bem. Já estou na porta do seu prédio.
— Estou descendo!
Arthur vestia uma camisa cinza-clara com os botões de cima abertos, deixando o peito propositalmente à mostra, as mangas levemente dobradas exibindo o relógio no pulso e uma calça preta de sarja que o deixava totalmente elegante, exalando um ar sofisticado.
Examinou Eduardo de cima a baixo.
— Eu achava impossível você ficar mais bonito, mas agora você ultrapassou os limites da covardia. Meu bem, você está uma verdadeira obra de arte.
Os olhos de Eduardo brilharam.
— Muito obrigado, Arthur! Você também está muito elegante.
— Obrigado, meu bem.
— Para onde vamos?
— Gosta de comida italiana? — Arthur disse, apontando para o banco do passageiro enquanto abria a porta em um gesto de cavalheirismo.
Eduardo entrou, e seguiram em silêncio até o restaurante.
O ambiente era extremamente elegante e, ao mesmo tempo, acolhedor. Obras de arte contemporânea destacavam-se nas paredes verde-oliva, com luminárias douradas em luz baixa. Nas mesas, toalhas de linho branco sustentavam taças de cristal milimetricamente posicionadas; a iluminação à luz de velas deixava o ambiente extremamente romântico. Arthur escolheu uma mesa mais reservada, onde poderiam conversar à vontade e ter a total atenção de Eduardo.
— Gostou do lugar?
— Sim, adorei! A decoração é linda e o ambiente é muito aconchegante.
— Que bom que gostou! Estava torcendo pra que você aprovasse a minha escolha.
— Com certeza, você tem muito bom gosto!
— Você não faz ideia… — Arthur disse, lançando um olhar provocante. Para ele, Eduardo fazia parte dessas “escolhas de bom gosto”.
Eduardo, por sua vez, nem percebeu a provocação, pois não conseguia tirar os olhos dos quadros. Os detalhes eram convidativos, finos e elegantes.
O garçom chegou, fazendo com que Eduardo voltasse daquelas observações para a realidade.
— Olá, boa noite! Já decidiram o que vão pedir?
Arthur tomou a frente:
— De entrada, gostaria de pedir uma focaccia; e um Tagliolini al Tartufo Nero como prato principal.
Eduardo quase soltou um riso quando ouviu Arthur pedir a focaccia. Lembrou das palavras de Otávio: “Esse povo paga o preço de um rim para comer um pão molhado no azeite temperado com alecrim, mas o salário dos empregados, se juntar, não paga uma bolacha água e sal!”
Otávio havia lhe contado diversas experiências sobre seus empregos como garçom, algo que não permitia a Eduardo enxergar os restaurantes requintados com os mesmos olhos de antes.
— Está tudo bem? — Arthur perguntou,
percebendo a mudança de expressão de Eduardo.
— Sim, tudo ótimo!
— Então, o que gostaria de pedir, meu bem? — Arthur perguntou, tocando levemente a mão de Eduardo e mantendo a sua sobre a dele num gesto de aproximação delicado.
— Claro! Olá, boa noite. Eu gostaria de um carpaccio de entrada e uma lasagna alla bolognese como prato principal. Ah, e de sobremesa, um gelato de stracciatella, por favor!
— O casal gostaria de um vinho para acompanhar?
— Para mim, não, estou dirigindo! Vai querer, meu bem?
“Casal? Como assim, casal? Ele nem sequer questionou?”, pensou Eduardo.
— Meu bem?
— Me desculpa! Não, para mim também não, muito obrigado.
— Tem certeza? Eu estou dirigindo, posso te levar pra casa se decidir beber.
— Eu estou bem. Prometi para um certo alguém que iria evitar bebida alcoólica por um tempo.
Arthur sentiu uma alfinetada por dentro. Sabia que esse “certo alguém” provavelmente seria o Otávio e que, mesmo a sós, os pensamentos de Eduardo volta e meia se direcionavam a ele. Mas não iria perder a compostura.
— Sendo assim, por enquanto é só!
