CAPÍTULO 14
Em um quarto compartilhado do hospital, vários pacientes estavam deitados inconscientes em suas camas; todos eles participantes do protesto universitário. Felizmente, a explosão não causou mortes, mas provocou inúmeros ferimentos, tanto pela onda de choque quanto pela correria causada pela multidão em pânico.
Mas o mais desconcertante foi o que aconteceu depois: centenas de manifestantes, quase metade do total de participantes, desabaram repentinamente e perderam a consciência durante o incidente, e nenhum deles havia despertado nem mesmo no dia seguinte. Isso deixou os médicos e a população perplexos, sem entender o que havia acontecido.
Embora não estivesse claro se aquilo era apenas o choque provocado pelo evento traumático, ainda era um mistério por que centenas de pessoas haviam desmaiado ao mesmo tempo e por que permaneciam inconscientes por tanto tempo.
Pete estava sentado ao lado da cama de Ploy. Infelizmente, ela era uma das manifestantes que haviam perdido a consciência. Ele segurava sua mão enquanto Jack, Tao e Thua o observavam com preocupação.
Enquanto isso…
Niran se aproximou de Pete e deu um tapinha em seu ombro em um gesto de conforto, mas Pete se levantou de repente, gritando furiosamente.
“Eu vou acabar com todos aqueles filhos da p…!!”
“De quem você está falando?”, perguntou Niran, não para provocá-lo, mas para acalmá-lo, algo que naquele momento era realmente difícil.
“Daqueles caras que jogaram a bomba na minha irmã. Se eu pegar eles, vou matar todos.”
“Escute… aqueles caras só entraram para criar uma situação de caos. Mas o motivo de sua irmã estar assim é porque…”
Niran olhou mais uma vez para o estado de Ploy e para todos os outros pacientes antes de falar com convicção:
“Porque os espíritos deles foram devorados por Qi Rong.”
Pete ficou atônito e preocupado ao ouvir aquilo.
Niran segurou o braço de Pete.
“É melhor você vir comigo.”
“Para onde?”
“Acredite em mim, ficar aqui não vai ajudar sua irmã. Acalme-se, recupere-se e prepare-se para enfrentar Qi Rong. É assim que você realmente poderá ajudá-la.”
Antes, Pete não teria escutado e teria se deixado levar pela raiva. Mas agora, com a mente bem treinada e com o olhar compreensivo de Niran, que o fazia sentir que não estava lutando sozinho, ele se acalmou rapidamente.
Pete permitiu que Niran o conduzisse para fora segurando seu braço, deixando Jack, Tao e Thua completamente perplexos, sem entender por que o amigo deles, normalmente teimoso e impulsivo, estava sendo tão “gentil” com outra pessoa.
Quando Niran e Pete saíram, Jia Hao, Fei, Tong e Yok entraram no lugar deles.
Yok e Tong ficaram chocados com o que viram.
Yok até murmurou para si mesma:
“O que aconteceu com todas essas pessoas?”
Jia Hao aproximou-se da cama de um paciente que havia desmaiado por causa da confusão gerada durante o protesto.
Então pegou, da pequena mesa onde estavam guardados os pertences do paciente, um broche com a inscrição:
“Protejam nossa democracia”
Quase todos os manifestantes usavam aquele broche, incluindo Ploy.
Jack comentou:
“Eu vi no Instagram que a Ploy também estava usando esse broche.”
Assim que o tocou, Jia Hao percebeu que não era um broche comum.
Havia uma energia sombria nele, pois tinha sido previamente consagrado.
Ele o quebrou, revelando um pequeno pedaço de papel escondido em seu interior, com caracteres chineses escritos em sangue.
祭
Tong se aproximou para observar e conseguiu entender parte do que havia lido anteriormente.
“Isso é… o que eu estou pensando…?”
“Um símbolo de sacrifício”, esclareceu Jia Hao para Tong. “Alguém está usando essas crianças como parte de um ritual para sacrificá-las aos demônios. Qualquer pessoa que use esse broche será afetada.”
