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I Have a Sword to Ask the Heavens

Capítulo 8

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🟡 Em breve

A voz da mulher atacava as defesas mentais de Xia Shi. Fissuras se espalhavam pela tranquilidade acumulada em quatrocentos anos.

— Xia Wuwei! Você condenou todos! Deveria morrer junto com eles!

O vento cortante invadia a ferida deixada pela Espada Impiedosa no peito de Xia Shi. Seu rosto empalideceu enquanto as pontas dos dedos escureciam até um roxo profundo.

Ela ainda não conseguia ver claramente o rosto da mulher.

Xia Shi apertou os olhos e, de repente, varreu a mão para frente. Uma força poderosa dispersou a figura enevoada, restando apenas a espada formada pelo gelo flutuando diante dela.

Quando tentou tocar cautelosamente a lâmina, a energia gélida da espada repelira sua mão. Sangue brotava do corte fresco na palma, congelando instantaneamente nas bordas.

A Espada Impiedosa a rejeitava.

Xia Shi encolheu os dedos rígidos, a tristeza relampejando em seu olhar cabisbaixo.

Antes que pudesse se recompor, um grande borrão branco colidiu contra seu peito. Cambaleando para trás, viu Suiyin segurando a espada envolta em pano que ela conhecia tão bem.

Os olhos de Xia Shi estreitaram-se perigosamente. Aquela ilusão era feita só para ela. Como Suiyin havia entrado? A menos que fosse a mulher que quase destruiu seu caminho de tranquilidade momentos atrás?

Num movimento só, a mão de Xia Shi agarrou o pescoço de Suiyin enquanto a outra puxava sua espada. O vento uivava pelo corredor, embolando cabelos e roupas como estandartes ao vento.

Pressionada contra o ombro de Xia Shi, Suiyin conseguiu dar uma risada forçada:

— Só… queria dar uma olhada.

Ela supôs que a raiva vinha de ter tocado a espada preciosa — todo mundo sabia o quanto Xia Shi prezava aquela espada quebrada.

— Como? — Xia Shi apertou o aperto. A espada de gelo desaparecera, embora a ilusão permanecesse inalterada.

Suiyin torceu-se um pouco no aperto, olhando o corredor coberto de neve:

— Toquei no pano que a envolve e fui puxada — respondeu casualmente, como se falasse dos sabores do chá — Lugar sombrio. Sem vida aqui.

Este era o Pico Wentiang no Reino Sanqing — o domínio solitário de Xia Shi onde reinava o inverno eterno. As vistas congeladas do Terraço da Observação Estelar nunca a incomodaram; ela costumava observar as constelações cortando as tempestades de neve, com a espada como seu único consolo frio ao lado.

A pressão no pescoço de Suiyin diminuiu.

— Minha crítica te incomoda?

Xia Shi a empurrou.

— Não.

Mas a ilusão amplificava cada emoção, ameaçando os quatrocentos anos de calma cultivada. Sua suposta maestria no caminho da tranquilidade desmoronava ali, expondo feridas antigas nunca realmente curadas.

A névoa cinzenta invadiu o corredor, engolindo toda visão.

— Xia Shi! — a voz urgente de Suiyin soou abafada pela névoa.

Uma mão quente agarrou seu pulso, puxando-a para frente antes que pudesse reagir.

— Fique perto — a respiração de Suiyin roçou seu ouvido — Seu poder espiritual fraco te coloca em risco.

Xia Shi parou de resistir. Ainda não podia revelar suas verdadeiras habilidades.

Quando a névoa se dissipou, estavam sob uma árvore em um pátio desconhecido, onde antes havia o corredor nevado.

Sob a árvore, duas figuras sentavam-se de pernas cruzadas diante de um tabuleiro de xadrez. A mulher de robes verdes segurava as peças pretas, com a testa levemente franzida enquanto colocava uma pedra.

Xia Shi a reconheceu. Embora vista só em retratos, a tristeza silenciosa daquela mulher refletia a expressão do finado Lingyang Jun. Cultivadores temiam instabilidade emocional — por isso a maioria das estátuas imortais mostrava compostura calma. Só Lingyang Jun permanecia preso pela dor, nunca alcançando a ascensão à imortalidade.

Quanto ao oponente—

Xia Shi desviou o olhar. A outra figura se confundia com a névoa tênue, quase fundindo-se às roupas brancas. Os lábios da mulher curvavam-se para baixo, como se não estivesse acostumada a sorrir.

— Lingyang, você perdeu de novo — disse a mulher, colocando as pedras brancas com um suspiro leve — A cidade de Qingyun ainda não tem guardião. Você—

Lingyang Jun organizou as peças, respondendo calmamente:

— Tiansui, eu não posso me tornar imortal.