O garçom se retirou, e Arthur estava decidido a não parar a aproximação por ali.
{………..}
Otávio, por outro lado, estava envolto em seus pensamentos enquanto servia drinks e ouvia os desabafos dos clientes já bêbados.
— Sabe, moço… Como é seu nome mesmo?
— Otávio.
— Então, Otávio… Meu coração tá quebrado, cara, e a culpa é toda dela! Não, a culpa é minha por ser um trouxa… Desce mais uma, por favor!
“Era só o que me faltava: ter que passar a noite inteira ouvindo esses idiotas chorando as mágoas por terem levado chifre”, pensou Otávio.
— Sabe, eu sempre fui apaixonado por ela. Sempre estive do lado dela, mas sempre tive medo de cruzar a linha da amizade. Poxa, meu medo era de perder ela por completo! Mas agora perdi ela pra outro… E ela não me quer mais nem como amigo. Você acha isso justo?
— Não é justo! — Otávio respondeu firme. — Você tá sempre ali, cuidando e protegendo, mas, do nada, vem um filho da puta desgraçado e acha que pode bagunçar os sentimentos da pessoa que você se dedicou a proteger! E essa pessoa simplesmente não entende que você sabe que ele é um mau-caráter, que pode fazer ela sofrer… Ah, mas ele não vai fazer essa pessoa sofrer. Isso o senhor pode ter certeza!
— Calma, cara! Até parece que levou pro pessoal…
— Deixa pra lá. Vou te dar uma dose por conta da casa.
{……..}
Eduardo e Arthur terminaram a noite e, sem nem perceberem, já estavam novamente em frente à entrada do prédio de Eduardo.
— Hoje a noite foi incrível, Arthur! Muito obrigado.
— Incrível foi ter você como companhia. Não consegui tirar os olhos de você sequer um segundo. A sua beleza é simplesmente hipnotizante, Eduardo.
Arthur dizia com um tom de voz envolvente e sedutor enquanto ia se aproximando, levando as mãos lentamente ao rosto dele.
— Sua boca é hipnotizante. Eu perderia horas e horas olhando para ela sem me cansar… Mas não sei se vou conseguir me contentar em apenas olhar. Meus lábios precisam encontrar os seus.
Arthur continuava se aproximando, e Eduardo simplesmente se deixou levar pelos encantos da noite e pelo seu jeito doce e envolvente.
Arthur o beijou. Eduardo sentiu o corpo formigar e a cabeça girar. Há tempos não sabia o que era sentir o gosto de um beijo; há tempos outra boca não vinha ao encontro da sua.
Sua respiração estava ofegante. Sentiu que Arthur o devoraria se pudesse, percebeu as pontas dos dedos dele em sua nuca e um arrepio percorreu seu corpo. O ritmo começou a ficar mais intenso, incontrolável. Aquilo, para Eduardo, era rápido demais — e, por um impulso, ele se afastou.
— Me desculpa, Eduardo… Eu exagerei, não é mesmo? É que eu esperei tanto por isso que não consegui me controlar.
— Tudo bem, eu também correspondi — Eduardo respondeu, ainda ofegante, tentando recuperar o fôlego.
— Você acha que a gente pode continuar lá em cima? — Arthur disse em tom provocativo.
— Eu acho que tá rápido demais… Me desculpa, mas eu preciso de um tempo.
— Não tem problema, meu bem. Eu espero o tempo que precisar.
— Me desculpa de novo mas agora eu preciso subir. Mais uma vez, obrigado pelo jantar.
Eduardo disse enquanto apertava o passo e subia às pressas para o apartamento. Chegou e encostou na porta de entrada, deslizando o corpo até acabar sentado no chão.
“Porra, o que foi que acabou de acontecer? Como vou encarar ele amanhã?”
Capítulo 15
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A primavera sem Flores
Otávio é um nerd negativo e mau humorado, sempre no seu canto sem amigos por perto.
Eduardo é o mais popular da Faculdade
sempre positivo, bem humorado e confiante
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