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I Have a Sword to Ask the Heavens

Capítulo 2

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🟡 Em breve

Aos pés da Montanha Cang, no Reino Secreto da Mansão Púrpura de Lingyang Jun.

Xia Shi caminhava ao longo de um riacho, com florestas sem fim às suas costas e montanhas nevadas ao longe, sagradas e intocadas como um reino celestial. Bestas espirituais bebiam nas margens, emitindo murmúrios baixos. O ar carregava um frio cortante vindo das montanhas cobertas de neve.

Apertando a espada em silêncio, Xia Shi parou ao passar por um cervo espiritual branco como a neve, que inclinou a cabeça para observá-la. Seus olhares se encontraram — humana e cervo. As bestas espirituais ali eram diferentes das demais; muitas eram manifestações da energia espiritual deixada pelo mestre do Reino Secreto da Mansão Púrpura ao morrer. Lingyang Jun, um cultivador de mil anos atrás com cultivo insondável, havia criado guardiões formidáveis para seu domínio.

O cervo espiritual se aproximou, circulando Xia Shi enquanto farejava sua respiração. Ela permaneceu imóvel, acompanhando-o apenas com os olhos. Bestas espirituais tinham seus próprios instintos — provocá-las não servia a nenhum propósito.

Sem aviso, o cervo enrijeceu e rosnou em direção às profundezas da floresta. Pressentindo o perigo, Xia Shi seguiu seu olhar.

Uma figura surgiu, vestida de branco, salpicada de sangue como flores carmesins sobre a neve. O cervo ergueu o pescoço e soltou um bramido ressonante. As bestas próximas ergueram as orelhas antes de se dissolverem em névoa. A névoa cobriu as margens do riacho enquanto o cervo recuava para dentro do nevoeiro, lançando um último olhar para Xia Shi antes de desaparecer.

A neblina se dissipou, revelando o estranho de branco. Xia Shi assentiu com um leve gesto de cabeça, evitando laços desnecessários. A figura pálida cambaleava, sem conseguir pronunciar sequer uma palavra diante de sua frieza.

Xia Shi se voltou em direção à Montanha Cang. Embora indiferente, sabia que o estranho a seguia por entre a paisagem deserta. Só parou quando a grama coberta de geada estalou sob seus pés na base da montanha.

Passos arrastados se aproximaram, as vestes brancas tremulando em sua visão periférica.

— Não vá além disso — disse ela, com frieza.

Uma risada fraca respondeu, interrompida por tosses. A testa de Xia Shi se franziu.

— O frio da montanha vai matá-la. Seu poder espiritual é fraco demais para se proteger.

— Grata, Companheira Imortal — Wen Zhishu apertou os lábios pálidos, seu corpo magro emanando determinação. — Mas eu preciso subir.

— Escolha sua — Xia Shi retomou a subida, sem conseguir ignorar as tosses que vinham atrás.

— Cof! Cof-cof!

Cada tosse parecia pronta para soltar os pulmões da mulher.

— Cof! Cof! Cof-cof-cof!

Se ela tivesse um cultivo mais forte, talvez suas tosses fossem capazes de provocar uma avalanche das neves milenares.

— Cof, cof—

Xia Shi suspirou e se virou, fixando-a com um olhar penetrante.

Wen Zhishu terminou de tossir por trás da mão antes de falar com um tom de desculpas:

— Vou pegar outro caminho mais adiante. — Ela apontou para a bifurcação que se aproximava.

Xia Shi analisou as trilhas divergentes — uma era suave e nivelada, a outra acidentada, com rochas salientes. Ela não teve coragem de mandar uma pessoa tão fraca seguir pelo caminho mais difícil.

— Aqui. — Estendeu um frasco de porcelana.

Sem hesitar, Wen Zhishu engoliu a pílula oferecida. Xia Shi arqueou a sobrancelha.

— Não tem medo de ser veneno? Ninguém aqui para testemunhar, se eu decidisse matá-la.

A mulher doente manteve um sorriso gentil, um pouco de cor voltando às suas faces.

— Se você quisesse me fazer mal, veneno seria desperdício. Qualquer cultivador no Refinamento de Qi poderia me matar com um único golpe.

Ela deu um tapinha no frasco de remédio.

— Isso emana uma energia espiritual tão potente — claramente é uma erva espiritual valiosa. Por que desperdiçar boa medicina para me matar?

— Por que entrar no reino secreto nesse estado? — Assim que as palavras saíram, Xia Shi se arrependeu. Claro que todos querem os tesouros do Reino Secreto da Mansão Púrpura de Lingyang Jun — a promessa de avançar no cultivo atrai até os mais fracos.

O sorriso de Wen Zhishu tornou-se amargo.

— Sei o quão tolo isso parece. Mas sem as sementes de Lótus Ziyan dos lagos gelados da Montanha Cang… — Sua mão pousou sobre o peito. — Esta condição no coração vai me levar de qualquer jeito.

— A noite se aproxima — Xia Shi observou o sol morrendo tingir de carmesim os picos nevados. — O frio da montanha vai matá-la antes da doença. Volte para casa — eu trarei sua lótus. — Ela girou o pulso, envolvendo a outra mulher com um véu cintilante de poder espiritual.

