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I Have a Sword to Ask the Heavens

Capítulo 16

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🟡 Em breve

— Ciyou, sei que você busca experiência, mas os Nove Reinos são perigosos. Tome extremo cuidado. As seitas principais se reunirão no banquete do Reino Sanqing em três meses. Não se atrase.

Lu Ciyou amassou o talismã de mensagem com um grunhido.

— Reino Sanqing? Nunca!

Participar daquele banquete seria pura humilhação.

Avistando uma nascente adiante na natureza selvagem do reino Canghai, ela se aproximou. A garganta estava seca, e ela bebeu profundamente — pedras espirituais e elixires eram escassos, e ela precisava de suprimentos da loja da família.

A água era doce… até que listras avermelhadas começaram a se espalhar.

Sangue diluído.

Lu Ciyou fez uma careta, subitamente sentindo um gosto metálico na boca.

— Que nojo! — cuspiu com força. — Vai morrer em outro lugar!

Logo adiante, na curva do rio, jazia um corpo. Sentindo uma respiração fraca, ela se aproximou e cutucou a figura com a ponta da bota.

— Ei. Ainda vivo?

O corpo ainda estava macio. Com um empurrão, virou de lado, revelando o rosto.

Lu Ciyou deu um passo trôpego para trás, chocada, precisando de algumas respirações para se recompor. Estudou os traços meio corroídos, sentindo uma vaga familiaridade.

As vestes cinzentas e desbotadas da mulher estavam em farrapos, sem qualquer emblema de seita.

Uma cultivadora errante?

Ela vinha encontrando cultivadores assim com frequência demais ultimamente.

Agachando-se, Lu Ciyou segurou o queixo da mulher, girando-o para os lados, mas não conseguiu identificá-la. Tirou de sua bolsa o último frasco de elixir e forçou o conteúdo para dentro da boca da mulher.

O medicamento se dissolveu na hora — sem risco de engasgar.

As pálpebras pálidas como de um cadáver se abriram de repente. Dois acessos de tosse molhada borrifaram sangue escuro sobre a saia e as botas de Lu Ciyou.

“…”

Ela contou até três batidas do coração e sussurrou entre os dentes cerrados:

Salvar uma vida é mais virtuoso do que construir uma pagoda de sete andares. É só roupa. Só roupa…

— A-ajude…

Uma mão suja de sangue agarrou a barra de sua roupa. Lu Ciyou suspirou.

Mais um fardo adquirido.

Ela ergueu a mulher nas costas e seguiu em direção às luzes distantes da cidade.

————

— Esse aqui?

— Ou esse?

— Esse tom de azul realça seus olhos.

Xia Shi permanecia imóvel enquanto Suiyin desfilava por mais de quarenta vestidos de oito lojas diferentes. Seus comentários haviam se resumido a sílabas únicas:

— Aceitável.
— Passável.
— Hn.

— Escolha maravilhosa! — exclamou o lojista, extasiado. — Este modelo é exclusivo da nossa loja! Essa seda carmesim a faz brilhar como uma fênix! Que graça! Que elegância!

Suiyin girou diante do espelho de bronze e depois deslizou em direção a Xia Shi num suave farfalhar de tecidos.

— E então?

Massageando as têmporas, Xia Shi levantou o olhar — e congelou.

— Linda.

A palavra escapou antes que pudesse contê-la. Depois de tantos azuis e verdes, o vestido escarlate transformava Suiyin. Sua pele de porcelana reluzia contra a seda ardente, suavizando a habitual frieza de sua expressão em algo quase acessível.

Vermelho tem mais calor do que branco, a lembrança surgiu, vinda da conversa que tiveram no reino secreto. Roupas brancas fazem você parecer uma geleira ambulante.

As palavras se encaixavam perfeitamente em Suiyin.

Xia Shi admitia que Suiyin ficava muito melhor de vermelho do que de branco.

Enquanto Xia Shi se distraía por um instante, Suiyin já havia fechado negócio com o lojista — comprando todos os vestidos vermelhos apropriados da loja, sem se importar com o estilo.

Com a bolsa espiritual abarrotada de pedras espirituais nas mãos, o lojista não poupava elogios, praticamente comparando Suiyin à lua celestial.

Suiyin sorria como uma flor em pleno florescer.

Xia Shi: “…”

Após guardar as vestes em seu anel de armazenamento, Suiyin se virou e encontrou Xia Shi ainda vestida de preto. Franziu o cenho.

— Você não vai trocar?

Roupas brancas já não eram lisonjeiras, mas o preto era ainda pior. Já silenciosa e séria por natureza, com roupas escuras Xia Shi parecia uma cobradora de dívidas.

Suiyin então se inclinou e sussurrou em tom conspiratório:

— Você tá falida?

Pelo menos ela ainda se lembrava de preservar a dignidade da amiga — assuntos financeiros não deviam ser discutidos em público.