“Sacrificá-las?”, perguntou Yok, engolindo em seco com dificuldade.
Então Fei começou a explicar:
“A alma é uma parte vital do espírito humano. Se a alma de uma pessoa deixa seu corpo, essa pessoa não é diferente de um cadáver; ela respira, mas não está viva.”
“A alma humana é o sacrifício mais poderoso para os demônios.”
“Normalmente… sacrificar duas ou três pessoas já é suficiente.”
“Mas desta vez, eles sacrificaram centenas.”
“Nunca pensei que encontraria alguém tão cruel.”
Jia Hao falou com a voz tensa.
Tong, Yok, Jack, Tao e Thua apenas ficaram paralisados de choque.
A vegetação exuberante ao redor de um lago na província de Kanchanaburi era extremamente relaxante, e as montanhas majestosas ao fundo transmitiam uma poderosa sensação da força da natureza.
Ao entardecer, a luz quente do crepúsculo pintava a paisagem com uma beleza singular, como se fosse uma pintura.
A viagem de quase três horas havia valido a pena, especialmente quando Niran percebeu que a natureza ao redor estava ajudando a acalmar a raiva de Pete.
“Se conseguirmos trabalhar juntos para selar Qi Rong, minha irmã vai se recuperar completamente?”
Niran hesitou por um instante.
Para dizer a verdade, existiam muitos pequenos detalhes que poderiam mudar o resultado.
No entanto, ele não queria decepcionar Pete, então escolheu responder de forma segura.
“Sim.”
“Então quando podemos começar?”
“Tudo depende da sua preparação. Quando você conseguir usar o poder do seu macaco de seis orelhas, poderemos enfrentar Qi Rong.”
Niran virou-se para encarar Pete, colocou a mão em seu ombro e enfatizou:
“Embora você esteja forte agora, Pete, ainda possui uma grande fraqueza.”
“Essa fraqueza foi o que permitiu que o macaco de seis orelhas o dominasse completamente.”
“Você sabe o que é, não sabe?”
Pete suspirou.
“É a minha raiva?”
“Sim. A raiva é destrutiva. Quanto mais você a acumula, mais perde força vital e energia.”
“Isso significa que eu preciso controlar minha raiva?”
“Você não tem feito isso todo esse tempo?”
“E daí? Funcionou?”
Pete hesitou, sem responder, sabendo no fundo que aquilo havia sido um fracasso total.
Niran olhou para a frente, sentindo a brisa acariciar seu rosto, e então falou para que Pete percebesse a mesma sensação.
“O vento está soprando. Você consegue senti-lo?”
“Hum…”
“Você consegue fazer o vento parar?”
“Como eu poderia fazer isso?”
“Exatamente. Ninguém consegue.”
“O vento é a natureza. Ele acontece, sopra e depois passa.”
Niran fez uma pausa, permitindo que o vento vindo das altas montanhas os envolvesse até que ambos se acalmassem.
“O vento cessou.”
“Você sabe que não há mais vento, certo? Ou ainda consegue senti-lo?”
“Eu não sinto mais.”
“Porque aquele vento já passou.”
“O novo vento que sopra agora é um novo vento, não o mesmo vento.”
“E em breve ele também passará, assim como passou o vento que veio antes dele, assim como todos os outros ventos.”
Pete refletiu sobre o que Niran havia dito antes e inclinou a cabeça para trás para sentir a brisa suave que soprava gradualmente.
Pete pensou consigo mesmo que finalmente estava começando a entender as coisas, embora não completamente.
A situação enfrentada por Ploy, assim como a das inúmeras vítimas que haviam se acumulado, significava que eles não podiam esperar mais.
Niran levou Pete para realizar o ritual de despertar o demônio macaco de seis orelhas, a fim de verificar se ele conseguiria controlá-lo. Se falhasse, seu plano para subjugar Qi Rong seria frustrado, ou então ele teria que gastar tempo procurando outra solução.
O que era a última coisa que Pete queria que acontecesse.