Wen Zhishu abriu a boca para agradecer.

— Não. — A cultivadora de preto ajustou o pano sobre o rosto. — Sua tosse me irrita.

— …Agradeço, Companheira Imortal. — Wen Zhishu se virou, depois parou. — Seu nome?

—Xia Shi.

Enquanto o cultivador enfermo se afastava, Xia Shi soltou um longo suspiro. Interações humanas sempre a deixavam exausta. Ao menos, não havia mentido — a Pedra Hanyu que precisava realmente estava nas mesmas águas gélidas que a lótus medicinal.

Flocos de neve pousavam nos cabelos de Xia Shi enquanto ela se aproximava da caverna abandonada. Embora não fossem extremamente raras, as Pedras Hanyu sempre atraíam bestas espirituais poderosas. No entanto, ela não detectou presenças ameaçadoras…

Espere.

Xia Shi franziu o nariz ao captar um leve traço de sangue no ar.

Apesar de sua cultivação ter enfraquecido ao longo dos anos, seus sentidos haviam se aguçado.

A entrada da caverna parecia tomada por ervas daninhas, mas uma observação cuidadosa revelava sinais de perturbação recente.

Ao afastar a grama seca, que lhe chegava à cintura, o cheiro metálico do sangue se intensificou.

Havia um corpo lá dentro.

Cabelos manchados de sangue cobriam-lhe o rosto, e cada centímetro das roupas estava encharcado de carmesim, sinais de um combate brutal.

A respiração da figura era irregular, a vida escorrendo quase por completo, a pele de um tom pálido fantasmagórico.

Xia Shi se ajoelhou e pressionou dois dedos contra o pulso.

— Energia espiritual drenada, meridianos despedaçados, nenhum traço de consciência restante. Nem mesmo os deuses poderiam salvá-lo agora.

— Companheiro Imortal, não é que eu não queira ajudar, mas… — Suas palavras morreram quando seu olhar se fixou em um leve brilho sob o peito ensanguentado.

O cultivador moribundo tentara esconder seu tesouro, desabando no meio do esforço. Metade do prêmio ainda estava visível.

Roubar de um indefeso parecia vil. Xia Shi se obrigou a se virar para ir embora.

Deu dois passos… então girou nos calcanhares.

Aquilo não era um tesouro qualquer — era a Pedra Hanyu!

— Xia Wuwei — murmurou —, hoje você se torna a parasita que tanto despreza.

Aqueles ferimentos certamente haviam vindo do confronto com as bestas guardiãs do espírito da Pedra Hanyu. Lucro à custa do sofrimento alheio desonrava os ensinamentos da sua seita.

Mesmo sabendo que a pedra acabaria nas mãos de outro aproveitador, a culpa corroía suas entranhas.

Ela suspirou para a figura que desaparecia lentamente diante de seus olhos.

— Vou lhe dar um enterro digno quando você partir.

Com a pedra em mãos, ela se lembrou da promessa feita à alma doente que a aguardava em casa. A Lótus Ziyan a esperava.

— Voltarei para lhe dar descanso após colher a lótus.

Xia Shi ergueu uma barreira espiritual e entrou na caverna.

Atrás dela, uma mão ensanguentada estremeceu. O vento levou as últimas palavras do moribundo:

— Ladr… vil… ladra…

A besta espiritual guardiã — nascida da energia espiritual de Lingyang Jun — havia se dissipado em névoa após a morte. Xia Shi encontrou o lago forrado de gelo intocado. Coletou metade das lótus Ziyan resplandecentes em seu anel de armazenamento.

Ao retornar, dissolveu a barreira. O corpo jazia imóvel, a respiração cessada.

— Esta caverna não permanecerá tranquila com a lótus aqui. Você merece um descanso melhor.

Ela carregou o cadáver até um bosque de pessegueiros.

— Este lugar combina com você. Já considerei um local assim para mim mesma.

— Se um dia conseguir restaurar minha espada — jurou —, guardarei sua sepultura por um século. Ainda que não tenha sido eu quem tirou sua vida, roubei aquilo pelo qual você morreu.

Mas a Pedra Hanyu… ela vale mais do que a própria vida.

A energia espiritual pulsou em sua palma. A terra se rompeu, abrindo espaço para uma sepultura.

— Não posso enterrá-lo assim.

Xia Shi retirou de seu anel de armazenamento um conjunto extra de vestes de discípula e vestiu o corpo com cuidado.

Após sepultá-lo, Xia Shi observou o pequeno monte de terra que havia construído e assentiu com satisfação. Dividiu o tronco de um pessegueiro próximo e talhou uma lápide de madeira.

A pedra não trazia nome algum — apenas um minúsculo caractere “Xia” gravado no canto inferior direito.

Tendo completado o túmulo, Xia Shi ergueu uma barreira ao redor da área para evitar distúrbios acidentais naquela tranquilidade.

— O nobre sacrifício do Companheiro Imortal será lembrado por toda a minha vida.

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Na grande competição do Reino Sanqing, Suiyin conquistou o primeiro lugar em esgrima, recebendo a rara oportunidade de escolher seu mestre. Selecionar um mestre digno significava...

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