Capítulo 21 – A Escolha de Max
A caverna mergulhou em silêncio.
O brilho verde do caldeirão iluminava apenas o rosto pensativo de Max.
As palavras de Kika ecoavam em sua mente.
“Em troca da sua voz… você terá pernas.”
“Mas, se Harry não se apaixonar por você, perderá tudo.”
Max olhou para as próprias mãos.
Sua voz…
Era o presente mais precioso que possuía.
Desde pequeno, sua canção fazia os golfinhos dançarem.
As baleias respondiam às suas melodias.
Até as correntes do oceano pareciam se acalmar quando ele cantava.
Entregar aquele dom significava abrir mão de uma parte de si.
Kika observava em silêncio.
Sabia que não precisava pressioná-lo.
O próprio coração de Max faria isso.
Kika: — Ainda está em dúvida?
Max respirou fundo.
Max: — Minha voz é tudo o que tenho…
A bruxa sorriu.
Kika: — Não.
Ela apontou para a imagem de Harry refletida no caldeirão.
Kika: — Agora… seu coração é tudo o que você tem.
Max permaneceu olhando para a imagem.
Lembrou-se da noite da tempestade.
Do momento em que segurou Harry em seus braços.
Da felicidade que sentiu ao vê-lo respirar novamente.
Fechou os olhos.
Então tomou sua decisão.
Abriu-os novamente e encarou Kika.
Max: — Eu aceito.
Um sorriso de satisfação surgiu no rosto da bruxa.
Kika: — Excelente escolha…
A bruxa abriu um sorriso.
Kika: — Então o pacto será selado.
Ela ergueu o tridente negro que usava como cajado.
A água começou a girar ao redor da caverna.
Correntes marítimas formaram um enorme círculo ao redor de Max.
As paredes tremeram.
As algas balançavam como se estivessem vivas.
As duas enguias começaram a nadar rapidamente em volta do príncipe.
Kika abriu um antigo livro de magia.
As páginas passaram sozinhas até pararem em um feitiço muito antigo.
Runas douradas começaram a brilhar.
Kika: — Príncipe Max… filho do Rei Tritão…
Ela olhou diretamente para ele.
Kika: — Você entrega sua voz livremente em troca de caminhar entre os humanos?
Max respirou profundamente.
Sua garganta apertou.
Sabia que jamais voltaria a cantar.
Mesmo assim…
Max: — Sim… eu entrego.
As runas brilharam com mais intensidade.
A água começou a vibrar.
O caldeirão lançou uma coluna de luz em direção ao teto da caverna.
Kika estendeu a mão.
Kika: — Então… cante pela última vez.
Max ficou imóvel.
Lentamente levou a mão ao peito.
Lágrimas escorreram por seu rosto.
Aquela seria sua despedida.
Ele fechou os olhos.
Então começou a cantar.
Sua voz encheu toda a caverna.
Era mais bela do que nunca.
As notas atravessaram as águas como um abraço.
Do lado de fora da caverna…
Golfinhos pararam de nadar.
Baleias responderam ao canto.
Tartarugas levantaram a cabeça.
Peixes de todas as espécies aproximaram-se da entrada.
Até os corais pareciam florescer.
Era como se todo o oceano estivesse ouvindo a última canção do príncipe.
Muito longe dali…
No palácio…
O Rei Tritão levantou lentamente a cabeça.
Reconheceu imediatamente aquela melodia.
Seu coração apertou.
Rei Tritão: — Max…
Calebe também ouviu.
Calebe: — É a voz dele…
David sorriu por um instante.
David: — Está cantando…
Mas Pietro sentiu um arrepio.
Pietro: — Tem alguma coisa errada…
De volta à caverna…
A canção terminou.
Um silêncio tomou conta do lugar.
Kika sorriu.
Kika: — Adeus…
Ela estendeu a mão.
Uma pequena esfera dourada começou a sair lentamente da garganta de Max.
Era sua voz.
A esfera brilhava intensamente.
Dentro dela ainda era possível ouvir o eco de sua última canção.
Max levou as mãos ao pescoço.
Tentou falar.
Max: — Eu…
Nenhum som saiu.
Seus olhos se encheram de lágrimas.
Ele tentou novamente.
Nada.
Sua voz havia desaparecido.
Kika segurou a esfera com delicadeza.
Ela deu uma gargalhada.
Kika: — Magnífica…
A bruxa absorveu a esfera para dentro de um colar de concha negra que usava no pescoço.
No mesmo instante, o colar começou a emitir um brilho intenso.
Kika sorriu, encantada.
Kika: — Agora… sua voz pertence a mim.
Max apenas abaixou a cabeça.
Kika pegou um pequeno frasco de cristal.
Dentro dele, uma poção azul-prateada brilhava como a luz da lua refletida no mar.
Ela entregou o frasco ao príncipe.
Kika: — Beba quando chegar à superfície.
Kika: — A dor será intensa…
Tão intensa que parecerá que sua cauda está sendo partida ao meio.
Mas, quando terminar…
Você terá pernas humanas.
Max segurou o frasco contra o peito.
Ainda em silêncio.
Ainda incapaz de dizer uma única palavra.
Kika aproximou-se e sussurrou em seu ouvido.
Kika: — Vá encontrar o seu príncipe…
Sem olhar para trás, Max deixou a caverna.
Enquanto ele desaparecia na escuridão do oceano, Kika sorriu de forma cruel.
Ela ergueu o colar e, pela primeira vez, cantou usando a voz de Max.
A melodia era tão perfeita que toda a caverna estremeceu.
Kika: — Em breve… Atlântida será minha.
Capítulo 21 – A Escolha de Max
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