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I Have a Sword to Ask the Heavens

Capítulo 19

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🟡 Em breve

— Por que fazer tanto escândalo logo na entrada?

A curandeira segurava uma corda que prendia Xia Shi e Suiyin pelos pulsos.

Xia Shi tentou reunir poder espiritual em segredo, mas uma dor repentina em seus meridianos a obrigou a desistir.

Suiyin, que vinha logo atrás, percebeu e enviou uma transmissão de voz:

— Não aja por impulso. Essa curandeira é perigosa. Espere uma oportunidade.

Elas foram arrastadas até um cômodo. A curandeira lançou um olhar para sua marionete, que imediatamente arrastou Suiyin até uma cadeira de madeira, amarrou-a e colou um talismã sobre ela.

Suiyin: “…”

Ela observou a curandeira empurrar Xia Shi para outra cadeira e desfazer as amarras dela.

— ?!

— Por que eu ainda estou amarrada?! — protestou Suiyin.

A curandeira levou o dedo aos próprios lábios.

A marionete pegou outro talismã de silêncio e o colou sobre a boca de Suiyin.

Suiyin: “…”

— Não tem medo de que eu reaja depois de me soltar? — perguntou Xia Shi.

A curandeira riu, colocando uma tigela ao lado da mão de Xia Shi. Ignorando a pergunta, disse:

— Preciso de sangue. Tire você mesma.

Suiyin piscava freneticamente para Xia Shi, os olhos arregalados. Dois talismãs paralisavam seu corpo e selavam sua voz.

Desde quando curandeiros pedem sangue de antemão?!

Uma sombra se projetou sobre Suiyin. Ela ergueu o olhar e encontrou a curandeira pairando diante de si, o rosto escurecido.

A curandeira a examinava como um quebra-cabeças.

— De que seita você veio?

A respiração espiritual de Xia Shi indicava claramente uma discípula de seita. Mas Suiyin? Raízes espirituais tênues, meridianos caóticos — uma anomalia.

As raízes espirituais e os meridianos se solidificam no nascimento, sendo fortalecidos ao longo de séculos de cultivo. Qualquer cultivador médico poderia avaliá-los com facilidade.

Esse mistério empolgava a curandeira. Duas pacientes — dois enigmas.

Os meridianos de Suiyin ainda estavam se formando, mais fracos que os de um recém-nascido.

Só quando Suiyin lançou um olhar penetrante é que a curandeira notou o talismã de silêncio. Ela o arrancou.

— De que seita?

Que seita imprudente aceitaria alguém tão frágil quanto vidro?

— Não é da sua conta! — rebateu Suiyin. Aproveitando a brecha, gritou: — Xia Shi! Não dê seu sangue pra ela!

A voz ecoou pelo cômodo. A curandeira franziu o cenho, irritada.

O talismã de silêncio foi colado de novo na boca de Suiyin.

Suiyin: “…”

Ela lançou um olhar assassino à marionete.

Desde quando marionetes são tão atentas assim?!

— Se não vai falar, vou ter que verificar por mim mesma — disse a curandeira, pousando a mão no ombro de Suiyin. Quando seu poder espiritual tentou sondar a raiz espiritual da garota, foi abruptamente repelido por uma força poderosa.

Sua palma entorpeceu com o contragolpe, mas a curandeira permaneceu imóvel no ar, a mão suspensa como se petrificada.

Xia Shi se aproximou e estendeu uma pequena tigela.

Uma fina camada de sangue recobria o fundo.

— Aqui está o que pediu.

— Ela é uma cultivadora errante, sem afiliação com nenhuma seita. Pare de importuná-la.

Xia Shi moveu-se ao lado de Suiyin, pressionando a palma no mesmo ponto onde estivera a mão da curandeira. Só depois de confirmar que não havia truques ocultos no corpo da garota é que relaxou.

A curandeira assentiu, distraída, erguendo a tigela para cheirá-la. Os frascos de vidro tilintaram quando ela se virou para sua bancada repleta de medicamentos.

— Você está envenenada. A toxina fermenta há três ou quatro séculos.

— Violenta por natureza, mas reprimida até recentemente.

— Você sabia?

O corpo imobilizado de Suiyin gritou por dentro: Séculos?! Xia Shi dizia ter vinte anos!

Mentira!

A curandeira inclinou a cabeça ao ouvir a negação murmurada de Xia Shi.

— Esse veneno gela os ossos e corrói raízes espirituais e meridianos durante surtos. Já teve episódios antes?

A mente de Xia Shi vagou por quatro séculos nebulosos.

— Nenhum.

Reclusa no Pavilhão da Espada, ela seguira o caminho da tranquilidade durante a ascensão de seu Mestre, insensível aos assuntos mundanos. Nenhuma memória de dor emergia daquela existência estagnada.

Seu despertar veio anos depois — escapando despercebida do Pavilhão da Espada até as neves eternas do Pico Wentiang. Apenas rumores sobre a Pedra Hanyu do Reino Secreto de Lingyang a haviam levado montanha abaixo.

A origem do veneno? O responsável? Os sintomas? Tudo envolto em neblina.

— Mmph! Mmmph! — os olhos piscando freneticamente e os gemidos abafados de Suiyin finalmente atraíram atenção.

Xia Shi retirou o talismã de silêncio. Assim que pôde falar, a garota explodiu:

— Que veneno? Dá pra curar?

O olhar da curandeira oscilou entre as duas.