Xia Shi: “…”

— Esta é uma vestimenta ritual. Encantamentos de limpeza são suficientes — respondeu com uma leve exasperação na voz.

— Mas você tá parecendo uma ladra! — Suiyin protestou, agarrando a manga de Xia Shi e reclamando enquanto a sacudia. — Troca isso!

Xia Shi permaneceu em silêncio, a tremedeira só aumentando sua dor de cabeça.

Com um estalar de dedos, transformou a túnica em azul-claro com forro branco.

— Feliz agora?

Suiyin inclinou a cabeça, avaliando, antes de abrir um sorriso.

— Sim! Bem melhor!

O azul e o vermelho se complementavam lindamente.

Ao saírem da loja, quase colidiram com Lu Ciyou, que carregava alguém nas costas.

Suiyin puxou Xia Shi dois passos para trás.

Encharcada de suor e fedendo a sangue seco, a aparência desgrenhada de Lu Ciyou fazia os transeuntes se afastarem com o nariz torcido. Ela ajeitava o fardo nas costas enquanto resmungava:

— Não morre agora! Não te carreguei até aqui à toa. Você me deve essa!

O peso do homem alto forçava a jovem pouco acostumada ao esforço físico. Ela continuava falando, apavorada com a possibilidade de seu “pacote” falecer sem que percebesse.

Apesar de mal consciente, o homem ainda conseguia soltar alguns grunhidos em resposta.

—Goo…

A fraca resposta aliviou um pouco a tensão de Lu Ciyou. Ao avistar o emblema de garça do Pavilhão Liujin mais à frente, forçou as pernas trêmulas a seguirem em frente.

Sozinha, ela jamais havia economizado poder espiritual. Agora, sobrecarregada, suas reservas estavam perigosamente baixas, obrigando-a a usá-lo com extrema parcimônia.

A jovem senhora agora contava cada fiapo de poder espiritual.

Duas figuras subitamente bloquearam seu caminho.

—Saiam da frente! —disse, irritada.

—Que grosseria!

A voz lhe pareceu estranhamente familiar. Lu Ciyou franziu a testa e ergueu os olhos. Ao reconhecer Xia Shi e Suiyin, seu rosto se iluminou.

—Vocês duas! Rápido, chegaram na hora certa! —Ela se virou de lado, gesticulando com urgência para que pegassem a pessoa semiconsciente em suas costas.

Seu movimento se inclinava claramente em direção a Suiyin.

A verdade era que ela nunca gostara de ninguém com o sobrenome Xia.

Suiyin recuou um passo, a expressão cheia de nojo.

—Tá brincando? Acabei de vestir essa roupa nova—tá linda e ainda nem esquentou no corpo. Eu é que não vou carregar esse trapo ensanguentado!

Lu Ciyou: —?

Ao notar o cansaço da amiga, Suiyin sorriu gentilmente.

—Eu ajudo a aliviar o peso.

De repente, Lu Ciyou sentiu o peso desaparecer das costas. Piscou, examinando as vestes impecáveis das duas antes de olhar para suas próprias roupas manchadas…

A jovem corou.

—T-tanto faz. Já estamos perto mesmo.

Ao chegar em sua loja, Lu Ciyou largou o ferido e correu para tomar banho. Quando voltou, limpa, o médico chamado por seu gerente já estava a postos.

—E então?

O médico fez uma reverência.

—Essa moça está com Geada Branca no corpo. Felizmente ainda não atingiu os meridianos—conseguimos conter temporariamente.

—Geada Branca?

—Um comprimido tóxico exclusivo dos Treze Domínios Fantasmagóricos. Dissolve-se no sangue. Em cultivadores? Letal. Na melhor das hipóteses, ela perderia todos os sentidos e a cultivação.

—Conter não é curar. Onde está o antídoto?

O velho puxou a barba, pensativo.

—Não existe antídoto. Os venenos dos Treze Domínios Fantasmagóricos são terríveis demais. Os cultivadores médicos dos Nove Reinos se dedicam à cura—quem estudaria algo tão vil nos últimos mil anos? Sem a fórmula original…

—Então ela está condenada? —A cadeira rangeu sob o aperto de Lu Ciyou.— Quase quebrei as costas carregando um cadáver?

—Ainda há esperança. —A voz de Xia Shi ecoou do canto da sala.

A jovem senhora lançou um olhar irritado, mas logo se lembrou de que devia a vida a Xia Shi. Seu tom saiu forçado:

—Ah, é? A grande cultivadora médica tem uma solução?

—Fruto do Espírito da Neve.

O médico assentiu.

—Cem anos para florescer, mais cem para frutificar. Cresce entre centenas de venenos… mas neutraliza todos eles.

Uma risada amarga cortou o ar da sala. Os nós dos dedos de Lu Ciyou ficaram brancos sobre o apoio do assento.

—O Fruto do Espírito da Neve só crescia na Região de Qinghu. Quatrocentos anos atrás, um raio celestial reduziu aquela terra a cinzas. Está extinto.

