Capítulo 43 — Um Amigo na Hora Certa
Dois dias se passaram desde a discussão entre Mateus e Otávio.
Mateus continuava quieto.
Ia para a escola, voltava para a mansão e passava a maior parte do tempo no quarto ou na biblioteca.
Naquela manhã de sábado,
acordou preocupado.
Durante toda a semana, Mateus havia respondido suas mensagens com poucas palavras.
Aquilo não era normal.
Depois de pensar por alguns minutos, ele pegou o celular e ligou para Mateus.
O telefone chamou algumas vezes.
Mateus atendeu.
Mateus: Oi…
Sua voz estava fraca.
Paulo percebeu na mesma hora.
Paulo: Você está bem?
Mateus demorou alguns segundos para responder.
Mateus: Estou…
Paulo conhecia o amigo o suficiente para saber que aquela resposta não era verdadeira.
Paulo: Não está.
Silêncio.
Paulo respirou fundo.
Paulo: Posso ir até aí?
Mateus olhou para a janela do quarto.
Naquele momento, sentia que precisava conversar com alguém.
Mateus: Pode.
Paulo sorriu.
Paulo: Estou indo.
Cerca de quarenta minutos depois, o carro de Paulo parou diante dos enormes portões da mansão.
Após a autorização de Vinícius, ele entrou.
Ao chegar à porta principal, foi recebido pelo próprio Vinícius.
Vinícius: Seja bem-vindo de volta, Paulo.
Paulo sorriu educadamente.
Paulo: Obrigado.
Como ele está?
Vinícius suspirou.
Vinícius: Não tem sido uma semana fácil para o Mateus.
Paulo ficou ainda mais preocupado.
Vinícius conduziu o rapaz até o segundo andar.
Parou em frente ao quarto.
Toc. Toc.
Mateus: Pode entrar.
Paulo abriu a porta lentamente.
Encontrou o amigo sentado perto da janela, com um livro aberto no colo.
Mas era evidente que ele não estava lendo.
Seu olhar estava perdido.
Quando viu Paulo, um pequeno sorriso apareceu.
Mateus: Você veio…
Paulo aproximou-se.
Paulo: Claro que vim.
Você é meu melhor amigo.
Os dois ficaram alguns segundos em silêncio.
Então Paulo puxou uma cadeira e sentou-se de frente para Mateus.
Paulo: Agora me conta a verdade.
O que aconteceu?
Mateus abaixou a cabeça.
Suas mãos começaram a tremer.
Paulo percebeu imediatamente.
Paulo: Ei…
Você não precisa falar se não estiver pronto.
Mateus respirou fundo.
Os olhos se encheram de lágrimas.
Mateus: Minha vida mudou completamente…
De novo.
Paulo permaneceu em silêncio, ouvindo.
Mateus apertou as mãos.
Mateus: Eu estou com muito medo.
Paulo respondeu com calma.
Paulo: Você não precisa enfrentar esse medo sozinho.
Estou aqui.
Sempre que precisar.
Mateus finalmente deixou as lágrimas caírem.
Depois de dias guardando tudo para si, sentiu que, pela primeira vez, podia chorar na frente de alguém sem medo de ser julgado.
Paulo permaneceu ao seu lado.
Não fez perguntas.
Não tentou resolver o problema.
Apenas ficou ali, oferecendo a amizade que Mateus tanto precisava naquele momento.
Capítulo 43 — Um Amigo na Hora Certa
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