— Curioso. A senhorita Xia é quem carrega o veneno, mas você é quem está chorando.

Xia Shi se virou. De fato, os olhos de Suiyin brilhavam, os cantos avermelhados.

Lágrimas? Por quase desconhecidas?

— Alergia! — disparou Suiyin. — Cada corpo reage de um jeito! Vocês cultivadores médicos não entendem nada!

Curandeira: “…”

Xia Shi: “…”

Enquanto Xia Shi removia os talismãs restantes, Suiyin se livrou das cordas e se lançou sobre ela.

— Está com frio? Sente alguma dor? Onde?

Apesar da preocupação parecer genuína, Xia Shi se encolheu com a abordagem repentina.

Ela afastou a mão e tossiu levemente.

— Não estou com frio, nem com dor. Estou bem.

Essa preocupação… é um pouco exagerada.

A mão agora vazia, Suiyin esfregou as pontas dos dedos, onde o calor de Xia Shi havia escorregado como seda.

Sentiu um estranho vazio.

Reprimindo aquela emoção estranha, Suiyin se virou para a curandeira que observava.

— Esse veneno pode ser curado?

A curandeira hesitou antes de responder:

— Reconheço a toxicidade, mas não consigo identificar a origem. Os Nove Reinos estão repletos de plantas e criaturas venenosas — algumas só existem em textos antigos…

Enquanto ela divagava, Suiyin a interrompeu bruscamente:

— Então você não pode curá-lo?

A curandeira permaneceu em silêncio.

O fantoche retrucou:

— Mentira! A mestra pode curar qualquer coisa!

A curandeira sorriu levemente.

Meia vara de incenso depois:

— Esses elixires vão suprimir temporariamente o veneno de frio. Preciso de alguns dias para estudá-lo — disse a curandeira, revelando uma garrafa de jade. — Irei procurá-las quando estiver pronta.

Xia Shi guardou a garrafa em seu anel de armazenamento e fez uma reverência:

— Agradeço.

— Ainda não me agradeça — a voz da curandeira se tornou sombria. — Se você piorar antes de eu criar o antídoto, vou mantê-la viva por meios excruciantes até que ele esteja pronto. Pode acabar me odiando.

Cultivadoras médicas sempre foram obcecadas por casos incuráveis.

Xia Shi se lembrou de outra praticante assim — uma amiga que desaparecia por semanas ao se deparar com doenças raras.

— Se duvidar de mim — acrescentou a curandeira —, procure a fruta de sangue no Vale dos Dragões Subjugados, em Qingshou. Ela suprime todos os venenos de frio conhecidos dos Nove Reinos. Pode não curar, mas ganha-se tempo.

O fantoche imediatamente apontou para a saída.

Fora do Solar da Beleza, Suiyin convocou seu leão de neve. Quase ajudou Xia Shi a subir, mas recuou ao ver um olhar confuso dela.

Quando a carruagem começou a se mover, Suiyin puxou um cobertor.

— Qingshou fica perto. Vamos passar por lá.

— Passar por lá? — Xia Shi piscou. Qingshou ficava a leste, enquanto o caminho delas seguia para o norte — não havia rota direta. Um desvio atrasaria a jornada ao Reino Sanqing.

O cobertor a envolveu completamente, com Suiyin ajeitando cuidadosamente cada borda.

…

Elas se conheciam há pouco tempo. Xia Shi a enterrara viva. A história entre elas era cheia de conflitos.

Ainda assim, desde o Reino Secreto de Lingyang, Suiyin buscava constantemente proximidade física — inclinava-se durante conversas, tocava-a casualmente. A mudança começou com a amizade declarada entre as duas.

Amizade…

Memórias de quatro séculos atrás emergiram — vagando pelos reinos, reunindo companheiros. Seu mestre havia notado quando transmissões de voz animadas interrompiam o cultivo, perguntando com desdém:

— Fazendo amigos de novo?

Na época, ela não entendeu as palavras de seu mestre, apenas notou a expressão estranha e os dentes cerrados por trás do tom.

Mais tarde, durante uma conversa com chá, Xia Shi soube por sua irmã sênior que, naquela época, seu mestre havia investigado a fundo todas as pessoas ao seu redor — chegando até a avaliá-las.

Sua irmã sênior brincou:

— O Mestre achava que você tinha escondido um parceiro de cultivo e ficou furioso.

Só então Xia Shi entendeu que o “fazendo amigos” do mestre não significava amigos comuns, mas parceiros românticos.

Quanto a Suiyin…

Se fossem amigas, Suiyin se importava demais — quase chorou ao saber que Xia Shi estava envenenada, e ainda desviava todo o caminho até Qingshou em busca de remédio.

Se fossem amantes…

Após um longo silêncio, Xia Shi fechou os olhos e sussurrou, com a voz trêmula:

— Suiyin.

— Hm? — Suiyin a encarou.

— Eu falo pouco, não tenho interesses e levo uma vida entediante.

Suiyin piscou, confusa com a súbita autocrítica. Apertou a mão fria de Xia Shi sob o cobertor.

— Você é maravilhosa.

Xia Shi congelou, silenciada pela resposta:

…

Você é maravilhosa. Eu gosto de você?

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Capítulo 19
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I Have a Sword to Ask the Heavens

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Na grande competição do Reino Sanqing, Suiyin conquistou o primeiro lugar em esgrima, recebendo a rara oportunidade de escolher seu mestre. Selecionar um mestre digno significava...

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