Xia Shi se encolheu ainda mais nas sombras.

Suiyin observou seus ombros desabarem. Estendeu a mão e segurou a de Xia Shi—o frio gélido fez um arrepio percorrer sua espinha.

—O que foi?

Xia Shi tentou se afastar, mas Suiyin apertou com firmeza.

— Amigos se importam uns com os outros. Não me exclua assim.

Xia Shi ficou em silêncio.

— … — Ela não disse nada.

— O que foi? Está chateada? — Suiyin envolveu a mão de Xia Shi na parte mais quente da sua palma.

— Não. — Xia Shi apertou os lábios. — Só estou lembrando de coisas antigas.

Suiyin observou seu rosto e deixou o assunto de lado.

Mais uma pergunta, e poderia perder essa amiga.

——

O silêncio se prolongou até que Lu Ciyou se levantou abruptamente. Ela caminhou até a cama, agarrou o maxilar da garota inconsciente e despejou à força um frasco de remédio em sua garganta — uma medida desesperada para tempos desesperadores.

— O que você deu pra ela? — Os olhos de Suiyin se arregalaram. — E se isso matar ela?

Lu Ciyou jogou o frasco vazio de lado.

— Ela já está quase indo mesmo. Vale tentar.

— Ginseng de Nove Espíritos do Pavilhão Liujin. Reanima cadáveres e reconstrói os meridianos. Também adicionei Fruto do Espírito de Neve. Vamos ver se a Geada Branca aguenta.

Xia Shi piscou.

— Isso é um remédio inestimável. Você simplesmente… deu assim?

O Ginseng de Nove Espíritos não era apenas o tesouro do Pavilhão Liujin — estava entre as curas mais raras dos Nove Reinos. A maioria dos ingredientes crescia na Região de Qinghu, agora estéril. O remédio havia se tornado insubstituível.

O coração de Lu Ciyou sangrou, mas ela deu de ombros.

— É só remédio.

Seu olhar se fixou, duro, sobre a cama.

Maldita seja. Nem oito vidas de serviço no Pavilhão Liujin pagariam essa dívida.

——

Yan Li flutuava por uma escuridão turva. Vozes ríspidas chegavam até ela — agudas, impacientes, mas reconfortantemente reais.

A morte se aproximava. As vozes concordavam: ela não podia ser salva.

Ela lutou para abrir os olhos, para ver quem falava. Inútil. A dor se espalhava como teias pelos ossos, drenando suas forças.

Caía sem fim. As vozes se esvaíam.

Morri.

Uma mão segurou a dela. O calor se espalhou dos dedos até o peito.

SPANG!

Poder espiritual explodiu pelo quarto. Madeira estilhaçou. Janelas se quebraram.

CRASH!

A última janela caiu. E Lu Ciyou também, arremessada para longe.

A jovem se levantou coberta de poeira, com um olhar assassino — e então soltou uma gargalhada selvagem.

Salvou uma vida. Perdeu seu poder. Desperdiçou remédio. Destruiu a loja.

No canto, duas figuras abaixaram sua barreira. Suiyin mantinha um braço ao redor da cintura de Xia Shi, dando tapinhas no próprio peito.

— Você tá bem?

Aposto que a Xia Shi ainda tá com pouca energia espiritual.

— Não é nada. — Mas o olhar de Xia Shi estava preso na figura inconsciente deitada na cama, alheia à mão que ainda repousava sobre ela.

Ela se aproximou do leito, abaixando o olhar para estudar o rosto marcado por rugas profundas.

Dentro do resquício de poder espiritual, detectou traços de energia interior do Reino Sanqing.

Lembrando-se da discípula desaparecida que procurava, Xia Shi se abaixou para levantar o braço da pessoa.

A manga estava quase toda rasgada, mas na borda desfiada, ela vislumbrou a ponta afiada da marca de uma flor de seis pétalas.

Apagando silenciosamente os últimos vestígios do emblema, Xia Shi recuou.

— Achou alguma coisa? — Suiyin cutucou.

— Ela está viva — respondeu Xia Shi.

— Viva! Magnífico! Verdadeiramente magnífico! — Lu Ciyou avançou, olhos em brasa, empunhando sua lança Dragão Ascendente como se fosse um arpão, a ponta apontada diretamente para a cama.

Seu rosto alternava entre riso e fúria, as mãos tremendo.

Xia Shi e Suiyin trocaram um olhar e recuaram discretamente para o canto.

Vai saber se aquela lança escaparia das mãos dela…

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Capítulo 16
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Na grande competição do Reino Sanqing, Suiyin conquistou o primeiro lugar em esgrima, recebendo a rara oportunidade de escolher seu mestre. Selecionar um mestre digno significava...

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  • Capítulo 20
  • Capítulo 19
  • Capítulo 18
  • Capítulo 17
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  • Capítulo 15
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  • Capítulo 12
  • Capítulo 11
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