Capítulo 59 — O Hospital
O carro atravessou as ruas da cidade em alta velocidade.
Lá dentro, o silêncio era quebrado apenas pela respiração ofegante de Mateus.
Ele estava no banco de trás, apoiado contra o encosto, segurando a barriga com as duas mãos.
Outra contração começou.
Mateus fechou os olhos com força.
Mateus: Ah…!
A dor atravessou seu corpo inteiro.
Otávio, sentado ao seu lado, segurou sua mão.
Otávio: Respire devagar.
Estamos quase chegando.
Mateus tentou seguir a orientação, mas era difícil.
As lágrimas escorriam sem que ele percebesse.
Mateus: Está… doendo muito…
Otávio não respondeu imediatamente.
Apenas continuou segurando sua mão.
Pela primeira vez em muitos anos, sentia que não podia resolver uma situação apenas dando ordens.
Tudo o que podia fazer era permanecer ao lado dele.
Alguns minutos depois, o carro parou em frente ao hospital.
Antes mesmo de o motorista desligar o motor, dois profissionais de saúde já aguardavam na entrada com uma cadeira de rodas.
Assim que a porta foi aberta, Mateus tentou se levantar.
Outra contração o obrigou a parar.
Ele respirou fundo, apertando a mão de Otávio.
Profissional de saúde: Com calma. Vamos ajudá-lo.
Com cuidado, Mateus foi acomodado na cadeira de rodas.
Otávio caminhava ao seu lado o tempo todo.
Ao entrarem no hospital, a equipe médica já havia sido avisada da chegada.
A médica que acompanhara toda a gestação veio rapidamente ao encontro deles.
Médica: Mateus, eu estou aqui.
Como está a dor?
Mateus respirava com dificuldade.
Mateus: Está… muito forte…
A médica fez uma avaliação inicial enquanto a equipe o conduzia para a área de atendimento.
Médica: Vamos examiná-lo agora.
Ela olhou para Otávio.
Médica: O senhor pode acompanhá-lo até a porta da sala. Depois precisaremos preparar o atendimento.
Otávio assentiu.
Enquanto a cadeira de rodas seguia pelo corredor, Mateus procurou o olhar dele.
Havia medo em seus olhos.
Mateus: Otávio…
Otávio aproximou-se.
Otávio: Estou aqui.
Mateus apertou sua mão com toda a força que ainda tinha.
Mateus: Não… vai embora.
Otávio respondeu sem hesitar.
Otávio: Não vou.
Vou esperar por você o tempo que for preciso.
Mateus fechou os olhos por um instante, tentando controlar outra onda de dor.
A equipe abriu a porta da sala de atendimento.
A médica voltou-se para ele.
Médica: Vamos cuidar de você e dos bebês.
Confie na nossa equipe.
Mateus fez um pequeno aceno.
A porta começou a se fechar.
Otávio permaneceu parado do lado de fora, observando até o último instante.
Pela primeira vez desde que assumira o comando da organização criminosa, ele se viu completamente impotente.
Não havia estratégia, influência ou poder capazes de acelerar aquele momento.
Restava apenas esperar e torcer para que Mateus e os dois bebês ficassem bem.
Capítulo 59 — O Hospital
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