Ele só queria que Ploy recuperasse a consciência o mais rápido possível.
Todos estavam em suas posições originais.
O corpo de Pete estava envolto por um pano grosso, enquanto Jack, Tao e Thua o seguravam por trás.
Desta vez, os três estavam bem preparados, usando capacetes, cotoveleiras e até mesmo correntes, caso Pete perdesse o controle novamente.
Jia Hao e Fei não tinham certeza absoluta de que Pete conseguiria lidar com a situação desta vez, ao contrário de Niran, que o observava com confiança.
Antes de iniciar o ritual, ele falou para Pete:
“Não se esqueça de que o vento vem e vai.”
“Hum…”
Pete assentiu, tentando relaxar e acalmar a mente.
Pete fechou os olhos lentamente quando ouviu o tambor de Yok.
Pensou na brisa da montanha que acariciava seu rosto ao lado do lago e no toque firme e constante da mão de Niran sobre seu ombro.
Embora a raiva irracional retornasse, tanto a raiva contra si mesmo quanto a raiva contra o mundo, Pete permitiu que ela fluísse, sem tentar controlá-la ou administrá-la, como se fosse apenas o vento soprando, esperando que passasse.
Os sons do ritual foram desaparecendo pouco a pouco, e o ambiente escureceu.
Pete permaneceu de olhos fechados naquela escuridão antes de perceber que o cenário havia mudado.
Ele estava diante dos armários do clube de judô, guardando seus pertences para ir para casa, quando se virou e viu seu treinador correndo em sua direção furiosamente e lhe dando um forte tapa na orelha com sua mão grossa e poderosa.
“Por que você não veio treinar ontem, Pete? Me responda!”
O treinador tentou acertá-lo novamente, mas desta vez Pete segurou sua mão a tempo.
O treinador viu a expressão em seus olhos e falou em um tom autoritário:
“Está com raiva de mim, Pete? Vamos… faça isso!”
“O que está esperando?”
“Ou você está com medo demais, seu perdedor patético?”
“Você é um covarde!”
Pete cerrou os punhos de raiva enquanto o treinador continuava provocando-o.
“Faça isso!”
“Me dê um chute!”
“Ou pode até me matar!”
Naquele momento, Pete viu o rosto do treinador se transformar no rosto de um macaco enquanto gritava com ele.
“Bata em mim, seu maldito animal! O que está esperando?”
Pete parou abruptamente, percebendo instantaneamente que quase havia sido possuído pelo demônio.
Ele respirou fundo rapidamente e se recompôs.
“O vento sopra e depois passa.”
Quando Pete se acalmou, encarou o treinador diretamente e disse:
“Deixa pra lá, treinador. Acabou.”
Enquanto isso, Niran, ainda imerso no ritual, recitava encantamentos para provocar o demônio enquanto continuava observando Pete.
Ele percebeu que Pete perdeu a compostura por um momento, mas rapidamente voltou a se acalmar.
“Como está a energia agora?”, perguntou Jia Hao.
Tong respondeu com incerteza:
“Agora tudo voltou ao equilíbrio… se minha intuição não estiver falhando.”
“Aprenda a confiar mais em si mesmo”, disse Jia Hao.
Então ele se virou para Niran e falou:
“Acho que posso quebrar o selo agora.”
Niran assentiu.
Yok mudou o ritmo dos tambores enquanto Niran continuava recitando o feitiço.
Era como se o tempo tivesse voltado.
Pete abriu os olhos novamente diante do armário, apenas para encontrar o treinador correndo em sua direção, dando-lhe um tapa na orelha e dizendo coisas desagradáveis outra vez.
Mas desta vez era diferente.
“Pete, você sabe o quanto seus pais esperavam de você?”
“E isso é tudo o que você consegue fazer?”
“Estou realmente enojado.”
“Para que você nasceu, Pete?”
“Você nasceu para ser lixo.”
“Não importa o que faça, não adianta.”
“Por que os que tiveram que morrer foram seus pais?”
