Capítulo 33 — A Primeira Visita
A última aula da sexta-feira parecia não terminar nunca.
Paulo olhava para o relógio a cada cinco minutos.
Mateus percebeu.
Mateus: Você está contando os segundos para ir embora?
Paulo sorriu.
Paulo: Claro. Você me deixou curioso a semana inteira.
Mateus riu.
Mateus: É só uma casa.
Paulo levantou uma sobrancelha.
Paulo: Pela quantidade de seguranças que te buscam todos os dias, tenho certeza de que não é “só uma casa”.
Antes que Mateus pudesse responder, o sinal finalmente tocou.
Toda a turma começou a guardar os materiais.
Os dois colocaram os livros nas mochilas e seguiram para o portão da escola.
Como sempre, o carro preto da mansão já os aguardava.
Vinícius estava ao lado do veículo.
Ao ver Mateus, abriu um pequeno sorriso.
Vinícius: Boa tarde.
Mateus: Boa tarde.
Paulo cumprimentou Vinícius com um aperto de mão.
Paulo: Prazer em vê-lo de novo.
Vinícius: Igualmente.
Ele abriu a porta traseira do carro.
Vinícius: Podem entrar.
Durante o caminho, Paulo não parava de olhar pela janela.
Paulo: Você mora muito longe da escola?
Mateus: Uns trinta minutos.
Paulo assentiu.
Os dois começaram a conversar sobre a prova da semana seguinte.
Depois de algum tempo, o carro entrou em uma estrada cercada por árvores.
Paulo percebeu que estavam se afastando da parte movimentada da cidade.
Paulo: Seu bairro é bem tranquilo.
Mateus apenas sorriu.
Alguns minutos depois, enormes portões de ferro apareceram à frente.
Assim que o carro se aproximou, os portões começaram a se abrir automaticamente.
Paulo arregalou os olhos.
Paulo: Espera…
O veículo entrou.
Uma longa estrada de pedra seguia até uma enorme mansão cercada por jardins, fontes e árvores muito bem cuidadas.
Paulo ficou completamente em silêncio.
Mateus observou a reação do amigo e não conseguiu conter uma pequena risada.
Mateus: Você está bem?
Paulo continuava olhando pela janela.
Paulo: Você… mora aqui?
Mateus assentiu.
Mateus: Moro.
Paulo passou a mão no próprio rosto.
Paulo: Eu estava imaginando uma casa grande…
Mas isso aqui…
Ele olhou novamente para a construção.
Paulo: Parece um hotel.
Mateus riu.
Mateus: No começo eu pensei a mesma coisa.
O carro parou em frente à entrada principal.
Um funcionário abriu a porta.
Os dois desceram.
Paulo olhava para todos os lados.
A fachada era imponente.
As janelas enormes refletiam a luz do fim da tarde.
Vinícius caminhou até a porta principal.
Vinícius: Sejam bem-vindos.
Assim que entraram, Paulo ficou ainda mais impressionado.
O enorme lustre de cristal iluminava o hall.
Uma escadaria de madeira levava ao segundo andar.
As paredes eram decoradas com quadros antigos e havia vasos de flores espalhados pelo ambiente.
Paulo falou quase em um sussurro.
Paulo: Isso é… incrível.
Mateus sorriu.
Mateus: Você acostuma depois de um tempo.
Paulo olhou para ele.
Paulo: Eu acho que nunca me acostumaria.
Vinícius interrompeu a conversa.
Vinícius: A biblioteca já está preparada para vocês estudarem.
Os três caminharam por um longo corredor.
Quando Vinícius abriu a porta da biblioteca, Paulo ficou completamente sem palavras.
As estantes alcançavam quase o teto.
Centenas de livros ocupavam as prateleiras.
No centro havia uma grande mesa de madeira.
Paulo aproximou-se lentamente de uma estante.
Passou a mão pelos livros.
Paulo: Eu nunca vi uma biblioteca particular desse tamanho.
Mateus colocou a mochila sobre a mesa.
Mateus: Eu passo bastante tempo aqui.
Paulo sorriu.
Paulo: Agora entendo por que você sempre tira notas boas.
Os dois começaram a separar os cadernos.
Enquanto resolviam alguns exercícios, conversavam e riam das dificuldades de Paulo em matemática.
Quase uma hora depois, a porta da biblioteca se abriu.
Os dois levantaram os olhos.
Otávio entrou calmamente.
Vestia um terno escuro e carregava alguns documentos.
Seu olhar passou primeiro por Mateus e depois por Paulo.
Mateus levantou-se.
Mateus: Paulo… esse é o Otávio.
Paulo imediatamente também ficou de pé.
Paulo: Boa tarde, senhor.
Otávio fez um leve aceno com a cabeça.
Otávio: Boa tarde.
Espero que esteja sendo bem recebido.
Paulo respondeu educadamente.
Paulo: Muito bem, senhor. Agradeço por permitir que eu viesse.
Otávio observou os livros espalhados sobre a mesa.
Otávio: Então vocês realmente vieram estudar.
Mateus sorriu.
Mateus: Eu falei que era esse o plano.
Otávio olhou para Paulo.
Otávio: Sinta-se à vontade. Se precisar de alguma coisa, basta avisar um dos funcionários.
Paulo assentiu.
Paulo: Obrigado.
Otávio fez um último aceno e deixou a biblioteca.
Assim que a porta se fechou, Paulo soltou o ar lentamente.
Mateus percebeu.
Mateus: Está tudo bem?
Paulo deu uma pequena risada.
Paulo: Seu marido é muito mais intimidador do que eu imaginava.
Mateus sorriu.
Mateus: Muita gente pensa isso quando o conhece.
Os dois voltaram a estudar.
Lá fora, parado no corredor, Otávio observava discretamente pela porta entreaberta.
Ao ver Mateus sorrindo enquanto conversava com Paulo, percebeu que aquela amizade fazia bem ao jovem.
E, pela primeira vez, não se importou com o som das risadas vindas da biblioteca.
Capítulo 33 — A Primeira Visita
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