Capítulo 1: Os Ventos da Mudança
O sol nasce lentamente sobre as vastas florestas da terra dos Powhatan. Raios dourados atravessam as copas das árvores, iluminando rios cristalinos, campos floridos e montanhas ao longe. O vento suave dança entre as folhas, carregando o canto dos pássaros e o perfume da natureza.
A aldeia desperta.
Homens e mulheres iniciam suas tarefas diárias. Crianças correm entre as cabanas, rindo e brincando. O fogo das fogueiras crepita suavemente enquanto o dia começa.
No centro da aldeia, diante da maior cabana, está o líder do povo.
O Chefe Powhatan observa tudo em silêncio.
Alto, forte e imponente, ele usa vestes adornadas com penas e símbolos de sua tribo. Seu rosto transmite sabedoria, mas também preocupação.
Os tempos estão mudando.
E ele sente isso.
Chefe Powhatan: — Os ventos carregam algo diferente.
Um dos guerreiros se aproxima.
Guerreiro: — Meu chefe?
Chefe Powhatan: — A floresta está inquieta. Os espíritos tentam nos avisar de alguma coisa.
O guerreiro observa a mata.
Guerreiro: — Talvez seja apenas mais um dia.
Powhatan balança a cabeça.
Chefe Powhatan: — Não. Meu coração me diz que algo está chegando.
Enquanto isso…
Muito longe dali…
Um jovem corre pela floresta.
Seus longos cabelos negros balançam ao vento enquanto ele atravessa trilhas estreitas entre as árvores.
Ele salta sobre troncos.
Corre por pedras.
Sorri para o céu.
É Pocahontos.
O príncipe da tribo.
Com apenas dezoito anos, ele possui uma beleza rara. Seus olhos escuros brilham de curiosidade e bondade.
Mas o que mais chama atenção é sua liberdade.
Pocahontos parece pertencer à própria natureza.
Os animais não fogem dele.
Os pássaros pousam próximos.
Até o vento parece segui-lo.
Ele chega à margem de um rio.
Sorri.
Então mergulha.
A água cristalina envolve seu corpo enquanto ele nada com facilidade.
Ao emergir, ri sozinho.
Pocahontos: — Você nunca me alcança!
Uma voz responde logo atrás.
Nakoma: — Porque você corre mais rápido que qualquer pessoa desta aldeia!
Pocahontos se vira.
Nakoma surge entre as árvores.
Ela está ofegante.
Pocahontos: — Eu avisei que não conseguiria me acompanhar.
Nakoma: — Um dia vou conseguir.
Pocahontos: — Não hoje.
Nakoma revira os olhos.
Nakoma: — Você tem responsabilidades, sabia?
Pocahontos: — E você tem preocupações demais.
Ela cruza os braços.
Nakoma: — Alguém precisa se preocupar.
Pocahontos se senta sobre uma pedra.
O vento passa por seus cabelos.
Ele fecha os olhos.
Por um instante, parece ouvir algo distante.
Como um sussurro.
Como uma canção.
Nakoma percebe.
Nakoma: — O que foi?
Pocahontos: — Você ouviu?
Nakoma: — Ouvir o quê?
Pocahontos: — O vento.
Nakoma sorri.
Nakoma: — Você e suas conversas com o vento.
Pocahontos abre os olhos.
Pocahontos: — O vento sempre tem algo para dizer.
Nakoma: — E o que ele está dizendo agora?
Pocahontos observa o horizonte.
Seu sorriso desaparece por um momento.
Pocahontos: — Que alguma coisa está chegando.
Nakoma fica em silêncio.
Ela não gosta daquela resposta.
Enquanto isso…
Do outro lado do oceano…
Grandes navios avançam sobre as águas.
As velas brancas estão abertas.
O mar brilha sob a luz do sol.
No convés principal do maior navio está um homem de cabelos loiros e olhos azuis.
Alto.
Bonito.
Confiante.
É John Smith.
Ele observa o horizonte com os braços cruzados.
Ao seu lado está um marinheiro.
Marinheiro: — Ainda não consegue ficar parado?
John sorri.
John Smith: — Há um mundo inteiro esperando por nós.
Marinheiro: — Espero que esse mundo tenha ouro.
John dá uma pequena risada.
John Smith: — Você só pensa nisso?
Marinheiro: — E você não?
John olha novamente para o horizonte.
Por algum motivo…
A ideia de riqueza não o entusiasma tanto quanto antes.
O que ele deseja é descobrir.
Conhecer.
Explorar.
John Smith: — Talvez existam coisas mais valiosas do que ouro.
O marinheiro quase engasga.
Marinheiro: — Não diga isso perto do governador.
Os dois olham para a parte superior do navio.
Lá está o homem que lidera a expedição.
Governador Ratcliffe.
Vestido com roupas luxuosas e extravagantes, ele segura uma taça enquanto observa o mar.
Seu olhar brilha de ambição.
Ratcliffe: — Em breve estaremos ricos!
Os tripulantes comemoram.
Ratcliffe abre os braços.
Ratcliffe: — Ouro! Montanhas de ouro!
Todos vibram.
Menos John.
Ele apenas observa.
Em silêncio.
Naquela mesma tarde…
Pocahontos retorna à aldeia.
O Chefe Powhatan o espera.
Chefe Powhatan: — Meu filho.
Pocahontos: — Pai.
Powhatan sorri levemente.
Apesar de sua postura séria, ele ama profundamente o filho.
Chefe Powhatan: — Onde esteve?
Pocahontos: — Explorando.
Chefe Powhatan: — Como sempre.
Pocahontos sorri.
Pocahontos: — A floresta é grande demais para ficar parada.
Powhatan observa o horizonte.
Seu semblante fica sério.
Chefe Powhatan: — Os ventos estão mudando.
Pocahontos se surpreende.
Era exatamente o que ele sentia.
Pocahontos: — Eu também percebi.
Pai e filho trocam um olhar.
O vento sopra novamente.
Mais forte desta vez.
As folhas dançam pelo ar.
Ao longe…
Muito longe…
Os navios ingleses se aproximam cada vez mais da costa.
Dois mundos estão prestes a se encontrar.
E os ventos da mudança acabaram de começar a soprar.
Capítulo 1: Os Ventos da Mudança
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POCAHONTOS
No ano de 1607, quando navios ingleses chegam às terras da Tribo Powhatan em busca de riquezas, dois jovens de mundos completamente diferentes têm suas vidas transformadas para sempre.
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