Capítulo 50 — A Verdade
Era sábado à tarde.
Os enjoos de Mateus haviam diminuído um pouco, mas ele ainda se sentia cansado.
A campainha da mansão tocou.
Vinícius foi até a porta e encontrou Paulo.
Vinícius: Boa tarde, Paulo.
Paulo: Boa tarde. Vim ver o Mateus.
Vinícius fez um leve sorriso.
Vinícius: Espere um instante. Vou avisá-lo.
Alguns minutos depois, Mateus desceu a escada.
Ao vê-lo, Paulo sorriu.
Paulo: Como você está?
Mateus deu de ombros.
Mateus: Melhor do que ontem.
Os dois seguiram para a biblioteca da mansão.
Era um dos poucos lugares onde Mateus podia receber visitas.
Otávio não permitia que outras pessoas entrassem no quarto que dividia com Mateus.
A biblioteca estava silenciosa.
Os dois se sentaram em um sofá próximo à janela.
Passaram boa parte da tarde conversando sobre a escola, os professores e os trabalhos que haviam ficado pendentes.
Em alguns momentos, Paulo conseguia fazer Mateus rir.
Depois de algum tempo, Paulo ficou pensativo.
Mateus percebeu.
Mateus: O que foi?
Paulo respirou fundo.
Paulo: Posso te perguntar uma coisa?
Mateus assentiu.
Mateus: Pode.
Paulo olhou diretamente para ele.
Paulo: Como você conheceu o Otávio?
O sorriso de Mateus desapareceu.
Ele baixou a cabeça.
Ficou em silêncio por alguns segundos.
Paulo percebeu que havia tocado em uma lembrança dolorosa.
Paulo: Se não quiser responder…
Mateus interrompeu.
Mateus: Não.
Você merece saber a verdade.
Ele respirou fundo.
Mateus: Meus pais tinham muitas dívidas.
Mais do que conseguiam pagar.
Paulo permaneceu em silêncio.
Mateus continuou.
Mateus: Um dia, eles disseram que eu precisava me arrumar para um casamento.
Eu achei que fosse um casamento de conhecidos.
Mas…
Ele apertou as mãos.
Mateus: O noivo era eu.
Paulo arregalou os olhos.
Mateus: Eles fizeram um acordo.
Em troca do pagamento das dívidas…
Eles me entregaram ao Otávio.
Paulo ficou completamente sem palavras.
Mateus prosseguiu.
Mateus: Eu chorei.
Implorei para eles desistirem.
Tentei fugir antes de entrar no carro.
Mas não consegui.
Paulo perguntou em voz baixa.
Paulo: E o Otávio?
Mateus pensou por um momento.
Mateus: No começo eu tinha muito medo dele.
Achava que ele era exatamente como meus pais.
Ele sempre foi muito fechado.
Difícil de entender.
Paulo assentiu.
Mateus continuou.
Mateus: Ainda temos muitos problemas para resolver.
Mas… ele nunca mais tentou decidir tudo por mim como antes.
Pelo menos está tentando me ouvir.
Paulo colocou a mão sobre o ombro do amigo.
Paulo: Você passou por coisas que ninguém deveria passar.
Mateus sorriu de forma triste.
Mateus: Eu sei.
Mas agora…
Pela primeira vez, tenho um amigo de verdade.
Paulo sorriu.
Paulo: E isso não vai mudar.
Os dois permaneceram conversando até o fim da tarde, aproveitando o silêncio da biblioteca antes que Otávio voltasse do trabalho.
Capítulo 50 — A Verdade
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