Os olhos frios de Tiansui mostraram rara confusão:

— Por quê?

Lingyang Jun tocou a corda vermelha no pulso, sorrindo levemente.

— Imortais protegem todos sem apego. Mas meu coração tem amor.

— Você— Tiansui suspirou, desistindo de persuadir.

As figuras se dissolveram como névoa matinal. Suiyin puxou a manga de Xia Shi.

— Por que imortais não podem amar?

— O amor gera favoritismo. Imortais parciais deixam de ser divinos — acrescentou Xia Shi após uma pausa — É o que eu suponho.

Afinal, ela não era imortal.

Suiyin murmurou:

— …Ah.

Enquanto as figuras desapareciam, Xia Shi viu uma marca dourada brilhar no pescoço de Tiansui.

Piscou para o símbolo desconhecido.

Uma espada quebrada materializou-se no tabuleiro, ao lado de uma caixa ornamentada.

Suiyin apertou os olhos para os caracteres gravados no punho:

— Corrente Quebrada.

— Corrente Quebrada… — leu, intrigada.

— A Espada Shenwu de Lingyang Jun — explicou Xia Shi.

— Bela lâmina — suspirou Suiyin — Pena que está quebrada.

Xia Shi notou a ponta faltando — menor que um dedo mindinho.

— Realmente uma pena.

— Será que ela deixaria sua arma no quinto andar? — Suiyin se aproximou — Qualquer um poderia—

Xia Shi a puxou para trás quando a energia da espada cortou o chão diante dos pés de Suiyin.

A barreira envolvia a Corrente Quebrada e a caixa, impedindo a aproximação.

Suiyin bateu no peito.

— Quase!

Sorriu para Xia Shi:

— Obrigada!

O sorriso radiante fez Xia Shi piscar.

— Lingyang Jun quase virou imortal. Correndo em direção à espada como—

Seu olhar caiu sobre a cabeça de Suiyin.

Suiyin inclinou o pescoço.

— Como assim?

Xia Shi:

— …

A energia da espada era vasta como o mar, porém contida, claramente deixada por Lingyang Jun para afastar caçadores de espada e não para matar.

Suiyin perguntou:

— Colocar uma arma divina à vista de todos, depois armar ilusões e energia da espada — será que ela quer que levem ou não?

Xia Shi olhou para baixo, esfregando a faixa de pano entre os dedos. Após uma longa pausa, respondeu:

— Ela não queria que sua espada fosse tomada por outros, mas não suportava deixá-la juntar poeira. Esperava que alguém pudesse consertar sua Corrente Quebrada um dia.

— Consertar? — Suiyin seguiu o olhar para a caixa ornamentada ao lado da Corrente Quebrada — Isso contém—

— Jade vermelho.

— Aquele tipo que repara armas divinas?

— Sim.

Como o Livro do Todo Conhecimento marcara a localização do jade vermelho, não podia haver engano. O que surpreendeu Xia Shi foi encontrar a Corrente Quebrada ao lado — aquele jade vermelho claramente fora deixado por Lingyang Jun para sua própria espada.

Xia Shi fitou a caixa ornamentada por um longo momento antes de suspirar:

— Vamos.

O jade vermelho já tinha dono. Levar não era opção.

Percebendo sua expressão conflitante, Suiyin sussurrou:

— Você veio pelo jade?

Depois acrescentou:

— Pra consertar essa sua espada toda quebrada?

Xia Shi lançou-lhe um olhar frio.

Suiyin apressadamente tampou a boca com uma mão, acenando pedido de desculpas com a outra:

— Tá! Falei fora de hora.

Quando Xia Shi permaneceu em silêncio, Suiyin insistiu:

— Está bem ali. Por que deixar?

De repente, perguntou-se se a cultivação mais fraca de Xia Shi a impedia de romper a barreira.

— Eu poderia ajudar você a pegar.

A barreira feita pela energia da espada parecia formidável, mas fina — fácil de quebrar. Xia Shi claramente prezava aquela espada. Por que vir até aqui para voltar de mãos vazias?

— Não. — Os olhos de Xia Shi demoraram na caixa ornamentada antes que ela desviasse o olhar. — Esse jade pertence à Corrente Quebrada. Levar seria roubo.

Suiyin piscou, surpresa com a postura moral.

Murmurou sem pensar:

— Ambas chamadas Xia, mas uma honrada enquanto outras exploram os fracos…

Estavam tão próximas que Xia Shi ouviu cada palavra.

— …

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Capítulo 8
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I Have a Sword to Ask the Heavens

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Na grande competição do Reino Sanqing, Suiyin conquistou o primeiro lugar em esgrima, recebendo a rara oportunidade de escolher seu mestre. Selecionar um mestre digno significava...

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