Capítulo 22 – O Adeus ao Oceano
A lua cheia iluminava a superfície do mar.
As ondas estavam calmas, como se o oceano soubesse que aquela seria a última noite de Max como tritão.
Ele nadava lentamente em direção ao seu esconderijo secreto.
Em suas mãos, carregava o pequeno frasco de cristal entregue por Kika.
Seu coração estava pesado.
Agora, o silêncio o acompanhava.
Por mais que tentasse cantar, nenhum som saía de sua garganta.
Era estranho.
Doloroso.
Max chegou ao jardim de corais onde passara boa parte de sua infância.
Azura foi a primeira a percebê-lo.
O golfinho nadou rapidamente até ele.
Azura: — Fiiii! Fiiii!
Azura esperou ouvir a voz alegre de Max.
Mas…
Nada.
Max apenas sorriu com tristeza e acariciou sua cabeça.
Linguado saiu de trás de uma anêmona.
Linguado: — Max! Você voltou!
Ele percebeu imediatamente que havia algo errado.
Linguado: — Por que você não está falando?
Max abaixou os olhos.
Com o dedo, escreveu na areia do fundo do mar:
“Eu não consigo mais falar.”
Linguado leu aquelas palavras.
Seus olhos se encheram de lágrimas.
Linguado: — Não…
Mari aproximou-se lentamente.
Ao ver o rosto de Max, compreendeu tudo antes mesmo de ler a mensagem.
Mari: — Você aceitou o acordo da bruxa…
Max confirmou com um leve movimento da cabeça.
Azura começou a emitir sons tristes.
Azura: — Fiiii…
Linguado olhou para o frasco brilhante nas mãos de Max.
Linguado: — Isso… é a poção?
Max assentiu.
Mari fechou os olhos.
Mari: — Ainda há tempo para desistir.
Max olhou para a superfície.
Depois, levou a mão ao peito.
Em seguida, fez um gesto desenhando um coração no ar e apontou para o céu.
Linguado compreendeu.
Linguado: — É por causa do príncipe humano…
Max sorriu.
Mesmo sem voz, seus olhos diziam tudo.
Mari aproximou-se e colocou uma das patas sobre seu ombro.
Mari: — Então siga seu coração.
Mas nunca esqueça quem você é.
As lágrimas escorreram pelo rosto de Max.
Ele abraçou primeiro Mari.
Depois Linguado.
Por último, abraçou Azura, que encostou o focinho em sua testa.
Era um adeus.
Talvez o último.
Max olhou uma última vez para o oceano onde nasceu.
Os corais.
Os peixes.
As águas cristalinas.
Era sua casa.
Então respirou fundo.
Nadou lentamente até a superfície.
A lua refletia-se sobre as ondas.
Ele subiu até uma grande rocha isolada.
Sentou-se nela.
Retirou cuidadosamente a tampa do pequeno frasco.
A poção brilhava como se carregasse estrelas em seu interior.
Max fechou os olhos.
Pensou em seu pai.
Em seus irmãos.
Em seus amigos.
E, por fim…
Pensou em Harry.
Sem hesitar, levou o frasco aos lábios.
Bebeu toda a poção.
Por alguns segundos…
Nada aconteceu.
Então…
Uma dor intensa percorreu seu corpo.
Max arregalou os olhos.
Segurou-se na pedra.
Sua cauda começou a brilhar intensamente.
A magia finalmente havia despertado… e sua transformação em humano estava apenas começando.
Capítulo 22 – O Adeus ao Oceano
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