Capítulo 33 – Dúvidas do Coração
O almoço continuava.
Depois da conversa sobre as caçadas, o clima parecia normal para os nobres.
Eles voltaram a falar sobre viagens, bailes e negócios.
Mas, para Max…
Nada parecia normal.
Ele permanecia em silêncio, olhando para o prato.
As palavras ainda ecoavam em sua mente.
“Quando será a próxima caçada?”
“Faz tempo que não capturamos uma sereia.”
“As escamas deles valem uma fortuna.”
Seu peito apertou.
Pensou em seu pai.
Em Calebe, David e Pietro.
Pensou em Azura, Linguado e Mari.
E em todas as sereias e tritões que viviam com medo dos navios humanos.
Harry percebeu que Max já não sorria.
Harry: — Max…
Você está bem?
Max forçou um pequeno sorriso e fez um leve aceno com a cabeça.
Mas seus olhos diziam o contrário.
Nesse instante, as portas da sala de jantar se abriram.
Quatro empregadas entraram carregando grandes travessas de prata.
O aroma espalhou-se pelo salão.
As travessas foram colocadas sobre a mesa.
Quando as tampas foram retiradas…
Havia peixes assados, salmão grelhado e trutas temperadas.
As empregadas começaram a servir todos os convidados.
Uma delas aproximou-se de Max.
Empregada Sofia: — Senhor Max.
Ela colocou um pedaço de peixe cuidadosamente em seu prato.
Max ficou imóvel.
Seu olhar permaneceu fixo naquele peixe.
Seu coração apertou ainda mais.
Naquele instante, não via uma refeição.
Via um habitante do oceano.
Lembrou-se dos cardumes que nadavam ao seu redor quando cantava.
Dos pequenos peixes que brincavam entre os corais.
De Linguado.
Seus olhos começaram a ficar marejados.
Abaixou lentamente a cabeça.
“Eles caçam sereias…”
“Agora também comem os habitantes do mar…”
Sentiu um enorme vazio dentro de si.
Harry voltou a observá-lo.
Harry: — Max… você não gosta de peixe?
Max apenas balançou a cabeça, dizendo que não.
Harry chamou uma criada.
Harry: — Tragam outra refeição para ele.
Legumes, frutas e pão.
Empregada Sofia: — Sim, Alteza.
Ela retirou o prato e trouxe outra refeição.
Max olhou para Harry.
Sorriu de maneira discreta em agradecimento.
Mas a tristeza continuava em seu coração.
Enquanto todos conversavam e comiam alegremente, Max baixou o olhar.
Em silêncio, uma pergunta começou a atormentá-lo.
“Será que valeu a pena…”
“Trocar minha voz…”
“Deixar meu pai…”
“Abandonar minha família…”
“Para ficar ao lado de um homem que caça a minha própria espécie?”
Uma lágrima escorreu discretamente por seu rosto.
Ele a enxugou antes que alguém percebesse.
Harry notou apenas que Max parecia profundamente triste, mas não conseguia entender o motivo.
Sem saber, o príncipe humano havia conquistado o coração de alguém que pertencia ao povo que seu reino perseguia.
E, pela primeira vez desde que chegou ao mundo dos humanos, Max começou a questionar se sua escolha havia sido realmente a certa.
Capítulo 33 – Dúvidas do Coração
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TOPÁZIO e o Pequeno Príncipe
Em TOPÁZIO e o Pequeno Príncipe
Ano: 1830
Em uma época de grandes reinos e expedições pelos mares, os humanos acreditam que sereias e tritões são criaturas perigosas. Em busca...