“Por que não foi você?”
Pete sentiu raiva.
Mas permitiu-se senti-la sem fazer nada.
“O vento sopra e depois passa.”
Mas desta vez o vento era tão forte que quase parecia uma tempestade, prestes a levá-lo pelos ares.
Foi então que Pete se viu novamente na margem do lago, lembrando-se do toque firme, mas acolhedor, da mão de Niran em seu ombro.
Ele imaginou abraçá-lo, usando-o como uma grande árvore na qual pudesse se segurar para resistir aos ventos cada vez mais fortes.
Até que finalmente se acalmou.
Pete abriu os olhos e olhou para o treinador, que não passava de uma ilusão criada pelo macaco de seis orelhas.
Esperou sua raiva passar antes de dizer:
“Isso não é real.”
“O treinador não falava comigo desse jeito.”
“São apenas vozes na minha cabeça.”
“Maldição!”
O treinador deu um forte tapa em Pete e o ambiente mudou mais uma vez.
Pete se encontrou novamente na escuridão antes de esbarrar nos pés de alguém…
Não…
Não eram pés de uma pessoa…
Mas os pés de um demônio!
Ele tinha uma forma humanoide, não muito alta, do tamanho aproximado de um pitbull, quase como uma cópia de um ser humano.
As únicas diferenças eram o pelo semelhante ao de um macaco, os intensos olhos amarelos de uma fera e as seis orelhas que surgiam de sua cabeça.
Era a primeira vez que Pete o enfrentava diretamente.
“Então era você quem estava dentro de mim desde que eu nasci?”, perguntou Pete, encarando o demônio macaco de seis orelhas.
O demônio saltou sobre ele, derrubando-o e espancando-o sem piedade até que Pete recuperou o equilíbrio e o chutou para longe.
Pete levantou-se lentamente e com calma.
Vendo que Pete permanecia imóvel, o macaco de seis orelhas saltou e lhe deu um chute no estômago, fazendo-o cair no chão.
O demônio continuou zombando dele, esperando provocá-lo para que ficasse furioso e se levantasse para lutar.
Provavelmente acreditava que daquela vez Pete perderia a cabeça.
Mas ficou decepcionado quando Pete não entrou em seu jogo, optando apenas por levantar-se devagar e calmamente.
Insatisfeito, o demônio o chutou várias vezes até derrubá-lo novamente.
Pete se levantou devagar e com tranquilidade, como sempre.
Foi o próprio demônio que explodiu em fúria, avançando violentamente contra ele.
Pete desviou agilmente de seus golpes antes de decidir agarrar suas costas e prendê-lo com força, fazendo os dois caírem no chão.
O demônio lutava para se libertar, debatendo-se e gritando, mas Pete o segurava com a mesma firmeza.
“Você quer ficar comigo, não é?”
“Então vai ter que ficar comigo desse jeito.”
“Quem está no controle sou eu, não você!”
Pete gritou, mantendo o demônio preso enquanto ele tentava desesperadamente escapar de seu aperto.
Pete abriu os olhos lentamente no mundo real.
Viu todos reunidos ao seu redor.
Niran, que estava mais próximo, falou:
“Consegui quebrar o selo do demônio macaco de seis orelhas.”
“Agora, a marca atrás da sua orelha é apenas uma tatuagem comum.”
“Ela não é mais um talismã protetor.”
“E o que vai acontecer comigo agora?”
“Bem, você ainda é você mesmo ou não?”
“Bom… sim.”
“Isso significa que você já tem o demônio sob controle.”
“Parabéns!”
Jack, Tao e Thua correram para abraçar e parabenizar Pete.
Pete soltou um longo suspiro de alívio.
Então encontrou o olhar de Niran, que também sorria para ele, claramente feliz com seu sucesso.
CAPÍTULO 14
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WU: UM DESTINO NÃO REVELADO
Pete é um jovem azarado que carrega consigo um fragmento de uma alma demoníaca e possui a capacidade de sentir Yao:...