Capítulo 28 — Limites
Um dia havia se passado desde a consulta médica.
Já era tarde da noite quando a porta do quarto se abriu.
Otávio entrou cambaleando levemente.
O cheiro de bebida era forte.
Mateus, que estava lendo um livro na cama, levantou a cabeça imediatamente.
Mateus: Otávio… você bebeu?
Otávio não respondeu.
Seus olhos estavam cansados e sua expressão era diferente do habitual.
Ele caminhou alguns passos na direção de Mateus.
Mateus levantou-se da cama, apreensivo.
Mateus: Você não está bem. Acho melhor descansar.
Otávio continuou se aproximando.
Sem dizer uma palavra, segurou o braço de Mateus.
Mateus tentou se soltar.
Mateus: Otávio… me solta.
Em vez de responder, Otávio se aproximou ainda mais, em um gesto impulsivo causado pelo estado em que se encontrava.
Mateus se assustou.
Com um movimento rápido, conseguiu se desvencilhar.
Mateus: Não!
Ele correu até a porta do quarto, saiu para o corredor e entrou no quarto de hóspedes que ficava logo ao lado.
Assim que entrou, trancou a porta.
Seu coração batia tão forte que ele mal conseguia respirar.
Encostado na porta, tentou recuperar o fôlego.
Mateus: O que foi que aconteceu…
Do lado de fora, tudo permaneceu em silêncio.
Nenhuma tentativa de arrombar a porta.
Nenhum grito.
Apenas o som distante de passos se afastando pelo corredor.
Mateus permaneceu trancado no quarto por um longo tempo, ainda abalado.
Naquela noite, ele decidiu que, enquanto Otávio não estivesse completamente sóbrio e disposto a conversar sobre o que havia acontecido, manteria distância.
O silêncio daquela madrugada deixou claro que algo havia mudado entre os dois — e que as consequências daquele momento ainda precisariam ser enfrentadas.
Capítulo 28 — Limites
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Correntes de Ônix
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