Capítulo 23 – As Primeiras Pegadas
A poção queimava dentro de Max.
Ele caiu de joelhos sobre a grande rocha.
Seu corpo inteiro começou a tremer.
Sem voz, apenas abria a boca em um grito silencioso.
Lágrimas escorriam por seu rosto.
Uma luz azul envolveu sua cauda.
As escamas começaram a brilhar intensamente.
A magia percorria cada parte de seu corpo.
Max segurou a pedra com força.
A dor era insuportável.
Parecia que seus ossos estavam sendo quebrados e reconstruídos ao mesmo tempo.
Sua cauda começou a se dividir lentamente.
A luz aumentava cada vez mais.
Os peixes que nadavam ao redor se afastaram assustados.
Azura, Linguado e Mari observavam escondidos entre as rochas.
Linguado começou a chorar.
Linguado: — Max…
Azura nadava de um lado para o outro, inquieto.
Azura: — Fiiii! Fiiii!
Mari permanecia em silêncio, mas seus olhos também estavam marejados.
A transformação continuava.
As escamas desapareceram uma após a outra.
As barbatanas se desfizeram como partículas de luz.
Então…
Pela primeira vez em sua vida…
Duas pernas humanas surgiram no lugar da cauda.
Max caiu sobre a pedra, respirando com dificuldade.
Seu corpo tremia.
A magia desapareceu lentamente.
O silêncio tomou conta da praia.
Max abriu os olhos.
Olhou para baixo.
Ficou completamente imóvel.
Onde antes havia uma bela cauda azul, agora existiam duas pernas humanas.
Com mãos trêmulas, tocou os próprios joelhos.
Depois os pés.
Era tudo tão diferente.
Tentou dizer alguma coisa.
Abriu a boca.
Mas nenhum som saiu.
Sua voz realmente havia desaparecido.
Lágrimas voltaram a escorrer.
Ao mesmo tempo, um brilho envolveu seu corpo.
A magia criou roupas simples de tecido bege, uma camisa de linho branco e uma capa azul-escura para protegê-lo do frio da madrugada.
Max levantou-se devagar.
No primeiro passo…
Perdeu o equilíbrio.
Thump!
Caiu de joelhos na areia.
Tentou novamente.
Segurando-se em uma pedra, conseguiu ficar de pé.
Deu outro passo.
Depois mais um.
Suas pernas tremiam.
Ele nunca havia caminhado antes.
Cada movimento era estranho.
Difícil.
Mas, aos poucos, começou a encontrar equilíbrio.
Azura aproximou-se da margem.
Azura: — Fiiii…
Max sorriu para o golfinho.
Ajoelhou-se na areia e acariciou seu focinho pela última vez.
Depois abraçou Linguado e encostou a testa no casco de Mari.
Mesmo sem voz, seus olhos diziam “obrigado”.
Mari respondeu com um sorriso triste.
Mari: — Vá, meu pequeno príncipe.
Que seu coração encontre o caminho que procura.
Max fez um leve aceno de despedida.
Então virou-se para a floresta que levava ao reino dos humanos.
Cada passo era inseguro.
Mas sua determinação era maior que o medo.
Enquanto desaparecia entre as árvores, Azura soltou um longo e triste assobio.
Azura: — Fiiiiiiii…
Nas profundezas do oceano, o Rei Tritão olhou para a superfície.
Sem saber por quê, seu coração ficou apertado.
Era como se tivesse acabado de perder uma parte de si.
E, pela primeira vez em dezessete anos, o jovem príncipe Max deixava o mar para caminhar pelo mundo dos humanos, em busca do amor que poderia mudar seu destino para sempre.
Capítulo 23 – As Primeiras Pegadas
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TOPÁZIO e o Pequeno Príncipe
Em TOPÁZIO e o Pequeno Príncipe
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